sexta-feira, outubro 08, 2010

Apelo!

Fernando Schweitzer, Florianópolis/SC - Ator Não-Global, Diretor Teatral, Cantor, Escritor e Jornalista

Loucamente me lendo, ou seja, lendo meus artigos passados me assustei. Dentre outros temas, seja por fatalidade ou necessidade me debrucei sobre o tema televisão, como uma torrente intensa. Em media nos últimos anos de cada 10 artigos, 11 estava lá eu falando sobre o fetiche do brasileiro. Mas esse movimento corrosivo de minha pessoa se esvaiu, ao viver fora do país um tempo. Cada vez menos falei sobre o cubo mágico, cada vez mais me dedicando a sócio cultura. Assunto recorrente nas colônias de estrangeiros em Buenos Aires, guetos esses odiados pelos fascistas gentílicos portenhos (argentinos da capital).

Por não ter com quem comentar no dia a dia as peripécias de nosso poderoso e massivo meio de comunicação, me vi alienado e falando de uma TV do passado, mas que acabo de reencontrar no presente futuro. Fui exposto a um panorama múltiplo: ser de origem de um país onde muitos tem TV e morrem sem ler um livro, passei a viver em um país com níveis de leitura europeu mas com uma televisão mais sensacionalista e fútil que a brasileira. O concerne salvador da minha vida por terras portenhas fora a TV a cabo, que lá, têm trocentas opções de canais de língua espanhola. Realmente os pacotes de TV fechada lá a mim apetecem mais.

Hora ver um canal do Chile, hora do Peru, ou México, Espanha ou Colômbia... Me fizeram ver que por mais que tenhamos um rolo compressor chamado globalização, essa mesma infantaria sobre cada sócio cultura pode agir diferente. Minha única tristeza foi não poder ter visto nenhuma versão latina do Big Brother ou A Fazenda. Mas não faltaram os demais: Qual é o seu talento?, Fama, Ídolos e uma versão bizarra chilena do Hipertensão(ambientado num acampamento de exército).


Creio que cada vez menos escrevo sobre TV porque voltei a viver no Brasil. Quando mais eu assisto, menos tenho o que falar. Soltar rojões por estarmos prestes a emendar o fim da terceira fazendo com o décimo primeiro grande irmão? Falar sobre o mais novo calouro ganhador do velho programa do Raul Gil? Comentar na segunda feira mais um figurino estranho do Zeca Camargo? Quem tiver idéias sobre temas para artigos futuros, pode até ligar a cobrar, que estou aceitando. Necessito ter sobre o que escrever, senão morro de fome.

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