quarta-feira, janeiro 29, 2025

A Perseguição a Imigrantes e a Continuidade da Eugenia Racial

Ressalvando e clarificando que sou avesso a esta visão imperialista de mundo que 95% dos latinos tem e que me parecem sociopáticas de que: EUA é um lugar perfeito e se deve fazer de um tudo para entrar lá, mesmo que ilegal. Como fez a personagem Sol de "América"(Glória Pérez), vamos abordar algumas cousas que a nossa mídia também vassala e capacho do imperialismo não fala, hora por conveniencia, hora por cabacismo congênito.


Nos Estados Unidos a política de imigração, justificada sob o argumento de segurança nacional, perpetua um sistema de exclusão racial e social que tem raízes históricas profundas. As operações do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE) não visam apenas imigrantes "criminosos", como a retórica oficial sugere, mas sim grupos específicos, particularmente latino-americanos e ameríndios, numa estratégia que remete a práticas eugenistas e classistas. A narrativa da criminalização da imigração mascara uma ideologia de segregação, que, embora adaptada às circunstâncias contemporâneas, mantém os princípios de uma sociedade estruturada para favorecer determinados grupos raciais e econômicos.

Em se fazer menção à eugenia ariana na parte inicial deste artigo, o faço por ser pertinente, pois os Estados Unidos já implementaram políticas migratórias seletivas para "melhorar" a composição racial da população. Até o início do século XX, imigrantes europeus eram favorecidos, enquanto asiáticos, latino-americanos e africanos eram restringidos. No contexto atual, essa lógica se mantém: a xenofobia institucionalizada contra imigrantes sul-americanos não é apenas um reflexo do discurso de segurança, mas sim uma continuação da prática de excluir racial e economicamente aqueles que não se encaixam no modelo idealizado de nação.

A "sociocultura do trabalho", muitas vezes evocada para justificar políticas anti-imigração, sustenta a contradição essencial desse sistema: os imigrantes são fundamentais para a economia, mas são mantidos num estado de vulnerabilidade permanente. Essa lógica, combinada com a "teologia da prosperidade", transforma a mobilidade social num privilégio exclusivo de determinados grupos, ao invés de um direito universal.

Consta à Declaração Universal dos Direitos Humanos (DUDH) de 1948, esta que estabelece princípios fundamentais, como o direito à liberdade, à igualdade e ao devido processo legal. Contudo, relatos de detenções arbitrárias demonstram como esses direitos são sistematicamente negados a imigrantes. Prisões sem mandado, como denunciadas pelo prefeito de Newark, e a deportação de indivíduos com processos de legalização em andamento, como a mulher venezuelana citada, ferem diretamente o direito à justiça e à dignidade humana (Artigos 9 e 10 da DUDH).

A criminalização da imigração não é apenas uma política de Estado, mas um projeto ideológico. Assim como no passado a exclusão racial foi disfarçada de "ciência eugenista", hoje ela aparece sob a forma de discursos de segurança e meritocracia econômica.

O comentário inicial sugere que o nazismo e o classismo não desapareceram, mas foram diluídos e adaptados a novas narrativas. O racismo biológico deu lugar a um racismo estrutural, onde a cor da pele e a origem determinam o grau de acesso a direitos e oportunidades. Da mesma forma, o classismo moderno naturaliza a exploração da mão de obra imigrante, enquanto mantém essas populações em constante estado de insegurança.

A teologia da prosperidade como arma protofascista

Esta que associa riqueza à virtude moral, reforça uma estrutura, em que sugere que a pobreza dos imigrantes é uma consequência da sua "falta de mérito", ignorando os sistemas de opressão que os colocam nessa posição. Assim, a perseguição aos imigrantes não é apenas uma questão de política migratória, mas um reflexo de um sistema de exclusão racial e econômica que persiste desde o colonialismo.

A política de imigração dos EUA não pode ser dissociada de sua história de exclusão racial. O discurso oficial de segurança pública esconde uma agenda mais profunda, que visa manter um modelo de sociedade onde determinados grupos permanecem marginalizados. Se no passado a eugenia buscava "purificar" a população, hoje a perseguição a imigrantes sul-americanos cumpre um papel semelhante, garantindo que o poder continue concentrado nas mesmas elites de sempre.

Diante disso, a comunidade internacional e os defensores dos direitos humanos precisam desmascarar essa política e exigir que os Estados Unidos cumpram os princípios da Declaração Universal dos Direitos Humanos. Caso contrário, a perseguição aos imigrantes continuará sendo uma versão contemporânea da velha lógica de exclusão racial e econômica que marcou o século XX.

sexta-feira, janeiro 24, 2025

Uma sincera Análise Crítica de Ainda Estou Aqui

A Indústria Cultural e a Mediocridade como Norma. Se partimos da premissa apresentada, é possível desenvolver um artigo crítico sob o viés da Escola de Frankfurt, abordando a relação entre a produção cultural contemporânea, a precariedade do trabalho artístico e o papel da indústria cultural na consolidação da mediocridade como padrão estético.
O filme Ainda Estou Aqui emerge como mais um exemplo daquilo que Theodor Adorno e Max Horkheimer definiram como a mercantilização da arte pela indústria cultural. A lógica mercadológica transforma obras artísticas em produtos moldados para atender às demandas de consumo em massa, muitas vezes sacrificando a qualidade em favor da rentabilidade. Isso explica o "fanatismo" em torno de uma obra "meia boca", como descrito, que visa mais à autopromoção do cinema nacional no exterior do que ao avanço artístico ou estético do cinema em si.

O filme Ainda Estou Aqui emerge como mais um exemplo daquilo que Theodor Adorno e Max Horkheimer definiram como a mercantilização da arte pela indústria cultural. A lógica mercadológica transforma obras artísticas em produtos moldados para atender às demandas de consumo em massa, muitas vezes sacrificando a qualidade em favor da rentabilidade. Isso explica o "fanatismo" em torno de uma obra "meia boca", como descrito, que visa mais à autopromoção do cinema nacional no exterior do que ao avanço artístico ou estético do cinema em si.

Fernanda, mencionada como o destaque do elenco, não escapa da lógica descrita por Adorno, que coloca o indivíduo em um papel de pseudo-protagonismo. Ainda que sua performance seja louvável, ela é enquadrada dentro de um sistema em que o talento é funcional apenas enquanto serve ao espetáculo totalizante. O restante do elenco, descrito como "do razoável ao mediano baixo", reflete um sintoma estrutural: a falta de espaço para a renovação do meio artístico, sufocado pelas amarras de uma indústria que privilegia redes de influência, como a "máfia" ou o famigerado "teste do sofá".

Sim, é possível integrar esse viés crítico ao artigo de forma fluida, especialmente ao analisar Ainda Estou Aqui sob a lente da Escola de Frankfurt e o impacto da indústria cultural. A abordagem ajuda a explorar dimensões mais profundas sobre a recepção e produção da obra, conectando o filme às críticas estruturais da mercantilização da arte.

A produção de Ainda Estou Aqui, com sua temática densa e apesar de interpretações pouco marcantes, também levanta questões sobre o papel da indústria cultural na produção de arte no contexto contemporâneo. Sob a perspectiva da Escola de Frankfurt, particularmente as críticas de Adorno e Horkheimer, podemos compreender como o filme reflete a mercantilização da cultura, transformando a arte em produto ajustado às demandas de mercado.

A Arte e o Espetáculo Mercadológico

O sucesso internacional do longa, somado às críticas polarizadas, ilustra o que Adorno chamou de "cultura de massa". Embora a obra aborde uma história marcante — a luta de Eunice Paiva contra o autoritarismo da ditadura militar —, a narrativa pode ser percebida como moldada para atender expectativas de consumo externo, privilegiando melodrama em detrimento de uma análise mais robusta dos mecanismos totalitários, como apontado pelo crítico Jacques Mandelbaum.

Essa tensão entre o conteúdo histórico e a forma "digestível" reflete o que Adorno descreveu como a perda da autonomia da arte. Em vez de uma ruptura estética ou narrativa, o filme se conforma às convenções que garantem sucesso comercial, mesmo que isso dilua o impacto crítico ou estético.

Fernanda Torres e o Protagonismo Funcional

A atuação de Fernanda Torres, ainda que amplamente elogiada, é um exemplo de como a indústria cultural organiza o talento individual em um sistema coletivo de espetáculo. Sua performance, premiada e celebrada globalmente, serve como um alicerce para a promoção do filme, mas não está isenta das armadilhas do sistema. Dentro de uma lógica onde o talento individual é instrumentalizado, o protagonismo se torna funcional, direcionado para reforçar a "marca" da produção nacional no exterior, sem necessariamente trazer inovação artística.

Precariedade do Trabalho Artístico

No Brasil, a desvalorização do trabalho artístico e a concentração de oportunidades em redes elitizadas criam barreiras para a renovação do meio cultural. Muitos talentos são marginalizados, enquanto os mesmos nomes dominam as grandes produções. Isso alimenta uma mediocridade estrutural, onde a repetição de fórmulas e escolhas seguras mantém o sistema cultural estático, sacrificando o potencial disruptivo da arte.

Embora Ainda Estou Aqui traga uma narrativa importante, a análise crítica do filme sob a ótica da indústria cultural evidencia como ele é tanto produto quanto vítima de um sistema que prioriza a rentabilidade e o consumo. Em última instância, o filme dialoga com questões mais amplas sobre o papel da arte em tempos de globalização e consumo cultural massificado. A obra é relevante, mas também nos convida a questionar os limites e as possibilidades do cinema dentro das amarras do comercialismo Hollywoodiano fora de Hollywood.

quarta-feira, janeiro 15, 2025

Por que o teatro é menos popular que um baseado?

Mano, vou mandar a real: não tô aqui pra julgar ninguém, tá ligado? Só observando mesmo. O papo nem é sobre fumar ou não fumar, tá ligado? Cada um sabe do seu corre. Mas já reparou que geral conhece mais maconheiro do que gente que vai ao teatro? Parece até piada, mas é isso. E aí, bora entender por quê?


Primeiro, dá pra dizer que tanto o teatro quanto um fininho têm uns lances parecidos, na moral. Os dois te fazem viajar, saca? Te tiram da realidade por alguns momentos. Os dois são meio "mal vistos" por uma galera mais quadrada. Nem teatro nem maconha tão no esquema das escolas (tipo, ensinam Shakespeare, mas nem levam a gente pra ver uma peça, né?). E os dois têm aquele rolê coletivo, tipo, se iniciando no bagulho com a galera.

Agora, falando de amor e vício: será que a gente escolhe mesmo do que gosta? A vida é cheia de tretas e encontros que moldam nossas escolhas, tá ligado? Tipo o Boal, um cara brabo que usou o teatro pra fazer o povo pensar, se ligar nas paradas e lutar por mudança. O cara era tão fissurado em teatro que criou o tal Teatro do Oprimido, um bagulho que ajudou uma galera no mundo todo a abrir a mente.

Mas será que o Boal era um "viciado" em teatro? E se a gente começasse a tratar o teatro como tratam a maconha? Liberar geral e ver o que dá. Quem sabe, né?

Falando na erva, o bagulho tá aí desde antes de inventarem o calendário, irmão. Os chineses já usavam pra tudo: fazer roupa, remédio, até papel. Depois os gregos, romanos, africanos... todo mundo entrou na onda. Era o trampo mais sustentável que tinha, e olha que nem falavam disso naquela época.

E o teatro, mano? Aristóteles já dava a letra: é um rolê completo. É texto, som, cena, tudo junto, intensão pura. E mesmo assim, hoje em dia, falar que você foi ao teatro é quase tão chocante quanto dizer que você viu um OVNI. Já dizer que fumou um beck? Suave, normalzão.

Por que será? Será que é porque o teatro faz a galera pensar demais? Relaxar demais? Tipo, abrir a mente e perceber umas paradas que nem todo mundo quer encarar? Vai saber...

E tem uns estudos doidos por aí dizendo que tanto fumar um como curtir uma peça podem liberar umas ideias meio diferentes na mente. Tipo, experimentar mais coisas, questionar mais a vida. Tem até um papo no Reddit sobre um lance chamado "highsexual". É isso mesmo: um cara falou que só curte mina quando tá sóbrio, mas depois de fumar, rola um lance diferente. Imagina isso no teatro. Será que, se geral fosse no teatro de boa, ia rolar uma geração "highteatral"?

O papo é que tanto a maconha quanto o teatro são libertadores. Só que hoje é mais fácil achar uma roda de fumaça do que uma plateia cheia. E, no fundo, a pergunta é: por que o teatro incomoda tanto? Porque faz pensar? Porque quebra barreiras? Sei lá, mano, mas talvez seja isso que faz falta no mundo.

E aí, bora pro teatro? Ou bora fumar um e trocar ideia sobre isso? Quem sabe as duas coisas juntas...

domingo, janeiro 12, 2025

Justiça Social? Os capitalistas disfarçados tem ao menos algo de humor

No corre do dia a dia, a gente aprende a lidar com muita coisa, ou ao menos finge que tenta. A periferia não dá trégua, e o tempo da gente vira moeda de troca pro sistema que só sabe sugar. Acorda 4h, pega dois, três ônibus, enfrenta busão lotado, chega no trampo já cansado, faz jornada de 9 horas, e no fim do dia ainda tem o pesadelo de voltar pra casa. E aí? O que sobra pra viver? Nada.
Quem mora nas quebradas tá ligado: 24 horas no relógio não são para nós. Se 14 vão pro trampo e transporte, o resto é dividir entre banho, comida e, com sorte, um pouco de sono. Viver de verdade? O sonho jamais alcançado se não sois herdeiro. É como se a gente fosse programado pra existir só pra trabalhar e manter a roda girando.

Dizem que o governo é “popular”, mas popular pra quem? Na ponta do lápis, a vida de quem tá na base da pirâmide continua pesada. Justiça social? Não chegará aqui jamais. Cadê o transporte que preste? Cadê salário digno pra gente não depender de trampo explorador 6x1? Cadê política que respeite o tempo da gente? Porque viver não é só respirar, maninho. Viver é ter tempo pra ser humano, pra estar com quem a gente gosta, até com quem a gente não goata, pra ter lazer, pra sonhar. Mas na real, aqui na periferifa, é só correr atrás do básico e olhe lá, e mesmo assim parece que tamo devendo já antes de acordar.
Quando falam de escravidão moderna, não é exagero, é realismo. A gente trabalha pra sobreviver, mas, no fundo, a vida vira só isso: sobreviver. E quem tá no topo? Esses têm tempo. Têm lazer, têm saúde, têm futuro. A gente fica só no “talvez”.

É hora de botar o dedo na ferida? Qual delas? O pobre não tem ferida, tem cicatrizes profundas. Cadê a justiça social de verdade? Porque de promessa vazia a quebrada já tá cheia. Pensa que das 4h que te sobram no dia você já gastou alguns minutos lendo esse artigo... Aí você começou a refletir sobre sua m... De vida.

domingo, janeiro 05, 2025

As Contradições dos setores de RH Brasileiro

"O Grito" (1893), de Edvard Munch

 O mercado de trabalho no Brasil é um espelho das contradições de uma economia que oscila entre promessas de progresso e desigualdades estruturais profundas. A frase "chamar chamam, mas sem ter máfia nunca te contratam" reflete a frustração de muitos candidatos que, apesar de investirem em formação e enviarem currículos incessantemente, enfrentam barreiras invisíveis no processo seletivo. Para compreender esse cenário, recorremos às ideias de Adam Smith e Theodor Adorno, que, embora de escolas distintas, oferecem insights valiosos sobre essa dinâmica.

Adam Smith, em A Riqueza das Nações, descreveu o mercado como regido por uma "mão invisível" que aloca recursos de forma eficiente quando indivíduos perseguem seus próprios interesses. No entanto, o mercado laboral brasileiro parece subverter essa lógica. O investimento em educação e qualificação por parte dos trabalhadores deveria, teoricamente, resultar em melhores oportunidades. Contudo, a realidade evidencia uma desconexão: muitas empresas optam por redes de indicação, onde o mérito dá lugar ao apadrinhamento.

Isso cria um mercado de trabalho que não recompensa esforços individuais nem maximiza o potencial produtivo da força laboral. Em vez de uma competição saudável, há uma perpetuação de privilégios e exclusões, o que contradiz o ideal de Smith de um mercado guiado pela eficiência e pela meritocracia.

Theodor Adorno, em suas críticas à indústria cultural e ao capitalismo avançado, argumentava que a racionalidade instrumental submete os indivíduos a processos desumanizantes. Esse pensamento pode ser aplicado ao setor de Recursos Humanos no Brasil, onde os processos seletivos frequentemente tratam os candidatos como números ou dados em sistemas automatizados, negligenciando a dimensão humana de suas histórias e competências.

A ausência de feedback após entrevistas é um exemplo emblemático dessa alienação. O silêncio das empresas transmite uma mensagem implícita: os candidatos não são dignos de uma resposta. Esse desprezo pelo tempo e esforço do trabalhador é uma forma de violência simbólica, que reforça a desigualdade e o desencanto com o sistema.

Além disso, a "tecnificação" dos processos seletivos, com uso de algoritmos e plataformas automatizadas, cria um filtro que muitas vezes não reconhece talentos fora dos moldes padronizados. Assim, o potencial humano é reduzido a palavras-chave e critérios frios, enquanto a subjetividade, a criatividade e a resiliência dos candidatos são ignoradas.

O setor de Recursos Humanos, em teoria, deveria atuar como ponte entre as necessidades das empresas e o potencial humano disponível. Porém, na prática, ele frequentemente opera como uma barreira. A preferência por indicações internas, a exclusão sistemática de candidatos com trajetórias não convencionais e a falta de transparência nos processos seletivos são sinais de um sistema falho.

Essa prática reflete uma lógica de exclusão que não apenas perpetua desigualdades sociais, mas também limita a capacidade das empresas de inovar. Como Smith observou, o verdadeiro progresso econômico depende da capacidade de aproveitar o talento disponível na sociedade.

A solução para essa crise de expectativas e oportunidades passa por uma reformulação dos valores e práticas no mercado laboral. A valorização do mérito e da transparência deve ser prioridade, assim como a humanização dos processos seletivos.

Em vez de perpetuar a alienação descrita por Adorno, o setor de Recursos Humanos deveria investir em práticas mais inclusivas e em políticas que reconheçam o valor intrínseco de cada candidato. Da mesma forma, é essencial que o Estado e a sociedade incentivem mecanismos para reduzir o poder das redes de apadrinhamento e reforcem a importância de critérios objetivos e claros.

Por fim, a reflexão de Adam Smith sobre os princípios de mercado e a crítica de Adorno à desumanização são ferramentas essenciais para entender e transformar a realidade do trabalho no Brasil. Somente assim poderemos romper com a lógica da "máfia" e construir um mercado que valorize verdadeiramente o potencial humano.

terça-feira, dezembro 31, 2024

Promessas de um Novo Ano

 "Reflexões Críticas sobre a Virada do Ano e as Contradições do Progresso"

A angústia é uma constante se não sois um abastado do neoliberalismo, ou um simples acéfalo. À medida que o relógio marca a transição para 2025, é comum que a humanidade experimente uma mistura de alívio, expectativa e nostalgia. Mas, como nos lembra a frase inicial, nem todos os anos deixam saudades, especialmente quando refletem crises e contradições sistêmicas que permeiam nossa existência. Inspirando-se na retórica marxista, este artigo examina o simbolismo da virada de ano e como ela expressa as esperanças coletivas e as limitações estruturais que moldam nossa realidade.

O Calendário como Produto da Dialética

O calendário, muito mais do que uma organização cronológica, é uma construção social que reflete a dinâmica histórica da humanidade. Em um sistema capitalista, o ano-novo carrega em si o peso de ser o "recomeço" prometido, um intervalo simbólico que nos convida a acreditar que mudanças substanciais são possíveis no curto prazo. Essa esperança não é ingênua, mas responde à alienação do trabalho, ao cansaço social e à busca incessante por um sentido em meio às contradições do sistema.

Se 2024 deixa "zero saudades", é porque muitos enfrentaram as consequências das crises econômica, climática e social que o modo de produção dominante intensificou. Ainda assim, a promessa de 2025 reflete um otimismo necessário, mesmo que ilusório, para sustentar a subjetividade humana. Como disse um profeta popular: Pior do que está, não pode ficar!

A Promessa de Progresso: Ideologia ou Realidade?

Sob uma análise marxista, podemos questionar: o que exatamente 2025 promete? Para quem será melhor? A lógica de mercado continuará a determinar os parâmetros do "melhor"? A história ensina que o progresso tecnológico e econômico não necessariamente resulta em avanços sociais equitativos. A luta de classes permanece o motor da história, e qualquer promessa de transformação real exige o confronto direto com as contradições inerentes ao sistema.

2024 testemunhou eventos que aprofundaram desigualdades e tensões globais, mas também provocaram resistência e organização popular. No entanto, sem um movimento coletivo que articule essas lutas em um projeto de emancipação, o "novo ano" pode simplesmente ser mais uma iteração das injustiças estruturais.

Esperança como Ferramenta Revolucionária

Apesar das limitações sistêmicas, a esperança não deve ser descartada. Em uma perspectiva ecumênica e marxista, a esperança é um ato revolucionário. Ela transcende a simples conformidade com o status quo, abrindo espaço para o pensamento crítico e a ação coletiva. Como Paulo Freire pontuava, "esperançar" não é passividade, mas um verbo de ação que impulsiona a transformação.

Se 2025 promete ser melhor, essa promessa deve ser vista como um chamado à prática política, à construção de alternativas concretas e ao fortalecimento das lutas por justiça social, econômica e ambiental.

O Futuro Como Campo de Batalha

Em última análise, o novo ano é uma arena onde as forças de manutenção e transformação se enfrentam. O simbolismo da virada pode ser apropriado não apenas para desejos individuais, mas para a construção de um horizonte coletivo de emancipação. Como disse Marx: "Os filósofos apenas interpretaram o mundo de várias maneiras; o ponto, porém, é transformá-lo."

Portanto, enquanto muitos desejam uma virada pessoal em 2025, que esta também seja a virada de uma sociedade mais justa e humana. Que a promessa de ser melhor não seja apenas uma metáfora individualista, mas o princípio de uma nova era de solidariedade e progresso real.

segunda-feira, dezembro 30, 2024

ESQUERDA X DIREITA, ainda é um debate para a ceia de fim de ano?

No Brasil contemporâneo, a polarização entre petistas e bolsonaristas exemplifica um dos períodos mais intensos de divisão política e social do país. Este fenômeno transcende o mero embate ideológico entre esquerda e direita, assumindo contornos emocionais, culturais e até religiosos, com implicações profundas na convivência social e na democracia.


Petistas, geralmente associados à esquerda, defendem pautas como a intervenção estatal para a redução das desigualdades sociais, direitos trabalhistas fortalecidos, políticas públicas inclusivas e a ampliação de direitos civis. Já os bolsonaristas, representantes da direita conservadora, pregam valores como a defesa da família tradicional, a redução do papel do Estado na economia, o armamento civil e a manutenção de uma moralidade baseada em princípios religiosos.

No entanto, há algo peculiar na polarização brasileira: ambos os lados, em momentos de crise, recorreram a práticas que contrariam seus discursos teóricos. Governos de esquerda adotaram políticas de austeridade econômica e estabeleceram alianças com setores tradicionais do poder político, enquanto governos de direita ampliaram gastos públicos e criaram programas sociais para atender a demandas emergenciais, como na pandemia de COVID-19. Esse hibridismo não raro confunde as definições tradicionais de esquerda e direita.

O “CENTRO” E SUA FRAGILIDADE

Entre os polos, o espaço para um “centro” político no Brasil tem se mostrado frágil e fragmentado. Embora existam partidos e lideranças que busquem se posicionar como moderados, muitas vezes acabam absorvidos pela lógica binária da polarização. Isso ocorre, em parte, porque o centro no Brasil é frequentemente visto como pragmático demais, carente de ideologia, ou simplesmente oportunista, servindo mais como negociador de poder do que como alternativa viável para o eleitorado.

EXTREMISMOS E INTOLERÂNCIA

Nas margens da polarização, prosperam os extremos. Na extrema esquerda, o discurso revolucionário defende a nacionalização de setores estratégicos, uma redistribuição forçada de renda e o enfraquecimento de instituições tradicionais. Na extrema direita, a pauta inclui a criminalização de movimentos sociais, o culto à ordem e autoridade, e a exclusão de ditas minorias ideológicas sob o pretexto de preservar valores nacionais. Ambos os extremos compartilham características como a aversão ao diálogo e o uso de narrativas conspiratórias.

A polarização brasileira não é apenas racional, mas também profundamente emocional. Escândalos de corrupção, como os revelados pela Lava Jato, e crises econômicas agravaram o sentimento de desilusão com as instituições, contribuindo para a ascensão de lideranças populistas que exploram medos e aspirações da população. Eventos traumáticos, como a pandemia de COVID-19, também moldaram percepções ideológicas, acentuando a desconfiança em relação a adversários políticos e aumentando a adesão a narrativas radicais.

O ELEITORADO E O ESTRESSE POLÍTICO

Estudos sugerem que o estresse social e político pode impactar a participação eleitoral no Brasil. O ambiente polarizado, somado à constante exposição a crises e conflitos, gera apatia em parte do eleitorado. Isso ajuda a explicar abstenções crescentes em eleições recentes, bem como a preferência por lideranças que prometem soluções rápidas e simplistas para problemas complexos.

Reduzir o debate político brasileiro a rótulos simplistas como “esquerda” e “direita” empobrece a compreensão das dinâmicas sociais e políticas em curso. O Brasil atual exige análises mais profundas, que reconheçam a complexidade das escolhas eleitorais, a multiplicidade de interesses em jogo e a necessidade urgente de promover o diálogo e a cooperação entre diferentes segmentos da sociedade. Afinal, a política não se limita a dobrar à esquerda ou à direita, mas a encontrar um caminho que sirva ao bem comum.

terça-feira, dezembro 24, 2024

O peso argentino e a relação íntima com o dólar: Algo sobre o governo desastroso de Javier Milei


Desde que Javier Milei assumiu a presidência da Argentina em dezembro de 2023, a relação dos argentinos com o dólar – sempre marcada por um misto de desconfiança na moeda nacional e fascinação pela norte-americana – tornou-se ainda mais intensa. Milei, com sua agenda de dolarização como proposta central de campanha, prometeu resolver a instabilidade cambial crônica e a inflação exorbitante que afligem o país há décadas. No entanto, o impacto dessas medidas segue dividindo opiniões e gerando reflexos visíveis no cotidiano argentino.

Dolarização: Um remédio amargo?

O governo Milei implementou, logo nos primeiros meses, um plano ambicioso para dolarizar a economia, extinguindo o peso argentino como moeda nacional. Essa transição, apresentada como a solução para a hiperinflação (que ultrapassava 140% ao final do governo anterior), tem causado uma volatilidade acentuada e gerado incertezas, especialmente para as camadas mais pobres da população.

Embora a adoção do dólar tenha eliminado o uso do peso no comércio formal e reduzido drasticamente a inflação, muitos economistas alertam para o custo social dessa política. A perda de instrumentos de política monetária fez o país depender ainda mais de fluxos de dólares provenientes de exportações e investimentos externos. Além disso, a dolarização não trouxe uma resposta imediata à dívida pública crescente nem à crise fiscal, forçando o governo a cortes profundos em gastos públicos, incluindo saúde e educação, o que gerou protestos em várias partes do país.

Casa de câmbio: Um fenômeno em transformação

Se em anos anteriores as filas nas casas de câmbio eram indicativo de crises cambiais, hoje o cenário é diferente. Com o dólar sendo utilizado como moeda oficial, a função das casas de câmbio transformou-se. Essas operações agora concentram-se em remessas de dinheiro, turismo e câmbio de moedas regionais como o real e o peso chileno.

No entanto, a dolarização não eliminou a informalidade. Um mercado paralelo ainda persiste, sobretudo nas províncias mais afastadas, onde a falta de infraestrutura e o alto custo de vida em dólares agravam as desigualdades regionais. Além disso, a relação dos argentinos com o dólar continua marcada por desconfiança, especialmente após rumores de escassez de reservas nos bancos centrais para sustentar a política econômica de Milei.

Investidores e a polarização política

No âmbito internacional, o governo Milei inicialmente atraiu atenção positiva por seu perfil liberal e pró-mercado. No entanto, o entusiasmo diminuiu à medida que o presidente enfrentava dificuldades para implementar reformas estruturais e alcançar consenso em um cenário político altamente polarizado. O Congresso, onde Milei não possui maioria, tornou-se palco de embates acirrados, travando projetos-chave como a privatização de empresas estatais.

O perfil excêntrico do presidente, conhecido por sua retórica agressiva e aversão a "castas políticas", alimentou tanto apoios fervorosos quanto uma oposição implacável. A população argentina, marcada por um histórico de profundas divisões ideológicas, vê no governo Milei tanto a chance de romper com velhas práticas quanto o risco de aprofundar crises sociais.

Reflexos sociais e culturais

Em dezembro de 2024, a sociedade argentina encontra-se dividida entre os que veem na dolarização uma chance de estabilidade e os que criticam a perda de soberania econômica. Nas redes sociais, memes e páginas continuam satirizando a política nacional, mas o tom mudou: Javier Milei, apelidado de "El León" por seus apoiadores, tornou-se o novo alvo de chacotas e críticas em páginas como Que Nos Saquen al León.

Ao mesmo tempo, cresce o saudosismo de alguns setores em relação a políticas redistributivas dos governos peronistas, mesmo com seus problemas de corrupção e ineficiência. Essa nostalgia é especialmente evidente nas províncias mais pobres, onde a transição para o dólar agravou o custo de vida e limitou o acesso a bens básicos.

Conclusão: Um país em transição permanente

A Argentina de dezembro de 2024 permanece em um estado de transição. Sob o governo Milei, o país tenta reescrever sua história econômica ao abandonar o peso e adotar o dólar, mas os custos sociais e as incertezas políticas mantêm o futuro em aberto. Para muitos argentinos, a promessa de estabilidade ainda parece distante, e o dilema entre progresso e desigualdade segue sendo uma marca do país.

sexta-feira, dezembro 13, 2024

Como dizer-lhes?


 Parecera-vos, talvez, que nenhum esforço emana de minha alma fatigada em busca de labor digno, um labor que não me atire aos desonrosos soldos de miséria que se me impõem! Jornadas insanas, de seis por um, que dobram o corpo e esmagam o espírito — e mesmo nelas, por males de saúde ou exaustão extrema, fui forçado a apartar-me ou, vilmente, escorraçado fui.

Porém, neste escrito não hei de desfiar, como um novelo cansado, minhas capacitações, artes e saberes, que já me sufocam pela repetição incessante. Ai de mim! Que me adianta falar-vos de meus feitos por terras distantes e minha mestria em ofícios tantos? Até a própria razão me pesa ao relembrá-los, e ao fazê-lo, como eco inútil, sou levado a perguntar:

De que me servem? De que me vale tanta erudição e esforço se o mundo escarra sobre eles com desprezo e zombaria? De que adianta uma bagagem carregada de vida, se a vida em si me a nega?!

"Quando digo que desde 31 de Dezembro de 2021, quando regressei a Florianópolis, já fiz o envio de cerca de 42.398 currículos há muitos que colocam em dúvida." Qual seria a média diaria de envios de currículos até o dia de hoje?

Desde 31 de dezembro de 2021 até hoje, passaram-se 1.078 dias. A média diária de envios de currículos é de aproximadamente 39,33 currículos por dia.

😊 ​​

E se desde então obtive apenas 6 empregos, qual foi a média currículo por emprego?

Se desde 31 de dezembro de 2021 você obteve apenas 6 empregos, a média é de aproximadamente 7.066 currículos enviados por cada emprego obtido.

terça-feira, dezembro 03, 2024

O Silêncio nos Bastidores: Denúncias de Nepotismo e Corrupção nos Processos Seletivos de Meios de Comunicação no Brasil - Por Nando Schweitzer


 "Adoro as publicações no LinkedIn dos meios de comunicação brasileiros, que, se não tens QI, jamais serás chamado sequer para a entrevista por vídeo-chamada." A frase, carregada de ironia e frustração, resume o sentimento de milhares de brasileiros que denunciam a falta de meritocracia e a prevalência de práticas duvidosas no mercado de trabalho, especialmente no setor midiático.

Os relatos, que circulam nas redes sociais e fóruns especializados, levantam suspeitas sobre um sistema de contratações que estaria mais pautado em relações pessoais e troca de favores do que em competências e habilidades. A sigla "QI", popularmente usada para se referir a "Quem Indica", simboliza a essência dessas práticas e uma constante jaz da comunicação no Brasil: indicações internas, nepotismo e conchavos políticos estariam se sobrepondo a critérios técnicos e avaliações justas. Mas até que ponto essa percepção é realidade?

Já consegui trabalhar em uma rádio fora do país, mas em quase uma década após me formar em comunicação social no Brasil, jamais ultrapassei a linha da entrevista laboral. Algo em meus vários artigos publicados e palestras(incluso na pós graduação da ECA-USP) devem estar completamente equivocados e descartadamente fora do nível da grande mídia abaixo a linha do Ecuador. Ao menos deste lado da fronteira, no mercado luso-brasileiro. Ou seria apenas falta de sorte?

O Mercado Impenetrável dos Meios de Comunicação

Mais fechado que orifício de heterossexual bolsonarista o setor de comunicação, pela sua natureza, sempre foi considerado um ambiente de alta competitividade e de difícil acesso. No entanto, denúncias sugerem que a competição muitas vezes é ilusória. "Você pode ter um portfólio impecável e diplomas das melhores universidades, mas sem o contato certo, não passa da primeira triagem", desabafa um profissional que preferiu manter o anonimato. Ele, como muitos outros, acusa grandes redes e agências de comunicação de priorizarem candidatos indicados por figuras influentes ou por familiares dentro da própria empresa.

A situação não é exclusiva de pequenos veículos ou mercados regionais. As acusações de práticas de favoritismo também recaem sobre gigantes da comunicação, incluindo redes de televisão, portais de notícias e agências publicitárias de renome. Para muitos, a "entrevista por vídeo-chamada" – que simbolizaria uma avaliação inicial justa e meritocrática – é algo que só acontece após a aprovação tácita de uma indicação interna.

Nepotismo e Corrupção: Um Problema Sistêmico

Especialistas apontam que o problema não se limita à comunicação. O nepotismo e as trocas de favores são historicamente enraizados em diversas indústrias brasileiras. Porém, a relevância social e o papel crítico da mídia tornam essas práticas ainda mais preocupantes no setor. "A mídia tem o papel de fiscalizar o poder e denunciar irregularidades, mas como esperar que isso aconteça se seus próprios processos internos não são transparentes?", questiona a socióloga Lígia Santos.

Além disso, muitos profissionais relatam a existência de "máfias internas" em que grupos de funcionários – geralmente em posições estratégicas – controlam quem entra e quem avança nas hierarquias. "É um ciclo vicioso. Só entra quem é da panelinha, e isso perpetua a exclusão de talentos que poderiam trazer diversidade e inovação para o setor", diz um jornalista veterano.

A Luta por Transparência Existe?

Embora os desafios sejam grandes, há iniciativas buscando maior transparência nos processos seletivos. Algumas empresas começaram a implementar políticas de recrutamento anônimas, nas quais os currículos são avaliados sem informações pessoais. Porém, o alcance dessas práticas ainda é limitado.

Plataformas como o LinkedIn também vêm desempenhando um papel importante ao dar voz aos candidatos. Postagens como a citada no início deste artigo frequentemente viralizam, gerando debates acalorados sobre a ética no mercado de trabalho brasileiro. Além disso, organizações como a Associação Brasileira de Imprensa (ABI) e sindicatos têm recebido denúncias, pressionando por mudanças estruturais.

O Que Estaria em Jogo?

A manutenção manutenção do status-quo e de um sistema baseado em indicações e conchavos afeta não apenas os profissionais diretamente prejudicados, mas também a sociedade como um todo. Ao privar o setor de comunicação de talentos qualificados, a qualidade do jornalismo e do conteúdo produzido vem sendo comprometida a muito tempo. Isso é especialmente crítico em tempos de desinformação e fake news, quando o país mais precisa de uma imprensa forte, ética e diversa.

A frase inicial deste artigo, mesmo sendo uma crítica ácida, carrega uma verdade que muitos já experimentaram na pele e outros por desejarem adentrar a corrutela cultivada por uma caterva midiática lutam por omitir. O desafio é transformar essa indignação coletiva em ações concretas para promover um mercado de trabalho mais justo, transparente e acessível.

quinta-feira, setembro 15, 2022

Eu voltei, e até cometer o suicídio é pra ficar!

Eu voltei, sim meu lindos. Eu mesmo: NANDOOOOOOOOOOOOOO SCHWEITZER... Ainda solteiro, pobre, sincero e sem fama. Depois de enviar 9412 currículos em 2022 desde que regressei a Provincianópolis, digo Florianópolis, estou mais que decidido. Posso não ter conseguido um empregão, nem um ruim me ofertaram até agora, então? Vamos mandar um lindo e gigantesco foda-se para essa gente careta e covarde e meter os 5 pés na jaca.

Lembram da minha frase histórica: Desejo que morram de câncro que é gradativo doloroso e eficaz!? Ela em meu âmago está cada vez mais vigente e de veras latente.

Eu na fila do Restaurante Popular junto a outros desempregados e desalentados


Pois bem, dito isto, vamos ao que interessa. Arranco-me os cabelos... ou arranco já com esse artigo fresquinho e cheio de amor no coração, ademais de novidades angustiosas sobre a existência de um miserável fora do mercado de trabalho por falta de máfias.

Nestes meses de Brasil versão 2.2 tive muitos momentos prazerosos. Um deles foi fazer uma única entrevista laboral em minha área após terminar um mestrado em jornalismo na Universidad de Buenos Aires. 

Algumas estratégias vem surtindo um efeito nulo, por incrível que pareça. De adicionar ou seguir todos os jornalistas de todos os setores de todos os meios de comunicação de todos os estados da nação e em cada post destes nos comentários postar meu currículo(instagram, facebook e linkedin), a tomar iniciativa ao saber de uma demissão de algum profissional em qualquer emissora, ligar para a mesmo e me oferecer a trabalhar em troca de um lanche. E... A única coisa a sobrar em meus ouvidos é o vento.

Cheguei a ser sondado para trabalhar na campanha de um candidato ao governo da Província de Santa Catarina por indicação da única ex-compa de faculdade de jornalismo com quem ainda falo e... O senhor que me contactou e entrevistou e ligou e etc e etc, nunca se comprometeu a pagar um salário e no dia do lançamento no Live Hard Rock da campanha do concorrente a seu candidato, o atual governador não teve nem a dignidade de me fazer um PIX no valor do UBER para cumprir a tarefa de ir como repórte espião infiltrado.

Por estas e outras que mesmo sem ganhar um centimo decido-me por manter alimentado este blog, mesmo com extrema falta de dinheiro/emprego/recolocação ou como queiram chamar que, mesmo almoçando diariamente grátis no Restaurante Popular e zanzar pela cidade em ônibus buscando empregos e indo aos poucos alunos particulares que consegui para não estar na indigência completa.

Logo começaremos as séries: Minha Angústia, Minha Vida; De Volta para essa terra de Sofrimento e Desesperança; Sofrimento Velho; Muito mais do Mesmo de Antes e Minha Merda de Vida. Neste espaço sempre estaremos prontos para trazer-lhes: medo, sofrimento, angústia, desespero, além de pitadas de desesperança e dor na alma.

Nando Schweitzer - Editor chefe do SINCERANDO
Jornalista, escritor, diretor teatral e cantor. E atualmente reconhecido pelo CADÚnico como sem renda.

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quinta-feira, janeiro 27, 2022

2022: Como será a geopolítica da América Latina?


O México renasce das cinzas escuras de anos de subversão dos EUA através da ascensão de Andrés Manoel López Obrador e seu partido MORENA à presidência, parte da América Latina está submersa em governos antidemocráticos de viés muito ideológicas, apesar dos autoproclamados anti- sistema.

Obrador venceu as eleições no México com mais de trinta pontos de distância sobre o segundo candidato. Com um discurso baseado fundamentalmente no combate à corrupção, AMLO conseguiu capitalizar o descontentamento da maioria da população mexicana em relação aos atores tradicionais que lideravam a política do país centro-americano há décadas. Fato que, portanto, ocorreu em países como Brasil e Argentina por movimentos à direita.

E o que o México pode nos ensinar? Possivelmente que o latino médio puro não seja nem de esquerda nem de direita, mas sim ou sim egoísta e conservador. O México por sua vez foi governado pelo direito desde sua independência e agora buscava uma mudança. Argentina, Brasil, Venezuela eram governados pela pseudo-esquerda.

A bola da vez é o Chile, a eleição de Gabriel Boric da centro-esquerda, esta muito complexa e eclética que em sua composição engloba partidos e movimentos da esquerda mais radical no parâmetro da República Oriental do Uruguai ao centro moderado que, pelo desgaste natural de três mandatos consecutivos, acabou dando origem ao conservador Lacalle Pou.

Gabriel Boric e Andrés López Obrador são um fio de azeite no pote de esperança no continente que tanto carece de uma verdadeira democracia popular. Do outro lado da serra, a Argentina olha para o vizinho e, à espera da apertada eleição no Brasil que se aproxima, começa a procurar onde se posicionar e se vê encurralada pela falta de opções para seu futuro próximo. Ainda hoje se discute nas ruas argentinas se o melhor para o país é voltar ao macrismo catastrófico ou perfis semelhantes ou continuar com a atual falsa esquerda.

Para alguém como eu que nunca jogou Batalha Naval ou Banco Inmobiliário, mas entende um pouco da lógica deles, posso sentir que no tabuleiro chamado América Latina, a necessidade de um reequilíbrio de forças era iminente. O ano de 2022 pode marcar desde uma perda e retrocesso da independência e qualidade de vida de seu povo, somado a perdas nas liberdades individuais já concedidas em muitos países na última década, ou um tímido, mas importante reequilíbrio em direção à centro-esquerda. No continente.

Se, por sua vez, Mujica afirmou que não estava disposto a voltar ao poder, Lula e dona Cristina estão em campanha aberta. Se por outro prisma o Brasil promoveu o filho de Hitler à presidência, o México colocou pela primeira vez um democrata na posição de presidente máximo e o Chile ousou levantar o inovador esquerdista Gabriel Boric. Rezemos e fiquemos atentos ao movimento pendular que boceja em toda a América Latina.

#Argentina #Chile #Brasil