Mostrando postagens com marcador Eleições 2010. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Eleições 2010. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, outubro 18, 2010

A Queda do Muro

Fernando Schweitzer, Florianópolis/SC - Ator Não-Global, Diretor Teatral, Cantor, Escritor e Jornalista

Esquerda ou direita, Socialismo ou Neoliberalismo, democracia ou ditadura... Parecem antagonismos clássicos de um passado distante. Talvez esse seja o discurso daqueles que preferem monopolizar-se como únicos seres com capacidade de racionar sobre a vida política no mundo actual.





Pós-Guerra e fim do muro

Como disse um sábio dinossauro, a questão que é o cerne neste século pra a humanidade é derrubar o muro entre os que têm mais e os que tem menos. Independente de qualquer tendência ou pragmatismo, você amando ou odiando pobres, a simples observação das ultimas e cada vez mais poucas agitações sociais convergem neste sentido.

Os estados de bem estar construídos na Europa no período pós-guerra, foram uma forma estratégica do velho continente arrasado de conter a demanda social criada pela destruição material de seu continente. Sendo cenário principal pela segunda vez de uma guerra mundial, os europeus tinham vários temores. Em uma mistura de medo de fantasmas do passado, com inimigos do presente e já pensando no inimigo do futuro as potências do velho mundo se viam numa sinuca de bico terrível.

O mundo no momento estava polarizado. União Soviética ou Estados Unidos? Inimigos que destruíram indirectamente o seu inimigo maior, a Europa, mas que conseguiram habilmente posar de salvadores deste mesmo. Ambos tinham claro que com a destruição estrutural e generalizada do velho continente, ele passaria ser um mercado consumidor fértil. Após literalmente partirem o mundo em dois ideologicamente, com a divisão de zonas de influência, construíram um muro físico.



A divisão trouxe a união

A Europa temia o nazismo... Reformulando. Inglaterra e França não queriam uma Alemanha forte, firmaram aliança com o Império do Norte, com o discurso básico de que seria natural este apoio devido a aliança e apoio na guerra. Assim surge a argumentação para aceitarem os empréstimos do plano Marshal, visto como um dos primeiros elementos da integração européia, já que anulou barreiras comerciais e criou instituições para coordenar a economia em nível continental. Uma conseqüência intencionada foi a adopção sistemática de técnicas administrativas norte-americanas.

Não só Estados Unidos buscaram beneficiar-se nós acordos pós-guerra. O Plano Monnet foi um plano de reconstrução da França proposto pelo funcionário público Jean Monnet após o final da Segunda Guerra Mundial. No plano era proposto que a França obtivesse controlo sobre o carvão e aço das zonas alemãs do Vale do Ruhr e Sarre para poder usar esses recursos e levar a França ao índice 150% quando comparado com a produção industrial do pré-guerra. O plano foi adotado por Charles de Gaulle no início de 1946.

Este aprofundamento da Doutrina Truman, conhecido oficialmente como Programa de Recuperação Européia, foi o principal plano dos Estados Unidos para a reconstrução dos países aliados da Europa nos anos seguintes à Segunda Guerra Mundial. Mas não haviam santos, tão pouco heróis. Os americanos tinham um objetivo claro, garantir espaço e consumidores para sua economia e indústrias em expansão.

O plano de reconstrução foi desenvolvido em um encontro dos Estados europeus participante em Julho de 1947. A União Soviética e os países da Europa Oriental foram convidados, mas Josef Stalin viu o plano como uma ameaça e não permitiu a participação de nenhum país sob o controle soviético. As divergências crescentes culminam com a divisão de física pela construção do Muro de Berlim e a intensificação do controle da fronteira interna alemã que demarcava a fronteira entre a Alemanha Oriental e a Alemanha Ocidental. Ambas as fronteiras passaram a simbolizar a chamada "cortina de ferro" entre a Europa Ocidental e o Bloco de Leste.



O feitiço virou contra o Feiticeiro



O Plano Marshal pode-se dizer foi o pai acidental da União Européia. Enquanto instituição, ela passou a dispor de personalidade jurídica após o início da vigência do Tratado de Lisboa. Possui competências próprias partilhadas com todos os Estados-membros. Trata-se de uma organização que combina o nível supranacional e o nível institucional num campo geográfico restrito com o papel político próprio sobre os seus Estados-membros.



Hoje a União Européia capitaliza-se apesar da forte crise, devido às intrínsecas ligações históricas e econômicas com seu antigo e único aliado, os EUA. O Euro se descolou do dólar a muito e hoje tem quase o dobro de seu valor. O seu fiel da balança é o poder avassalador de compra, com o peso em contra de tornar seus produtos caros para muitos mercados. Este factor amenizado por suas reservas cambiais gigantescas.



Embora sustentem um sistema inchado devido as políticas históricas da sociedade de bem-estar, nem mesmos os protestos recentes em países como Grécia e França desestabilizam o bloco como um todo. Seus líderes hoje (França, Inglaterra e Alemanha) usam seu poderia e beneficiam-se dos países do bloco, estes menos industrializados que as super-potências. Ainda utilizam-se de uma política anexadora para os países que estão ainda a margem da zona do Euro.



Oficialmente segundo o seu portal oficial "A União Européia foi criada com o objectivo de pôr termo às freqüentes guerras sangrentas entre países vizinhos, que culminaram na Segunda Guerra Mundial. A partir de 1950, a Comunidade Européia do Carvão e do Aço começa a unir econômica e politicamente os países europeus, tendo em vista assegurar uma paz duradoura. Os seis países fundadores são a Alemanha, a Bélgica, a França, a Itália, o Luxemburgo e os Países Baixos. Ainda em 1957, o Tratado de Roma institui a Comunidade Econômica Européia (CEE) ou “Mercado Comum”."



O próprio sítio da comunidade européia é já claramente centralizador de poder. Apesar de contar com 23 idiomas, muitos artigos disponíveis em inglês, francês e alemão apenas. Mas enquanto tentam alguns centralizar, necessitam pensar nos inimigos ainda bi



Se de um lado a China é voraz competidora por seus preços baixos e moeda de valor ridículo perante as moedas fortes do mundo, seu PIB já chega a assustadores níveis para um mundo em crise. De outro o aliado americano tenta baixar sua moeda para gerar competitividade, principalmente em produto industrializados de ponta, assim rivalizando com a União Européia que baseia sua economia no mesmo nicho.



Lá ou cá? Dever cívico ou diversão?



Por algum motivo fiz uma co-relação com o debate presidencial que foi transmitido entre 21h17 e 23h11 de domingo (18), a emissora marcou média de oito pontos de audiência na semana passada, o dobro. Com a queda no Ibope da emissora, que costuma disputar o terceiro lugar com o SBT quando transmite o Pânico na TV, as concorrentes cresceram em audiência.

Na liderança ficou a Rede Globo, com Fantástico, que marcou 24 pontos. O Domingo Espetacular, da Record, alcançou 14 pontos no Ibope, enquanto Silvio Santos segurou com tranqüilidade o terceiro posto para o SBT neste domingo com média de 11 pontos. Seis dias antes, a Bandeirantes realizou o primeiro debate do segundo turno e ficou com a mesma média de quatro pontos, na segunda-feira (11).

Acho que em ambos os casos a bi-polaridade hoje não dá muitos frutos. O mundo não tem mais o muro, físico. Mas devemos pulverizar nosso olhar multifocal, mas sem perder o foco. Embora esteja de acordo que a disputa do primeiro turno estava mais animadinha. Vivemos uma grande inversão. No primeiro turno parecia que tínhamos dois candidatos, e agora que temos dois de fato, parece que temos três. Como a União Européia, Marina de terceira via passou a factor, factualmente ativo da disputa. E o muro? O muro caiu, virou vice da situação, assim ficando mais difícil ver quem é quem nesse mundo multifacetado.

Fernando Schweitzer, Florianópolis/SC - Ator Não-Global, Diretor Teatral, Cantor, Escritor e Jornalista

segunda-feira, outubro 04, 2010

Tiririca: Efeito Rapadura

Fernando Schweitzer, Florianópolis/SC - Ator Não-Global, Diretor Teatral, Cantor, Escritor e Jornalista

Tiririca pelo PR obteve 1.353.820, 6,35% dos votos válidos, tornando-se o primeiro colocado na disputa a deputado federal por São Paulo. Gabriel Chalita, do PSB, teve 560.022 votos, 2,63%. Estes números colocam-no como recordista de votos desta eleição de 2010. O candidato superou em 793.798 votos o segundo mais votado no estado. Assim passando a ser o segundo candidato mas votado da história democrática do país, atrás do deputado Enéas Carneiro, já falecido, que atingiu cerca de 1,5milhão também concorrendo pela representação dos paulistas no parlamento federal.

A controversa candidatura do palhaço, cantor e humorista cearense erradicado a anos na capital paulista é dada por muitos como um voto de protesto. A afirmação para mim é bestial. Visto que entre aspas o candidato em seu horário no programa eleitoral tinha como slogan um discurso bastante crítico, mesmo que com humor. Fato que causou constrangimento até mesmo dentro da coligação que participava.

Esta eleição na verdade teve sim uma grande quantidade de votos de protesto e não foram os votos em candidatos taxados como bizarros, mas sim retratados na abstenção que foi enorme no pleito de 2010. De acordo com o TSE, 200.392 brasileiros estavam aptos a votar nas 579 seções eleitorais no exterior, mas apenas 88,9 mil compareceram, uma abstenção de 55,5%. Entre os eleitores que votaram no Brasil, a abstenção foi de 18%. Creio que o perfil de eleitor que sequer perde tempo de vida para votar, mostrando sua insatisfação com realidade atual do país, é clara, nos índices de abstenção no exterior. Pois, muitos senão todos brasileiros no exterior de uma certa forma desistiram do Brasil, nem que provisoriamente. De acordo com o TSE, abstenção ganha eleição presidencial em 1º turno com 55,5%. Entre os que votaram no Brasil, a abstenção foi de 18%.

A medida que foi tomando corpo a candidatura do senhor Francisco Everardo Oliveira Silva, teve por parte de seus colegas de chapa "comprada", presumindo-se que teria por volta de 600mil votos. Todos queriam os votos de legenda sendo inflados pelo efeito rapadura. A quantia seria suficiente para carregar 3 candidatos na cauda do cometa Tiririca. 

A mídia jogou contra o comediante e o resultado foi uma bombástica rede de apoiadores, que revoltaram-se e acusaram a imprensa de ser preconceituosa com o candidato. A campanha que era estadual virou mote de discussão nacional. O seu perfil no twitter quase dobrou o número de seguidores no período de campanha, comunidades no orkut foram criadas em campanha contra e a favor sua candidatura. Resultando em um multiplicador do fenômeno Tiririca.

O que chama a atenção nisto tudo é que os motes do candidato não são nada mais que jargões de cunho popular, que somente existem devido ao desanimo do brasileiro com a política. Obviamente Tiririca não criou o anseio popular por sua candidatura, ou anti-candidatura, apenas veio a atender uma demanda social. 

De um tudo fizeram para tentar derruba-lo. Inventaram um boato de morte, que o candidato é analfabeto para torna-lo inelegível, etc. Vejo como hipócrita permitir-se que analfabetos votem, mas que não permitir sejam votados. Segundo dados do IBGE, o Brasil possui um número maior que 50% de analfabetos funcionais e uma pesquisa recente afirmou que de cada 10 universitários da rede pública no país, ao menos 1 é analfabeto funcional sendo incapazes de escrever um texto argumentativo e coeso. Quanto a se criar a noticia falsa da morte do candidato passa dos limites do respeito para com os cidadãos do país. Muitos, senão todos os veículos trataram como incoerente e como falta de politização a expressiva votação de Tiririca, mas o candidato ficha-suja Paulo Maluf mesmo tendo a candidatura suspensa obter mais de 600mil votos não.

Milhares de pessoas questionaram a capacidade do palhaço cearense para exercer o futuro cargo. Mas arriscando a falar uma grande besteira, afirmo, não conhecer 90% dos candidatos ais bem colocados para o legislativo. Então posso também questionar a capacidade destes que ao menos para mim e provavelmente para a maioria do povo, são ilustres desconhecidos, seja quanto ao seus projetos, bem como seus passados. Mesmo sendo paulista, me interessando em política desde os 6 anos de idade, nunca ouvi falar do segundo colocado na eleição proporcional paulista, Gabriel Chalita.

O povo apesar de conservador as vezes mostra lampejos de lucidez. Ora, quem nunca exclamou frases, como: "Pior do que está, não fica!", “O que é que faz um Deputado Federal?"...? É ruim ridicularizar o ridículo? Depois de mensalões envolvendo as maiores agremiações políticas do país, será mesmo que não seria justo permitir que finalmente um representante do povo ou de origem popular, como se queira definir, chegue ao poder?

Ficarão para a posteridade o sarcasmos do excelentíssímo deputado eleito com a maior votação da história do país. Ele que tornou-se conhecido na televisão nos anos 90, vestido de palhaço. Tiririca apareceu em diferentes inserções no horário eleitoral de seu partido, o PR. Identificando-se como “o candidato abestado”, com bordões hilariantes. Como diria o mestre Chico Anísyo, "o que causa riso é a verdade". Assim listo as verdades ditas pelo senhor Francisco Everardo Oliveira Silva, nome de batismo do palhaço cearense, de 45 anos e que lhe alçaram ao congresso nacional:

- “Oi gente, estou aqui para pedir seu voto porque eu quero ser deputado federal, para ajudar os mais ‘necessitado’, inclusive a minha família. Portanto meu número é 2222. Se vocês não votarem, eu vou morreeer!” 

- "Oi, eu sou o Tiririca da televisão. Sou candidato a deputado federal. O que é que faz um deputado federal? Na realidade eu não sei, mas depois, eu te conto." 

- "Quando vocês apertarem na urna eleitoral, vai aparecer esse cara aqui, e esse cara aqui sou eu. Ô candidato lindo!" 

Noutra aparição no horário eleitoral, Tiririca inicialmente esconde o rosto e pergunta: "Adivinha quem está falando? Duvido vocês adivinhar!". Em seguida, tiraria as mãos do rosto e declamando: "Sou eeeu, o Tiririiiica, candidato a deputado federaaaal, 2222, não esqueeeeeça, peguei vocês, enganei vocês, vocês ‘pensou’ que fosse outra pessooooa, sou eu, o abestaaaaado, vote 2222!"

O palhaço saiu do picadeiro, entrou no circo da política fazendo piadas, falou mais sério do que os tais homens sérios da oligarquia, que por mais de 500 anos fazem de suas ações na vida pública uma verdadeira palhaçada no Brasil.

Fernando Schweitzer, Florianópolis/SC - Ator Não-Global, Diretor Teatral, Cantor, Escritor e Jornalista