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quarta-feira, fevereiro 19, 2025

Que esquerda é essa companheiro molusco?


 Hoje nosso artigo vai por um novo caminho. Resolvi listar algumas das razões e/ou justificativas para afirmar que o lulopetismo não é de esquerda, eis:

  1. O pragmatismo do "toma lá, dá cá" – Um esquerdista de verdade enfrenta o sistema, não se alia a ele.
  2. A aliança com banqueiros – Os donos do dinheiro nunca tiveram tanto lucro como nos governos petistas.
  3. O “nunca antes na história deste país” – Frase repetida como um mantra, mas sem revolução.
  4. O mensalão e o petrolão – A corrupção institucionalizada como método de governabilidade.
  5. O discurso populista – Mistura de Getúlio com sindicalismo velho, mas sem mudança estrutural.
  6. Os jantares com a Faria Lima – Uma esquerda que confraterniza com o capital financeiro?
  7. O abraço em Maluf – Se até o Maluf cabe na “esquerda” do Lula, então o conceito perdeu o sentido.
  8. A falta de projeto socialista – Governou mais próximo da social-democracia europeia do que de qualquer esquerda radical.
  9. O apoio às empreiteiras – O BNDES financiou grandes empresários enquanto o povo continuava no aperto.
  10. A institucionalização da miséria – Programas sociais sem porta de saída são paliativos, não transformação.
  1. O look operário virou terno Armani – Trocar o macacão pelo paletó não é coisa de revolucionário.
  2. O “sapo barbudo” virou amigo do Rei – De sindicalista rebelde a compadre da elite.
  3. O conservadorismo nos costumes – O PT nunca teve coragem de bancar pautas progressistas de verdade.
  4. A bajulação de ditadores – Esquerda de verdade defende liberdade, não afaga tiranos.
  5. O bordão “nunca soube de nada” – O Che Guevara deve revirar no túmulo cada vez que Lula diz isso.
  6. O amor pelo capitalismo de Estado – Um governo que enriqueceu empresários amigos não é socialista.
  7. O jeitinho brasileiro virou método de governo – A esquerda que prega ética não pode viver de conchavo.
  8. O discurso reciclado – Fala de mudanças radicais, mas governa no “mais do mesmo”.
  9. O país do futebol, cerveja e Bolsa Família – Enquanto isso, educação e cultura seguem no banco de reservas.

A ironia final seria que, no fundo, Lula não é de esquerda nem de direita—é apenas um sobrevivente da política brasileira, moldado pelo jogo de poder.

terça-feira, dezembro 24, 2024

O peso argentino e a relação íntima com o dólar: Algo sobre o governo desastroso de Javier Milei


Desde que Javier Milei assumiu a presidência da Argentina em dezembro de 2023, a relação dos argentinos com o dólar – sempre marcada por um misto de desconfiança na moeda nacional e fascinação pela norte-americana – tornou-se ainda mais intensa. Milei, com sua agenda de dolarização como proposta central de campanha, prometeu resolver a instabilidade cambial crônica e a inflação exorbitante que afligem o país há décadas. No entanto, o impacto dessas medidas segue dividindo opiniões e gerando reflexos visíveis no cotidiano argentino.

Dolarização: Um remédio amargo?

O governo Milei implementou, logo nos primeiros meses, um plano ambicioso para dolarizar a economia, extinguindo o peso argentino como moeda nacional. Essa transição, apresentada como a solução para a hiperinflação (que ultrapassava 140% ao final do governo anterior), tem causado uma volatilidade acentuada e gerado incertezas, especialmente para as camadas mais pobres da população.

Embora a adoção do dólar tenha eliminado o uso do peso no comércio formal e reduzido drasticamente a inflação, muitos economistas alertam para o custo social dessa política. A perda de instrumentos de política monetária fez o país depender ainda mais de fluxos de dólares provenientes de exportações e investimentos externos. Além disso, a dolarização não trouxe uma resposta imediata à dívida pública crescente nem à crise fiscal, forçando o governo a cortes profundos em gastos públicos, incluindo saúde e educação, o que gerou protestos em várias partes do país.

Casa de câmbio: Um fenômeno em transformação

Se em anos anteriores as filas nas casas de câmbio eram indicativo de crises cambiais, hoje o cenário é diferente. Com o dólar sendo utilizado como moeda oficial, a função das casas de câmbio transformou-se. Essas operações agora concentram-se em remessas de dinheiro, turismo e câmbio de moedas regionais como o real e o peso chileno.

No entanto, a dolarização não eliminou a informalidade. Um mercado paralelo ainda persiste, sobretudo nas províncias mais afastadas, onde a falta de infraestrutura e o alto custo de vida em dólares agravam as desigualdades regionais. Além disso, a relação dos argentinos com o dólar continua marcada por desconfiança, especialmente após rumores de escassez de reservas nos bancos centrais para sustentar a política econômica de Milei.

Investidores e a polarização política

No âmbito internacional, o governo Milei inicialmente atraiu atenção positiva por seu perfil liberal e pró-mercado. No entanto, o entusiasmo diminuiu à medida que o presidente enfrentava dificuldades para implementar reformas estruturais e alcançar consenso em um cenário político altamente polarizado. O Congresso, onde Milei não possui maioria, tornou-se palco de embates acirrados, travando projetos-chave como a privatização de empresas estatais.

O perfil excêntrico do presidente, conhecido por sua retórica agressiva e aversão a "castas políticas", alimentou tanto apoios fervorosos quanto uma oposição implacável. A população argentina, marcada por um histórico de profundas divisões ideológicas, vê no governo Milei tanto a chance de romper com velhas práticas quanto o risco de aprofundar crises sociais.

Reflexos sociais e culturais

Em dezembro de 2024, a sociedade argentina encontra-se dividida entre os que veem na dolarização uma chance de estabilidade e os que criticam a perda de soberania econômica. Nas redes sociais, memes e páginas continuam satirizando a política nacional, mas o tom mudou: Javier Milei, apelidado de "El León" por seus apoiadores, tornou-se o novo alvo de chacotas e críticas em páginas como Que Nos Saquen al León.

Ao mesmo tempo, cresce o saudosismo de alguns setores em relação a políticas redistributivas dos governos peronistas, mesmo com seus problemas de corrupção e ineficiência. Essa nostalgia é especialmente evidente nas províncias mais pobres, onde a transição para o dólar agravou o custo de vida e limitou o acesso a bens básicos.

Conclusão: Um país em transição permanente

A Argentina de dezembro de 2024 permanece em um estado de transição. Sob o governo Milei, o país tenta reescrever sua história econômica ao abandonar o peso e adotar o dólar, mas os custos sociais e as incertezas políticas mantêm o futuro em aberto. Para muitos argentinos, a promessa de estabilidade ainda parece distante, e o dilema entre progresso e desigualdade segue sendo uma marca do país.

sexta-feira, setembro 29, 2017

LGBTs e a esquerda, conflito eterno ou refluxo histórico?

Resultado de imaxes para gays socialistas
Quando a dita esquerda passou a incorporar a agenda LGBT? Uma espécie de mutatis mutandis do que fora há um século o início do fascismo é o que se apercebe no cotiano do ocidente na atualidade e taxada como de ultra-direita. Não façamos comparações com o oriente, tão complexo e heterogéneo, para não incorrer no erro de ramificar demais esse artigo e dissipar o foco. Este que por si só é multifocal por ende. Mas a pergunta que não quer calar é: Quando o socialismo deixou de ser homofóbico? Ainda hoje na Rússia é difícil e perigoso organizar uma simples Parada Gay ou uma manifestação pelos direitos dos homossexuais, similaridade recorrente em grande parte dos países pós-soviéticos.

A resposta a provocação talvez não seja apenas uma. Em um mundo aonde ondas conservadoras se alastram podemos hoje surtar e simplesmente não recordar que bandeiras empunhadas hoje por reacionários. Sim sabemos que o Brasil tem uma bancada evangélica e homófoba, ruralista arcaica, neonazista e fervorosa; e que juntas a falta de educação do povo são uma bomba contra minorias. Mas a história política mundial sempre foi pendular, e assim segue. Quem pensaria que na terra da Revolução à Francesa surgiria o monstro Marine Le Pen? Que no bastião da democracia remanesceria ao poder um Trump? Que na democrática, pós-nazista, Alemanha uma AfD com discurso fascista ultrapassaria os 10%?

Não obstante a algumas décadas poloneses, checos, húngaros e búlgaros após pertenceram aos russos em sua gigantesca maquina outrora chamada União Soviética, eliminaram o artigo que criminalizava relações entre pessoas do mesmo sexo em 1968. Até Boris Yeltsin removeu o artigo russo sobre isso em 1992, após a perestroica e outras "aberturas" na nova Rússia. A Romênia, por outro lado, aumentou a pena para algo entre dois e sete anos em 1997 e criminalizou a "propaganda" gay, mas logo anos depois passou a descriminalizar atos homossexuais para integrar a União Europeia. Algo que na atual Russia parece ser impossível lei com a ascensão do reacionário, Vladmir Putin, que em seu governo tem reconhecimento mundial de atos contra as liberdades individuais, a oposição e a comunidade LGBT.

É tão complexa a cronologia da legalidade LGBT no mundo que necessitaríamos meses e meses a detalhar como cada país e seus regimes foram avançando e retrocedendo e novamente avançando e retrocedendo quanto ao tema. Mas algo que podemos realmente perceber é que tanto nos países liberais de hoje e ontem, quanto nos socialistas a questão das liberdades individuais e sexuais são moeda de troca e fator de uso político. Hoje em Cuba mesmo ainda sendo um país auto-proclamado socialista e considerado fechado se pode ver autorizadas operações de mudança de sexo no seu sistema gratuito e universal de saúde, embora em países democráticos e neoliberais sejam moeda de troca em votações no congresso e bandeiras de campanha tanto pró com em contra.

Mas o hoje não apaga o passado. Em entrevista ao site Opera Mundi, Mariela Castro, filha Raúl e sobrinha do ex-comandante Fidel, declarou que: "A homofobia institucionalizada dos primeiros anos da Revolução refletia uma realidade e estava em consonância com a cultura da época. Zombar dos homossexuais era algo normal, assim como depreciá-los ou denegri-los. Era normal discriminá-los no mercado de trabalho, em sua vida profissional, e esse era o aspecto mais grave." e ainda lembra um dos períodos mais duros para os homoafetivos quando "No Congresso Nacional de “Educação e Cultura”, em 1971, foram estabelecidos parâmetros exclusivos contra pessoas com orientação sexual distinta do que se considerava a regra. Até 1976, data em que foi criado o Ministério da Cultura. Com a adoção da nova Constituição naquele ano, essa resolução que separava homossexuais dos mundos da educação e da cultura foi declarada inconstitucional e eliminada. Foi então adotada outra política em nível educacional e cultural."

Nos híbridos anos 70 as transmutações no pensamento quanto a homossexualidade só são contadas do lado de cá do Muro de Berlim. Mas um dentre poucos que adentraram ao mundo pós-marxista,  sem negá-lo fora o prestigiado O homem e a mulher na intimidade[Lisboa: Editorial Caminho, 1983], de Sigfred Schnabel, publicado originalmente em 1979 na Alemanha Oriental, que foi um best seller em vários países de doutrina socialista, afirmava que a homossexualidade não era uma doença. Sendo um dos primeiros autores científicos a demonstrar isso com repercussão em Cuba e países alinhados a União Soviética.

O homossexualismo(termo usado à época e já em desuso) era visto, como um crime e um ato contra-revolucionário, ou mesmo uma patologia psiquiátrica nas repúblicas socialistas baixo o comando de Moscou. O indivíduo era visto como sujeito de uma verdadeira perversão, com infantilismo psíquico, defeito orgânico e distúrbio hormonal. No art. 121 do código penal soviético se previa, de fato, a reclusão de até cinco anos, com a possibilidade de agravante de até oito anos em casos de prática mediante coação, de relações com menores de idade, e mediante violência. Muitas vezes o aprisionamento era convertido em trabalhos forçados em um dos muitos gulag, onde os homossexuais sofriam humilhações e "pestaggi", mesmo por parte de outros condenados.

Nos gulag acabavam milhões de pessoas pelos mais variados motivos, empregados muitas vezes em obras faraônicas, como o Canal do Mar Báltico. Os internados morriam de cansaço, de frio, de doenças, de espancamento e de fome, escavando nas minas ou desmatando as zonas perdidas da Sibéria. Se denominavam gulag o sistema de campos de trabalhos forçados para criminosos, presos políticos e qualquer cidadão em geral que se opusesse ao regime na União Soviética (todavia, a grande maioria era de presos políticos; no campo Gulag de Kengir, em junho de 1954, existiam 650 presos comuns e 5200 presos políticos).

Sempre devemos relativizar ou situar o contexto histórico, mas sem ser piegas. O escritor francês André Gide realizou uma viagem a União Soviética em 1936, com um companheiro e voltou profundamente abalado e escreveu dois livros sobre sua experiência. O primeiro em tons mais sutis e o segundo mais objetivo sobre a miséria social e ausência de liberdade de expressão na URSS. Os comunistas e seus aliados voltaram-se violentamente contra ele, atribuindo insinuações e falando de seus problemas com a "moral" e sua devoção a homens mais jovens.

Mas podemos revolcar o início da União Soviética, quando em 1918, após o triunfo da Revolução Bolchevique, a homossexualidade foi descriminalizado em todo o território da União Soviética. Desse modo, a URSS se tornou, por quase uma década, o primeiro país a "aprovar" práticas não heterossexuais. Embora em boa parte do mundo a prática fora condenada. Com a chegada de Stalin ao poder intensificou-se e perseguição aos gays a partir de 1934 passou a ocorrer fortemente até os primeiros anos da década de 1980. Calcula-se que aproximadamente 50 mil homossexuais tenham sido condenados sumariamente, e muitos deles morreram em campos de concentração. 

Até à época de Pedro, o Grande, a homossexualidade, na Rússia, era tolerado mesmo se sancionada pela Igreja Ortodoxa com penitências. Apenas em 1706 foi instituída a fogueira para qualquer um que fosse descoberto em uma relação homossexual, e no ano de 1917 aconteceu a Revolução de Outubro e, graças à intervenção dos cadetes (KD, Partido dos constitucionalistas democráticos), a homossexualidade foi finalmente descriminalizada. Os Bolchevique se demonstraram contrários a esta nova forma de liberdade, por sua postura postura sexófoba. 

No "Congresso Mundial da Liga pelas Reformas Sexuais", em Copenhague em 1928 se discutira abertamente o tema da homossexualidade, e seguindo esta linha ainda em 1930 Mark Serejskij, perito médico, descreveu na Grande Enciclopédia Soviética que "a legislação soviética não reconhece crimes ditos contra a moral. As nossas leis partem do princípio da defesa da sociedade, e portanto preveem uma punição somente naqueles casos nos quais o objeto de interesse homossexual seja uma criança ou um menor de idade."

E se podemos trazer uma dialética materialista a ainda e talvez longínqua discussão entre polos de esquerda a direita, Cuba, hoje em dia proporciona gratuitamente a cirurgia de mudança de sexo aos transgêneros, reconhece legalmente as uniões civis entre homossexuais, etc; e os Estados Unidos, Coréia do Norte, Arábia Saudita, China, a nova Rússia ultra-neoliberal e muitos outros países não. Temos também na atualidade países que perseguem LGBTs querendo fazer parte da União Europeia. Vivemos um mundo mega-multi-polar e neste devemos nos situar, todavia sem perder o rastro de pólvora da história. Os direitos dos cidadãos necessitam ultrapassar a discussão das bandeiras ideológicas para avançar, mas nunca podem se excluir das lutas sociais. Um ser humano pode ser ao mesmo tempo de direita ou esquerda, esta é uma questão programática e de envergadura particular, e sem embargo ser ao mesmo um excluído por outras motivações quanto a etnia, credo e orientação sexual.

O outro lado da bandeira colorida

Resultado de imaxes para gays socialistasÉ de conhecimento na atualidade que em muitos países homossexuais e transgêneros reivindicam seu espaço e voz em movimentos de direita. Esta é uma vertente cada vez mais visível.

Em muitas rodas de discussão se esbravejam pontas extremas de um iceberg. Se de um lago LGBTs de direita recriminam as perseguições históricas e atuais de regimes auto-proclamados comunistas, socialistas e similares; em um outro campo ideológico LGBTs parte atuante na atual militância de esquerda vem que a direita atual tem como retórica a exclusão desta comunidade.

O impasse fica ainda maior quando se nota que ambas militâncias por muitas vezes não sabem se para a sua luta como seguimento de classe lhes poderá vir a convir mais um lado que outro. 

Dentro das 4 letrinhas da sigla do arco-íris os homossexuais homens, geralmente mais consumistas e individualistas,  pendem ao discurso da direita neoliberal que parece englobar o seu grito de liberdade sexual e individual a possibilidade de ascensão social. As homossexuais mulheres surgem como majoritariamente nas fileiras ligadas as esquerdas e de militância social, geralmente com um perfil mais próximo ao discurso feminista. Claro que exceções de ambos lados existem, como Tammy/Tommy Gretchen, que já teve candidaturas pelo PP. Mas dentro do "mundinho" LGBT há também preconceitos com setores da comunidade que poderiam com um pouco de conscientização serem superados. Todavia não esqueçamos que boa parte desta geração foi educada e criada por uma anterior que não viveu em democracia plena.

Por Nando Schweitzer, Jornalista, Diretor Teatral e provocador nas horas vagas

quinta-feira, novembro 03, 2016

ESQUERDA X DIREITA: O que fazem, o que comem, o que são?

Acredito que os ditos socialistas e tão pouco os liberais não iriam gostar muito do conceito proposto em relação a eles, como direita-esquerdista, ou como esquerda direitista. Não defendem a liberdade individual e, consequentemente, pautas como a liberação do uso das drogas, do casamento e da adoção por homossexuais, etc.?

Mas, senhores, os que madrugam no ler, convêm madrugarem também no pensar. Vulgar é o ler, raro o refletir. Entre a esquerda e a direita estende-se toda uma zona indecisa de mesclagens e transigências, que podem assumir a forma de partidos menores independentes ou consolidar-se como política permanente de concessões mútuas entre as duas facções maiores. É o “centro”, que se define precisamente por não ser nada além da própria forma geral do sistema indevidamente transmutada às vezes em arremedo de facção política, como se numa partida de futebol o manual de instruções pretendesse ser um terceiro time em campo.

Para pesquisadores, estes concluíram que, frente às situações novas que requerem modificação dos comportamentos habituais, os liberais têm mais sensibilidade neurocognitiva que os conservadores. Também deduziram que a menor sensibilidade neurocognitiva dos conservadores em tais situações poderia explicar seu comportamento mais sistemático e persistente. A avaliação neurofisiológica desse estudo foi tão consistente que serviu para prever com bastante exatidão se os participantes tinham votado em John Kerry ou George Bush na eleição de 2004 nos Estados Unidos. 

Nas beiradas do quadro legítimo, florescendo em zonas fronteiriças entre a política e o crime, há os “extremismos” de parte a parte: a extrema esquerda prega a submissão integral da sociedade a uma ideologia revolucionária personificada num Partido-Estado, a extinção completa dos valores morais e religiosos tradicionais, o igualitarismo forçado por meio da intervenção fiscal, judiciária e policial. A extrema direita propõe a criminalização de toda a esquerda, a imposição da uniformidade moral e religiosa sob a bandeira de valores tradicionais, a transmutação de toda a sociedade numa militância patriótica obediente e disciplinada.

Quando estás em um cruzamento e dobras a esquerda, isto é um ato de esquerda, e quando dobras a direita isto é um ato de direita. De fato, é extremamente raso e banalizante reduzir o debate à maior ou menor atuação estatal. O ideário de Estado mínimo apregoado por liberais consiste uma grande falácia. Exemplo disso são as medidas estatais de governos direitistas em épocas de crise econômica, medidas que suplantam direitos sociais visando repassar para toda a sociedade o prejuízo da classe dominante.

Há também uma observação curiosa que indica que as pessoas com altos níveis de cortisol (o hormônio do estresse) tendem menos a ir votar do que as que têm níveis mais baixos desse hormônio no sangue. Segundo esses dados, o estresse poderia ser um fator que diminui a participação dos cidadãos nas eleições. Nem é preciso dizer que determinados acontecimentos sociais, especialmente os traumáticos, podem produzir mobilizações importantes, ainda que nem sempre permanentes, na orientação ideológica das pessoas. 

quarta-feira, dezembro 10, 2014

Facilitemos sua abstração limitada de ultra direita

Fernando Schweitzer - Jornalista e Diretor Teatral


Quando me perguntam sobre a atual polarização da política brasileira realmente fico em uma sinuca. Não por não saber a respostam, mas por não crer que pessoas que se dizem politizadas caiam ainda nesta estratagema medíocre. Tanto enxergo igualdades, ou similitudes filosóficas entre os pseudo-próceres da nação que lhes afirmo: PT e PSDB não são polos ideológicos. Meramente são propostas siamesas que rivalizam-se no poder. A ignorância política, ou melhor, despolitização do povo que criam tal polarização entre propostas neoliberais. 

O assassino norueguês Anders Breivik, 
acusado de terrorismo, repete gesto nazista no tribunal 
O sociólogo político Oliver Woshinsky retratou em um de seus escritos a extrema-direita como uma dissidência política que prega o apoio de uma forte ou completa hierarquização social da sociedade, e apoia a supremacia de certos indivíduos ou grupos considerados naturalmente superiores que seriam mais valorizados do que aqueles considerados inatamente inferiores. Os termos "política de direita" e "política de esquerda" foram cunhados durante a Revolução Francesa principalmente. Agora, alguns aninhos depois voltam a fazer a boca miúda parte do debate efusivo de pessoas não tão aguerridas por mudanças estruturais.

Se o próprio Aloisyo Nunes em entrevista ao apresentador Danilo Gentili, disse textualmente: "O PSDB é mais esquerda que o PT hoje." Aí gente que votou no PSDB vem com discurso neonazista com clichês obsoletos contra o PT. Apoio que se critique o PT e seus aliados, estes que preferiram sucumbir-se a um projeto de poder despolitizado de valores individuais e rasgando suas bandeiras históricas. Agora, se fosse um mal ser de esquerda (cada um com sua ideologia política), jamais poderia-se acusar o PT disto, pois este seguiu a cartilha geoeconômica de seu antecessor, incluso mantendo Lula o mesmo presidente no Banco Central do governo FHC.

Facilitemos sua abstração limitada. Esqueçamos a provocação que não foi absorvida. Assim seguiremos de alguma forma Adorno, e assim pensemos na reprodutibilidade do sincrético. Se ao invés de considerarmos 41 partidos, e suas 15 tendências, claro pois, existem coincidências. Pensemos que estas 11 coligações representem 11 tendências políticas entre a ultra esquerda e a ultra direita, passando-se pelas centrais mais ou menos liberais. Porque não estiveram nos debates presidenciais todos os candidatos? ALERTA, NÃO FALEI EM NENHUM MOMENTO DO MEU JUÍZO DE VALOR PARTICULAR.

Para os que hoje muitos radicais de esquerda chamam ainda de filhotes da ditadura, ou mesmo e também, para os que reivindicam intervenção militar a "direita moderada", tipificada pelos escritos de Edmund Burke, seria hoje melhor retratada se este não fossem esbravejadores alienados por Dilma Roussef e seus aliados que por Aécio Neves e seus correligionários e aliados de ocasião. . 

Mas vivemos em um país bipartite. "Bipartidário? Quer dizer que PSOL é igual ao PT e ao PCB? Que o PSB, PDT, PSDB, PSC, DEM, são iguais?", me perguntara um boçal via redes sociais recentemente. A resposta começou no parágrafo acima. A resposta está nas coligações da última eleição. E na ironia que não foste capaz de perceber. A mídia fala de PT e PSDB a décadas, como os "candidatos principais"... Principais para quem? Para os coxinhas despolitizados? Tivemos 11 candidatos na última eleição, esta que é segundo a lei em 2 turnos. (Pensemos que durante uma eleição um partido e uma coligação tem o mesmo valor legal representativo) Sigo? Se é que consegues seguir o raciocínio.

O significado de direita "varia entre sociedades, épocas históricas, sistemas políticos e ideologias". De acordo com o The Concise Oxford Dicionário de Politica, nas democracias liberais, a direita política se opõe ao socialismo e à social-democracia. Os partidos de direita incluem conservadores, democratas-cristãos, liberais e nacionalistas, e os da extrema direita incluem racistas e fascistas.

Discussões políticas são sempre longas, pois geralmente as pessoas não usam dois mesmos marcos teóricos para embasamento do que falam. Mas não falando de lados, e sim de marcos teóricos clássicos... Os partidos que hipocritamente polarizaram em segundo turno, ambos fizeram governos neoliberais e as mesmas práxis econômicas e educacionais. O que me causa riso são os postagens de extrema (sejam à direita, ou, esquerda) que falam como se tudo fora 8 ou 80. 

Em um país com 41 partidos, termos apenas duas tendências políticas não soa algo surreal? A imprensa contemporânea, ocasionalmente, usa os termos "esquerda" e "direita" para se referir a lados opostos ou que se opõe. Ou a mídia e as pessoas que a compram criaram um país fictício e bucéfalo aonde não existam ponderação mistas, intermediarias, alternativas... Dessa formar pensarei que nos tornamos um país medíocre e bipartidário como Espanha, ou Estados Unidos.

sexta-feira, novembro 07, 2014

O Mapa da Esquerda e Direita na Europa

Fernando Schweitzer - Diretor Teatral e Jornalista



Albânia (Fora da UE) - Comunismo - IDH 95º
Alemanha - (Na UE) - Social Democracia - IDH 5º
Andorra - (Parcialmente na UE) - Social Democracia - IDH 37º
Armênia - (Fora da UE) - Liberalista - IDH 87º
Áustria - (Na UE) - Social Democracia - IDH 21º
Azerbaidjão -(Fora da UE)  - Liberalismo - IDH 76º
Bélgica - (Na UE) - Liberalismo - IDH 21º
Bielorrússia - (Fora da UE) - Comunismo parlamentar - IDH 53º
Bósnia e Herzegovina - (Fora da UE) - Liberalista - IDH 86º
Bulgária - (Na UE) - Liberalista - IDH 58º
Cazaquistão - (Fora da UE) - Comunismo presidencialista - IDH 70º
Chipre - (Na UE) - Liberalismo - IDH 32º
Croácia - (Fora da UE) - Pós-Socialista - IDH 47º
Dinamarca - (Na UE) - Estado de Bem-Estar - IDH 10º
Eslováquia - (Na UE) - Liberalismo - IDH 37º
Eslovênia - (Na UE) - Social Democracia - IDH 25º
Espanha - (Na UE) - Social Democracia - IDH 23º
Estônia - (Na UE) - Liberalista - IDH 33º
Finlândia - (Na UE) - Estado de Bem-Estar - IDH 24º
França - (Na UE) - Estado de Bem-Estar - IDH 20º
Geórgia - (Fora da UE) - Liberalista - IDH 79º
Grécia - (Na UE) - Social Democracia - IDH 29º
Hungria - (Na UE) - Liberalista -  IDH 43º
Irlanda - (Na UE) - Neoliberal - IDH 11º
Itália - (Na UE) - Liberalista - IDH 26º
Islândia - (Na UE) - Liberalismo - IDH 13º
Letônia - (Na UE) - Liberalista - IDH 48º
Liechtenstein - (Fora a UE) - Liberalista - IDH 18º
Lituânia - (Na UE) - Liberalista - IDH 41º
Luxemburgo - (Na UE) - Social Democracia - IDH 21º
Macedônia - (Fora da UE) - Liberalista - IDH 84º
Malta - (Na UE) - Social Democracia - IDH 39º
Moldávia - (Fora UE) - Liberalista - IDH 114º
Mônaco - (Na UE) - Social Democracia - IDH não medido (Francês)
Montenegro - (Na UE) - Social Democracia - IDH 51º
Noruega - (Fora da UE) - Estado de Bem-Estar -  IDH 1º
Holanda ou Países Baixos - (Na UE) - Social Democracia - IDH 4º
Polônia - (Na UE) - Pos-Socialista - IDH 35º
Portugal - (Na UE) - Liberalista - IDH 41º
Reino Unido - (Fora da UE) - Liberalista - IDH 14º
República Checa - (Na UE) - Liberalista - IDH 28º
Roménia - (Na UE) - Liberalista - IDH 54º
Rússia - (Fora a UE) - Neoliberalista - IDH 57º
Suécia - (Na UE) - Estado de Bem-Estar - IDH 11º
Suíça - (Fora da UE) - Social Democracia - IDH 3º
Turquia - (Fora da UE) - Liberalista - IDH 69º
Ucrânia - (Fora da UE) - Liberalista - IDH 83º
Vaticano - (Foras da UE) - Mercantilista - IDH (Não é medido oficialmente)

UE - União Européia. A União Europeia (UE) é uma união económica e política de 28 Estados-membros independentes situados principalmente na Europa. A UE tem as suas origens na Comunidade Europeia do Carvão e do Aço (CECA) e na Comunidade Económica Europeia (CEE), formadas por seis países em 1957. Nos anos que se seguiram, o território da UE foi aumentando de dimensão através da adesão de novos Estados-membros, ao mesmo tempo que aumentava a sua esfera de influência através da inclusão de novas competências políticas. O Tratado de Maastricht instituiu a União Europeia com o nome atual em 1993. A última revisão significativa aos princípios constitucionais da UE, o Tratado de Lisboa, entrou em vigor em 2009. Bruxelas é a capital de facto da União Europeia.
O Parlamento Europeu é a instituição parlamentar da União Europeia. Eleito por um período de 5 anos por sufrágio universal direto pelos cidadãos dos estados-membros, o Parlamento Europeu é a expressão democrática de 500 milhões de cidadãos europeus. Constitui assim a Assembleia eleita nos termos dos Tratados, do Ato de 20 de Setembro de 1976. No Parlamento Europeu estão representadas, a nível de formações políticas pan-europeias, as grandes tendências políticas existentes nos países membros. Tem sede em Estrasburgo, na França. O presidente do Parlamento Europeu é o socialista alemão Martin Schulz, eleito em 17 de janeiro de 2012.

IDH - Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) é uma medida comparativa usada para classificar os países pelo seu grau de "desenvolvimento humano" e para ajudar a classificar os países como desenvolvidos (desenvolvimento humano muito alto), em desenvolvimento (desenvolvimento humano médio e alto) e subdesenvolvidos (desenvolvimento humano baixo). A estatística é composta a partir de dados de expectativa de vida ao nascer, educação e PIB (PPC) per capita (como um indicador do padrão de vida) recolhidos a nível nacional. Cada ano, os países membros da ONU são classificados de acordo com essas medidas. O IDH também é usado por organizações locais ou empresas para medir o desenvolvimento de entidades subnacionais como estados, cidades, aldeias, etc.
O índice foi desenvolvido em 1990 pelos economistas Amartya Sen e Mahbub ul Haq, e vem sendo usado desde 1993 pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) no seu relatório anual.