segunda-feira, maio 14, 2018

Texto comemora 21 anos no Teatro da UBRO

Tudo começa nesta inusitada trama com a desconfiança a respeito de uma traição é o ponto de partida de Bacalhau Regado ao Vinho, espetáculo que faz apresentação no próximo final de semana na capital catarinense. Escrita e dirigida por Nando Schweitzer, a peça trata da dona de casa portuguesa Maria de Fátima (Ju Linhares), que desconfia que o marido (Alex Rebello) a esteja traindo. Após o termino de temporada der seu outro espetáculo, O Cortejo, no dia 06 de Maio na cidade de Imbituba, no Teatro Usina A Tribo da Arte retoma suas atividades com a comédia à moda lusitana. As apresentações ocorrerão sempre as 20:15h no Teatro da UBRO.

Daniela Souza e Camila Andrade
Na primeira versão de Bacalhau Regado ao Vinho
Um texto que quando escrito em 1997 foi rechaçado pela então diretora do grupo teatral que Nando Schweitzer integrava à época. Assim começa a história deste espetáculo que completa já seus 21 anos. A peça Bacalhau Regado ao Vinho no transpassar dos anos teve 3 montagens, sendo a mais longeva a temporada 2004-2006. A trama parece ser inoxidável, e tem na atual montagem utilizado o mesmo texto sem qualquer tipo de alteração ou adaptação.
A protagonista De Fátrima de Bacalhau Regado ao Vinho ainda não sabe é que o caso extraconjugal é justamente com sua melhor amiga e vizinha (Ca Schimdt). A mãe também desconhece que seu filho Vasco (Nando Schweitzer) está apaixonado pelo filho da mesma Lucinda. Hipocrisia, ética e sexualidade são temas abordados na comédia que se passa numa tarde de Lisboa, capital portuguesa, da Cia. Teatral A Tribo da Arte.

Em sua vigésima nona direção (e também seu décimo texto encenado), Schweitzer mistura tendências da commedia dell'arte e da comédia de costumes. O espetáculo já fez apresentações em São Paulo, Curitiba, Porto Alegre, Joinvile e Buenos Aires.

Bacalhau Regado ao Vinho será apresentada no Teatro da UBRO as 20h15 nos dia 18, 19 e 20 de Maio) e em sua propaganda anuncia ser uma comédia com um mínimo de 57 gargalhadas garantidas ou seu ingresso de volta.

Em tempo, nas apresentações haverá o sorteio de brindes e o regresso ao elenco de Alex Rebello que integrou duas versões do espetáculo, em 2004 e 2013. Também o ator e diretor Nando Schweitzer regressará ao elenco interpretando a mesma personagem que fez em 2006 na peça, o problemático Vasco.

sexta-feira, maio 04, 2018

Anti-Política: O polo bipolar das polos!

Resultado de imaxes para camisa poloUm se forma e continua estudando. Aí numa segunda de manhã, come, toma um banho, coloca uma roupa bonita, nem muito largada nem muito formal, nem brega geralmente. Imprime o currículo no modelo do momento e vai a uma entrevista de emprego e recebe um não. Tenho 3 formações, comida e roupa. E não consigo um emprego. O que lhes faz pensar que se um morador de rua quer sair da rua e ter uma casa é só ele ter vontade?!

Confinada a umas poucas instâncias e escaninhos, a verdade, ela é proclamada como bandeira pelos que mais uma vez se aventuram a escrever uma história que lhes é interessante, mas não é a que vimos e testemunhamos.

Essa experiência comunista que jamais ocorreu de fato, experiência da emergência de um senso comum, desta falta de posse, do que não será posse de ninguém. Isto exige a reflexão sobre como sujeitos que não tem mais nada que os vincule à vida mutilada das sociedades capitalistas afirmam seu desejo de transformação e assim agiriam de forma revolucionária.

"Ser de direita ou esquerda não é só uma questão de educação. Até os genes podem condicionar a orientação ideológica. Os genes, a atividade cerebral e outras substâncias biológicas podem condicionar a orientação ideológica". Ao ler isto em uma tal revista científica fiquei pasmo, pois não se aperceberam do fenômeno brasileiro chamado "Pobre de Direita" ou "Capitalista sem Capital".

Toda a urgência que me faz sangrar em um mar de agonia é a esperança de antes de meus 4.0 ter uma vida digna. Quantos não devem pensar o mesmo a cada respiração neste continente tão massacrado e explorado? Um bastião de recursos naturais que parecem escorrer por um ralo que jamais se entupiu.

A quantidade de pessoas com camisa polo é sempre proporcional a chatice de uma festa, ou de uma manifestação política na atualidade brasileira.

quinta-feira, maio 03, 2018

Imbituba receberá neste domingo comédia sobre velório

A peça esteve um mês em cartaz em Florianópolis aos sábados de Abril no mítico bairro Santo Antonio de Lisboa. O público pode se deliciar com uma trabalho eclético com forte base no estudo de sotaques e pesquisa histórica para adaptação e tradução do texto. Um domingo em que Mama Cora, a matriarca dos Buscarolli de Musicardi é dada como desaparecida e depois como morta são o disparador desta comédia grotesca que chegará neste domingo(06) a cidade de Imbituba com sessões as 16h e 19h no Teatro Usina.

O Cortejo é a adaptação firmada pelo diretor e autor teatral galego, Nando Schweitzer. Usado o texto do uruguaio Jacobo Langsner, mesclado a versão cinematográfica argentina(1985) e ambientada no bairro paulista do Bixiga. Esperando la Carroza(título original) é uma comédia ácida e de matizes muito rebuscados, o termo no castelhano rio-platense significa "cortejo fúnebre" ou velório. A montagem emerge no contexto do atual teatro brasileiro insosso e repetitivo como um ar remoçado em meio a espetáculos inacessível ao grande público que migrou nos últimos anos para o cinema norte-americano ou a comédia de baixo QI ao estilo stand-up comedy.

Com uma proposta cênica ousada, o espetáculo promete a seu público como meta o mínimo de 57 gargalhadas garantidas ou seu ingresso de volta. Claro que se a pessoa tiver um bom nível intelectual ela dobrará a meta. Em uma adaptação interativa e fugaz o eclético elenco composto por atores de 2 nacionalidades em uma formação completamente distinta buscará abordar através do humor grotesco crioulo contido a base textual da obra do uruguaio Jacobo Langsner delicados temas como diferenças sociais, traição e falsidade, além do descarte de pessoas da terceira idade por familiares.

No Brasil o gênero de humor grotesco é praticamente inexiste. Somado a este fator, o ineditismo do autor Jacobo Langsner foram a grande prerrogativa da decisão da Companhia A Tribo da Arte em traduzir, adaptar e produzir o seu maior sucesso em nível internacional. O romeno, radicado no Uruguai, e ainda vivo recebe de então a promessa dos artistas de honrar sua trajetória de prêmios em ambos lados do Atlântico.


Teatro Usina: (48) 9-9946-1559 / 9-9903-0909 / 9-9978-9873 ou por e-mail desmontagemcenica@gmail.com 

segunda-feira, abril 30, 2018

Absolutamente tudo sobre o nada!


Resultado de imaxes para tudo sobre o nadaNão entendo do que gostei, mas gostei do que não entendi. Como aquele disco que na adolescência você desprezou, deixou passar desapercebido e que na fase adulta passas a idolatrar, só que o contrário.

Os opositores diriam amém, os apoiadores teriam ojeriza. Tão absurda é a ausências, que por excesso deixaram de ter nexo quando sobre ter nexo discursavam.

Sempre que eu penso em copiar um texto, um filme ou uma peça esbarro na minha incompetência vil e culminativamente cometo algo inédito e genialmente sem novidades, mas ainda assim único.

Dói demais pensar. Vivo com dor. Dolorosamente  e com constância causo dores a muitos. A tantos, a todos... Não! Nem todos pensam. Nem os que pensam estar a pensar.

Que estapafúrdio exercício é este? O da abstração estrabônica. Hombrosamente provocativa  o é, mas apenasmente quando não tem pretensão ou tertúlia.

Tantos temas a abordar que transbordam as ideias e sufocam-nas mesmo que aos gritos de liberdade soluçante que nada mais nos dão que a impossibilidade de ver o possível.

Porque essas palavras tortas e desconvexas? Só para não tocar nos assuntos que me dilaceram. Não posso suportar o que tenho presenciado, mas num lampejo lúcido que me direciona a fingir um ensaio sobre minha cegueira não me tornarei manifestante e calarei meu protesto perante a absurdo objeto artístico.

Se posso fujo. Escapando-me do senso comum e opacando meu juízo de valor particular, mesmo que publicando espritante e clarificada minha opinião.

Ao que um se mete a fazer algo o mesmo deve saber se fazer aquilo que um pretensamente se propõe a fazer.

Hemitartarato de Zolpidem, Stilnox, Zolpidem, Circadin... Não! Minutos incontáveis de inconsistência dramatúrgica revestida com treinamentos herméticos e contundência actoral excessiva causam melhor efeuto como indutores do sono.

Tudo isto fiz para simplesmente evitar fazer o que me late no pulsar catatônico de minha essência livre que carece de poder para ser transparente.

Por fim o fim, recheado de aplausos mais que um peru natalino estaria de farofa. Não me surpreende. Estou mais que acostumado a presenciar o despertar dos degustadores do letárgico em ovações viscerais a seus provocadores bergsonísticos. 

Como saber sobre o que não falei mesmo tendo falado sobre? Faça as contas olhando minhas postagens nas redes sociais e... Pimba!

quarta-feira, abril 18, 2018

Mínimo 57 Gargalhadas Garantidas, diz chamada provocativa para comédia na capital

A desconfiança a respeito de uma traição é o ponto de partida de Bacalhau Regado ao Vinho, espetáculo que faz apresentação no próximo dia 24 em Floripa, dentro do Projeto TAC 8 em Ponto. Escrita e dirigida por Nando Schweitzer, a peça trata da dona de casa portuguesa Maria de Fátima (Ju Linhares), que desconfia que o marido (Schweitzer) a esteja traindo. 

Neste mês A Tribo da Arte segue temporada com seu outro espetáculo, a comédia uruguaia, O Cortejo(Esperando la Carroza), no mítico bairro de Santo Antonio de Lisboa sempre as 20:30h, em todos os sábados de Abril. Ainda no dia 06 de Maio a trupe estreará na cidade de Imbituba, no Teatro Usina em sessões as 16h e 19h.

O a protagonista De Fátrima de Bacalhau Regado ao Vinho ainda não sabe é que o caso extraconjugal é justamente com sua melhor amiga e vizinha (Ca Schimdt). A mãe também desconhece que seu filho Vasco (Luca Gislon) está apaixonado pelo filho da mesma Lucinda. Hipocrisia, ética e sexualidade são temas abordados na comédia que se passa numa tarde de Lisboa, capital portuguesa, da Cia. Teatral A Tribo da Arte.

Em sua décima direção (e também seu décimo texto encenado), Schweitzer mistura tendências da commedia dell'arte e da comédia de costumes. O espetáculo já fez apresentações em São Paulo, Curitiba, Porto Alegre, Joinvile e Buenos Aires.

Bacalhau Regado ao Vinho será apresentada no Teatro Álvaro de Carvalho as 20h nesta terça(24) e em sua propaganda anúncia ser uma comédia com um mínimo de 57 gargalhadas garantidas ou seu ingresso de volta.

terça-feira, março 27, 2018

Sucesso internacional do Humor Grotesco estreia em Florianópolis

A comédia de humor grotesco, O Cortejo, iniciará temporada no próximo dia 07 de Abril em Florianópolis e seguirá aos sábados de Abril, as 20h30, com a Cia. A Tribo da Arte no Teatro Bacchus Cavea, que faz parte do complexo cultural Nau Catarineta no bucólico bairro de Santo Antonio de Lisboa.

O Cortejo, no original, "ESPERANDO LA CARROZA" (Esperando o carro fúnebre) é um filme cômico cult argentino que estreou em 06 de maio de 1985, baseada na peça de gênero criollo grotesco (costumes) ou comédia de humor negro. Inspirado no jogo homônimo do uruguaio Jacobo Langsner que estreou pela Comédia Nacional do Uruguai em 1962 e foi dirigido por seu colega uruguaio Sergio Otermin. O espetáculo é a adaptação firmada pelo diretor e autor teatral galego, Nando Schweitzer de ESPERANDO LA CARROZA(1962). Usado o texto original uruguaio de Jacobo Langsner, mesclado a versão cinematográfica argentina(1985) e ambientada no bairro paulista do Bixiga, retrata uma típica família italiana e conflitos universais.

O Cortejo teve sua estreia em novembro(2016) fazendo longa temporada todos os sábados no Centro Cultural Matrika, no momento em reformas para readequação e agora regressará em apresentações pontuais por vários municípios do estado. No Brasil o gênero de humor grotesco praticamente inexiste. Somado a este fator, o ineditismo do autor Jacobo Langsner foram a grande prerrogativa da decisão da Companhia A Tribo da Arte em traduzir, adaptar e produzir o seu maior sucesso em nível internacional. O romeno, radicado no Uruguai, e ainda vivo recebe de nossa parte o empenho de honrar sua trajetória de prêmios em ambos lados do Atlântico.

São o tripé de nossa montagem a pesquisa linguística do sotaque típico do bairro do Bixiga, na capital paulista que abriga a maior colônia de italianos e ascendentes do planeta praticando a uniformização da linguagem e sonoridade; a crítica sociocultural abordada no texto quanto ao descarte dos idosos em uma sociedade brasileira que em sua média envelhece a passos largos; e a desconstrução do discurso de que o único teatro possível é o subsidiado, superfaturado e insípido teatro com atores globais e grandes patrocínios como forma de entretenimento e instrumento artístico, ou de reflexão.

A octogenária Mama Cora (Nando Schweitzer), tem quatro filhos: Antonio (Kleber Soares), Sérgio (Maykon Ramos), Emilia (Jouber Albuquerque) e Giorgio (Wagner Cabral). Cora vive com este último, que passa por uma situação econômica angustiante, estresse financeiro e falta de espaço. Conflitos de gerações constantes somados ao péssimo humor de sua nora, Susana(Caren Odebrecht), disparam a trama de O Cortejo. Susana após ter uma maionese transformada acidentalmente em flã por Mama Cora vai desesperadamente a casa de seu cuinhado Sergio, implorar para que a idosa vá viver com ele por um tempo. Ela que estava a preparar maionese, e foi ao encontro de sua filha, deixando-a a merce de Mama Cora. Chegando furiosa a casa de Sérgio, que espera a ala rica da família para o almoço de domingo preparado por sua esposa, a Elvira(Aline Caminha) e sua filha Matilde(Yasmin Krug). Em meio a discussão de onde irão descartar a ancião e matriarca chegam os novos-ricos Antonio e Nora(Ju Linhares), sua esposa, que têm promovido o almoço econômica e socialmente em circunstâncias pouco claras.

O destino de Mama Cora enquanto o almoço não se inicia é desconhecido. Ao passo que ninguém quer assumir a responsabilidade para com a idosa, e cada um tentará impor a sua opinião, a ancião desaparece. Ao buscar sem encontrá-la os filhos fazem uma denúncia do desaparecimento a polícia e logo chega a notícia de que foi encontrado o cadáver desfigurado de uma velha debaixo de um trem. Os filhos fazem o reconhecimento do corpo se inicia o funeral aonde se revelarão muitos fatos obscuros desta peculiar família de ascendentes italianos do Bairro do Bixiga, pois algo há de se fazer enquanto todos estão Esperando o Cortejo.

Sábados de Abril, as 20:30
Ingresso - 30,00; estudantes e moradores do Santo Antonio de Lisboa 15,00
Nau Catarineta
Rua Cônego Serpa, n. 30, Santo Antônio de Lisboa
https://www.facebook.com/EspetaculoOCortejo
Ingressos: retirada uma hora antes do espetáculo
* Reservas pelo telefone 48 99697 8890
Meia entrada é aplicada a moradores de Santo Antônio de Lisboa, classe artística, estudantes, professores, maiores de 60 anos e portadores de necessidades especiais.

Elenco 2018

Giorgio – WAGNER CABRAL 
Susana - CAREN ODEBRECHT
Mama Cora – NANDO SCHWEITZER
Sergio – MAYKON RAMOS
Elvira – ALINE CAMINHA
Matilde - YASMIN KRUG
Nora – JU LINHARES
Antonio – KLEBER SOARES
Emilia - JOUBER ALBUQUERQUE

ADAPTADO E DIRIGIDO POR NANDO SCHWEITZER

Confirme presença no evento https://www.facebook.com/events/427045404379161/

Visto a falta de elenco para projetos ousados e sem patrocínio na cidade de Florianópolis o diretor galego residente na capital catarinense buscou uma solução inusitada para sua nova peça Somente Tu e Eu, que fará temporada paralela a "O Cortejo", e terão temporada tripla em várias cidades com a remontagem de Bacalhau Regado ao Vinho que completou 20 anos em 2018 regressará, além da inédita adaptação de Eles Não Usam Black Tie, inspirada na obra de Gianfrancesco Guarnieri.


sábado, março 17, 2018

A Caça dos Homossexuais e Travestis [Pragmatismo Político]

A história é uma narrativa, disso não há dúvidas. Quando abrimos um livro de história, ou ouvimos uma aula, ou estudamos para o vestibular, sabemos que aquilo que nos é contado é uma narrativa, uma forma de interpretar os fatos, a partir de certa perspectiva relacionada a um sujeito específico. Uma forma de olhar, ou como nos diria Donna Haraway, em seu artigo, “Saberes Localizados“, uma tecnologia do olhar.
Um saber localizado, a partir dos “corpos que importam” naquele contexto. Com a história da Ditadura ocorreu o mesmo. Nós aprendemos a lê-la e conhecê-la a partir de narrativas de heróis: Carlos Marighela, Vladimir Herzog, Frei Tito, e tantos outros nomes, que nos surgem em narrativas (merecidamente) heróicas de luta pela democracia.
Aos poucos, a história começa a nos contar nomes de mulheres, um trabalho árduo de pesquisadoras e feministas que olham novamente para aquele período e se perguntam: Onde estavam as mulheres? Assim surgiram nomes de mulheres vitais na luta contra o Regime Militar de 64: Amélia Teles, Ana Maria Aratangy, Crimeia de Almeida, Nildes Alencar, Maria Aparecida Contin, entre outras. Mulheres que foram invisibilizadas pelos relatos hegemônicos (masculinos) do período, mas que têm surgido como nomes importantes na luta pela redemocratização do país.
O saber histórico, ou seja, das narrativas, está em constante disputa. Precisa ser visto e revisto o tempo todo. No caso específico das pessoas transexuais, travestis, gays e lésbicas, é preciso um esforço na releitura do período da Ditadura civil-militar para encontrarmos nossa participação.
Tanto as violações que sofremos, quanto nossa participação nas lutas, como foi o caso de Herber Daniel, do Colinas (Comando de Libertação Nacional), organização à qual também pertenceu Dilma Roussef, nossa atual Presidenta.
Herber Daniel (Herbert Eustáquio de Carvalho), como nos relata o historiador James Green, brasilianista da Brown University, que por ser um homem gay, teve de esconder sua sexualidade para poder pertencer ao coletivo de luta anti-golpe, uma vez que a figura do homossexual, era tão apagada, desprezada e temida, que nem mesmo nos meios de esquerda eles eram aceitos.
O homem gay afeminado não “combinava” (cof) com a Revolução, havia, obviamente, um ideal de corpo revolucionário – este era geralmente viril, forte, másculo, heterossexual, cisgênero -, e não um corpo “degenerado”, “perverso”, “doentio” e “afeminado”.
Assim como Hebert, suponho que muitos outros homossexuais não podiam viver sua sexualidade livremente dentro de coletivos anti-golpe. Mas não foi apenas na “esquerda” que enfrentamos a intolerância e o preconceito. O governo autoritário da Ditadura Militar, tinha também, obviamente, um ideal de “povo” e de corpo são. Para isso, pôs em curso, um processo de higienização e caça à homossexuais, travestis, transexuais, e todo e qualquer desviante sexo-gênero, e “degenerados”. Amparados por uma ideologia cristã de família e moral, os governos municipais e estaduais realizaram verdadeira caça à homossexuais e travestis no Brasil, como nos conta o relatório da Comissão Nacional da Verdade – CNV , em capítulo destinado à violência contra a população LGBT.
O processo de limpeza e higienização era feito através de “rondões”, nas palavras do relatório da CNV, escrito por Renan Quinalha:
Em 1º de abril de 1980, O Estado de São Paulo publicou matéria intitulada “Polícia já tem plano conjunto contra travestis”, no qual registra a proposta das polícias civil e militar de “tirar os travestis das ruas de bairros estritamente residenciais; reforçar a Delegacia de Vadiagem do DEIC para aplicar o artigo 59 da Lei de Contravenções Penais; destinar um prédio para recolher somente homossexuais; e abrir uma parte da cidade para fixá-los são alguns pontos do plano elaborado para combater de imediato os travestis, em São Paulo”. (Relatório CNV, pg. 297)
Ainda segundo o mesmo relatório, foi estabelecido formas de “medir” o corpo das travestis, recolher suas imagens para “averiguação” a fim de determinar o quanto perigosas elas poderiam ser. O risco que ofereciam, nas palavras da Polícia, era de perverter e incentivar a juventude, além de propagar tais “abomináveis” práticas. Foi estabelecida uma associação direta entre os desvios sexo-gênero e a ideologia comunista. De modo que, a prisão de homossexuais e travestis, deveria ser feita de forma prioritária, como uma das formas de combate à perversão perpetrada por “comunistas”.
É importante perceber a ênfase sobre a “imagem” da travesti. No período da Ditadura, conhecemos nomes de travestis que se saíram muito bem, como é o caso da travesti Rogéria. Mas que imagem ela possuía? Porque não era uma imagem perseguida? Esta não é uma reflexão que caiba neste texto, talvez em um próximo. Mas pensarmos acerca disso é importante.
No RJ, a travesti, negra e chacrete, Weluma Brum, nos relata suas experiências com a polícia. Naquele momento, Weluma nos narra, que certa vez, ao ser parada pela polícia enquanto se prostituía na Central do Brasil-RJ, fora obrigada a fazer sexo oral nos policiais para não ser presa. Isso depois de apanhar de 4 policiais, que lhe batiam e davam choques. Depois, Weluma conheceu a estratégia mais comuns entre as travestis para evitar a prisão, segundo ela “Nós nos cortávamos com gilete, para que os policias não nos prendessem, vejam aqui, tenho ainda cicatrizes. Eles tinham medo que a gente se cortasse”. Este medo, é claro, advinha do estigma de serem soropositivas, afinal, é neste período que a AIDS é considerada “o câncer gay”, a partir de uma cruel biopolítica.
Outro importante aspecto do depoimento de Weluma, é quando ela diz: “Eu não sabia o que era uma travesti, jamais tinha ouvido falar disso”. No período da Ditadura, como nos relata o texto final da CNV, outra forma de perseguir e invisilibizar travestis e gays é a censura, que impedia que o tema fosse falado, comentado, na televisão e em jornais.
O jovem homossexual, a jovem trans ou travesti, não tinha como saber de sua sexualidade ou de sua identidade de gênero. Não havia representação na mídia, revistas, ou outras formas de conhecimento. O que havia era aquilo que Hannah Arendt chama de “profundo sentimento de não-pertencer”, o pensar estar sozinho “Será que apenas eu sou assim”?, “Havia bares e todo um sub-mundo gay”, frequentemente invadidos pela polícia, e de difícil acesso para o jovem homossexual ou travesti pobres.
Não havia parâmetro de identificação com outros sujeitos como eles. Havia, outrossim, os discursos pecaminosos. Na pesquisa para a elaboração deste texto, não tive contato com nenhuma pesquisa sobre a taxa de suicídio de jovens durante a Ditadura Militar, suponho que deva ter sido alta, sobretudo entre os jovens LGBTs (termo ausente naquele período).
Também gostaria de exemplificar, com um trecho do Relatório da Comissão Nacional da Verdade, o olhar que a Ditadura civil-militar de 64, possuía acerca de gays, lésbicas, bissexuais, transexuais, travestis e demais desviantes sexo-gênero:
A Revista Militar Brasileira, por exemplo, entusiasta do golpe, publicou artigos lamentando o declínio moral e o perigo da homossexualidade para a sociedade defendida por eles. Em 1968, no artigo “Rumos para a educação da juventude brasileira”, o general Moacir Araújo Lopes, membro do conselho editorial da revista, culpou a “infiltração comunista” feito por “pedagogos socialistas-radicais” como a causa do “desastre” cultural, religioso e sexual que a juventude vivia: “realmente, como designar a aceitação do homossexualismo, a vulgarização, entre a mocidade, do uso de entorpecentes e de anticoncepcionais, o enaltecimento do adultério, a aceitação pública da troca de esposas por uma noite, etc., etc., etc.”. Em 1969, o general Márcio Souza e Melo escreveu que “publicações de caráter licencioso (…) poder[ão] despertar variadas formas de erotismo, particularmente na mocidade, (…) contribuindo para a corrupção da moral e dos costumes, (…) sendo uma componente psicológica da Guerra Revolucionária em curso em nosso País e no Mundo”. Já em 1970, na revista Defesa Nacional, um autor, que usou um pseudônimo, argumentou que a mídia estava sob a influência da “menina dos olhos’ do PC” ( Partido Comunista, parênteses incluído por mim) e que os filmes e a televisão estavam “mais ou menos apologéticos da homossexualidade”. O general Lopes também publicou, na Defesa Nacional, um artigo contra “a subversiva filosofia do profeta da juventude” Herbert Marcuse, cuja filosofia promovia “homossexualismo” junto com “exibicionismo, felatio e erotismo anal”, além de ser parte de um plano de “ações no campo moral e político que (…) conduzirão seguramente ao caos, se antes não levassem ao paraíso comunista”. (Relatório CNV, pg. 292)
Além da caça à homossexuais e travestis nas ruas, para “limpeza”, empreendeu-se forte mecanismo de censura contra jornais, revistas, ou quaisquer outros meios que dessem alguma visibilidade a essas pessoas transviadas. Notório foi o caso do jornal “O Lampião da esquina”, destinada ao público homossexual, e que foi combatida amplamente pela censura, porém resistiu.
Quero destacar aqui, que para o olhar da Ditadura e dos sujeitos naquele período, não havia a distinção entre orientação sexual e identidade de gênero, como hoje o fazemos. Éramos todos “homossexuais” para eles. De modo que os registros da Ditadura, não esclarecem com clareza quem era travesti e quem não era.
Outro aspecto importante é sabermos que durante este período a homossexualidade (então conhecida como “homossexualismo”) era entendida como uma patologia. Muitos gays, lésbicas, travestis e transexuais foram internadas em manicômios como o Manicômio do Juquery, em SP, e o Manicômio de Barbacena, em MG. Alguns dos relatos destas pessoas podem ser conhecidos nos textos da historiadora Maria Clementina, do Departamento de História da Unicamp.
Quero ressaltar ainda a participação das lésbicas na resistência à Ditadura, com destaque à Cassandra Rios, autora do livro, censurado e proibido em livrarias, “Eudemônia”. Cassandra foi diversas vezes processada e perseguida pela Ditadura, não tendo havido ninguém que a defendesse ou se mobilizasse contra a perseguição realizada contra ela.
No movimento LGBT, lembramos sempre da Revolta de Stonewall, e esquecemos (ou desconhecemos) que o Brasil teve também a “mini-revolta de Stonewall” que ocorreu em São Paulo, no Ferro’s Bar, bar em que lésbicas reagiram a tentativa de expulsão delas, tanto pelo dono do estabelecimento, quanto pela polícia. Naquele espaço, panfletos de luta e liberdade sexual eram vendidos, e o ainda incipiente ativismo era discutido.
Renan Quinalha e James Green, recentemente lançaram um livro sobre o tema intitulado: “Ditadura e homossexualidades: Repressão, Resistência e busca da verdade” (Publicado pela EdUFSCar. Conversei ontem com Renan acerca do título do livro, e perguntei: “Por que homossexualidades?”, Renan me respondeu que não queriam ser anacrônicos, pois naquele momento, não havia a sigla “LGBT” e nem tampouco, se falava em “travestis”.
A justificava do autor é plausível, porém, é importante a problematização (que o livro traz já em seu primeiro capítulo) de que a travestilidade e a transexualidade não são “tipos de homossexualidade”, como sugere o título, uma vez que, já o sabemos com clareza desde Gayle Rubin e o artigo “Traffic in women: notes on the political economy of sex”, que orientação sexual e identidade de gênero são conceitos distintos. No caso específico do livro de Quinalha, é importante notar que, para o olhar da Ditadura, a travesti é apenas mais um tipo de ” gay”, e que o livro, por pretender-se fiel ao período, optou por tal nomenclatura.
O trabalho de encontrar onde estávamos ao longo da Ditadura apenas começou. Os sujeito desviantes, passam, agora, pelo momento de olhar para si, e se perguntar “Onde estávamos”?. O que sabemos hoje, é que a violência contra a comunidade LGBT, se deu em diversos âmbitos, na limitação de suas potências artísticas, na participação política, no trabalho, no exercício da liberdade, no conhecimento de si mesmo. Na patologização (ainda hoje sofrida pelas pessoas trans).
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quinta-feira, março 15, 2018

Mariellemos, a cada dia mais e mais!

Ontem 9 tiros restiraram da vida e de um país tão necessitado de pessoas, de seres humanos, uma bela criatura. Eu que estudei jornalismo na Estácio, não posso deixar de pensar minuto a minuto do crime no Estácio(bairro carioca). Além de todas as motivações que me comovem nesta catástrofe midiática, nesta possível execução de uma linha de pensamento por assim dizer que é das mais alarmantes desfeitas deste país tão desfeito.

Direitos humanos só podem fazer sentido quando vivemos num mundo com sentido. "Quantos mais precisam morrer para que essa guerra acabe?", referindo-se ao caso do jovem também assassinado na mesma cidade ao sair de uma igreja. Esta foi uma de suas últimas postagens da militante e vereadora Marielle Franco. Negra, nascida e criada na Maré favela que já fora invadida e intervinda algumas vezes, mãe aos 19 anos, foi uma candidata de forte apelo sociocultural em sua primeira campanha, ao levantar as bandeiras do feminismo e da defesa da população das favelas pelo esquerdista, PSOL. Foi a 5ª mais votada pelos cariocas.

Como nada é tão ruim que não possa piorar, ainda mais em se tratando de Brasil aonde o autoritarismo e o fascismo cresce a passos largos e em alta velocidade, já se pode ver nos comentários de postagens nos grandes diários pessoas pouco humanas a comemorar o trágico ocorrido. Existe no país tropical uma máxima que é a do pobre capitalista, "de bem", pró-capitalismo mesmo sem ter capital. Este genótipo pósmodernolíquido brasuka é assustadoramente insensível ao outro. Incapaz de ter embatia com os de sua própria classe. A empatia somente existe dos de baixo para com os de cima da cadeia alimentar, a inversa inexiste.

Para quem por não aceitar comentários discriminativos e por tentar não seguir uma conversa com o agressor em uma danceteria, logo após sofreu um ataque a frente da mesma que se não chegou ao óbito foi por sorte, um caso assim só pode fazer-se pensar que o Brasil é um país que não tolera o diferente. No casa de Marielle que além de ser diferente, fazia a diferença ao fazer diferente... Realmente neste país em que vivemos ela era uma afronta. 

Estamos hoje no Rio de Janeiro em estado de exceção. Intervenção militar hoje, intervenção miliciana a tanto tempo, intervenção social a muito. As expressões do carioca como você ser do asfalto ou da favela, são históricas. O que surpreende é que com toda essa bagagem de incluso já ter sido outrora a capital de um império luso que capitaneava países em outros continentes hoje se encontre em pleno caos.

Comportamentos casuais e aleatórios também são governados e estas podem predizer dois resultados para uma acontecimento?

A Anistia Internacional se pronunciou, em nota, afirmando que as autoridades "através dos diversos órgãos competentes, deve garantir uma investigação imediata e rigorosa do assassinato" de Marielle, e que "não podem restar dúvidas a respeito do contexto, motivação e autoria" do crime. Sem ter uma grande estrutura financeira sua candidatura virou um tsunami, pois atraiu mais 46 mil eleitores no pleito.

Eleita em 2016, esta mulher, negra, moradora de favela, ativista dos Direitos Humanos, LGBT, orgulho de seus pares do PSOL precocemente é usurpada do convívio e da luta em um país aviltadamente desigual. A lamentar também a morte de Anderson Pedro Gomes, servidor da Câmara que estava dirigindo o carro alvejado por tiros que tinham um destino óbvio e certeiro, a democracia.

Momentos antes de morrer, Marielle fez uma transmissão ao vivo em seu Facebook, durante uma roda de conversa do evento "Mulheres Negras Movendo Estruturas", realizado na rua dos Inválidos, na Lapa. Parece até roteiro de Fellini, mas essa é uma tragédia do Brasil real. Mariellemos, a cada dia mais e mais, ou sucumbiremos neste país medíocre, conservador, preconceituoso e covarde.

O PSOL, partido da vereadora ainda faz um chamado para um ato em homenagem e protesto em Florianópolis, marcado para as 17h desta quinta-feira, com concentração no Largo da Alfândega, no local conhecido como Esquina Feminista. “Transformaremos o luto em luta. Exigiremos justiça”, finaliza. a nota oficial do PSOL Florianópolis. 

Do Outro Lado do Rio

Agora temos uns piazinhos metidos a políticos e formadores de opinião que lançam postagens deste nível. Acompanham a atrocidade da imagem este texto esdrúxulo: "Sim, todos os homicídios no Brasil são políticos. Todos os mais de 60 mil." E a este coro de mongoloides unem-se fãs de Bolsonaro a comemorar um assassinato. 

Foto de MBL - Movimento Brasil Livre.

quarta-feira, março 14, 2018

A mensagem que nos deixaram com as manifestações

É interessante se pensar que uma camisa da seleção de brasileira de volei custa R$ 99,00, a da seleção nacional de handebol R$ 129,00, a de basquete R$ 159,00, a da CBF, ou seja, do futebol(ícone da alienação do país tropical) que fora a única vista nas manifestações ao lado de patos infláveis ocorrida nos últimos tempos R$ 169,90 a infantil(0-3 anos), a juvenil R$ 189,00, e a adulto R$ 229,90.
Tal reflexão nos leva a uma conclusão, de que o povo que perdeu seus domingos para os ditos protestos alardeadamente conta a corrupção, que de veras foi contra um governo de direita e que fascistas e manipulados denominam de comunista, é um ato para estudos profundos para psiquiatras e psicanalistas. Manifestar-se contra a corrupção e o comunismo, socialismo… algo que nunca houve e nunca haverá no Brasil é uma demonstração de psicopatia e analfabetismo histórico-político.
Senão isto, o alpendre só pode estar com uma máquina de fumaça contra mosquitos em que no lugar de inseticida, tem óxido nitroso ou algum alucinógeno mais forte. Pois, protestar contra a corrupção com uma camiseta da CBF é algo que somente a mentecaptos e acéfalos ocorreria.
Mas para não perdermos a semana e lutar contra a crise, que para mim vem desde 1964, daremos a solução para o nosso povo. Abram um negócio novo, pois em momentos de crise inovar é preciso. Comece preparando a coxinha de mandioca cozinhando o peito de frango em 600ml de água com o caldo de galinha e um pouco de sal. Quando estiver pronto retire e reserve o caldo (será usado no preparo da massa). Continue cozinhando o recheio da coxinha de mandioca preparando um refogado com o azeite, a cebola, o alho e o tomate picados. Adicione o frango desfiado, a salsinha e cebolinha e tempere a gosto. Sugiro manjericão e um pouco de rocoto ou pimenta dedo de moça, em pequenas doses para que a coxinha não fique indigesta, inovando com pedaços de tomate seco, em homenagem a seca do nordeste que desde Dom Pedro II, se promete acabar com a transposição do Velho Chico.
Enquanto você manda quem votou no governo continuista do planos de governo FHC para Cuba podes ir preparando a massa da coxinha de mandioca. Leve ao fogo médio uma panela com o caldo do cozimento do peito de frango e a manteiga. Quando o caldo ferver, adicione a farinha de trigo de uma só vez e mexa energeticamente até desgrudar da panela (cerca de 5 minutos). O resultado deverá ser uma massa lisa e sem grumos. Transfira a massa da coxinha para uma superfície de trabalho untada com um pouco de óleo de peroba, e espalhe com a ajuda de uma espátula ou de um cartaz da manifestação. Adicione a mandioca, pois fascistas adoram levar mandioca, e sove para misturar bem.
Enquanto o deputado Eduardo Cunha abre uma conta na Suíça pegue porções da massa e abra na palma da mão, coloque um pouco do recheio e feche em forma de coxinha e repita até esgotar a propina, a massa e o recheio. E logo chega a hora de botar a mandioca na rosca… Empane cada coxinha no ovo e depois na farinha de rosca. Geralmente os coxinhas fazem isso também quando são aprovados por meritocracia nos vestibulares de universidades públicas também. Coloque fritando em óleo quente até ficarem douradas (cor da camiseta da CBF) e coloque escorrendo em papel absorvente.
Suas coxinhas de mandioca da Palmirinha estão prontas! Sirva em seguida acompanhadas de mostarda e ketchup ou de um molho especial feito por si, como o molho de alho ou molho tártaro. Bom apetite!
Qual é a influência de meios de comunicação de massa, como a TV, sobre uma sociedade? Como as pessoas são mobilizadas a acompanharem um noticiário como se estivessem assistindo a uma telenovela, como ocorreu no recente caso da morte da menina Isabella? Os primeiros filósofos que detectarem a dissolução das fronteiras entre informação, consumo, entretenimento e política, ocasionada pela mídia, bem como seus efeitos nocivos na formação crítica de uma sociedade, foram os pensadores da Escola de Frankfurt.
Max Horkheimer (1895-1973) e Theodor W. Adorno (1903-1969) são os principais representantes da escola, fundada em 1924 na Universidade de Frankfurt, na Alemanha. No local, um conjunto de teóricos, entre eles Walter Benjamin (1892-1940), Jürgen Habermas (1929), Herbert Marcuse (1898-1979) e Erich Fromm (1900-1980), desenvolveram estudos de orientação marxista.
Os estudos dos filósofos de Frankfurt ficaram conhecidos como Teoria Crítica, que se contrapõe à Teoria Tradicional. A diferença é que enquanto a tradicional é “neutra” em seu uso, a crítica busca analisar as condições sociopolíticas e econômicas de sua aplicação, visando à transformação da realidade. Um exemplo de como isso funciona é a análise dos meios de comunicação caracterizados como indústria cultural.

segunda-feira, janeiro 22, 2018

Maconha é usada no lugar de incenso em Santiago de Compostela

monaguillos mariguana3 1024x777 - 2 coroinhas colocam maconha no incensário de uma catedral e a brincadeira acaba malDois coroinhas colocam maconha no incensário de uma catedral e a brincadeira acaba mal. O fato ocorreu na mítica Cathedral de Santiago de Compostela que abriga os restos mortais do apóstolo Santiago e é destino final de uma das maiores peregrinações do mundo católico no mundo. Várias pistas indicavam que os culpados eram os coroinhas. Depois da missa, a polícia os deteve. Eles não imaginavam que iriam acabar sendo presos. 

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Um dos paroquianos disse em entrevista ao ‘Hay Noticia’ que “Não era como o cheiro tradicional, era um cheiro familiar, mas não conseguia relacioná-lo com nada, mas a casa do meu filho às vezes tem esse cheiro“ - afirmou o fiel. Os dois coroinhas decidiram fazer uma grande piada e colocar maconha no incensário da Catedral de Santiago de Compostela, na Galícia, país que está em processo de desanexação da Espanha. Contudo, eles pagaram um preço alto pela brincadeira.

O incidente ocorreu no dia 6 de janeiro deste ano, durante a celebração da Epifania do Senhor na Cathedral de Santiago de Compostela. Para a ocasião foi usado um grande queimador de incenso. Tudo correu normalmente até o local começar a ficar com um cheiro forte de maconha.

Um deles mencionou o seguinte: “Foi uma brincadeira que surgiu durante a festa de Ano Novo, compramos meio quilo de maconha e colocamos dentro do incensário. É certo que as pessoas saíram da igreja mais felizes do que nunca”.

sexta-feira, janeiro 19, 2018

Um em cada seis homens é vítima de abuso antes dos 18 anos

A "Quebrar o Silêncio" foi fundada a 19 de janeiro do ano passado por Ângelo Fernandes em Portugal. Em apenas um ano, desde que foi criada para ajudar homens abusados sexualmente, a associação "Quebrar o Silêncio" recebeu 84 pedidos. A maioria foi vítima durante a infância, mas só teve coragem de denunciar o crime décadas mais tarde.
A "Quebrar o Silêncio" foi fundada a 19 de janeiro do ano passado por Ângelo Fernandes para ajudar homens que, como ele, foram vítimas de abuso sexual. Desde então, e em média, todas as semanas recebe mais do que um pedido de ajuda.

Em entrevista à agência Lusa, Ângelo Fernandes contou que foi abusado por um amigo da família quando tinha 11 anos, um segredo que só teve coragem de revelar aos 33 anos quando vivia no Reino Unido e encontrou ajuda numa associação que apoiava homens vítimas destes abusos.

Quando regressou a Portugal decidiu fundar a associação para ajudar outros homens que passaram pelo mesmo problema a partilharem o crime que viveram.

"Até agora, tivemos 84 pessoas que nos procuraram, a maioria homens, mas também familiares ou amigos que acabam também por ser afetados pelo abuso e precisam de algum apoio ou de saber como podem apoiar" as vítimas.

A maioria (80%) procurou ajuda pela primeira vez. "São homens que, em média, passaram 25 anos em silêncio", disse Ângelo Fernandes, explicando que "foram abusados sexualmente na infância" e só conseguiram pedir ajuda já adultos.

A idade média destes homens é de 36 anos, tendo o mais novo 22 e o mais velho 65. Na maioria dos casos, o abuso ocorreu entre os zero e os 11 anos e teve uma duração média de entre três e quatro anos, sendo que há casos que duraram dez ou mais anos.

Segundo Ângelo Fernandes, os longos anos de silêncio devem-se a "uma vergonha imensa" das vítimas causada pelas "estratégias de manipulação" dos agressores, que as fazem acreditar que foram responsáveis pelo abuso, porque o deixaram acontecer ou porque não foram capazes de o evitar.

"O peso dos valores tradicionais da masculinidade" que dizem que o homem tem que ser forte ou que não pode chorar também contribui para que "muitos homens não falem, não partilhem e não procurem apoio".

Há ainda outros fatores, como o facto de muitos homens acreditarem que o abuso sexual só afeta mulheres e que eles são "o único caso" e a ideia de que "os homens são sempre os agressores, nunca vítimas".

"Há uma certa resistência em reconhecer que os homens também são afetados pelo abuso sexual, quando na verdade um em cada seis homens é vítima de abuso antes dos 18 anos", elucidou, sublinhando que todas estas situações fazem com que apenas 16% reconheçam que foram vítimas.

Um em cada seis homens é vítima de abuso antes dos 18 anos

Outra "ideia errada" prende-se com as pessoas pensarem que "os agressores são estranhos". Em cerca de 90% dos casos, o agressor conhecia o rapaz ou a criança, porque era familiar ou conhecido da família. "Foi o meu caso", desabafou, contando que o seu agressor era um "amigo da família, uma pessoa de confiança".

Inicialmente, o agressor cria "uma relação de confiança, de amizade, para que a criança se sinta segura. Depois, tal como aconteceu comigo, vão introduzindo o toque e vão sexualizando gradualmente a relação para que a criança não tenha consciência do que está a acontecer" e até se sinta responsabilizada pelo abuso.

"Eu cresci a achar que tinha sido o responsável e que tinha sido eu até a seduzir um homem de 37 anos quando eu tinha apenas 11 anos", comentou o fundador da primeira associação portuguesa com apoio especializado a estas vítimas.

Além do acompanhamento das vítimas, a associação realiza sessões de sensibilização nas escolas, "onde se abordam temas para lá do abuso sexual".

Os próximos desafios passam por uma maior visibilidade da associação para poder "chegar a mais homens". Os que já pediram ajuda dizem que finalmente encontraram um espaço onde puderam partilhar a sua história e onde alguém acreditou no que diziam, explicou, lamentando que ainda exista "uma cultura de responsabilização das vítimas.

Para assinalar o primeiro aniversário, a associação lança hoje um "guia para homens sobreviventes de abuso sexual" e o vídeo "26 anos em silêncio".

Matéria reproduzida do Diário de Noticias - Portugal (19/01/2018)

quinta-feira, janeiro 18, 2018

Teste vocacional para... quê?

Nossos pais não querem nossa felicidade. Querem que ganhemos dinheiro. Você faz um teste vocacional que lhe aponta medicina como propensão e lhe inscreverão em um cursinho pré-vestibular, te prometerão um carro se aprovares na federal e o respeito prévio de toda a família por esta sapiente escolha de futuro.

Dentre outras profissões, e quando o digo é porque possuo registro e formação reconhecida pelo MEC destas, hoje sou jornalista. E nesta semana em particular recebi “sugestões” magníficas de como devo proceder para ter exito na minha carreira.
Que os ditos mais velhos sejam arcadistas não surpreende, mas ter seres da minha geração que estão robotizados e cooptados pelos sistema? É asqueroso, aviltante. Mas não fujamos do foco. Foca aí! Para operadores de telemarketing a frase teve muito mais sentido.
Sugerencia de nº 1: Porque você não se postula a vagas treinner, na RBS, pois não exigem experiência?
Fui obrigado a tragar meu ódio a imbecilidade e ignorância. Contesto que tenho sim experiência de mais de 7 anos na área, que não me interessa trabalhar de semi-escravo por um salário abaixo do piso salarial da categoria, que sim jornalismo bem como psicologia tem um conselho nacional e que se este que me sugeriu não aceita trabalhar como psicólogo por um salário abaixo do seu piso da categoria, porque eu como jornalista o deveria aceitar.
Detalhe desta conversação é que a pessoa não tem Facebook, somente Whatsapp e pelo advento do aniversário de um amigo em comum, após meses sem dar notícias e sem saber das minhas me larga esta excelente sugestão sócio-normativa.
Ao meio desta idiossincrasia tão agradável mandei o cidadão tomar refresco pelo orifício inferior. Afirmei não ter estudado e me formado para ser um desertor e algoz de minha própria categoria profissional. Anos trabalhando com música na noite, me fazem não aceitar pedidos de música ruim em um show, mais de duzentas personagens me fazem não aceitar me deitar com diretores globais por um papel, centenas de artigos e palestras dadas na área de jornalismo não me permitem jogar meu diploma fora e aceitar salários medíocres. Ninguém em sã consciência sugere a um advogado que ele trabalhe de graça por amor a profissão. Mas este mesmo que incluso já fora membro de minha companhia teatral na mesma interação teve outra brilhante ideia. Me disse animadamente: “Bem que você poderia ir na festa com sua personagem a Gloria de las Rosas…”. Então lhe questionei, porque achas que eu deveria gastar maquiagem e dispor de figurinos caros num calor de 35º, sem cachê?
Aqui neste país infelizmente um profissional independente não é respeitado, um ser humano independente tão pouco. Os brasileiros tem um complexo bastante complexo, O de valorizar o status mais que a qualidade no ser humano. Quando compartilho um artigo meu em redes sociais, apenas os que tem um salário inferior ao mais são os que leem e fingem que não e se recusam a dar uma curtida e fazer um comentário.
O complexo de cachorro magro do brasileiro é algo muito interessante e deve tornar-se objeto de estudo. Os ícones ou seres valorados como exemplares destes não são os mesmo que os meus. Glória.
Certo dia, a semanas atrás em um karaokê após cantar com um amigo de longa data uma moça não muito pueril se aproximou e tentou fazer um desses elogios depreciativos. “Nossa, vocês são ótimos, poderiam cantar uma música do Sambou?…”. Taxativo retruquei: “Que merda é Sambou?”.
Este tipo de elogio que busca abrir a guarda e terreno para uma agressão é algo que não conheci em nenhum dos países em que já vivi, e tão pouco tive contato através das mais de 50 nacionalidades que tive à cama, e tão pouco nas mais de 70 nacionalidades as quais pude ter contato nesta encarnação.
Como quando alguém se surpreende por um rapaz no ônibus dizer “que quero comer um cara”, pois acham que homossexual é apenas e limitadamente passivo. Se assim fora quem os comeria? Os héteros? Comer homem não é passível de status de homossexualidade no Brasil. Este mesmo Brasil em que 689 transexuais foram assassinados entre 2008 e 2014, segundo a ONG Transgender Europe. É a cifra mais alta do mundo, de acordo com seus dados, embora a organização não tenha informação sobre todos os países. Ora, ora. Os rapazes que entregam seu loló para travestis são héteros?
O Brasil é mesmo um rico campo para o jornalismo investigativo. Pois como uma rama da comunicação social bebo litros, e não falo de gozo, na sociologia e psicologia social.
Numa matéria sobre Laerte, grande chargista, me surpreendi. Lá se afirmava que nos últimos anos houve melhoras na situação dos transexuais por aqui. Pois as cirurgias de redesignação de sexo, proibidas no Brasil até 1997, hoje são feitas em vários hospitais públicos. Também é possível mudar de nome legalmente, na verdade, desde que se comprove algo chamado “transtorno de identidade”.
Paradoxos de um país frequentemente visto de fora como sexualmente liberado: “O Brasil é muito desigual e ambíguo. Convivemos com grandes liberalismos e extremas repressões e agressividade para a população LGBT, as mulheres, os negros, as minorias…”, afirmou Laerte.
E temos de concordar com Laerte, o país tropical e abençoado por Deus, se é que este existe é amador, mas não para amadores. Você é livre para ser o que quiser, desde que dentro da normatividade. Pobres moços!

Nando Schweitzer é Diretor Teatral, Cantor e Jornalista diplomado e de carreira

Anexo informativo sobre a sexualidade no continente Americano
Na Argentina, aqueles que têm seguro de saúde têm cobertura da seguradora para realizar a cirurgia. O restante da população que depende do serviço público de saúde pode se operar nos hospitais públicos gratuitamente.
Para mudar o nome não é necessário ir até um cartório. Os interessados devem apenas ir a uma espécie de escritório público de registros com uma declaração e a testemunha de um funcionário do local, informaAlejandro Rebóssio.
No Chile, as cirurgias não são realizadas nem pelo sistema público e nem pelo privado. Um juiz determina os requisitos necessários para autorizar a mudança de nome. Pode pedir uma avaliação psicológica e psiquiátrica, e, segundo o critério do próprio magistrado, pode também exigir que a cirurgia tenha sido feita. A pessoa que quiser mudar sua identidade deve comprovar estar vivendo em transição há ao menos cinco anos e apresentar testemunhas.
Graças a uma reportagem do programa de televisão Contato do Canal 13, que mostrou pela primeira vez a realidade de uma menina transexual no Chile, ocorreu uma grande mudança de mentalidade na sociedade chilena. O caso de Andy, cujo colégio acaba de ser multado por não aceitar que ela assistisse às aulas como menina, provocou a reação de muitos pais que se atreveram a assumir a condição de seus filhos e filhas, informa Rocío Montes.
Colômbia subsidia as cirurgias de mudança de sexo, que são feitas em caso de hermafroditas menores de idade e em casos como quando a Corte Constitucional ordenou que se operasse uma jovem diagnosticada com ‘transtorno de identidade sexual’. As seguradoras de saúde estão obrigadas a fazer as cirurgias depois que um homem conseguiu na Justiça o direito à identidade sexual, em 2012. A Justiça entendeu que, nesse caso, as intervenções não são estéticas, e sim definitivas para a construção da identidade.
Desde junho deste ano, para mudar o nome nos documentos basta ir a um cartório. Antes disso, era preciso se submeter a exames físicos para comprovar a mudança de sexo. Hoje, o trâmite dura cerca de cinco dias. Mas isso tem gerado dúvidas, como por exemplo, se um homem muda de sexo, então qual é a idade que ele deveria se aposentar? Na Colômbia, as mulheres também se aposentam antes dos homens.
Também há dúvidas sobre se a mudança de sexo for feita, duas pessoas do mesmo sexo poderão se casar. Isso também está em debate na Colômbia, informa Elizabeth Reyes.
O governo do México não financia as operações de mudança de sexo. Na Cidade do México, por exemplo, o governo subsidia somente em alguns casos o tratamento hormonal, mas não vai além disso. Sobre a mudança de nome, cada um dos 31 Estados tem suas próprias leis. Mas na Cidade do México, a capital federal do país, desde março deste ano há um trâmite simples. Antes dessa data, as pessoas que desejavam mudar legalmente seu gênero deviam recorre a um juizado especial no Tribunal da Família. O processo poderia demorar até seis meses, informou Paula Chouza.
No Peru, o sistema público de saúde não subsidia as cirurgias. A forma de mudar o nome no documento de identidade é por meio de um processo judicial. O juiz deve realizar uma observação na certidão de nascimento – que indica que a mudança obedece a uma decisão judicial promovida pelo interessado. Com isso, a pessoa solicita a mudança do seu nome e sexo no Registro Nacional de Identificação e Estado Civil (Reniec). Naaminn Cárdenas, o primeiro transexual que solicitou ao Reniec a mudança de seu nome e sexo (de masculino para feminino), conseguiu a alteração em 2011, após um trâmite de oito anos na Justiça. Uma comunicação do Reniec afirma que segundo o Código Civil, qualquer mudança ou adição de nome de uma pessoa, no qual abrange outros dados como sexo, só poderá ser realizada por motivos justificados e mediante autorização judicial, informa Jacqueline Fowks.
Bolívia não reconhece legalmente a transexualidade. Os códigos de família recentemente aprovados permitem que os pais escolham qual sobrenome – paterno ou materno – virá primeiro, mas não falam de mudança de sexo. Portanto, no há apoio estatal às cirurgias. O único caso público de mudança legal de sexo foi o de Roberta Benzi, que tem cerca de 50 anos e é de classe alta. Ela entrou na Justiça há mais de uma década para conseguir uma identidade com sexo feminino e denunciou abusos da polícia no processo. As poucas transexuais que existem estão quase todas nos setores populares e seguem usando seus documentos com as identidades que lhes foram designadas ao nascer, o que as põem em situação de vulnerabilidade, informa Fernando Molina.