quarta-feira, abril 30, 2025

Brasil e seu Malvado Favorito!


 O PT é neoliberal e direitosissimo. Não é um achismo. Irei comprovar diametralmente através de argumentos esta sincera e pouco dita crítica aos stalinistas neoliberais. 

Isto a burguesia pseudointelectual não vê, ou vê e finge que não porque essa burguesia stalinista que mantém o status quo é a mesma que criou o monstro de estimação ao bom estilo "Meu Malvado Favorito"? Achavam que poderiam controlar o monstro e o monstro os devorou. Acham que com estas medidas paliativas iri controlar a sede neopentecostal e neoliberal?

Seguindo nesta linha argumentativa, podemos que se sustentem visceralmente a afirmação: as veias abertas da América Latina seguem jorrando e o quão ela e o Brasil são ainda reféns do consenso de Washington.

Ancoremo-nos na crítica plenamente fundamentada e corroborada pelos mais diversos pensadores contemporâneos, que o Brasil (e a América Latina como um todo) continuam presos ao Consenso de Washington, e que o PT (Partido dos Trabalhadores) e outros setores da "burguesia progressista" nacional e até mundial agem, na prática, como mantenedores desse status quo, apesar da retórica "de esquerda". Grande exemplo é o do Partido Socialista Obreiro Espanhol (PSOE), que atualmente é governo e não tem uma mínima vocação ou ação realmente de esquerda e deveria se rebatizar como Partido Social-democrata Espanhol, por exemplo. 

Apesar de movimentos políticos que se autodenominam progressistas ou de esquerda, o Brasil e a América Latina permanecem estruturalmente presos à lógica neoliberal e dependente imposta pelo Consenso de Washington. Essa dependência é mascarada por discursos nacionalistas ou "social-desenvolvimentistas", mas na prática preserva a lógica de subordinação ao capital financeiro global.

O PT e o neoliberalismo envergonhado

O PT, a partir de 2003, adotou políticas de conciliação com o mercado financeiro, não rompendo com os pilares do neoliberalismo (ex: responsabilidade fiscal rígida, superávit primário, política de metas de inflação via juros altos), como afirmou e desenvolveu em seu livro, Marcio Pochmann, nos mostra escatologicamente e de maneira bem didática em Desenvolvimento e crise social; mas não apenas ele. Francisco de Oliveira, Hegemonia às Avessas, abordou também via esta ótica mais realista e crítica estas questões do peleguismo Lula petista.

A burguesia pseudointelectual como gestora e propagandista do status quo

Intelectuais e elites progressistas buscaram manter a ilusão de transformação enquanto garantiam a estabilidade do modelo econômico dependente e suas regalias. Pois, em time que dá lucro não se mexe.

O Monstro

A aliança pragmática com setores conservadores e a falta de disputa cultural profunda permitiram o crescimento do neopentecostalismo e do neoliberalismo radical, que agora são forças políticas autônomas e hostis. As políticas de inclusão pelo consumo (ex: Bolsa Família) não alteraram a lógica da financeirização da economia brasileira nem a vulnerabilidade externa.

O modelo latino-americano pós-anos 1990 internalizou de tal forma o receituário do Consenso de Washington (privatizações, liberalização, austeridade) que mesmo governos ditos progressistas agem sob essa cartilha.

As veias continuam abertas

A tese de Eduardo Galeano (As Veias Abertas da América Latina) permanece válida: a lógica extrativista e de subordinação econômica foi atualizada, mas não superada.

O Neoliberalismo de Esquerda é o Novo Cativeiro Latino-Americano. Este artigo propõe uma análise crítica do papel das elites políticas progressistas latino-americanas, especialmente no Brasil, na manutenção do projeto neoliberal imposto a partir do Consenso de Washington. Argumenta-se que a adesão prática ao neoliberalismo, sob retórica social, criou as condições para o fortalecimento de forças conservadoras extremas e perpetuou a dependência econômica da região. Se é que ninguém ainda percebeu a clara reflexão que me proponho neste dialético texto.

A protoesquerda se rendeu, abriu as ancas ao Neoliberalismo e Consenso de Washington. A esquerda latino-americana gerenciou o modelo neoliberal em vez de superá-lo. A conciliação de classes e a financeirização no Brasil pós-2003 são a razão óbvia da extirpação da mínima possibilidade de sairmos deste campo minado em que o país continental e seus periféricos vizinhos se encontram arrinconados. A hegemonia cultural conservadora e o crescimento neopentecostal. O falso nacionalismo e a real dependência. Crítica à esquerda stalinista e à burguesia progressista. Atualização da dependência latino-americana: "As Veias Abertas" no século XXI. A esquerda institucional latino-americana, ao não romper estruturalmente com o neoliberalismo, alimentou, ajudou a criar e até parece gostar do fortalecimento da extrema direita.

sexta-feira, abril 25, 2025

Pobre Francês

 Este francês...

este ente estranho e mui afamado,
tal qual pedra...
ou bola de cabelos enredados...
Sabor de toronja passada em seu tempo,
áspero como vinho vil aberto há sete dias

Este que te faz bradar
como donzela em trem de assombração,
semelhante a buzinas ou clarins de coche às três d’alva da matina

Cheirava a cão molhado em chuva d’estio
ou a meu irmão após jogo de pelota

Ao dele me achegar, tentava eu não olhar
Mas vendo-o, jurei em memória tê-lo sempre

Um pão esquecido em cofre de madeira... ao menos isto, após 6x1
Pobre francês...

domingo, abril 20, 2025

A Crise da Representação e o Impasse da Esquerda Institucional

Desde o início dos anos 2000, o Partido dos Trabalhadores (PT) tem adotado uma postura conciliatória com setores do capital, evidenciada pela "Carta ao Povo Brasileiro" de 2002. Essa estratégia visava garantir a governabilidade, mas resultou na manutenção de estruturas neoliberais e na desmobilização das bases populares. A recente pesquisa do instituto Paraná Pesquisas indicava naquela época da trágica eleição que levou ao poder o atualmente inelegível, Jair Bolsonaro, ao poder e dizia que este superaria Lula em um segundo turno, com 45,1% contra 40,2% das intenções de votos. Esse dado refletia a insatisfação de parcelas significativas da população com as alternativas políticas tradicionais.


A Ascensão da Direita e a Fragmentação da Classe Trabalhadora

A crescente adesão de setores populares à direita é um fenômeno preocupante. Segundo análise do El País, os pobres pelo mundo têm votado cada vez mais em candidatos conservadores que oferecem soluções práticas, razas e objetivas para problemas cotidianos, em detrimento de promessas revolucionárias. Essa tendência evidencia a eficácia da direita em se apresentar como alternativa viável, enquanto a esquerda institucional falha em mobilizar e representar efetivamente os interesses da classe trabalhadora.​

Isso tem uma ligação direta com a realidade brasileira atual: muitos trabalhadores pobres apoiam candidatos da direita porque são bombardeados por mensagens que demonizam a esquerda, ligando-a à corrupção e à ineficiência, enquanto glorificam valores conservadores, meritocráticos e neoliberais.

Despolitização dentro de uma Sociedade Líquida

Embora Bauman seja o principal autor da teoria da modernidade líquida, Chomsky também contribui para o entendimento dessa fluidez social ao destacar como o sistema capitalista contemporâneo promove o individualismo, o consumismo e o enfraquecimento dos laços coletivos. A fragmentação da classe trabalhadora não é só material, mas também cultural e simbólica.

Na prática, isso significa que trabalhadores deixam de se reconhecer como parte de uma classe explorada, e passam a se identificar com ideais de empreendedorismo, sucesso individual e ascensão pessoal, mesmo quando essas promessas são inalcançáveis.

O Papel da Educação e do Discurso Simplificado

Chomsky também critica fortemente a degradação da educação pública, que torna os indivíduos mais vulneráveis à propaganda política simplista e populista. A direita tem se aproveitado dessa brecha para oferecer “soluções práticas” (como repressão policial, corte de gastos públicos, e moralismo religioso) que parecem concretas diante do vazio da retórica revolucionária da esquerda institucional.

Em suma, Chomsky nos auxilia a entender como a combinação entre hegemonia ideológica, mídia corporativa, e educação debilitada cria um terreno fértil para que a direita avance sobre setores da população que, em teoria, seriam a base de apoio da esquerda.

A Necessidade de uma Alternativa Revolucionária

Diante desse cenário, é imperativo que os setores revolucionários da esquerda brasileira construam uma alternativa política que vá além das limitações impostas pelo sistema capitalista. 

Rejeição às alianças com a burguesia, que deveriam rechaçar-se e comprometem a autonomia e os princípios da classe trabalhadora.​ Com a construção de um programa socialista, que proponha a ruptura com as estruturas do capital e a implementação de políticas voltadas para a coletivização dos meios de produção.​ Deveríamos buscar uma mobilização das bases populares, fortalecendo os movimentos sociais e sindicatos como instrumentos de luta e conscientização de classe.​ Seria muito interessante gerar a formação de uma frente revolucionária, capaz de disputar o poder político e implementar uma verdadeira transformação social.

Em suma, as eleições de 2026 representam uma oportunidade para a esquerda revolucionária apresentar uma alternativa concreta ao neoliberalismo, rompendo com as práticas conciliatórias do passado e construindo um projeto socialista enraizado nas lutas da classe trabalhadora. Mas... corremos o risco de seguirem como puxadinhos do lulopetismo stalinista.