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terça-feira, dezembro 03, 2024

O Silêncio nos Bastidores: Denúncias de Nepotismo e Corrupção nos Processos Seletivos de Meios de Comunicação no Brasil - Por Nando Schweitzer


 "Adoro as publicações no LinkedIn dos meios de comunicação brasileiros, que, se não tens QI, jamais serás chamado sequer para a entrevista por vídeo-chamada." A frase, carregada de ironia e frustração, resume o sentimento de milhares de brasileiros que denunciam a falta de meritocracia e a prevalência de práticas duvidosas no mercado de trabalho, especialmente no setor midiático.

Os relatos, que circulam nas redes sociais e fóruns especializados, levantam suspeitas sobre um sistema de contratações que estaria mais pautado em relações pessoais e troca de favores do que em competências e habilidades. A sigla "QI", popularmente usada para se referir a "Quem Indica", simboliza a essência dessas práticas e uma constante jaz da comunicação no Brasil: indicações internas, nepotismo e conchavos políticos estariam se sobrepondo a critérios técnicos e avaliações justas. Mas até que ponto essa percepção é realidade?

Já consegui trabalhar em uma rádio fora do país, mas em quase uma década após me formar em comunicação social no Brasil, jamais ultrapassei a linha da entrevista laboral. Algo em meus vários artigos publicados e palestras(incluso na pós graduação da ECA-USP) devem estar completamente equivocados e descartadamente fora do nível da grande mídia abaixo a linha do Ecuador. Ao menos deste lado da fronteira, no mercado luso-brasileiro. Ou seria apenas falta de sorte?

O Mercado Impenetrável dos Meios de Comunicação

Mais fechado que orifício de heterossexual bolsonarista o setor de comunicação, pela sua natureza, sempre foi considerado um ambiente de alta competitividade e de difícil acesso. No entanto, denúncias sugerem que a competição muitas vezes é ilusória. "Você pode ter um portfólio impecável e diplomas das melhores universidades, mas sem o contato certo, não passa da primeira triagem", desabafa um profissional que preferiu manter o anonimato. Ele, como muitos outros, acusa grandes redes e agências de comunicação de priorizarem candidatos indicados por figuras influentes ou por familiares dentro da própria empresa.

A situação não é exclusiva de pequenos veículos ou mercados regionais. As acusações de práticas de favoritismo também recaem sobre gigantes da comunicação, incluindo redes de televisão, portais de notícias e agências publicitárias de renome. Para muitos, a "entrevista por vídeo-chamada" – que simbolizaria uma avaliação inicial justa e meritocrática – é algo que só acontece após a aprovação tácita de uma indicação interna.

Nepotismo e Corrupção: Um Problema Sistêmico

Especialistas apontam que o problema não se limita à comunicação. O nepotismo e as trocas de favores são historicamente enraizados em diversas indústrias brasileiras. Porém, a relevância social e o papel crítico da mídia tornam essas práticas ainda mais preocupantes no setor. "A mídia tem o papel de fiscalizar o poder e denunciar irregularidades, mas como esperar que isso aconteça se seus próprios processos internos não são transparentes?", questiona a socióloga Lígia Santos.

Além disso, muitos profissionais relatam a existência de "máfias internas" em que grupos de funcionários – geralmente em posições estratégicas – controlam quem entra e quem avança nas hierarquias. "É um ciclo vicioso. Só entra quem é da panelinha, e isso perpetua a exclusão de talentos que poderiam trazer diversidade e inovação para o setor", diz um jornalista veterano.

A Luta por Transparência Existe?

Embora os desafios sejam grandes, há iniciativas buscando maior transparência nos processos seletivos. Algumas empresas começaram a implementar políticas de recrutamento anônimas, nas quais os currículos são avaliados sem informações pessoais. Porém, o alcance dessas práticas ainda é limitado.

Plataformas como o LinkedIn também vêm desempenhando um papel importante ao dar voz aos candidatos. Postagens como a citada no início deste artigo frequentemente viralizam, gerando debates acalorados sobre a ética no mercado de trabalho brasileiro. Além disso, organizações como a Associação Brasileira de Imprensa (ABI) e sindicatos têm recebido denúncias, pressionando por mudanças estruturais.

O Que Estaria em Jogo?

A manutenção manutenção do status-quo e de um sistema baseado em indicações e conchavos afeta não apenas os profissionais diretamente prejudicados, mas também a sociedade como um todo. Ao privar o setor de comunicação de talentos qualificados, a qualidade do jornalismo e do conteúdo produzido vem sendo comprometida a muito tempo. Isso é especialmente crítico em tempos de desinformação e fake news, quando o país mais precisa de uma imprensa forte, ética e diversa.

A frase inicial deste artigo, mesmo sendo uma crítica ácida, carrega uma verdade que muitos já experimentaram na pele e outros por desejarem adentrar a corrutela cultivada por uma caterva midiática lutam por omitir. O desafio é transformar essa indignação coletiva em ações concretas para promover um mercado de trabalho mais justo, transparente e acessível.

quinta-feira, janeiro 20, 2022

Aluguéis altos e o cabacismo sociocultural em Provincia... Florianópolis

Na Miami brasileira, os aluguéis são para gringo ver(ou pagar), mas os salários empatam com o Reino do Gongo ou o Zimbábue. A Revolução Francesa não se deu porque todos lá ficaram esperando com a boca escancarada cheia de dentes esperando a morte chegar. Inquilinos do mundo, lutai! Esse deveria ser o título deste artigo. Eu me arrependo de ter voltado a Provincianópolis. Cidade maldita, esta de gente conformada e com vocação subalterna e conformista. Os salários oferecidos não alcançam um aluguel + transporte sequer e quem dirá tudo isto, mais comida. Ler este tipo de comentário é que faz-se entender o porque de tudo ser tão caro por aqui. Afinal de contas estatisticamente Florianópolis é a 3ª capital mais cara quanto a custo de vida e não é a 3ª em média salarial. 

Possuir um PIB tão alto não quer dizer que todos os florianopolitanos e seus novos vizinhos tenham um mega salário e sim retrata uma imensa concentração de riqueza. Florianópolis é o paraíso dos exploradores e o calvário para os que não são detentores dos meios de produção. 

O município é composto pela ilha principal, a ilha de Santa Catarina, a parte continental e algumas pequenas ilhas circundantes. A cidade tem uma população de 516 524 habitantes, de acordo com estimativas para 2021 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). É o segundo município mais populoso do estado (após Joinville) e o 48º do Brasil. A região metropolitana tem uma população estimada de 1 209 818 habitantes, a 21ª maior do país. A cidade é conhecida por ter uma elevada qualidade de vida, sendo a capital brasileira com maior pontuação do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), calculado pelo PNUD, das Nações Unidas.

Então depois de ler tais dados oficiais você já encontra uma pista fácil do porque tão elevados índices da capital. Um conurbano repleto de pobreza e miséria. Ao redor deste núcleo, 13 municípios constituem a área de expansão, totalizando 22 municípios na Região Metropolitana e eis que aí reside o grande tema ocasionante da grande disparidade social da capital catarinense.

Se por um lado você encontra imóveis vazios e de aluguel caríssimo, fruto de fatores como: a especulação imobiliário e o rentismo de uma elite que transpassa aos nativos, pois grande parte dos imóveis na ilha(zona de custo mais elevado) são de propriedade de investidores, ou pessoas que vivem de aluguel e jamais trabalharam na vida, somam-se pessoas que preferem alugar sua propriedade por 1 ou 2 meses a diárias altíssimas em temporada, e fechar os mesmos pelo resto do ano.

O drama da moradia e custo de vida na capital catarinense é inegável. Empresas de grande porte e mal caráter mantém operações com funções e trabalhos similares em que pagam um menor salário em Florianópolis que em São Paulo. Isso explica o boom do telemarketing e também de outras áreas que vem na falta de fortes sindicatos na região e uma sociocultura de submissão ao neoliberalismo pelos mares do sul uma bela e santa oportunidade de aumentar seu lucro, baixando custo em sua folha de pagamento.

A lei de oferta e procura não serve para os trabalhadores, somente para os que detém os meios de produção. Esse é um argumento muito superficial para justificar a mega inflação dos aluguéis em Florianópolis e região.

Segundo a lei de inquilinato brasileira(LEI No 8.245, DE 18  DE OUTUBRO DE 1991) esta que em sua totalidade é pró-locador não existe nenhum amparo legal contra a cartelização dos aluguéis no país. Estaria um bom tema para um próximo artigo. Embora, e não obstante, meu foco aqui é no poder invisível da revolta contra um ato cruel e imoral, apesar de não ser ainda ilegal, este por parte de proprietários vagabundos que vivem de sugar o trabalho alheio.

Trabalho numa empresa sem participação de lucro com um salário ínfimo se comparado apenas ao que eu gero de lucro, graças a que o piso salarial de jornalista em Santa Catarina é inferior ao da mesma profissão em comparação a muitos estados brasileiros. Somo a isto minha falta de QI nos meios catarinenses e minha ausência de 2 anos para cursar um mestrado no exterior. Vamos ter um pouco mais de honestidade intelectual. Esse tipo de comentário não ajuda em nada as classes oprimidas por esse sistema. Florianópolis em que difere de outras cidades do país quanto a exclusão social e cabacismo congênito de seus sobreviventes? Afe triplo!!!

Gilberto Freyre, num pensador maior das questões sociológicas do nosso Brasil lá num certo poema que fecha esse momento, e que aponta para um desalento menos angustiante em nossas vidas que buscar um aluguel com preço justo por estas bandas... Recomendo depois de ler esse artigo, ler: “Dadade."

quarta-feira, julho 25, 2018

O Sonho de um Jornalista Sem Máfias

Reza a lenda que apenas pessoas de cérebro avantajado e mente brilhante recordam com o que sonham. Pois acabo de sonhar algo muito inusitado e lhes contarei com riqueza de detalhes.

Neste de momentos atrás sonhei que conversava com o senhor Mário Petrelli, alta patente de uma emissora de TV do sul brasileiro. No sonho eu chegava afoito a emissora e persistia para falar com ele, após muito escândalo e insistência por fim era atendido pelo mesmo, que me indagara o porquê da necessidade de falar exclusivamente com ele.

Eu, lá no sonho, lhe afirmara: "Como já entreguei 698 currículos impressos em mãos, ademais de centenas via on line, além de preencher fichas nos sites de várias empresas de mídia e comunicação desde que consegui meu diploma de jornalista tomo agora a iniciativa apelativa de procurar pessoalmente e diretamente os proprietários das emissoras e entregar-lhes meu currículo em mãos."

Arrebatado de surpresa o dono da emissora pegou o meu currículo foi até uma fotocopiadora e fez inúmeras cópias e logo passou a entregá-las ele mesmo em mãos à mesa de cada pessoa lá dentro, incluso de ex-colegas de faculdade que nunca tiveram a mesma atitude para comigo.

Realmente era um sonho. Despertei algo transpirado, olhei a chuva pela janela, escovei meus dentes e decidi comentar com o mundo este inusitado sonho. Claro que o fiz apressadamente. Primeiramente para não esquecer, e também porque preciso ir para o trabalho atual, este que NADA têm que ver com jornalismo. Pois, no mundo real de veras entreguei jaz 698 currículos em empresas de comunicação e tive ZERO respostas.

Provavelmente tal sonho tão excêntrico tenha sido provocado pela exaustão do dia anterior em que ao sair do escritório em que atualmente trabalho segui para dar uma aula particular de interpretação para o teatro. É... também sou ator. Sindicalizado desde 2000 e atuando na área desde 1994, e NÃO, nunca fiz nenhuma telenovela, apenas à TV atuei uma vez em uma série internacional veiculada no Discovery Channel como Alexandre Nardoni.

Segundo o Livro dos Sonhos se sonhar com desemprego significa que você "vai arrumar um bom emprego. Acredite na sua sorte:

Jogo do bicho – Loteria Federal
BICHO = Cachorro | GRUPO = 5
DEZENA = 20 | CENTENA = 420 | MILHAR = 4420

Loterias da Caixa Econômica Federal

Quina: 26 – 37 – 44 – 57 – 79
Megasena: 01 – 03 – 19 – 48 – 53 – 54
Lotofacil: 01 – 02 – 03 – 04 – 06 – 10 – 11 – 13 – 14 – 16 – 17 – 18 – 20 – 24 – 25
Timemania: 03 – 05 – 15 – 36 – 37 – 54 – 65 – 70 – 73 – 75"

Em tempo, afirma o portal Sonhos Místicos, que "sonhar que você é jornalista significa que muitas coisas podem dar certo ao se abrir com os outros. Sonhar que você é jornalista está relacionado à vontade de desprender-se de tudo o que está te vencendo. Todos nós só vencemos um determinado problema quando decidimos enfrentá-lo! A maneira de vencer um inimigo é enfrentá-lo e se você considerar seus problemas, seus inimigos, irá conseguir vencê-los. Portanto, sonhar que você é jornalista vai além de um sonho e materializa-se na certeza que somente lutando contra o que te reprime é que você conseguirá ser mais feliz".

#RICRECORD #GLOBO #JORNALISMO

terça-feira, março 21, 2017

NÃO EXISTE MOVIMENTO DE CLASSE ARTÍSTICA NO BRASIL


Resultado de imaxes para conflito de clasesNão é confusão, é realismo! Enquanto um sindicato for presidido por um contratado de uma emissora que domina o mercado audiovisual, e o mercado teatral de várias praças... Não existirá classe artística. A luta de classes refere-se a um fenômeno social de tensão ou antagonismo que existe entre pessoas de diferentes classes sociais devido aos competitivos interesses sócio-econômicos e desejos dessas pessoas diante da lógica do modo de produção capitalista, esta que cada vez mais se aplica no âmbito artístico, dando forma a um conflito que se expressa nos campos econômico, ideológico e político.

Existem artistas que são muito otimistas, como o gaúcho Vinícius Meneguzi: "Eu trabalho nesse mercado desde 2005. Vi mudanças acontecerem. Vivo isso diariamente em elaboração de projetos e na pele lá com minha companhia e outros demais trabalhos." Mas existem muitas reclamações ainda no meio artístico brasileiro, que vão de cartelização das pautas nos teatros públicos, Lei Roaunet e falta de compromisso e camaradagem da classe que afirmam que a arte já está sucateada a décadas no Brasil.

Há teatros públicos mais caros que privados, que além disto cobram com e pela lentidão em responder um pedido de pauta diretamente diminuindo o lucro dos produtores que se tornam reféns do mercado de aluguel de teatros privados. "Quanto me cobra e em quantos meses se tardam a responder quanto a um pedido de pauta um Teatro do Ipê ou São Pedro; e quanto me cobram um Teatro CIA de Artes, Arena ou Nilton Filho? A diferença de tratamento é brutal... e isto ocorrem em várias cidades no Brasil." questionou um ator que preferia não se identificar.

Lutar como classe começa no ato básico de artistas se assistirem, pois muita gente que se diz das artes, não é frequentador. Uma classe para se unir, ela primeiramente precisa existir de fato. Se em uma cidade X, existirem 200 atores, e uma estreia teatral não tiver um público ao menos de 100 espectadores, a mim já parecerá que não existe uma "classe".

A realidade é muito semelhante em outras capitais como Florianópolis que possuiu hoje apenas 6 teatros de ordem público com 2 deles fechadas a meses pela prefeitura. Dirijo uma cia em Florianópolis desde 2003, já com esta tivemos apresentações em São Paulo, Curitiba, Porto Alegre, Joinville e Buenos Aires. E nunca, e jamais, nunca e jamais recebi um tostão de apoio, seja de ordem pública ou privada. Em um total de 26 espetáculos produzidos desde 2003. E sim, existem máfias no concedimento de pautas nos teatros públicos no Brasil. Este é o drama por um lado. E sim os teatros privadas por muitas vezes fazem as vezes de mecenas e do estado. Pois hoje é tão mais fácil e mais barato conseguir datas em um teatro privado, que em um público em várias cidades do país.

Complemento, para os que jamais viveram de editais não fará a menor diferença o aumento ou diminuição de verbas "para a cultura". Data vênia, se consideram "a cultura" estes pulhas mamarrachos de verbas públicas. Pois óbvio, se sitiam as datas nos principais centros culturais, assomados as verbas para produção e promoção das mesmas, acabam criando este falido discurso de que eles são a arte, a cultura, e quando os governos federal, estaduais e municipais cortam essas verbas esbravejam que estão a cortar verbas da cultura. Que cultura? A deles! Não a minha. Jamais.

Nos estados aonde atuo/atuei desde muitas décadas nunca vi grupos não vinculados aos governos receberem verbas, e sequer pautas em teatros que passam mais de metade do mês fechados... Preferem deixar um teatro fechado a gerar concorrência para seus tertulianos. Certos cartéis que vivem de editais a mais de décadas... Somados aos principais e grandes teatros públicos que só são dadas pautas a globais e gente amiga das fundações e secretarias de cultura. Este é um lado. De outro fazem uma arte sublime, segundo eles, quais chamo de subliminar. Verdadeiras obras inacessíveis a um público pobre e sem repertório, que quando vai a exibições assim, dorme, mas ao fim aplaude para não passar-se por inculto. Este processo sim monopoliza o acesso, tanto ao espectador, como aos produtores não mafiosos e que estão por de fora das corrutelas.

Contextualizando parte da tertúlia que ocorre hoje no país quanto aos méritos e deneméritos das atuais leis de incentivo a cultura, o renomado ator Wagner Moura para a Folha de São Paulo em 21/03/2017, deu seguinte declaração:

"Artistas são seres políticos. Pergunte aos gregos, a Shakespeare, a Brecht, a Ibsen, a Shaw e companhia, todos lhe dirão para não estranhar a participação de artistas na política.
A natureza da arte é política pura. Numa democracia saudável, artistas são parte fundamental de qualquer debate. No Brasil de Michel Temer, são considerados vagabundos, vendidos, hipócritas, desprezíveis ladrões da Lei Rouanet.
Diante de tamanha estupidez, fico pensando: por que esses caras têm tanto medo de artistas, a ponto de ainda precisarem desqualificá-los dessa maneira?
Faz um tempo, dei muita risada ao ver uma dessas pessoas, que se referia com agressividade a um texto meu, dizer que todo bom ator é sempre burro, pois sendo muito consciente de si próprio ele não conseguiria "entrar no personagem".
Talvez essa extraordinária tese se aplicasse bem a Ronald Reagan, rematado canastrão e deus maior da direita "let's make it great again". De minha parte, digo que algumas das pessoas mais brilhantes que conheci são artistas.
Esse medo manifestado pelo status quo já fez com que, ao longo da história, artistas fossem censurados, torturados e assassinados. Os gulags de Stálin estavam cheios de artistas; o macarthismo em Hollywood também destruiu a vida de muitos outros. A galera incomoda.
Uma apresentadora de TV fez recentemente sua própria lista de atores a serem proscritos. Usou uma frase atribuída a Kevin Spacey, possivelmente dita no contexto de seu papel de presidente dos EUA na série "House of Cards".
A frase era a seguinte: "a opinião de um artista não vale merda nenhuma". Certo. Vale a opinião de quem mesmo? Invariavelmente essas pessoas utilizam o chamado argumento "ad hominem" para desqualificar os que discordam de suas opiniões.
É a clássica falácia sofista: eu não consigo destruir o que você pensa, portanto tento destruir você pessoalmente. Um estratagema ignóbil, mas muito eficaz, de fácil impacto retórico. Mais triste ainda tem sido ver a criminalização da cultura e de seus mecanismos de fomento, cruciais para o desenvolvimento do país.
Aliás, todos os projetos sérios de Brasil partiram de uma perspectiva histórico-cultural, como os de Darcy Ribeiro, Caio Prado Jr., Sérgio Buarque de Holanda e Gilberto Freyre.
Ver o ministro da Cultura dando um ataque diante do discurso de Raduan Nassar só faz pensar que há algo mesmo de podre no castelo do conde Drácula. Mesmo acostumado a esse tipo de hostilidade, causou-me espanto saber que o ataque, na semana passada, partiu de uma peça publicitária oficial da Republica Federativa do Brasil.
Sempre estive em sintonia com a causa do MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem Teto); fiz com eles um vídeo que tentava explicitar o absurdo dessa proposta de reforma da Previdência.
O governo ficou incomodado e lançou outro vídeo, feito com dinheiro público, no qual me chama de mentiroso e diz que eu fui "contratado" -ou seja, que recebi dinheiro dos sem-teto brasileiros para dar minha opinião.
O vídeo é tão sem noção que acabou suspenso, assim como toda a campanha publicitária do governo em defesa da reforma da Previdência, pela Justiça do Rio Grande do Sul.
Um governo atacar com mentiras um artista, em propaganda oficial, é, até onde sei, inédito na história, considerando inclusive o período da ditadura militar.
Mas o melhor é o seguinte: o vídeo do presidente não conseguiu desmontar nenhum dos pontos levantados pelo MTST.
O ex-senador José Aníbal (PSDB) escreveu artigo em que me chama de fanfarrão e diz que a reforma só quer "combater privilégios". Devo entender, então, que o senhor e demais políticos serão também atingidos pela reforma e abrirão mão de seus muitos privilégios em prol desse combate? E o fanfarrão ainda sou eu?
Se o governo enfrentasse a sonegação das empresas, as isenções tributárias descabidas e não fosse vassalo dos credores da dívida pública, poderíamos discutir melhor o que alardeiam como rombo da Previdência.
Mas eles não querem discutir nada, nem mesmo as mudanças demográficas, um debate válido. O governo quer é votar logo a reforma, acalmar os credores, passar a conta para o trabalhador e partir para a reforma trabalhista antes que o povo se dê conta.
Tenho uma má notícia: no último dia 15, havia mais de um milhão de pessoas nas ruas do país. Parece que não é só dos artistas que eles deverão ter medo."

segunda-feira, outubro 31, 2016

Sincerar no sincerando: O fenômeno de visitas por notas fictícias


Quando você pensa em se tornar jornalista pois em suas outras profissões jamais terá respeito ou reconhecimento social, não pode imaginar que no jornalismo sem máfia jamais terás um emprego em uma grande redação.

A falta de paciência em cavar conchavos e fazer de um tudo para star na grande mídia joga parcela grande dos acadêmicos de jornalismo a áreas menos conceituadas da profissão. De assessor de imprensa para todo o tipo de cliente a trabalhos em sistema de freelancer, existem miles de funções que um jornalista formado como eu pode trilhar para não morrer de fome e desgosto.

Em mais de 300 artigos desde que abri este blog fui conciso, coerente, ético, inovador medianamente imparcial, opinativo e principalmente sincero. Mas os frutos de tanto empenho para com a Comunicação Social, o povo e a sociedade foram pifiamente medíocres, financeiramente ineficazes para comprar um par de sandálias havaianas por mês. Assim que por casualidade resolvi publicar sem prévio avisa uma sátira em formato noticioso aqui. O resultado? Em um dia este único artigo foi mais visitado que todo o melhor mês da história do blog SINCERANDO.

Como é de conhecimento público tenho formação em outras áreas além do jornalismo, e estas facetas estarão presentes aqui, sim e agora ainda mais.

VENHO AQUI PROVAR MINHA TESE, E COMO SEMPRE APÓS TER PROVAS CONTUNDENTES PARA DIZER O QUE IREI AGORA:

Sim, o blog seguirá esta nova linha editorial em que publicaremos notícias fictícias mescladas as notas verídicas, fazendo com que o blog tenha mais visibilidade e buscando dar ao público a meta de que eles com sua capacidade individual decifre qual são as notícias reais e quais não.

Com certeza seguiremos publicando artigos como: O mapa da Esquerda e da Direita na Europa. Este que era até o mês passado o artigo recordista em acessos do SINCERANDO, mas iremos também nos dedicar a diversão destinada a pessoas com cérebro. 


Seja compilando notícias reais que parecem mentira, ou mentirosas que parecem verdade, não importa. Nosso objetivo empoderar o leitor e que este por si só de dê conta do que é surreal, real, ou um fato do seu cotidiano. Estamos hoje encerrando o mês de outubro com mais de 17 mil visitas, praticamente 45% do total histórico desde 2010 quando fundei o blog.



ATT. Nando Schweitzer - Editor chefe do SINCERANDO
Jornalista, escritor, diretor teatral e cantor.