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quarta-feira, dezembro 05, 2018

Efeito Bolsonaro: Uruguai, o auto-exílio rumo ao sul

Após o resultado das eleições brasileiras de 2018, milhares de brasileiros transformaram o sonho de morar no exterior em necessidade urgente e imediata. Talvez possa soar alarmista, mas para quem ainda em 2016 fora agredido dentro de uma boate voltada ao público LGBT talvez seja um indício de que em uma sociedade historicamente marcada pelo preconceito e conservadorismo velado exista sim o risco de vida em se ser o que é.

"Minha Sombra na Fronteira". Foto: Nando Schweitzer
O número de pedidos de nacionalidade e solicitações de vistos para Portugal solicitados na unidade consular na cidade de brasileira de São Paulo disparou em 2018. A primeira válvula de escape pensada por todos é Portugal. Mesmo com o custo para se chegar lá, muitos imediatamente dado o resultado das eleições buscou esta via de fuga do país. O êxodo fora de tal proporção que congestionou o Consulado-Geral de Portugal em São Paulo que informou na última semana de Outubro que até ao início de 2019 não receberá mais pedidos de reconhecimento de nacionalidade portuguesa, por conta da demanda.Sobre os pedidos de vistos, a Secretaria das Comunidade Portuguesas relatou que este tipo de solicitação realizada por brasileiros naquele consulado aumentou 34%.

 Já antes mesmo do resultado final de segundo turno manifestação como ocorridas e difundidas por redes sociais aonde torcedores de futebol no metrô gritavam: "...ei gays tomem cuidado, Bolsonaro vai matar veado!", são demonstração de que os discursos do presidente eleito têm eco na sociedade, esta que como tirou do sarcófago seus esqueletos fascistas e ao sentirem-se representados pelo novo mandatário passaram a mais abertamente proferir ataques a pessoas que não estariam de acordo com as posições ideológicas de Jair Bolsonaro e seus seguidores.

Posto de Abastecimento próximo a Chuí
Na falta de condições financeiras os brasileiros que não podem arcar com a ida a Europa e que ao contrário desta imensa maioria que opta pela saída à portuguesa, uma outra onda se consolidou com as crises nos países vizinhos como Argentina e Chile, estes com governos de rasgo mais conservador e que são acusados ademais de retrocessos nas políticas de direitos civis, a via Jango, ou também chamada via cubana, esta que consistem na escolha do Uruguai como destino por muitos dos brasileiros no momento. Existem uma forte migração de cubanos ao Uruguai ao ascenderam ao Suriname, único país em que cubanos não necessitam visto e entram como turistas, logo cruzando a fronteira terrestre com o Brasil e após dias de viagem  chegam ao Uruguai e pedem asilo político, trâmite este previsto e facilitado pela Leinº 18.076 (DERECHO AL REFUGIO Y A LOS REFUGIADOS) aprovada em 19 de Dezembro de 2006.

Embora o país oriental tenha alto custo de vida, o que dificulta nos primeiros dias por lá a sobrevivencia dos refugiados, as políticas progressista ampliadas pelos 3 últimos governos da Frente Ampla(Vázquez-Mujica-Vázquez) parecem um último suspiro de democracia e das liberdades individuais no continente.  A Argentina, até então o maior destino de brasileiros no continente passa por uma enorme recessão causada pelas políticas neoliberais e de austeridade do atual governo. Mais de 500 negócios gastronômicos fecharam no último semestre apenas na capital argentina, fora os fortes retrocessos nas políticas de subsídios e sociais no país. Citando o último escândalo que tem reverberado nas mídias da América Latina, em que a Ministra de Segurança do governo Maurício Macri, Patricia Bullrich, autorizou as forças de segurança nacionais a disparar sen dar a voz de prisão e sem que haja eminencia de perigo a civis. Após fortes críticas que alçou o juíz do Contencioso Administrativo e Tributario portenho Roberto Gallardo a declarou inconstitucional.

Nando Schweitzer afirma que "tem passado fome" em seus primeiros dias em Montevidéu, mas segue otimista e a entregar currículos. "Melhor passar fome do que ser perseguido ou até mesmo morto por fascistas e extremistas reacionários", afirmou. Ele que veio de carona desde Florianópolis até Montevidéu, em uma viagem que ao todo levou quase 2 dias. A opção se deu pelo baixo custo e sua falta de dinheiro, pois em ônibus a viagem sairia por quase R$ 600,00 e em caronas gastou pouco mais de R$ 200,00. A mistura entre caronas via aplicativos, por via tradicional e a pé foram a opção para o artista que passou o último mês cantando nas ruas de Florianópolis para juntar dinheiro para o auto-exílio como gosta de chamar a empreitada.Chegando a capital uruguaia Nando já se pós no seu primeiro dia a cantar nas tradicionais feiras do Parque Rodó, aonde conheceu Felipe, um português de Aveiro e fizeram juntos uma versão em samba de uma de suas composições, por insistência do lusitano.

 A radicação no Uruguai tem alguns passos que podem levar alguns dias, dentre os mais complexos é conseguir um turno, para atendimento no Ministério de Relações Exteriores, que se liberam via site todos os dias as 15:30h locais, mas que são limitados e bastante concorridos. A radicação é passo fundamental e obrigatoriamente previa para se poder solicitar a cédula de identidade uruguaia para se poder trabalhar em empregos formais no país. Nando pretende cursar um mestrado na área de Marketing ou Política da América Latina e já tem a inscrição postularia na UDELAR(Universidad de la República de Uruguay) e "se sobreviver a fome" também pretende atuar no teatro uuruguaio.

O excesso de estrangeiros no Uruguaio devido as últimas ondas migratórias ao país já começam a causar preocupação. Segundo matéria do jornal uruguaio El País quanto a opinião da população local quanto a imigração latinoamericana realizada por Opción Consultores. Cerca de 10% das perssoas consultadas disseram que apoiam fortemente a chegada de uma onda migratória e outros 28% a consideram bem positiva, e 17% a vêm com apreensão e 25% apontam como algo negativo, segundo o informe.


quarta-feira, março 22, 2017

Pare de "pensar"!



Como não pensar? Este é um exercício abstrato ao que deveremos nos propor agora. Abstrair o ato de pensar é uma necessidade de sobrevivência do ser humano. Quando a ilusão passar a ser a nossa verdade, passaremos a não mais sentir. Não sentir dor, não sentir tristezas.


Quando, como e porque? Agora pense agora… Ops… A ideia é não pensar. Mas como? Assim, não pensando. Não controlando a vida alheia, nem a sua. Se preocupando menos com isso. É, com isso que você está pensando agora. Porque? Porque não te leva a nada. Pense… Não, não, não não… Não pense, apenas constate. Constate, perceba. Meramente perceba o que lograstes ao pensar, ao fazer juízos prévios de algo ou alguém. Pensando que sabia tudo sobre algo, você conseguiu cometer um ato dúbio, pensar sem pensar.

Quão difícil pode ser que apenas por um dia não penemos em nada, absolutamente nada. Que entremos no ônibus, no trânsito, no trabalho, na padaria, mercado, restaurante… E por 24 horas bloqueemos essa faceta funesta de nosso caráter suspeito e suspeitante, suspeitoso e supeitador perante aos que nos cercam.

Outra vez? Estás a pensar no que eu proponho. Mas que porcaria! Qual era a proposição? É meus caros. Não pensar! Como não pensar? Este é um exercício abstrato ao que deveremos nos propor agora. Abstrair o ato de pensar é uma necessidade de sobrevivência do ser humano. Na fila você olha e analisa as vestimentas da pessoa a sua frente porque já sem conhecê-la guardas uma mágoa e passa a construir um ódio por este desconhecido ser. Motivado pelo simples fato de este ter acordado mais cedo que você e ser atendido antes. Pense por um segundo. Não… A meta de hoje é não pensar.

Se não pensas, não raciocinas, se não raciocinas, não reages, se não reages não cometes erros, se não cometes erros és feliz, e se és feliz para que pensar? Paremos um pouco de pensar, pensar faz mal. Pensar muito agride, cria inimigos, inimizades, aborrecimentos, conflitos, brigas, angústias, sofrimentos.

As diversas “realidades” nas quais os seres humanos operam suas vidas – social, afetiva, política, econômica, etc. – tem na naturalização sua sustentação moral e sua principal estratégia de acomodação dos indivíduos. Dadas, então, como universais aos quais as situações do cotidiano, em sua singularidades, deverão extrair suas regras, funcionam como fetiches, assumindo a condição de instituições sociais – que contam com os indivíduos fetichizados para sua defesa e perpetuação.

sexta-feira, novembro 07, 2014

O Mapa da Esquerda e Direita na Europa

Fernando Schweitzer - Diretor Teatral e Jornalista



Albânia (Fora da UE) - Comunismo - IDH 95º
Alemanha - (Na UE) - Social Democracia - IDH 5º
Andorra - (Parcialmente na UE) - Social Democracia - IDH 37º
Armênia - (Fora da UE) - Liberalista - IDH 87º
Áustria - (Na UE) - Social Democracia - IDH 21º
Azerbaidjão -(Fora da UE)  - Liberalismo - IDH 76º
Bélgica - (Na UE) - Liberalismo - IDH 21º
Bielorrússia - (Fora da UE) - Comunismo parlamentar - IDH 53º
Bósnia e Herzegovina - (Fora da UE) - Liberalista - IDH 86º
Bulgária - (Na UE) - Liberalista - IDH 58º
Cazaquistão - (Fora da UE) - Comunismo presidencialista - IDH 70º
Chipre - (Na UE) - Liberalismo - IDH 32º
Croácia - (Fora da UE) - Pós-Socialista - IDH 47º
Dinamarca - (Na UE) - Estado de Bem-Estar - IDH 10º
Eslováquia - (Na UE) - Liberalismo - IDH 37º
Eslovênia - (Na UE) - Social Democracia - IDH 25º
Espanha - (Na UE) - Social Democracia - IDH 23º
Estônia - (Na UE) - Liberalista - IDH 33º
Finlândia - (Na UE) - Estado de Bem-Estar - IDH 24º
França - (Na UE) - Estado de Bem-Estar - IDH 20º
Geórgia - (Fora da UE) - Liberalista - IDH 79º
Grécia - (Na UE) - Social Democracia - IDH 29º
Hungria - (Na UE) - Liberalista -  IDH 43º
Irlanda - (Na UE) - Neoliberal - IDH 11º
Itália - (Na UE) - Liberalista - IDH 26º
Islândia - (Na UE) - Liberalismo - IDH 13º
Letônia - (Na UE) - Liberalista - IDH 48º
Liechtenstein - (Fora a UE) - Liberalista - IDH 18º
Lituânia - (Na UE) - Liberalista - IDH 41º
Luxemburgo - (Na UE) - Social Democracia - IDH 21º
Macedônia - (Fora da UE) - Liberalista - IDH 84º
Malta - (Na UE) - Social Democracia - IDH 39º
Moldávia - (Fora UE) - Liberalista - IDH 114º
Mônaco - (Na UE) - Social Democracia - IDH não medido (Francês)
Montenegro - (Na UE) - Social Democracia - IDH 51º
Noruega - (Fora da UE) - Estado de Bem-Estar -  IDH 1º
Holanda ou Países Baixos - (Na UE) - Social Democracia - IDH 4º
Polônia - (Na UE) - Pos-Socialista - IDH 35º
Portugal - (Na UE) - Liberalista - IDH 41º
Reino Unido - (Fora da UE) - Liberalista - IDH 14º
República Checa - (Na UE) - Liberalista - IDH 28º
Roménia - (Na UE) - Liberalista - IDH 54º
Rússia - (Fora a UE) - Neoliberalista - IDH 57º
Suécia - (Na UE) - Estado de Bem-Estar - IDH 11º
Suíça - (Fora da UE) - Social Democracia - IDH 3º
Turquia - (Fora da UE) - Liberalista - IDH 69º
Ucrânia - (Fora da UE) - Liberalista - IDH 83º
Vaticano - (Foras da UE) - Mercantilista - IDH (Não é medido oficialmente)

UE - União Européia. A União Europeia (UE) é uma união económica e política de 28 Estados-membros independentes situados principalmente na Europa. A UE tem as suas origens na Comunidade Europeia do Carvão e do Aço (CECA) e na Comunidade Económica Europeia (CEE), formadas por seis países em 1957. Nos anos que se seguiram, o território da UE foi aumentando de dimensão através da adesão de novos Estados-membros, ao mesmo tempo que aumentava a sua esfera de influência através da inclusão de novas competências políticas. O Tratado de Maastricht instituiu a União Europeia com o nome atual em 1993. A última revisão significativa aos princípios constitucionais da UE, o Tratado de Lisboa, entrou em vigor em 2009. Bruxelas é a capital de facto da União Europeia.
O Parlamento Europeu é a instituição parlamentar da União Europeia. Eleito por um período de 5 anos por sufrágio universal direto pelos cidadãos dos estados-membros, o Parlamento Europeu é a expressão democrática de 500 milhões de cidadãos europeus. Constitui assim a Assembleia eleita nos termos dos Tratados, do Ato de 20 de Setembro de 1976. No Parlamento Europeu estão representadas, a nível de formações políticas pan-europeias, as grandes tendências políticas existentes nos países membros. Tem sede em Estrasburgo, na França. O presidente do Parlamento Europeu é o socialista alemão Martin Schulz, eleito em 17 de janeiro de 2012.

IDH - Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) é uma medida comparativa usada para classificar os países pelo seu grau de "desenvolvimento humano" e para ajudar a classificar os países como desenvolvidos (desenvolvimento humano muito alto), em desenvolvimento (desenvolvimento humano médio e alto) e subdesenvolvidos (desenvolvimento humano baixo). A estatística é composta a partir de dados de expectativa de vida ao nascer, educação e PIB (PPC) per capita (como um indicador do padrão de vida) recolhidos a nível nacional. Cada ano, os países membros da ONU são classificados de acordo com essas medidas. O IDH também é usado por organizações locais ou empresas para medir o desenvolvimento de entidades subnacionais como estados, cidades, aldeias, etc.
O índice foi desenvolvido em 1990 pelos economistas Amartya Sen e Mahbub ul Haq, e vem sendo usado desde 1993 pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) no seu relatório anual.

terça-feira, outubro 22, 2013

Boca de Siri: O Teatro político está em moda!

Fernando Schweitzer - Diretor Teatral e Jornalista


O Grupo Teatral Boca de Siri em comemoração aos seus 18 anos de existência apresentou-se com "A farsa do Panelada", nesta terça 22/10, no IF-SC. O grupo que nasceu dentro do Câmpus Florianópolis do IF-SC começou com os alunos e depois foi agregando pessoas da comunidade externa, contando sempre com a coordenação da educadora em artes Tânia Meyer.

Nestes anos de existência, ademais de um trabalho diversificado em temáticas a agrupação também criou espaços de diálogo com a comunidade, a formação de público, bem como a interação com outros movimentos artísticos independentes da região. Tendo até mesmo organizado esse ano a 12ª edição do festival de teatro Didascálico. Sempre aberta para companhias e grupos de vários estilos e linguagens.

Os atores Bruno Vitor L. Fiore, Jorge Lucas, Guilherme Lohn, Elaine Schlosser, Ágata Fetschenko, Ramon Lima Lopes,  Lahana Pretto. 
Ainda pela comemoração de seu décimo oitavo aniversário, "A Farsa do Panelada", estará com uma nova apresentação no dia 25 de outubro, às 20 horas, no Teatro da Ubro, na Centro da Capital. Teatro este que tem abrigado as companhias teatrais mais marginalizadas da cidade e que quase nunca são contempladas com datas nos elefantes brancos sob administração da FFC(Fundação Catarinense de Cultura) como: TAC, CIC e Pedro Ivo.

A obra do cearense José Mapurunga, foi interpretada por alunos da instituição. A história de que no Pedaço (um lugar situado entre o Céu e o Inferno), Panelada, um mau-caráter vendedor de panelas, atormenta a vida de Dona Marica por conta da dívida de uma panela de pressão. Porém tudo muda quando Santa Edwiges, a protetora dos endividados, e seu fiel conselheiro, Anjo Gabriel, decidem interceder junto à mulher.

O espetáculo trouxe uma mistura de linguagens actorais. Com um estilo muito peculiar o ator paraense Ramon Lima Lopes, como o Panelada, imprimiu um ritmo de teatro de rua ao espetáculo. Mesclado a um texto muito atual e politizado as atuações muito prolixas caíram no gosto do público já nos primeiros instantes. Mostrando que mesmo a mudança de última hora do local de apresentação não fora barreira para o desarrojo da obra cênica.

Acompanhada de amigos Beatriz Brasil, 15, aluna do IF-SC disparou: "não pensei que fosse tão legal a peça, mas achei muito interessante a forma como eles construíram as personagens, por isso estou aqui de novo.

Tania Meyer, diretora do Boca de Siri ressaltou a importância e as dificuldades de se fazer arte na América Latina. "Muitas pessoas consideram que a arte como se fosse um hobby ou uma brincadeira, alguma coisa meramente lúdica, que não teria uma importância vital que ela têm" e salienta "que este é nosso papel, produzir essa oportunidade, no nosso papel de educador mostrar isso ao nosso público".

Com uma trama não habitual e politizada,  completamente fora de clichês do aborrecido e por muitas vezes entediante teatro local, carregada por atuações precisas e boa direção a montagem merece ampliar público e olhares. Talvez trazer um texto de uma região do país, aonde há literaturas como a de cordel existe e por conseqüente uma tradição cultural mais crítica e sem tantas papas na língua poça reavivar o teatro no estado.

Para comparar-se, se é que comparações podem ser feitas assim de forma rápida, um estilo suassanesco emerge neste enredo. Algo muito parecido a construção textual e dramatúrgica de O Santo e a Porca(1957, Ariano Suassuna) se dá em "A farsa do Panelada". Elementos como a inocência misturada a viveza do sertanejo, do homem popular, que o teatro sulista renega, tendo assim uma falta de identificação popular no resultado histórico.


O quê? - A farsa do Panelada.
Quando - Sexta, 25/10, às 20h.
Onde? - Teatro da UBRO. 
(Escadaria da Rua Pedro Soares - nº 15, centro, Florianópolis)



segunda-feira, outubro 04, 2010

Tiririca: Efeito Rapadura

Fernando Schweitzer, Florianópolis/SC - Ator Não-Global, Diretor Teatral, Cantor, Escritor e Jornalista

Tiririca pelo PR obteve 1.353.820, 6,35% dos votos válidos, tornando-se o primeiro colocado na disputa a deputado federal por São Paulo. Gabriel Chalita, do PSB, teve 560.022 votos, 2,63%. Estes números colocam-no como recordista de votos desta eleição de 2010. O candidato superou em 793.798 votos o segundo mais votado no estado. Assim passando a ser o segundo candidato mas votado da história democrática do país, atrás do deputado Enéas Carneiro, já falecido, que atingiu cerca de 1,5milhão também concorrendo pela representação dos paulistas no parlamento federal.

A controversa candidatura do palhaço, cantor e humorista cearense erradicado a anos na capital paulista é dada por muitos como um voto de protesto. A afirmação para mim é bestial. Visto que entre aspas o candidato em seu horário no programa eleitoral tinha como slogan um discurso bastante crítico, mesmo que com humor. Fato que causou constrangimento até mesmo dentro da coligação que participava.

Esta eleição na verdade teve sim uma grande quantidade de votos de protesto e não foram os votos em candidatos taxados como bizarros, mas sim retratados na abstenção que foi enorme no pleito de 2010. De acordo com o TSE, 200.392 brasileiros estavam aptos a votar nas 579 seções eleitorais no exterior, mas apenas 88,9 mil compareceram, uma abstenção de 55,5%. Entre os eleitores que votaram no Brasil, a abstenção foi de 18%. Creio que o perfil de eleitor que sequer perde tempo de vida para votar, mostrando sua insatisfação com realidade atual do país, é clara, nos índices de abstenção no exterior. Pois, muitos senão todos brasileiros no exterior de uma certa forma desistiram do Brasil, nem que provisoriamente. De acordo com o TSE, abstenção ganha eleição presidencial em 1º turno com 55,5%. Entre os que votaram no Brasil, a abstenção foi de 18%.

A medida que foi tomando corpo a candidatura do senhor Francisco Everardo Oliveira Silva, teve por parte de seus colegas de chapa "comprada", presumindo-se que teria por volta de 600mil votos. Todos queriam os votos de legenda sendo inflados pelo efeito rapadura. A quantia seria suficiente para carregar 3 candidatos na cauda do cometa Tiririca. 

A mídia jogou contra o comediante e o resultado foi uma bombástica rede de apoiadores, que revoltaram-se e acusaram a imprensa de ser preconceituosa com o candidato. A campanha que era estadual virou mote de discussão nacional. O seu perfil no twitter quase dobrou o número de seguidores no período de campanha, comunidades no orkut foram criadas em campanha contra e a favor sua candidatura. Resultando em um multiplicador do fenômeno Tiririca.

O que chama a atenção nisto tudo é que os motes do candidato não são nada mais que jargões de cunho popular, que somente existem devido ao desanimo do brasileiro com a política. Obviamente Tiririca não criou o anseio popular por sua candidatura, ou anti-candidatura, apenas veio a atender uma demanda social. 

De um tudo fizeram para tentar derruba-lo. Inventaram um boato de morte, que o candidato é analfabeto para torna-lo inelegível, etc. Vejo como hipócrita permitir-se que analfabetos votem, mas que não permitir sejam votados. Segundo dados do IBGE, o Brasil possui um número maior que 50% de analfabetos funcionais e uma pesquisa recente afirmou que de cada 10 universitários da rede pública no país, ao menos 1 é analfabeto funcional sendo incapazes de escrever um texto argumentativo e coeso. Quanto a se criar a noticia falsa da morte do candidato passa dos limites do respeito para com os cidadãos do país. Muitos, senão todos os veículos trataram como incoerente e como falta de politização a expressiva votação de Tiririca, mas o candidato ficha-suja Paulo Maluf mesmo tendo a candidatura suspensa obter mais de 600mil votos não.

Milhares de pessoas questionaram a capacidade do palhaço cearense para exercer o futuro cargo. Mas arriscando a falar uma grande besteira, afirmo, não conhecer 90% dos candidatos ais bem colocados para o legislativo. Então posso também questionar a capacidade destes que ao menos para mim e provavelmente para a maioria do povo, são ilustres desconhecidos, seja quanto ao seus projetos, bem como seus passados. Mesmo sendo paulista, me interessando em política desde os 6 anos de idade, nunca ouvi falar do segundo colocado na eleição proporcional paulista, Gabriel Chalita.

O povo apesar de conservador as vezes mostra lampejos de lucidez. Ora, quem nunca exclamou frases, como: "Pior do que está, não fica!", “O que é que faz um Deputado Federal?"...? É ruim ridicularizar o ridículo? Depois de mensalões envolvendo as maiores agremiações políticas do país, será mesmo que não seria justo permitir que finalmente um representante do povo ou de origem popular, como se queira definir, chegue ao poder?

Ficarão para a posteridade o sarcasmos do excelentíssímo deputado eleito com a maior votação da história do país. Ele que tornou-se conhecido na televisão nos anos 90, vestido de palhaço. Tiririca apareceu em diferentes inserções no horário eleitoral de seu partido, o PR. Identificando-se como “o candidato abestado”, com bordões hilariantes. Como diria o mestre Chico Anísyo, "o que causa riso é a verdade". Assim listo as verdades ditas pelo senhor Francisco Everardo Oliveira Silva, nome de batismo do palhaço cearense, de 45 anos e que lhe alçaram ao congresso nacional:

- “Oi gente, estou aqui para pedir seu voto porque eu quero ser deputado federal, para ajudar os mais ‘necessitado’, inclusive a minha família. Portanto meu número é 2222. Se vocês não votarem, eu vou morreeer!” 

- "Oi, eu sou o Tiririca da televisão. Sou candidato a deputado federal. O que é que faz um deputado federal? Na realidade eu não sei, mas depois, eu te conto." 

- "Quando vocês apertarem na urna eleitoral, vai aparecer esse cara aqui, e esse cara aqui sou eu. Ô candidato lindo!" 

Noutra aparição no horário eleitoral, Tiririca inicialmente esconde o rosto e pergunta: "Adivinha quem está falando? Duvido vocês adivinhar!". Em seguida, tiraria as mãos do rosto e declamando: "Sou eeeu, o Tiririiiica, candidato a deputado federaaaal, 2222, não esqueeeeeça, peguei vocês, enganei vocês, vocês ‘pensou’ que fosse outra pessooooa, sou eu, o abestaaaaado, vote 2222!"

O palhaço saiu do picadeiro, entrou no circo da política fazendo piadas, falou mais sério do que os tais homens sérios da oligarquia, que por mais de 500 anos fazem de suas ações na vida pública uma verdadeira palhaçada no Brasil.

Fernando Schweitzer, Florianópolis/SC - Ator Não-Global, Diretor Teatral, Cantor, Escritor e Jornalista