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quarta-feira, abril 30, 2025

Brasil e seu Malvado Favorito!


 O PT é neoliberal e direitosissimo. Não é um achismo. Irei comprovar diametralmente através de argumentos esta sincera e pouco dita crítica aos stalinistas neoliberais. 

Isto a burguesia pseudointelectual não vê, ou vê e finge que não porque essa burguesia stalinista que mantém o status quo é a mesma que criou o monstro de estimação ao bom estilo "Meu Malvado Favorito"? Achavam que poderiam controlar o monstro e o monstro os devorou. Acham que com estas medidas paliativas iri controlar a sede neopentecostal e neoliberal?

Seguindo nesta linha argumentativa, podemos que se sustentem visceralmente a afirmação: as veias abertas da América Latina seguem jorrando e o quão ela e o Brasil são ainda reféns do consenso de Washington.

Ancoremo-nos na crítica plenamente fundamentada e corroborada pelos mais diversos pensadores contemporâneos, que o Brasil (e a América Latina como um todo) continuam presos ao Consenso de Washington, e que o PT (Partido dos Trabalhadores) e outros setores da "burguesia progressista" nacional e até mundial agem, na prática, como mantenedores desse status quo, apesar da retórica "de esquerda". Grande exemplo é o do Partido Socialista Obreiro Espanhol (PSOE), que atualmente é governo e não tem uma mínima vocação ou ação realmente de esquerda e deveria se rebatizar como Partido Social-democrata Espanhol, por exemplo. 

Apesar de movimentos políticos que se autodenominam progressistas ou de esquerda, o Brasil e a América Latina permanecem estruturalmente presos à lógica neoliberal e dependente imposta pelo Consenso de Washington. Essa dependência é mascarada por discursos nacionalistas ou "social-desenvolvimentistas", mas na prática preserva a lógica de subordinação ao capital financeiro global.

O PT e o neoliberalismo envergonhado

O PT, a partir de 2003, adotou políticas de conciliação com o mercado financeiro, não rompendo com os pilares do neoliberalismo (ex: responsabilidade fiscal rígida, superávit primário, política de metas de inflação via juros altos), como afirmou e desenvolveu em seu livro, Marcio Pochmann, nos mostra escatologicamente e de maneira bem didática em Desenvolvimento e crise social; mas não apenas ele. Francisco de Oliveira, Hegemonia às Avessas, abordou também via esta ótica mais realista e crítica estas questões do peleguismo Lula petista.

A burguesia pseudointelectual como gestora e propagandista do status quo

Intelectuais e elites progressistas buscaram manter a ilusão de transformação enquanto garantiam a estabilidade do modelo econômico dependente e suas regalias. Pois, em time que dá lucro não se mexe.

O Monstro

A aliança pragmática com setores conservadores e a falta de disputa cultural profunda permitiram o crescimento do neopentecostalismo e do neoliberalismo radical, que agora são forças políticas autônomas e hostis. As políticas de inclusão pelo consumo (ex: Bolsa Família) não alteraram a lógica da financeirização da economia brasileira nem a vulnerabilidade externa.

O modelo latino-americano pós-anos 1990 internalizou de tal forma o receituário do Consenso de Washington (privatizações, liberalização, austeridade) que mesmo governos ditos progressistas agem sob essa cartilha.

As veias continuam abertas

A tese de Eduardo Galeano (As Veias Abertas da América Latina) permanece válida: a lógica extrativista e de subordinação econômica foi atualizada, mas não superada.

O Neoliberalismo de Esquerda é o Novo Cativeiro Latino-Americano. Este artigo propõe uma análise crítica do papel das elites políticas progressistas latino-americanas, especialmente no Brasil, na manutenção do projeto neoliberal imposto a partir do Consenso de Washington. Argumenta-se que a adesão prática ao neoliberalismo, sob retórica social, criou as condições para o fortalecimento de forças conservadoras extremas e perpetuou a dependência econômica da região. Se é que ninguém ainda percebeu a clara reflexão que me proponho neste dialético texto.

A protoesquerda se rendeu, abriu as ancas ao Neoliberalismo e Consenso de Washington. A esquerda latino-americana gerenciou o modelo neoliberal em vez de superá-lo. A conciliação de classes e a financeirização no Brasil pós-2003 são a razão óbvia da extirpação da mínima possibilidade de sairmos deste campo minado em que o país continental e seus periféricos vizinhos se encontram arrinconados. A hegemonia cultural conservadora e o crescimento neopentecostal. O falso nacionalismo e a real dependência. Crítica à esquerda stalinista e à burguesia progressista. Atualização da dependência latino-americana: "As Veias Abertas" no século XXI. A esquerda institucional latino-americana, ao não romper estruturalmente com o neoliberalismo, alimentou, ajudou a criar e até parece gostar do fortalecimento da extrema direita.

quarta-feira, maio 10, 2017

Um duelo entre representantes de duas facetas do neoliberalismo


Devemos agradecer ao PT e a Lula por em 2002 eles terem se vendido para a direita e ter assumido em carta um compromisso com o neoliberalismo? A estes devemos graças. A que com esta postura tenham queimado no imaginário do povo despolitizado brasileiro a única chance em décadas deste país de merda ter um governo de esquerda real?

Muitos defensores irracionais do Lulo-petismo podem até protelar e dizer que se não fora assim, não o teriam eleito, que estas são ambiguidades da política. Mas isto não é ambiguidade, e sim mal caratismo político... Se queriam fazer um governo liberalista que parassem de se fazer de esquerda em sua retórica, seria mais honesto.

Para os seres que por casualidade tiveram algum tipo de ganho com o período de um falso governo de esquerda nada lhe importou que isto tenha vindo a prejudicar outros setores sociais, ou pessoas. O brasileiro é um ser asqueroso e egocêntrico. O importante foi eleger e reeleger esse falcatrua que cortou um dedo para ter uma pensão vitalícia e não ter um governo popular e de esquerda... CADA UM COM SUAS PRIORIDADES... A minha não é essa com certeza... NEM PSDB, NEM PT apontam para caminhos que eu veja como salutares para o país e muito menos decentes.

Aos baba-ovos do neoliberalismo, seja ele pró-PT ou pro qualquer outro partido só posso sentir repulsa, asco e ojeriza! Quantas décadas o Brasil já perdeu nesta discussão infantil e de baixo teor político real? Qual a diferença estrutural real entre os passados governos siameses de PT e PSDB? Em que beneficiou realmente ao povo essa disputa entre essas duas facetas do neoliberalismo pró-empresariado?

Para situar os dessituados

Para apoiadores de Lula, o ex é uma vítima, a operação não seria mais do que uma ferramenta para barrar uma nova candidatura deste à Presidência. Na narrativa dos defensores, o juiz Sérgio Moro não é considerado um juiz isento, mas uma figura com ambições pessoais.

Embora Operação Lava Jato tenha atingido vários adversários dos petistas.  Do outro lado, o discurso pró-Lula é encarado como uma cortina de fumaça para despistar dos escândalos do seu governo. Se por alguns Moro é visto como um símbolo de um Brasil que não tolera mais a corrupção, por pessoas mais séria e imparciais se sabe que ele está a fazer apenas jogo de cena, pois sua ligação com os tucanos é notória e conhecida a muitos, mas para os anti-PT sua conduta por midiática é perdoada.

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ficará nesta quarta-feira (10/5) por primeira vez frente ao juiz Sérgio Moro. Formalmente, trata-se de um mero depoimento para a Justiça, mais uma etapa das investigações que apuram suspeitas envolvendo o petista. Simbolicamente, o encontro é encarado como um divisor de águas da Lava Jato.

Cada qual dependendo de como enxergam os anos do PT no governo e a conduta da operação que abalou as estruturas políticas do país podem dar seus pareceres apaixonados, mas eu só vejo farinha no churrasco do neoliberalismo. Cada um a puxar mais para si. O depoimento com matizes e contornos de embate político não mudarão em nada o devastador panorama futuro do Brasil, de um país fadado a padecer de fome e incultura graças ao neoliberalismo selvagem..

quarta-feira, maio 03, 2017

Lula X Correa: O continente em constante ameça do neoliberalismo

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Se nos remetemos ao getulhismo dos anos 30 no Brasil, ou ao peronismo que apesar de um perfil uns 30º a direita bebeu da mesma fonte de personificação e identidade popular única capaz de instaurar e estabelecer-se como o salvador do povo, nos vemos em uma retórica coronelista. Não existe nenhuma grande guinada modificadora estrutural em nenhum país sul-americano que não tenha ocorrido de cima para baixo, e pior que não ocorre em torno de uma figura a qual um partido se reúna em seu entorno e jamais o contrário. Cada qual a seu tempo e jogando com as pedras particulares de seu entorno foram representantes de uma dinastia que no caso do peronismo até hoje sobrevive.

Se a 63ª economia mundial com dois produtos de exportação pôde melhorar muitos índices de desenvolvimento de sua população, porque a 9ª economia mundial não logra o mesmo para mudar o modelo produtivo? Correa reinstituiu o Estado sobre as suas capacidades reguladoras baseadas na cidadania; graças à Constituição de 2008 se afirmaram direitos mais amplos. Assim são garantidas prioridade às condições de vida à população sobrepostas aos interesses do capital estrangeiro.

A prominencia de um discurso em torno de uma ideia que só pode ser assimilada por um contingente de apoio e disto por sequência tornar-se uma potência política é uma grande armadilha, pois. E seja para bem ou para mal. Ao colocarmos lado a lado os logros e desacertos de processos na América do Sul podemos claramente ver que enquanto uns se mantiveram fiéis ao seu propósito inicial outros se deturparam muitos vezes até antes de chegar ao poder. Facilitemos ao leitor esta episteme dialética com exemplos antagónicos. Analisando os processos brasileiros e equatorianos podemos ver a discrepancia entre discursos que em seu bastião eram semelhantes, mas que em seu cumprimento tomaram rotas completamente díspares.

"Que a sociedade esteja acima do mercado...", assim falou o ex-presidente Correia ao expressar qual é o seu maior objetivo como presidente de uma nação que saiu de índices de alarmante pobreza e dependencia, e só o fez com uma auditória da dívida que o lulo-petismo se recusou a fazer. Não no processo, mas se recusara já antes de ascender ao poder em sua famigerada Carta de Compromisso aos Brasileiros em 2002, firmada e proclamada na cidade de Recife.

Rafael conseguiu modernizar o discurso socialista, o que muitos podem aferir a uma verdadeira política de centro aonde aporta que existe uma diferença entere "uma sociedade de mercado" e uma sociedade com mercado". Este sendo seu discurso em que aponta o erro do socialismo clássico, equívoca ao qual ele nunca cometeu. Em uma política difusa, mas contundente aonde o mercado nunca deixou de existir, mas teve de conviver com um estado forte e que sempre buscou equilibrar e redistribuir as riquezas do país andino.

Jamais colocaria a máxima de que a conspiração é o mote que guia a história, mas nunca existe história aonde não há conspiração. Obviamente que no Brasil os que conspiram sabem o pôr que de fazê-lo. O grande problema atual é que os mesmos que se serviram do banquete do crescimento econômico da era pseudo-esquerdista, a classe-média e média-alta, por falta de alfabetização política e caráter ao primeiro declínio de sua meteórica ascensão tenha se voltado ferozmente a quem lhe colocara como novo protagonista da história.

Facilmente podemos enxergar que nas últimas décadas a classe mediana do país passou a ter um enorme poder financeiro, claro que dentro desta margem de por mais que se creia rica é apenas classe -média em um ambiente de não-crise. Mas para tal se beneficiou do novo poder de compra artificial basado na bolha de crédito dada a casta baixa. Ou seja, a casta baixa subiu milímetros calculados pelos mandantes da pseudo-esquerda inclusiva e assim geraram um consumo que beneficiou diretamente as elites e respingou nesta burguesia hipócrita que atualmente protesta contra a corrupção com camisetas da CBF. A considerar que a classe-média brasileira sempre votou em corruptos e como seguiu preocupada com comer e não cair no fosso jamais protestou contra a corrupção endêmica no Brasil.

Após Lenín Moreno, do partido do governo, Movimento Alianza País, haver sido confirmado como vencedor do segundo turno realizado no Equador em 2 de abril e após o anúncio do Conselho Nacional Eleitoral(CNE) dos resultados oficiais da eleição houveram levantes da oposição acusando de fraudado o resultado. Algo semelhante ao ocorrido no Brasil após a releição da candidata neoliberal do Partido dos Trabalhadores. 

Um imenso problema das democracias modernas e seus aparelhos apoiantes, pero no mucho, a imprensa incorre no ato de sempre levantar suspeitas aos processos eleitorais quando estes não dão como resultado a vitória dos conservadores apoiados pelos oligopólios midiáticos. No Brasil o chamado PIG, Partido da Imprensa Golpista, usou de mesma retórica ao ponto objetivo de desgastar a continuidade do projeto petista. Embora suas práticas façam uma miscelânea entre políticas progressistas e neoliberais, parecem ser atualmente insuficientes para agradar a elite que se aproveitou do desgaste temporal de 4 mandatos petistas para criarem um ambiente de intercalação de forças políticas no poder.

Estruturalmente e sem partidarismos, ou numa visão do exterior sobres as políticas desenroladas pelo lulo-petismo, não existem sombras ou dúvidas em três pontos: a pobreza média no Brasil diminuiu, políticas liberais foram seguidas como modelo econômico continuísta aos governos do PSDB e pouco se evoluiu no paradigma de amplitude na escala do abismo social entre os mais ricos e os mais pobres.

O grande aspecto que diferenciou Correa de Lula em sua jornada foi que enquanto um se amasiou com as elites, outro as combateu. Os negócios de um país com apenas 2 produtos de exportação como o Equador, com tantos países, e com uma forte presença chinesa, embora sequer moeda própria existe no país andino é uma clara mostra de que quando se há vontade política uma nação pode se desenvolver fora do guarna-chuva do neoliberalismo.

A grande crítica feita desde a esquerda europeia feita ao continente americano é a grande inveja do velho continente. É que Rafael Correia usou sim um protecionismo e atos personalistas, embora sua forma de agir tenha resultado em um protagonismo do povo es este se há dado pelo processo claro de transição das matrizes produtivas de matérias primas e recursos naturais como o imposto compulsório de 1% do petróleo a áreas como a distribuição da riqueza e investimentos em educação.

Se a 63ª economia mundial com dois produtos de exportação pôde melhorar muitos índices de desenvolvimento de sua população, porque a 9ª economia mundial não logra o mesmo para mudar o modelo produtivo?

Podemos ainda nos alongar sobre a direitização da população, ou povo, como preferem alguns populistas em discursos inflamados. Mas o pendulo popular é cíclico. As elites empobrecem a classe média através de governos de direita, e a clase média recua ao centro pois está doutrinada a temer a esquerda real. Demagogos de centro-direita como Lula se aproveitam de tal momento social e chegam ao poder. Se auto-proclamam esquerdistas, ao mesmo tanto que seguem políticas neo-capitalistas para retribuir o apoio dado a eles por elites hipócritas, mas logo ao que esgotam-se no poder o perdem para setores direitistas, estes apoiados por uma empoderada e ambiciosa classe média tosca e carente de princípios morais históricamente.

Por concluir. Não existe população esquerdista na América do Sul. Existem setores conservadores que hora se utilizam de políticas de centro para melhorar seu nível de vida em um plano imediatista e que por falta de visão e ambição voltam a direita tentando dar o pulo do gato. Mas por serem miopes caem no salto no abismo mediocre da baixa-classe média. E voltam a beliscar de discursos um pouco mais ao centro, como o intuito de voltarem a ser "ricos" como acreditavam ser a pouco no processo anterior desta roda que beneficia sempre a casta alta.

quinta-feira, abril 27, 2017

Greve Geral: Sou um excluído dessa geringonça chamada capitalismo

Imaxe relacionadaNão sou coxinha, nem mortadela, por casualidade reivindico a esquerda real. Anti-imperialista, anti-neoliberal, anti-você. Não confundo trabalho com "ter emprego". Essa ótica frenética modernista, ou moderninha prefiro dizer, da mais-valia absoluta consiste na intensificação do ritmo de trabalho, através de uma série de controles impostos aos operários pela casta alta a seus vassalos.

Reclamar como ato institucional de luta não só é válido, como se faz necessário no mundo pós-estado-não-laico. Mas quem disse que o estado deixou de ser um Estado-Igreja, ou um Estado-liberal capitalista? O que questiono não é o direito de reclamar, mas sim o conteúdo das reivindicações. Pedem migalhas aqueles que lhes negam farelos. Isto não passa de uma greve instrumentalizada por sindicatos e a pseudo-esquerda.

Esta greve geral que se está a fazer é tão útil quanto os protestos pelos 20 centavos de 2013. Não gerarão nenhum tipo de mudanças estruturais e ainda como rebote criaram cenário fértil e favorável ao golpe de 2016. Pedir aumento? Porque não exigem participação nos lucros e de produtividade? Quando se protesta sem objetivos claros e atendendo ao chamado das CUT's e Força Sindical da vida, o trabalhadores se tornam massa de manobra. Cada sindicato de cada setor deve negociar só e isoladamente, esta seria uma luta real obreira. Um único sindicato a negociar de forma genérica, cria debilidade nas relações de trabalho e benefícios desuniformes e irrelevantes aos trabalhadores.

Quem acredita em sorte? Enquanto trabalhadores não abram os olhos e lutem de forma coerente, propositiva e eficaz... Nem que tivesse ganhado na Mega Sena... Sorte tem quem nasceu rico, bonito e famoso. O resto é luta! Não tenho "emprego", não sou assalariado, trabalho mais horas/dia que os escravos modernos, mas todavia almejo objetivos muito mais além do que os tais grevistas e aspirantes a revolucionários da vez. Protestos pelo fim da CLT são para mim um mero continuísmo desta engrenagem a la Tempos Modernos, aquele filminho do chatíssimo Charles Chaplin.

A Reforma Trabalhista na década de 40 foi a que criou a CLT, Consolidação das Leis Trabalhistas, impondo ao patronato certo respeito ao trabalho e ao seu factor, até então apenas continuísmo adaptado em suas relações senhorio-vassalo dos séculos escravocratas. O projeto de Temer, Meirelles e dos seus adquiridos na Câmara devasta 117 artigos da CLT. Devasta, pois, a CLT. Ninguém aqui busca defender o vampirinho do mal, mas afirmar que a reforma de Getúlio era obsoleta já à época.

Os capitalistas da casta alta, uma vez que pago o "salário de mercado" pelo uso da tua força de trabalho, podem lançar mão de duas estratégias para ampliar sua taxa de lucro: estender a duração da jornada de trabalho mantendo o salário merréquico - em uma mais-valia absoluta; ou ampliar a produtividade física do trabalho pela via da mecanização - a mais-valia relativa. 

É um erro perene reclamos por condições de trabalho, por si só, é um ato medíocre do "pouca farinha, meu pirão primeiro". Existe uma clara necessidade de resignificação da partilha dos bens que se produz em sociedade. Não é possível que a esta altura da dita evolução humana, o tal humanoide não tenha ainda se dado conta que com esta divisão de castas e controle absoluto de uma minoria além da desigualdade estão a gerar recessão.

Uma Renda Básica Universal é a única reivindicação e base de luta plausível para o avanço social coletivo, tanto de mais abastados quanto os ainda não. Vários países já propuseram medidas de Rendimento de Cidadania para sua população. O caso mais famoso aconteceu na Suíça em 2016, quando ocorreu um plebiscito para implementar uma renda de 2,5 mil francos suíços por adulto e 625 francos por pessoa. Um renda básica universal não é puramente económico. Para Linda Yueh, professora adjunta de Economia na London Business School, na Inglaterra, "a criação do salário mínimo foi uma tentativa de criar um nível básico de ingresso social". Como Émile Durkheim mostrou nas sociedades modernas, ser privado de trabalho é ser privado de relações com os outros, pelo que é um direito social.

O Governo finlandês planeja atribuir a cada um dos seus cidadãos 800 euros por mês como rendimento básico universal. De acordo a uma pesquisa encomendada pelo Instituto de Segurança Social finlandês, este que confirmou que a proposta de renda básica tem apoio de 69% do eleitorado. Segundo o primeiro-ministro finlandês Juha Sipilä : "O rendimento básico simplificará o sistema de segurança social".

E o brasuquinha médio que está a fazer? Birra, grevinha, protestosinho contra o golpe! Vocês estão a cair no grande golpe do neoliberalismo fazem décadas. Reclamar por migalhas a quem a muito lhes nega farelo. Desobediencia Civil já, tanto ao governo quanto aos burocratas que querem voltar a mamar nas tetas gordas e fartas do estado como o fizeram por anos.

Diametralmente, e retóricamente além dos 2 pontos anteriores o artigo promulga um menor fisiologismo, afirmando que o ato de greve nos moldes atuais está a pedir migalhas a quem não lhes dá sequer quirela de porco. salienta que como método de inclusão social é fracassado, históricamente. Não e em nenhum momento diz que o ato de greve seja ilegítimo, mas afirma argumentativamente que é ineficiente e ineficaz dentro e em contra do sistema capitalista neoliberal.

Extinguir a CUT e similares e que cada categoria tenho um sindicato municipal com poder de negociação, não creio ser algo meramente teórico, pois existe até na Argentina. Aonde um acordo não suprime outro e mesmo que se tenha um piso nacional, podem se ter pisos regionais superiores em todas as categorias. As paritárias docentes deste ano lá o comprovam minha "tese". Vários países europeus funcionam neste sistema a décadas, e não precisam de paralisações para este fim burguesinho de salário, lá as reivindicações vão além, muito além, incluso no quesito abordado no artigo que é participação nos lucros.

A Renda Básica Universal se aplicada fará com que o proletariado deixe de ser refém das leis de mercado, que favorecem sempre o empregador. Que por casualidade não é uma teoria. Já se aplicam em alguns países e já se discutem a implementação em outros tantos, em substituição aos auxílios de desocupação e desemprego.

Incertos seres podem aferir que "apesar de em parte deslegitimar a greve de hoje, o artigo defende o direito de greve e ataca a constante perda de direitos trabalhistas que vem ocorrendo sistematicamente desde 1994". Este seria o comentário mais acertado de um apoiante da greve geral de 28/04/2017. Mas será que num país binário, do 8 ou 80, alguém consegue chegar a este nível de clareza e análise?

Sou autônomo, independente, anti-sistema, anti-greve e anti-você ser manipulado e mesquinho. Claro, anti-você como pseudo-cidadão, massa de manobra do sistema. És um cooptado, servil a máquina, a geringonça do neo-capitalismo e não vez!

sexta-feira, abril 07, 2017

Tangente Econômica: A saída é pela esquerda?

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Como fazer políticas reformistas desde um estado, quando esse estado é subalterno ao neoliberalismo e a elite capitalista internacional, esta que se sobrepassa em poder a todos estados nacionais incluso as potências capitalistas do século 21?


Se as classes trabalhadoras como tal não existem como agentes sociais na atualidade. A crise da democracia representativa impossibilitam uma resolução, estes se lograrem algo, a verdade sabe-se que não chegarão a uma mudança institucional. A social democracia não permitem em suas bases pragmáticas econômicas e ideológicas uma reforma real. 

O ciclo político internacional de construção política deve se atualizar. A Terceira Internacional necessita se atualizar como estratégia de chegada ao poder. Nosso marco hoje não pode ser mais nacional e sim transnacional. Tacher e Reagan iniciaram um processo exitoso de liberalismo em contra as periferias e que lograram dar ainda mais controle econômico a elite econômica mundial. O ciclo do socialismo como ideologia no consciente coletivo se terminou, agora. 

Estamos saindo do pior, e essa é a hora de se instaurar um reformismo histórico, este somente possível por uma verdadeira esquerda. A solução para sair-se de uma crise de institucionalidade por via democrática não pode se dar com os parâmetros da social-democracia, nem pela centro direita, e isso já se comprovou na última década em Chile, Argentina, Brasil, Espanha, Portugal, México e França. 

Uma única e óbvia saída deste ecrã é a esquerda democrática, por meio de retomar-se o estado como agente motriz de modificação de paradigmas e inclusão social. O estado como agente regulador e reformista de emancipação e que impeça as grandes corporações transnacionais de sugarem e explorarem ainda mais o povo e os países periféricos.

Quando refletimos sobre os processos a que EUA e o Consenso de Washington impuseram nos países do sul da Europa e América Latina e que instauraram crises de várias ordens, o sucateamento e posterior espólio das estatais que se privatizaram, assim fazendo perder o controle de áreas estratégicas como energia, telecomunicações e transporte só podemos pensar que a liberalização dos mercados trouxe a título de uma modernização a bem da verdade um prejuízo bilionário para a economia destes países.

quinta-feira, novembro 19, 2015

O Fetiche Nosso de Cada Dia nos Dai Hoje

Fernando Schweitzer - Diretor Teatral e Jornalista

Quando começamos a pensar em sexo? Creio que no instante em que descobrimos o outro. Ou, no momento em que sabemos que não somos a única pessoa no universo. o ser humano, ao passo que racionalizou seu ato de prazer passou a buscar vários métodos para ampliá-lo.

Outro dia choquei uma amiga ao dizer que não tenho fetiches, e que odeio quem os tem. Pois, alguém que para estar a gosto a meu lado necessite de artifícios demonstra estar psicologicamente a se afastar de minha pessoa. Seria o disparate sexual. Ao passo que a intenção do sexo é a interação com outro ser desejado, qual o sentido em buscar fetichismos para conseguir-se lograr o ato sublime do prazer?

Mas não quero discutir o sexo dos anjos, tão pouco dos mundanos. O que interessa aqui é flertar com o que motiva uma pessoa abandonar a masturbação e ir rumo a uma caçada desenfreada pelo objeto de desejo.

Uma relação de poder se forma no momento em que alguém deseja algo que depende da vontade de outro. E são nestas bases que muitos se perdem. Esse desejo que estabelece uma relação de dependência de indivíduos ou grupos em relação a outros, pode ser danosa. Quanto maior a dependência de A em relação a B, maior o poder de B em relação a A. Essa dependência aumenta à medida que o controle de B sobre o que é desejado por A aumenta.

Em psicologia o fetichismo é uma parafilia. As parafilias podem ser consideradas inofensivas e, de acordo com algumas teorias psicológicas, são parte integral da psiquê normal — salvo quando estão dirigidas a um objeto potencialmente perigoso, danoso para o sujeito ou para outros (trazendo prejuízos para a saúde ou segurança, por exemplo), ou quando impedem o funcionamento sexual normal, sendo classificadas como distorções da preferência sexual na CID-10 na classe F65.

Creio que aí vem minha angústia para com os fetiches. Não pela questão segurança física, mas psicológica. Qual a segurança se tem que o outro está interessado real e ainda verdadeiramente opor você se precisa de artifícios para sentir prazer com você?

Vejo comentários radicais em redes sociais diversas em contra o amor livre, vejo notícias do lançamento de produtora de filmes pornôs evangélicos... Pausa. Será que os atores serão casados na vida real? Ironia ou não, não vale o debate. Vimemos em uma sociedade ocidental, patriarcal, machista e neoliberal.

Mas aprofundando o discurso. Já considerações com respeito ao comportamento considerado parafílico dependem em um grau muito elevado das convenções sociais reinantes em um momento e lugar determinados. Por sua vez práticas, como a homossexualidade ou até mesmo o sexo oral, o sexo anal e a masturbação foram consideradas parafílicas em seu momento, embora agora sejam consideradas variações normais e aceitáveis do comportamento sexual.

Quando a pouco vi uma postagem de Facebook aonde havia uma campanha em contra o sexo anal, de início ri, mas agora reflito. Se o prazer é estar com outro, e não somos estripadores, quem nos pode impor restrições. Ou melhor. Como um ser externo a relação se atreve a estigmatizar qualquer acto entre dois?

Qual fora a segmentação, ou subdivisão do fetichismo alheio, não estou a criticar, apenas digo que a mim não  interessa. Seja o sadismo, o masoquismo, o exibicionismo, o voyeurismo ou o fetichismo... A margem, as religiões no passado e no presente fazem do sexo um adjeto e um cetro pejorativo de inclusão social e espiritual. O intuito? Controle.

Hoje em tempos de evangélicos que pregam o casamento entre virgens e a cura gay, mas pastores são descobertos aliciando fiéis e regressando ao mundo colorido, devemos ser mais que observadores; mas agentes libertadores-iluministas. Corremos o risco de nos tornarmos um novo EI. Disse certo dia Max Weber: "Poder é toda chance, seja ela qual for, de impor a própria vontade numa relação social, mesmo contra a relutância dos outros."

O Fetiche Nosso de Cada Dia nos Dai Hoje... A dica moderna, ou não é. Seja você, e não o fetiche alheio. Para embasamento meramente teórico citaremos algumas terminologias do mundo dos seres criativos no âmbito sexual. Preparei uma pequena lista de possibilidades e terminologias nesta lista de parafilias:

Abasiofilia: atração psicossexual a pessoas com a mobilidade prejudicada, especialmente aqueles que usam aparelhos ortopédicos como tiras de perna, formas ortopédicas, tiras espinais, muletas, ou cadeiras de rodas.
Adstringopenispetrafilia: fetiche por amarrar pedras ao pênis.
Agalmatofilia: atração por estátuas.
Agorafilia: atração por copular em lugares abertos ou ao ar livre.
Aiquemofilia : Prazer pelo uso de objetos cortantes e pontiagudos.
Amaurofilia: excitação da pessoa pelo parceiro que não é capaz de vê-la (não se aplica a cegos).
Amphiboliafilia: atração ou excitação sexual por ambiguidades.
Anadentisfilia: excitação e prazer sexual por pessoas sem dentes.
Anemofilia: excitação sexual com vento ou sopro (corrente de ar) nos genitais ou em outra zona erógena.
Apotemnofilia: desejo de se ver amputado.
Asfixiofilia (asfixia autoerótica): prazer pela redução de oxigênio.
ATM (ass to mouth): prática em que o parceiro ativo, após o coito anal, leva seu pênis à boca da pessoa penetrada.
BBW: atração por mulheres obesas
Bondage: prática onde a excitação vem de amarrar ou/e imobilizar o parceiro.
Bukkake: modalidade de sexo grupal praticado com uma pessoa que "recebe" no rosto a ejaculação de diversos homens.
Clismafilia: fetiche por observar ou sofrer a introdução de enemas.
Coleopterafilia: atração sexual por besouros.
Coprofagia: fetiche pela ingestão de fezes.
Coprofilia: fetiche pela manipulação de fezes, suas ou do parceiro.
Cock and ball torture: é uma atividade sexual BDSM sadomasoquista envolvendo os genitais masculinas.
Coreofilia: excitação sexual pela dança.
Crinofilia: excitação sexual por secreções (saliva, suor, secreções vaginais, etc).
Crematistofilia: excitação sexual ao dar dinheiro, ser roubado, chantageado ou extorquido pelo parceiro.
Cronofilia: excitação erótica causada pela diferença entre a idade sexo-erótica e a idade cronológica da pessoa, porém em concordância com a do parceiro.
Cyprinuscarpiofilia: excitação sexual por carpas.
Dendrofilia: atração por plantas.
Emetofilia: excitação obtida com o ato de vomitar ou com o vômito de outro.
Espectrofilia: prática medieval que consiste na excitação por fantasias com fantasmas, espíritos ou deuses.
Estelafilia: atração sexual por monumentos líticos (feitos de pedra) normalmente feitas em um só bloco, contendo representações pictóricas e inscrições.
Exibicionismo: fetiche por exibir os órgãos genitais.
Fetiche por balões: excitação ao tocar balões de látex (usadas em festas).
Fisting: prazer com a a inserção da mão ou antebraço na vagina (brachio vaginal) ou no ânus (brachio procticus).
Flatofilia: prazer erótico em escutar, cheirar e apreciar gases intestinais próprios e alheios.
Frotteurismo: prazer em friccionar os órgãos genitais no corpo de uma pessoa vestida.
Galaxiafilia: atração sexual pelo aspecto leitoso da Via Láctea.
Gerontofilia: atração sexual de não-idosos por idosos.
Hebefilia (ver lolismo)
Hipofilia: desejo sexual por equinos.
Imagoparafilia: prazer em imaginar-se com alguma parafilia.
Lactofilia: fetiche por observar ou sugar leite saindo dos seios
Lolismo: preferência sexual e erótica de homens maduros por meninas adolescentes
Kosupurefilia: excitação sexual por Cosplay.
Maieusofilia: ver pregnofilia
Masoquismo: prazer ao sentir dor ou imaginar que a sente.
Menofilia: atração ou excitação por mulheres menstruadas.
Moresfilia: atração ou excitação sexual por coisas relativas aos costumes.
Nanofilia: atração sexual por anões.
Necrofilia : atração por pessoas mortas
Nesofilia: atração pela cópula em ilhas, geralmente desertas.
Odaxelagnia: fetiche por mordidas.
Orquifilia: fetiche por testículos.
Panpaniscusfilia: excitação sexual por Bonobos.
Partenofilia: fixação sexual por pessoas virgens.
Pigofilia: excitação sexual por nádegas.
Pirofilia: prazer sexual com fogo, vendo-o, queimando-se ou queimando objetos com ele.
Podolatria: fetiche por pés.
Pogonofilia: fetiche por barba.
Pregnofilia ou maieusofilia: fetiche por mulheres grávidas e/ou pela observação de partos.
Quirofilia: excitação sexual por mãos.
Sadismo: prazer erótico com o sofrimento alheio.
Sadomasoquismo: prazer por sofrer e, ao mesmo tempo, impingir dor a outrem.
Sarilofilia: fetiche por saliva ou suor.
Sororilagnia: sexo com a própria irmã.
Timofilia: excitação pelo contato com metais preciosos.
Trampling: fetiche onde o indivíduo sente prazer ao ser pisado pelo parceiro.
Tricofilia: fetiche por cabelos e pelos.
Urofilia: excitação ao urinar no parceiro ou receber dele o jato urinário, ingerindo-o ou não.
Vorarefilia: atração por um ser vivo engolindo ou devorando outro.
Voyeurismo: prazer pela observação da intimidade de outras pessoas, que podem ou não estar nuas ou praticando sexo.
Zoofilia: prazer em relação sexual com animais.

segunda-feira, outubro 18, 2010

A Queda do Muro

Fernando Schweitzer, Florianópolis/SC - Ator Não-Global, Diretor Teatral, Cantor, Escritor e Jornalista

Esquerda ou direita, Socialismo ou Neoliberalismo, democracia ou ditadura... Parecem antagonismos clássicos de um passado distante. Talvez esse seja o discurso daqueles que preferem monopolizar-se como únicos seres com capacidade de racionar sobre a vida política no mundo actual.





Pós-Guerra e fim do muro

Como disse um sábio dinossauro, a questão que é o cerne neste século pra a humanidade é derrubar o muro entre os que têm mais e os que tem menos. Independente de qualquer tendência ou pragmatismo, você amando ou odiando pobres, a simples observação das ultimas e cada vez mais poucas agitações sociais convergem neste sentido.

Os estados de bem estar construídos na Europa no período pós-guerra, foram uma forma estratégica do velho continente arrasado de conter a demanda social criada pela destruição material de seu continente. Sendo cenário principal pela segunda vez de uma guerra mundial, os europeus tinham vários temores. Em uma mistura de medo de fantasmas do passado, com inimigos do presente e já pensando no inimigo do futuro as potências do velho mundo se viam numa sinuca de bico terrível.

O mundo no momento estava polarizado. União Soviética ou Estados Unidos? Inimigos que destruíram indirectamente o seu inimigo maior, a Europa, mas que conseguiram habilmente posar de salvadores deste mesmo. Ambos tinham claro que com a destruição estrutural e generalizada do velho continente, ele passaria ser um mercado consumidor fértil. Após literalmente partirem o mundo em dois ideologicamente, com a divisão de zonas de influência, construíram um muro físico.



A divisão trouxe a união

A Europa temia o nazismo... Reformulando. Inglaterra e França não queriam uma Alemanha forte, firmaram aliança com o Império do Norte, com o discurso básico de que seria natural este apoio devido a aliança e apoio na guerra. Assim surge a argumentação para aceitarem os empréstimos do plano Marshal, visto como um dos primeiros elementos da integração européia, já que anulou barreiras comerciais e criou instituições para coordenar a economia em nível continental. Uma conseqüência intencionada foi a adopção sistemática de técnicas administrativas norte-americanas.

Não só Estados Unidos buscaram beneficiar-se nós acordos pós-guerra. O Plano Monnet foi um plano de reconstrução da França proposto pelo funcionário público Jean Monnet após o final da Segunda Guerra Mundial. No plano era proposto que a França obtivesse controlo sobre o carvão e aço das zonas alemãs do Vale do Ruhr e Sarre para poder usar esses recursos e levar a França ao índice 150% quando comparado com a produção industrial do pré-guerra. O plano foi adotado por Charles de Gaulle no início de 1946.

Este aprofundamento da Doutrina Truman, conhecido oficialmente como Programa de Recuperação Européia, foi o principal plano dos Estados Unidos para a reconstrução dos países aliados da Europa nos anos seguintes à Segunda Guerra Mundial. Mas não haviam santos, tão pouco heróis. Os americanos tinham um objetivo claro, garantir espaço e consumidores para sua economia e indústrias em expansão.

O plano de reconstrução foi desenvolvido em um encontro dos Estados europeus participante em Julho de 1947. A União Soviética e os países da Europa Oriental foram convidados, mas Josef Stalin viu o plano como uma ameaça e não permitiu a participação de nenhum país sob o controle soviético. As divergências crescentes culminam com a divisão de física pela construção do Muro de Berlim e a intensificação do controle da fronteira interna alemã que demarcava a fronteira entre a Alemanha Oriental e a Alemanha Ocidental. Ambas as fronteiras passaram a simbolizar a chamada "cortina de ferro" entre a Europa Ocidental e o Bloco de Leste.



O feitiço virou contra o Feiticeiro



O Plano Marshal pode-se dizer foi o pai acidental da União Européia. Enquanto instituição, ela passou a dispor de personalidade jurídica após o início da vigência do Tratado de Lisboa. Possui competências próprias partilhadas com todos os Estados-membros. Trata-se de uma organização que combina o nível supranacional e o nível institucional num campo geográfico restrito com o papel político próprio sobre os seus Estados-membros.



Hoje a União Européia capitaliza-se apesar da forte crise, devido às intrínsecas ligações históricas e econômicas com seu antigo e único aliado, os EUA. O Euro se descolou do dólar a muito e hoje tem quase o dobro de seu valor. O seu fiel da balança é o poder avassalador de compra, com o peso em contra de tornar seus produtos caros para muitos mercados. Este factor amenizado por suas reservas cambiais gigantescas.



Embora sustentem um sistema inchado devido as políticas históricas da sociedade de bem-estar, nem mesmos os protestos recentes em países como Grécia e França desestabilizam o bloco como um todo. Seus líderes hoje (França, Inglaterra e Alemanha) usam seu poderia e beneficiam-se dos países do bloco, estes menos industrializados que as super-potências. Ainda utilizam-se de uma política anexadora para os países que estão ainda a margem da zona do Euro.



Oficialmente segundo o seu portal oficial "A União Européia foi criada com o objectivo de pôr termo às freqüentes guerras sangrentas entre países vizinhos, que culminaram na Segunda Guerra Mundial. A partir de 1950, a Comunidade Européia do Carvão e do Aço começa a unir econômica e politicamente os países europeus, tendo em vista assegurar uma paz duradoura. Os seis países fundadores são a Alemanha, a Bélgica, a França, a Itália, o Luxemburgo e os Países Baixos. Ainda em 1957, o Tratado de Roma institui a Comunidade Econômica Européia (CEE) ou “Mercado Comum”."



O próprio sítio da comunidade européia é já claramente centralizador de poder. Apesar de contar com 23 idiomas, muitos artigos disponíveis em inglês, francês e alemão apenas. Mas enquanto tentam alguns centralizar, necessitam pensar nos inimigos ainda bi



Se de um lado a China é voraz competidora por seus preços baixos e moeda de valor ridículo perante as moedas fortes do mundo, seu PIB já chega a assustadores níveis para um mundo em crise. De outro o aliado americano tenta baixar sua moeda para gerar competitividade, principalmente em produto industrializados de ponta, assim rivalizando com a União Européia que baseia sua economia no mesmo nicho.



Lá ou cá? Dever cívico ou diversão?



Por algum motivo fiz uma co-relação com o debate presidencial que foi transmitido entre 21h17 e 23h11 de domingo (18), a emissora marcou média de oito pontos de audiência na semana passada, o dobro. Com a queda no Ibope da emissora, que costuma disputar o terceiro lugar com o SBT quando transmite o Pânico na TV, as concorrentes cresceram em audiência.

Na liderança ficou a Rede Globo, com Fantástico, que marcou 24 pontos. O Domingo Espetacular, da Record, alcançou 14 pontos no Ibope, enquanto Silvio Santos segurou com tranqüilidade o terceiro posto para o SBT neste domingo com média de 11 pontos. Seis dias antes, a Bandeirantes realizou o primeiro debate do segundo turno e ficou com a mesma média de quatro pontos, na segunda-feira (11).

Acho que em ambos os casos a bi-polaridade hoje não dá muitos frutos. O mundo não tem mais o muro, físico. Mas devemos pulverizar nosso olhar multifocal, mas sem perder o foco. Embora esteja de acordo que a disputa do primeiro turno estava mais animadinha. Vivemos uma grande inversão. No primeiro turno parecia que tínhamos dois candidatos, e agora que temos dois de fato, parece que temos três. Como a União Européia, Marina de terceira via passou a factor, factualmente ativo da disputa. E o muro? O muro caiu, virou vice da situação, assim ficando mais difícil ver quem é quem nesse mundo multifacetado.

Fernando Schweitzer, Florianópolis/SC - Ator Não-Global, Diretor Teatral, Cantor, Escritor e Jornalista