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segunda-feira, fevereiro 02, 2026

Ainda Forasteiro

Fernando Schweitzer - Jornalista e dramaturgo 

Os cinco sentidos — tato, paladar, olfato, visão e audição — são a forma mais primária de nos orientarmos no mundo. É por eles que reconhecemos perigo, afeto, pertencimento. Mas existe um sexto sentido, silencioso, pouco estudado e profundamente persistente: o de não pertencer. Foi através dele que aprendi a reconhecer os forasteiros. Talvez por isso eu os identifique com tanta facilidade. Sempre é em cada lugar em que vivi estive rodeado de estrangeiros e pessoas que não são nativos da cidade em que me encontro. 

O primeiro deles sou eu mesmo.
Comecei a cantar aos nove anos, em concursos musicais infantis, quando a voz ainda era promessa e o corpo obedecia sem resistência. Aos treze, tudo mudou. Uma encefalite — ou, como ficou registrada na memória e nos papéis, uma incefalite — me arrancou o controle da voz, comprometeu parcialmente os movimentos do lado esquerdo do corpo e me lançou a setenta e quatro dias de internação hospitalar após uma intervenção cirúrgica. Aos quatorze, ainda em convalescença, encontrei o teatro. Antes disso, aos doze, já havia deixado minha cidade natal. Aos treze, fui morar na casa da minha avó paterna para atravessar o período de recuperação. Desde cedo, deslocado. Desde cedo, fora do lugar.
“Através do teatro comecei a mudar minha percepção sobre mim e sobre o que é ser um forasteiro.” É a partir daí que os forasteiros ganham rosto.

O primeiro, como já disse, sou eu: Fernando Schweitzer, jornalista, ator, cantor interrompido e reinventado, alguém que nunca deixou de atravessar fronteiras — mesmo quando aparentemente parado. O segundo é Jack Beraum, ator e cantor peruano que conheci em Buenos Aires. Nos palcos argentinos não criamos apenas espetáculos, mas cumplicidades. Jack carrega o exílio como quem carrega um sotaque: com naturalidade. Talvez por isso nossa amizade tenha resistido ao tempo, às cidades e às distâncias.

O terceiro forasteiro é Omar Millalonco, jornalista e comunicador, também radicado em Buenos Aires. Nos conhecemos em uma maratona de Comunicação e Jornalismo na UBA, dessas jornadas acadêmicas em que se troca mais vida do que certificados. Foi através de mim que Omar conheceu Jack, e desde então formamos uma espécie de triângulo afetivo de estrangeiros persistentes.

O quarto é Cristian Cotrina, biólogo peruano formado pela UBA. Dividimos uma casa de aluguel coletivo em Buenos Aires e, durante a pandemia, dividimos também o asfalto. Enquanto o mundo parava, pedalávamos: entregadores de bicicleta na capital argentina, empurrando comida, contas a pagar e sonhos pelas mesmas ruas.

O quinto forasteiro é Faldrán, estudante de intercâmbio em fitoterapia na UDESC, em Santa Catarina. Galego como eu. Nos conhecemos em um grupo de conversação de idiomas na UFSC, em Florianópolis. Ele foi meu aluno de português, mas, como todo encontro entre forasteiros, o aprendizado foi sempre mútuo.

Há então um terceiro movimento nessa história, quando os caminhos voltam a se cruzar. Omar Millalonco vem passar férias em Florianópolis e nos reencontramos. Caminhamos pela cidade. Apresentei a ele a cultura, os ritmos, a idiossincrasia brasileira — aquilo que não cabe nos guias turísticos. Florianópolis, vista por quem mora, é sempre outra coisa: menos cartão-postal, mais sobrevivência cotidiana. Falar do Brasil para um argentino, em terras brasileiras, é também falar de mim mesmo, desse lugar instável entre o dentro e o fora.

A noite começa a se inclinar para o fim ao mesmo tempo de maneira comum e simbólica. Apesar do medo de andar de moto, peço uma corrida por aplicativo desde a Lagoa da Conceição até minha casa, na região continental da cidade. São cerca de trinta quilômetros de vento, asfalto e pensamento. No trajeto, reflito que os forasteiros sempre se querem muito — talvez porque reconheçam no outro a mesma rachadura.

Pouco antes, em meio ao ensaio de Carnaval da escola Unidos da Ilha da Magia, encontro Faldrán. Entre risos, suor e música, ele me provoca a fazer uma brincadeira com Omar: abordá-lo em espanhol, no meio da festa, como se ele fosse um agente secreto que o estivesse investigando. Omar, argentino, cercado por tambores brasileiros, por alguns segundos não sabe se ri ou se foge. A pegadinha funciona porque todo forasteiro está sempre atento. A poucos instantes encontrei uma amiga e forasteira gaúcha radicada em Floripa com seu filho que estava de aniversário. Uma das poucas pessoas de meu curso de guia de turismo com quem ainda tenho contato... Sempre estou em meio a não nativos, pensei.

“Não pude me despedir quando me fui de Buenos Aires de ninguém, parti para Florianópolis de ônibus, via a tríplice fronteira entre Brasil, Argentina e Paraguai. Ao reencontrar agora Omar, meu amigo e colega de profissão, jornalista, fui tomado por várias reflexões. Uma delas é que eu gostava mais de ser forasteiro na Argentina do que no Brasil. Depois de cinco anos preso pela pobreza em Florianópolis, de ter me formado guia de turismo nesta cidade e, mesmo tendo outras formações acadêmicas, enviado mais de cem mil currículos nesse período… sigo apenas sendo um pobre forasteiro. Ou seria eu um forasteiro pobre?”

Este artigo não tem nenhum objeto de estudo ou objetivo didático, apenas é um devaneio meu durante uma viagem de moto entre a Lagoa da Conceição e o continente na cidade de Florianópolis. Mas loucura pouca é bobagem. Comecei a fazer uma analogia desconexa neste trajeto de moto, entre o medo deste veiculo e o devaneio, defini paralelos:

Fernando Schweitzer — A Audição
A audição é o sentido que nasce primeiro e, paradoxalmente, um dos mais frágeis. É também o único que não se pode desligar completamente. Fernando é a audição porque sua história começa pela voz — e pela perda dela. Cantar foi o primeiro território de pertencimento, e o silêncio imposto pela doença transformou o ouvir em sobrevivência. Antes de voltar a falar em cena, foi preciso escutar: o corpo, o limite, o tempo, o outro. Como a audição, Fernando capta o que não é dito, vive atento às nuances, aos deslocamentos sutis. O forasteiro que escuta é aquele que aprende a existir antes de se impor.

Jack Beraum — A Visão
Jack é a visão porque o palco é, antes de tudo, um espaço de ser visto — e de ver o outro. Ele carrega o exílio como estética, como presença visível e assumida. Nos espetáculos compartilhados, Jack ajuda a organizar o caos em imagem, a dar forma ao sentimento difuso de não pertencer. A visão é o sentido que cria horizonte, que permite imaginar futuro mesmo à distância. Jack vê longe, vê fora, e ensina que o estrangeiro também pode ocupar o centro do quadro.

Omar Millalonco — A Palavra (Paladar)
Omar é o paladar porque é o sentido do gosto construído — ninguém nasce gostando de tudo; aprende-se. Jornalista e comunicador, ele mastiga o mundo antes de engolir. O paladar exige crítica, comparação, memória. Omar transforma experiência em narrativa digerível, dá sabor ao que poderia ser apenas ruído. Como o paladar, ele distingue, provoca, incomoda e, às vezes, demora a agradar — mas quando agrada, fica.

Cristian Cotrina — O Tato
Cristian é o tato porque sua história é a do contato direto com a matéria da vida. Bicicleta, asfalto, mochila, entrega, pandemia. O tato é o sentido da sobrevivência imediata, daquilo que confirma: estou aqui, existo, sinto. Dividir casa, dividir trabalho, dividir silêncio — tudo isso é tato. Cristian representa o forasteiro que aprende o mundo pela pele, pela repetição do gesto, pelo cansaço compartilhado. O tato não idealiza: sustenta.

Faldrán — O Olfato
Faldrán é o olfato porque esse é o sentido da memória involuntária, do reconhecimento sem lógica. Galego em Santa Catarina, ele surge como um cheiro familiar em território estranho. O olfato conecta passado e presente sem pedir permissão, cria intimidade imediata. O reencontro no Carnaval, no meio da multidão, funciona como o cheiro que atravessa a festa e nos leva para casa. Faldrán lembra que o pertencimento às vezes vem sem explicação — apenas acontece. Digo isto porque parecia em meio ao povo nada mais que um brasileiro desfrutando de um ensaio de escola de samba. 

sexta-feira, agosto 15, 2025

Como funciona o Banco Central — Versão Descomplicada

O objetivo aqui é mostrar, de forma clara, o papel do Banco Central (BC) na manutenção do capitalismo brasileiro — um capitalismo dependente, submisso ao capital internacional — e por que ele é alvo constante de disputas políticas e econômicas.




1. Antes de falar do BC: o que é o Estado burguês?

No capitalismo, o Estado não é neutro. Ele existe para garantir que o sistema continue funcionando a favor da classe dominante. Como Engels escreveu no Anti-Dühring:

“O Estado moderno é, portanto, uma máquina essencialmente capitalista, é o Estado dos capitalistas, é o capitalista global ideal” (ENGELS, 2015, p. 314).

Na Europa, antes das Revoluções Burguesas, a burguesia queria limitar o poder dos reis absolutistas para evitar qualquer interferência nas relações de propriedade e no “livre mercado”.
Depois que tomou o poder, essa mesma burguesia passou a defender:

  • Restrição política (voto censitário, excluindo trabalhadores);

  • Mínima regulação econômica — só garantindo propriedade privada e competitividade.

Mas “Estado mínimo” nunca existiu de verdade. Enquanto se recusavam a criar leis trabalhistas, os governos burgueses usavam o Estado para fazer guerras, conquistar colônias e proteger interesses capitalistas.


2. O século XIX muda o jogo

Com o crescimento dos partidos, sindicatos e greves, a classe trabalhadora conquistou direitos: voto, redução de jornada, proibição do trabalho infantil, educação pública etc.
Isso obrigou o Estado burguês a ampliar sua atuação para mediar conflitos e evitar que o movimento operário radicalizasse.

Um exemplo histórico: depois da Comuna de Paris (1871), governos como o da Alemanha e Áustria-Hungria aprovaram leis de descanso semanal, indenização por acidentes, fiscalização de fábricas, seguros e habitação popular (GONZÁLEZ GARCÍA apud COSTA, 2011, p. 56).
Isso não foi “bondade”: foi estratégia para controlar o movimento operário.


3. Capitalismo monopolista e mais intervenção estatal

No fim do século XIX, o capitalismo entrou na fase dos monopólios (imperialismo).
Segundo Mandel (1969), isso trouxe:

  • preços mais altos nos setores monopolizados,

  • maiores taxas de lucro,

  • concentração de investimentos,

  • mais uso de tecnologia para reduzir trabalho humano,

  • e custos crescentes de distribuição.

O Estado passou a intervir ainda mais, equilibrando demandas da classe trabalhadora com as necessidades de lucro da burguesia.
Rosa Luxemburgo resumiu bem:

“O próprio desenvolvimento capitalista [...] torna cada vez mais necessária a sua intervenção e seu controle” (LUXEMBURGO, 2015, p. 54).


4. O discurso da austeridade

Hoje, no Brasil, o mantra central da classe dominante é: “o Estado é como uma família, não pode gastar mais do que arrecada”.
Essa ideia é sustentada por três pilares:

  1. Orçamento estatal = orçamento doméstico (falso);

  2. Mais gasto público = mais inflação e juros altos;

  3. A dívida pública tem um limite “natural”.

Na prática, o BC cria dinheiro sem precisar “guardar antes” — como explica o Bank of England:

“Os bancos comerciais criam dinheiro [...] quando fazem novos empréstimos [...] é criado com o traço das canetas dos banqueiros” (Bank of England, p. 16).

E o Estado faz o mesmo ao gastar, emitindo moeda estatal (reservas bancárias). Isso não tem limite técnico, só político.


5. Como o BC mantém a roda girando para o rentismo

O BC controla a Selic — taxa básica de juros — para regular o mercado interbancário.
Se os bancos precisam de reservas, o BC empresta à Selic.
Se há excesso de reservas, o BC “enxuga” esse dinheiro tomando-o emprestado, também à Selic.

Ou seja:

  • Sempre há liquidez para os bancos.

  • Sempre há remuneração para o capital aplicado em títulos públicos.

E aqui está o truque: aumentar a Selic aumenta o gasto do Estado com juros da dívida. Cada 1% a mais significa +R$ 72 bilhões de gasto financeiro.
Isso aumenta o déficit nominal e serve de justificativa para cortar gasto social (gasto primário), não o gasto com juros (gasto financeiro).


6. O ciclo viciado

O Boletim Focus (criado no governo FHC) coleta expectativas de bancos e fundos e influencia a decisão sobre a Selic.
O capital pressiona por juros altos, alegando risco fiscal.
Juros altos aumentam o gasto com dívida → aumentam o déficit → justificam mais juros altos.
É uma profecia auto-realizável.

Enquanto isso, qualquer inflação é explicada pelos liberais como “excesso de demanda”, mesmo quando vem de choques de oferta (secas, câmbio, guerras).
Resultado: juros altos para “controlar” preços, mesmo que o problema não seja demanda.


7. O papel político do BC

O Banco Central é mantido como guarda-costas do rentismo:

  • Selic alta = lucro certo para quem vive de juros;

  • Gasto social limitado;

  • Gasto financeiro livre;

  • Intervenção no câmbio criminalizada.

Tudo isso embalado no discurso de que o BC é “técnico” e “neutro”.


8. Conclusão prática

Mudar essa lógica não é só questão de “teoria macroeconômica correta”. É questão de poder político.
Derrubar essa estrutura significa enfrentar a burguesia que vive do rentismo.

Como o texto original lembra, a luta não é para “ter um BC da classe trabalhadora” no capitalismo, mas para saber o que fazer com o BC quando o poder político estiver nas mãos do povo.


REVISÃO EM TÓPICOS

1. O que é o Estado burguês

  • Não é neutro: garante que o capitalismo funcione a favor da classe dominante.

  • Engels:

    “O Estado moderno [...] é o capitalista global ideal” (2015, p. 314).

  • Estado mínimo é mito: mesmo no liberalismo, o Estado sempre agiu para proteger interesses capitalistas (guerras, colônias, obras).


2. Mudança no século XIX

  • Greves, sindicatos e partidos operários conquistaram direitos: voto, jornada menor, fim do trabalho infantil, educação pública.

  • Ex.: após a Comuna de Paris (1871), Alemanha e Áustria aprovaram leis de descanso, indenização, habitação popular (GONZÁLEZ GARCÍA apud COSTA, 2011).

  • Isso foi controle político, não “bondade”.


3. Capitalismo monopolista

  • Fase dos monopólios (fim do séc. XIX) → Estado intervém mais para:

    • Garantir lucros altos nos setores monopolizados.

    • Regular a economia a favor do grande capital.

  • Rosa Luxemburgo:

    “O desenvolvimento capitalista [...] torna cada vez mais necessária a sua intervenção” (2015, p. 54).


4. Ideologia da austeridade

  • Narrativa central: Estado = família, não pode gastar mais do que arrecada.

  • Falso: Estado emite moeda; limite é político, não técnico.

  • Bank of England: bancos criam dinheiro quando emprestam, não precisam “guardar antes” (p. 16).


5. Como o BC atua

  • Controla a Selic (taxa básica de juros) para regular liquidez no sistema bancário.

  • Se falta dinheiro → BC empresta à Selic.

  • Se sobra dinheiro → BC toma “emprestado” à Selic.

  • Resultado: bancos sempre lucram e têm liquidez garantida.


6. O ciclo viciado

  • +1% na Selic = +R$ 72 bi em gasto com juros.

  • Gasto financeiro cresce → déficit aumenta → justificam cortes no gasto social.

  • Boletim Focus (desde 1999) coloca expectativas de bancos como base para decisões.

  • É uma profecia auto-realizável:
    gasto → juros altos → mais gasto com juros → mais corte social.


7. Inflação e manipulação do discurso

  • Liberais: toda inflação = excesso de demanda → receita: cortar gasto e subir juros.

  • Ignoram causas de oferta (secas, câmbio, crises).

  • Isso mantém juros altos mesmo sem necessidade real.


8. O papel político do BC

  • Mantém juros altos = lucros garantidos para rentistas.

  • Limita gasto social, libera gasto com juros.

  • Intervenção no câmbio é criminalizada (defendem “câmbio flutuante” como natural).


9. Conclusão

  • Mudar essa lógica é questão de poder político, não só de “economia correta”.

  • A luta é para saber o que fazer com o BC quando o povo tiver o poder.


💡 Resumo da síntese:
O BC é peça-chave para manter a economia brasileira funcionando a favor do capital financeiro.
Ele garante lucros aos rentistas, limita políticas sociais e usa discursos “técnicos” para blindar interesses de classe.


quarta-feira, outubro 31, 2018

Onda Empática Apática

Puede que sea una sensación y nada más, suele pasar
De cuantos pasos necesitaré para que se pase, suele pasar
No pasa, ni que se pasen muchas decadas
Dice un tipo que salió de allá que: suele doler

Puede ser que no sea como imaginamos, suele pasar
De cuantos muertos hablamos para que se pase, suele pasar
No pasa, ni que se pasen de la ralla
Dice un tipo que mismo aquí no salió de allá: suele pasar

¿Cómo medir lo inmaterial?
Es como gritar a través de la cuerdas vocales del otro
¿Cómo medir el sentir?
Es como callar cuando tus venas abiertas verten

Suele ser oscuro todo que se ve con claridad
¿Cuál oceano es más oscuro?
¿Sería el tuyo? o ¿Sería el mío?
Suele ser solamente oscuro mientras en el se navega

Difícil salirse de dentro de si mismo
Imposible penetrar en el otro
¿Empático?
En asfixiante estado inevitable
¿Apáticos?
En inexorable estado de ausencia de empatía

Esto no se sabe cuando fue escrito
1900 y... 2000 y... Antes del después
Esto no se sabe adonde fue escrito
Alemania... Brasil... Antes del después

Nando Schweitzer, poemas de um exilado

quinta-feira, dezembro 21, 2017

NÃO MANDAREI CARTINHAS!

Quantos dias e quantos noites faltarão para a felicidade plena. Qual o porque desta e tantas outras perguntas filosóficas e antropofágicas no final de ano. Somos convencidos pelos que nos rodeiam e pela sociedade que devemos pular ondinhas, comer romãs, uva desidratada e passar a virada de branco… Dentre outras milhares de simpáticas simpatias pagãs.
Proporei um natal e ano novo diferente. Se é que queremos mudar nossa realidade, devemos sim percebe-la e num seguinte momento dado este choque de realidade, ou realismo, mudar nossas posturas práticas.
Papai Noel
Não, jamais seria cristão, tenho QI alto o suficiente para saber que tais religiões além do dízimo me cobrariam outras mil condutas, as quais não conseguiria e nem pretendo seguir. Aí me vem no ouvidinho o anjo mal, aquele diabinho e diz que é pretensioso demais seguir meus próprios ritos de fim de ano.

Logo penso eu, se passei décadas a seguir ortodoxamente rituais que não significam nada mais que uma tradição(ou várias), e minha vida segue no buraco… Qual a razão para não inovar?
Não colocarei roupas brancas, cuecas amarelas(a não ser pelo suor), não comerei sete uvinhas(muito menos passas), não pularei as sete ondas, não farei um pedido de ano novo, não colocarei o sapatinho para papai noel, não cantarei noite feliz com o disco da Simone, não tomarei cidra ou espumante fingindo ser champagne, nem assistirei a missa do galo(pois não sei o que tem haver um galo com o natal). Nada disso adiantou antes, seria imbecil repetir essas mandingas que nada mais são que crendices tolas.
Alguns dirão que estou louco. Mas conte a um chinês ou turco o que já fizestes em natais e anos novos por “tradição” e o louco será você. É ótimo que as pessoas parem para refletir suas ações, pena que o fazem uma vez por ano, ou depois de um atentado, somente.
Em tempos de cólera por coisas tão banais, ver o neto do Sílvio Santos na Globo com um bando de semi-celebridades a cantar músicas norte-americanas não me faz ter espírito natalino. Certo que seria pior um especial da Simone. Mas ver Roberto Carlos cantar pagode e funk tão pouco me inspira UM MUNDO JUSTO E MELHOR… Depois de 80 amos de carreira a voz continua fanha e semitonada.
Parei. Sim. Parei de ter esperanças no ser humano. Talvez, quiçá, de encontrar um ser humano. Me vejo no fim, no despenhadeiro, como um dinossauro velho a ser atirado por essa geração ostial no abismo. Vivemos um mundo sem saídas. Pois se existem não ascendem por minha rota, sequer acenderam a luz de avido.
Se queres um futuro promissor lute. Lute pelo fim do vestibular, pelo fim do racismo, pelo fim da xenofobia e similares. Eclodimos em uma bifurcação na qual não nos basta ser bons samaritanos, precisamos ser Sasá Mutema.
Pelejemos por um mundo sem Frozen, sem cartinha pro papai-noel, sem Jornal Nacional, sem PT, sem PSDB, sem testes do sofá, sem machismo, sem carnaval, sem o gordinho de vermelho criado pela Coca-Cola, sem você a apedrejar os meus artigo por não compreender ou não concordar com a minha pessoa, sem Nelson Barbosa, sem bíblias a adestrar ignorantes.
Uma certa vez uma cigana me disse… Bem, não importa o que ela disse. Eu não me importei. Devemos nos importar menos com o que falam de nós. Muitos só falam, mas não agem. Outras agem, sem pensar. Uns tantos não pensam quando falam e por isto falam e agem de formal boçal.
Alguns anos vivendo fora me fizeram mal, ao regressar encontrei um país pior do que o que deixei. Desta vez não podem me culpar!
Nando Schweitzer é Jornalista, Diretor Teatral e Cantor.

sexta-feira, junho 30, 2017

Como não cagar suas férias por falta de passaporte?

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Ia viajar e ficou sem passaporte? Você tem apenas dois caminhos. Pedir um passaporte de emergência, este que nosso tutorial abaixo explica os casos e critérios possíveis. Ou alterar seu destino para algum dos 9 países com acordo Mercosul de trânsito em que pode-se viajar e ingressar ao país sem visto prévio e com cédulas de identidade com expedição inferior aos 10 anos, a considerar a data de saída do país a se visitar turisticamente.

O QUE POSSO FAZER PARA CONSEGUIR UM PASSAPORTE NA ATUAL CRISE?

1 – CONSEGUIREI AGENDAR ONLINE A EMISSÃO DO MEU PASSAPORTE?

Sim. Porém, não haverá previsão para a entrega do documento.

2 – JÁ FIZ O AGENDAMENTO ONLINE, E AGORA?

Deve comparecer normalmente a PF para realizar os tramites de emissão, porém, assim como no item 1, não há previsão de entrega do documento.

3 – EU FUI ATENDIDA NA PF ANTES DA SUSPENSÃO, ISSO ME AFETARÁ?

Não! Todos que foram atendidos até 27/06 receberão o passaporte normalmente.

4 – PRECISO VIAJAR POR MOTIVO DE DOENÇA E AGORA?

Nesse caso a solicitação do passaporte deverá ser feita em caráter de emergência, e para essas situações a emissão funcionará normalmente.
Confira as possibilidades de emissão de passaporte liberadas pela PF:
  • Catástrofes naturais;
  • Conflitos armados;
  • Necessidade de viagem imediata por motivo de saúde do requerente, do seu cônjuge ou parente até segundo grau;
  • Para a proteção do seu patrimônio (o que não inclui o mero prejuízo com passagens, hospedagem etc);
  • Por necessidade do trabalho;
  • Por motivo de ajuda humanitária;
  • Interesse da Administração Pública;
  • Ou outra situação emergencial que não se poderia prever, cujo adiamento da viagem possa acarretar grave transtorno ao requerente;
Lembrando que todas as situações citadas acima, deve ser comprovadas pelo solicitante.

5 – QUANDO A SITUAÇÃO SERÁ NORMALIZADA?

Não há previsão. Para a regularização da situação é necessária a edição de uma medida provisória ou aprovação de um projeto de lei para que a Lei Orçamentária seja modificada.
Segundo a Polícia Federal, a situação está sendo acompanhada junto ao Governo Federal para que o serviço seja restabelecido o quanto antes.
Caso alguém tenha alguma dúvida, deixe aqui nos comentários ?

quinta-feira, junho 01, 2017

FN: Brasil é 3º no rankig da Paz Mundial

Brasil é um dos cinco países com subidas mais significativas: está no terceiro lugar do ranking
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O Índice Global de Paz (GPI) melhorou ligeiramente este ano, algo que acontece pela primeira vez desde 2014, correspondendo a subidas dos indicadores em seis das nove zonas geográficas analisadas.

Brasil subiu dois lugares e passou do quinto para o terceiro posto, sendo agora um dos países com a melhor classificação do ranking. "Uma melhoria notável, já que o país estava em 16º lugar há menos de cinco anos", indica o relatório. Brasil melhorou em 12 dos 23 indicadores contabilizados, "nomeadamente nas importações de armas e manifestações violentas". A Síria, no lado oposto, é o país menos pacífico do mundo.

O trabalho do Instituto para a Economia e a Paz (IEP) - uma organização não governamental com sede em Sydney, Austrália -- considera "significativo" o número de países que melhoraram o seu lugar na tabela, 93, contra os 68 que pioraram. "Tal como tem acontecido desde 2015, o Médio Oriente e o Norte de África foram as regiões menos pacíficas no Mundo, e a situação ainda se deteriorou mais, ainda que de forma menos notória do que nos dois últimos anos", considerou o IEP no relatório.

No entanto, a maior deterioração nos indicadores de paz ocorreu na América do Norte, seguido da África subsaariana, o Médio Oriente e o Norte da África. "O resultado da América do Norte deteriorou-se inteiramente graças aos Estados Unidos, que mais do que anulou as melhorias no Canadá. O resultado dos EUA foi puxado para baixo em larga medida devido à deterioração em intensidade do conflito interno organizado e devido ao nível de criminalidade percecionada na sociedade", explicou o instituto.

Estes motivos estão "fortemente ligados" ao agravamento da "polarização política" que atingiu um ponto alto na campanha para as eleições presidenciais de novembro último. O resultado da África subsaariana deveu-se ao agravamento da situação em vários países, especialmente a Etiópia, que piorou mais do que qualquer outro país, por causa do estado de emergência imposto em outubro de 2016 na sequência de manifestações violentas.

Os conflitos que perduram na Síria e no Iémen -- envolvendo várias potências regionais -- resultaram no agravamento do resultado do Médio Oriente e do Norte de África. Quanto às melhorias, a América do Sul registou a maior subida, ultrapassando a América Central e Caraíbas e cotando-se como a quarta região mais pacífica do Mundo. O último ano também registou uma notória melhoria no número de homicídios por cada 100 mil pessoas, bem como no nível de crime violento em geral. Neste último indicador, os resultados melhoraram ou mantiveram-se inalterados em todas as regiões.

No indicador relativo à perspetiva de ocorrência de manifestações violentas, apenas a África Subsaariana piorou o registo, especialmente devido às tensões étnicas e a instabilidade relacionada com eleições. "O nível de criminalidade percentual na sociedade subiu drasticamente, agravando-se ou mantendo-se estagnada em todas as regiões. A deterioração do impacto do terrorismo foi ainda mais pronunciada, piorando em todas as regiões com exceção da África Subsaariana e, especialmente, da América Central e das Caraíbas", escreve o IEP.

O Instituto também registou "muito ligeiras melhorias" no domínio da Militarização. A região do Médio Oriente e Norte de África (já de si em último lugar na tabela) e a da África Subsaariana pioraram, em contraste com a melhoria na Rússia e na Eurásia, tal como na Ásia do Sul.

quarta-feira, maio 03, 2017

Lula X Correa: O continente em constante ameça do neoliberalismo

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Se nos remetemos ao getulhismo dos anos 30 no Brasil, ou ao peronismo que apesar de um perfil uns 30º a direita bebeu da mesma fonte de personificação e identidade popular única capaz de instaurar e estabelecer-se como o salvador do povo, nos vemos em uma retórica coronelista. Não existe nenhuma grande guinada modificadora estrutural em nenhum país sul-americano que não tenha ocorrido de cima para baixo, e pior que não ocorre em torno de uma figura a qual um partido se reúna em seu entorno e jamais o contrário. Cada qual a seu tempo e jogando com as pedras particulares de seu entorno foram representantes de uma dinastia que no caso do peronismo até hoje sobrevive.

Se a 63ª economia mundial com dois produtos de exportação pôde melhorar muitos índices de desenvolvimento de sua população, porque a 9ª economia mundial não logra o mesmo para mudar o modelo produtivo? Correa reinstituiu o Estado sobre as suas capacidades reguladoras baseadas na cidadania; graças à Constituição de 2008 se afirmaram direitos mais amplos. Assim são garantidas prioridade às condições de vida à população sobrepostas aos interesses do capital estrangeiro.

A prominencia de um discurso em torno de uma ideia que só pode ser assimilada por um contingente de apoio e disto por sequência tornar-se uma potência política é uma grande armadilha, pois. E seja para bem ou para mal. Ao colocarmos lado a lado os logros e desacertos de processos na América do Sul podemos claramente ver que enquanto uns se mantiveram fiéis ao seu propósito inicial outros se deturparam muitos vezes até antes de chegar ao poder. Facilitemos ao leitor esta episteme dialética com exemplos antagónicos. Analisando os processos brasileiros e equatorianos podemos ver a discrepancia entre discursos que em seu bastião eram semelhantes, mas que em seu cumprimento tomaram rotas completamente díspares.

"Que a sociedade esteja acima do mercado...", assim falou o ex-presidente Correia ao expressar qual é o seu maior objetivo como presidente de uma nação que saiu de índices de alarmante pobreza e dependencia, e só o fez com uma auditória da dívida que o lulo-petismo se recusou a fazer. Não no processo, mas se recusara já antes de ascender ao poder em sua famigerada Carta de Compromisso aos Brasileiros em 2002, firmada e proclamada na cidade de Recife.

Rafael conseguiu modernizar o discurso socialista, o que muitos podem aferir a uma verdadeira política de centro aonde aporta que existe uma diferença entere "uma sociedade de mercado" e uma sociedade com mercado". Este sendo seu discurso em que aponta o erro do socialismo clássico, equívoca ao qual ele nunca cometeu. Em uma política difusa, mas contundente aonde o mercado nunca deixou de existir, mas teve de conviver com um estado forte e que sempre buscou equilibrar e redistribuir as riquezas do país andino.

Jamais colocaria a máxima de que a conspiração é o mote que guia a história, mas nunca existe história aonde não há conspiração. Obviamente que no Brasil os que conspiram sabem o pôr que de fazê-lo. O grande problema atual é que os mesmos que se serviram do banquete do crescimento econômico da era pseudo-esquerdista, a classe-média e média-alta, por falta de alfabetização política e caráter ao primeiro declínio de sua meteórica ascensão tenha se voltado ferozmente a quem lhe colocara como novo protagonista da história.

Facilmente podemos enxergar que nas últimas décadas a classe mediana do país passou a ter um enorme poder financeiro, claro que dentro desta margem de por mais que se creia rica é apenas classe -média em um ambiente de não-crise. Mas para tal se beneficiou do novo poder de compra artificial basado na bolha de crédito dada a casta baixa. Ou seja, a casta baixa subiu milímetros calculados pelos mandantes da pseudo-esquerda inclusiva e assim geraram um consumo que beneficiou diretamente as elites e respingou nesta burguesia hipócrita que atualmente protesta contra a corrupção com camisetas da CBF. A considerar que a classe-média brasileira sempre votou em corruptos e como seguiu preocupada com comer e não cair no fosso jamais protestou contra a corrupção endêmica no Brasil.

Após Lenín Moreno, do partido do governo, Movimento Alianza País, haver sido confirmado como vencedor do segundo turno realizado no Equador em 2 de abril e após o anúncio do Conselho Nacional Eleitoral(CNE) dos resultados oficiais da eleição houveram levantes da oposição acusando de fraudado o resultado. Algo semelhante ao ocorrido no Brasil após a releição da candidata neoliberal do Partido dos Trabalhadores. 

Um imenso problema das democracias modernas e seus aparelhos apoiantes, pero no mucho, a imprensa incorre no ato de sempre levantar suspeitas aos processos eleitorais quando estes não dão como resultado a vitória dos conservadores apoiados pelos oligopólios midiáticos. No Brasil o chamado PIG, Partido da Imprensa Golpista, usou de mesma retórica ao ponto objetivo de desgastar a continuidade do projeto petista. Embora suas práticas façam uma miscelânea entre políticas progressistas e neoliberais, parecem ser atualmente insuficientes para agradar a elite que se aproveitou do desgaste temporal de 4 mandatos petistas para criarem um ambiente de intercalação de forças políticas no poder.

Estruturalmente e sem partidarismos, ou numa visão do exterior sobres as políticas desenroladas pelo lulo-petismo, não existem sombras ou dúvidas em três pontos: a pobreza média no Brasil diminuiu, políticas liberais foram seguidas como modelo econômico continuísta aos governos do PSDB e pouco se evoluiu no paradigma de amplitude na escala do abismo social entre os mais ricos e os mais pobres.

O grande aspecto que diferenciou Correa de Lula em sua jornada foi que enquanto um se amasiou com as elites, outro as combateu. Os negócios de um país com apenas 2 produtos de exportação como o Equador, com tantos países, e com uma forte presença chinesa, embora sequer moeda própria existe no país andino é uma clara mostra de que quando se há vontade política uma nação pode se desenvolver fora do guarna-chuva do neoliberalismo.

A grande crítica feita desde a esquerda europeia feita ao continente americano é a grande inveja do velho continente. É que Rafael Correia usou sim um protecionismo e atos personalistas, embora sua forma de agir tenha resultado em um protagonismo do povo es este se há dado pelo processo claro de transição das matrizes produtivas de matérias primas e recursos naturais como o imposto compulsório de 1% do petróleo a áreas como a distribuição da riqueza e investimentos em educação.

Se a 63ª economia mundial com dois produtos de exportação pôde melhorar muitos índices de desenvolvimento de sua população, porque a 9ª economia mundial não logra o mesmo para mudar o modelo produtivo?

Podemos ainda nos alongar sobre a direitização da população, ou povo, como preferem alguns populistas em discursos inflamados. Mas o pendulo popular é cíclico. As elites empobrecem a classe média através de governos de direita, e a clase média recua ao centro pois está doutrinada a temer a esquerda real. Demagogos de centro-direita como Lula se aproveitam de tal momento social e chegam ao poder. Se auto-proclamam esquerdistas, ao mesmo tanto que seguem políticas neo-capitalistas para retribuir o apoio dado a eles por elites hipócritas, mas logo ao que esgotam-se no poder o perdem para setores direitistas, estes apoiados por uma empoderada e ambiciosa classe média tosca e carente de princípios morais históricamente.

Por concluir. Não existe população esquerdista na América do Sul. Existem setores conservadores que hora se utilizam de políticas de centro para melhorar seu nível de vida em um plano imediatista e que por falta de visão e ambição voltam a direita tentando dar o pulo do gato. Mas por serem miopes caem no salto no abismo mediocre da baixa-classe média. E voltam a beliscar de discursos um pouco mais ao centro, como o intuito de voltarem a ser "ricos" como acreditavam ser a pouco no processo anterior desta roda que beneficia sempre a casta alta.

quinta-feira, abril 27, 2017

Greve Geral: Sou um excluído dessa geringonça chamada capitalismo

Imaxe relacionadaNão sou coxinha, nem mortadela, por casualidade reivindico a esquerda real. Anti-imperialista, anti-neoliberal, anti-você. Não confundo trabalho com "ter emprego". Essa ótica frenética modernista, ou moderninha prefiro dizer, da mais-valia absoluta consiste na intensificação do ritmo de trabalho, através de uma série de controles impostos aos operários pela casta alta a seus vassalos.

Reclamar como ato institucional de luta não só é válido, como se faz necessário no mundo pós-estado-não-laico. Mas quem disse que o estado deixou de ser um Estado-Igreja, ou um Estado-liberal capitalista? O que questiono não é o direito de reclamar, mas sim o conteúdo das reivindicações. Pedem migalhas aqueles que lhes negam farelos. Isto não passa de uma greve instrumentalizada por sindicatos e a pseudo-esquerda.

Esta greve geral que se está a fazer é tão útil quanto os protestos pelos 20 centavos de 2013. Não gerarão nenhum tipo de mudanças estruturais e ainda como rebote criaram cenário fértil e favorável ao golpe de 2016. Pedir aumento? Porque não exigem participação nos lucros e de produtividade? Quando se protesta sem objetivos claros e atendendo ao chamado das CUT's e Força Sindical da vida, o trabalhadores se tornam massa de manobra. Cada sindicato de cada setor deve negociar só e isoladamente, esta seria uma luta real obreira. Um único sindicato a negociar de forma genérica, cria debilidade nas relações de trabalho e benefícios desuniformes e irrelevantes aos trabalhadores.

Quem acredita em sorte? Enquanto trabalhadores não abram os olhos e lutem de forma coerente, propositiva e eficaz... Nem que tivesse ganhado na Mega Sena... Sorte tem quem nasceu rico, bonito e famoso. O resto é luta! Não tenho "emprego", não sou assalariado, trabalho mais horas/dia que os escravos modernos, mas todavia almejo objetivos muito mais além do que os tais grevistas e aspirantes a revolucionários da vez. Protestos pelo fim da CLT são para mim um mero continuísmo desta engrenagem a la Tempos Modernos, aquele filminho do chatíssimo Charles Chaplin.

A Reforma Trabalhista na década de 40 foi a que criou a CLT, Consolidação das Leis Trabalhistas, impondo ao patronato certo respeito ao trabalho e ao seu factor, até então apenas continuísmo adaptado em suas relações senhorio-vassalo dos séculos escravocratas. O projeto de Temer, Meirelles e dos seus adquiridos na Câmara devasta 117 artigos da CLT. Devasta, pois, a CLT. Ninguém aqui busca defender o vampirinho do mal, mas afirmar que a reforma de Getúlio era obsoleta já à época.

Os capitalistas da casta alta, uma vez que pago o "salário de mercado" pelo uso da tua força de trabalho, podem lançar mão de duas estratégias para ampliar sua taxa de lucro: estender a duração da jornada de trabalho mantendo o salário merréquico - em uma mais-valia absoluta; ou ampliar a produtividade física do trabalho pela via da mecanização - a mais-valia relativa. 

É um erro perene reclamos por condições de trabalho, por si só, é um ato medíocre do "pouca farinha, meu pirão primeiro". Existe uma clara necessidade de resignificação da partilha dos bens que se produz em sociedade. Não é possível que a esta altura da dita evolução humana, o tal humanoide não tenha ainda se dado conta que com esta divisão de castas e controle absoluto de uma minoria além da desigualdade estão a gerar recessão.

Uma Renda Básica Universal é a única reivindicação e base de luta plausível para o avanço social coletivo, tanto de mais abastados quanto os ainda não. Vários países já propuseram medidas de Rendimento de Cidadania para sua população. O caso mais famoso aconteceu na Suíça em 2016, quando ocorreu um plebiscito para implementar uma renda de 2,5 mil francos suíços por adulto e 625 francos por pessoa. Um renda básica universal não é puramente económico. Para Linda Yueh, professora adjunta de Economia na London Business School, na Inglaterra, "a criação do salário mínimo foi uma tentativa de criar um nível básico de ingresso social". Como Émile Durkheim mostrou nas sociedades modernas, ser privado de trabalho é ser privado de relações com os outros, pelo que é um direito social.

O Governo finlandês planeja atribuir a cada um dos seus cidadãos 800 euros por mês como rendimento básico universal. De acordo a uma pesquisa encomendada pelo Instituto de Segurança Social finlandês, este que confirmou que a proposta de renda básica tem apoio de 69% do eleitorado. Segundo o primeiro-ministro finlandês Juha Sipilä : "O rendimento básico simplificará o sistema de segurança social".

E o brasuquinha médio que está a fazer? Birra, grevinha, protestosinho contra o golpe! Vocês estão a cair no grande golpe do neoliberalismo fazem décadas. Reclamar por migalhas a quem a muito lhes nega farelo. Desobediencia Civil já, tanto ao governo quanto aos burocratas que querem voltar a mamar nas tetas gordas e fartas do estado como o fizeram por anos.

Diametralmente, e retóricamente além dos 2 pontos anteriores o artigo promulga um menor fisiologismo, afirmando que o ato de greve nos moldes atuais está a pedir migalhas a quem não lhes dá sequer quirela de porco. salienta que como método de inclusão social é fracassado, históricamente. Não e em nenhum momento diz que o ato de greve seja ilegítimo, mas afirma argumentativamente que é ineficiente e ineficaz dentro e em contra do sistema capitalista neoliberal.

Extinguir a CUT e similares e que cada categoria tenho um sindicato municipal com poder de negociação, não creio ser algo meramente teórico, pois existe até na Argentina. Aonde um acordo não suprime outro e mesmo que se tenha um piso nacional, podem se ter pisos regionais superiores em todas as categorias. As paritárias docentes deste ano lá o comprovam minha "tese". Vários países europeus funcionam neste sistema a décadas, e não precisam de paralisações para este fim burguesinho de salário, lá as reivindicações vão além, muito além, incluso no quesito abordado no artigo que é participação nos lucros.

A Renda Básica Universal se aplicada fará com que o proletariado deixe de ser refém das leis de mercado, que favorecem sempre o empregador. Que por casualidade não é uma teoria. Já se aplicam em alguns países e já se discutem a implementação em outros tantos, em substituição aos auxílios de desocupação e desemprego.

Incertos seres podem aferir que "apesar de em parte deslegitimar a greve de hoje, o artigo defende o direito de greve e ataca a constante perda de direitos trabalhistas que vem ocorrendo sistematicamente desde 1994". Este seria o comentário mais acertado de um apoiante da greve geral de 28/04/2017. Mas será que num país binário, do 8 ou 80, alguém consegue chegar a este nível de clareza e análise?

Sou autônomo, independente, anti-sistema, anti-greve e anti-você ser manipulado e mesquinho. Claro, anti-você como pseudo-cidadão, massa de manobra do sistema. És um cooptado, servil a máquina, a geringonça do neo-capitalismo e não vez!

quinta-feira, abril 20, 2017

Papa desiste de visitar o Brasil, mas satanás confirma


Depois de o Papa Francisco haver se recusado a visitar o Brasil devido ao golpe parlamentar ocorrido no país, outra ilustre visita, sta sim confirmada se anunciou e pode ser a maior visita de uma sumidade neste ano a realizar visita oficial.

Membro da igreja Assembleia Renovada do Espírito de Deus está conclamando todos os brasileiros para o grande dia do arrependimento que será no dia 22 de abril, deste ano. De acordo com João Dionísio de Almeida, conhecido por suas profecias apocalípticas, o país chegou a um nível de hipocrisia muito elevado e diante das autoridades espirituais não há mais retorno para os brasileiros que receberão a visita de Satanás na terra, justamente no Brasil.

Dionísio ainda adianta que a grave crise econômica enfrentada pelo país se deve aos atos de pecaminosidade cometidos pelo Governo Federal autorizando casamentos entre pessoas do mesmo sexo.

Apoiadores de satanás

Para fazer oposição à Marcha Para Jesus, os participantes da Marcha Para Satanás prometem apoiar e incentivar os grupos LGBTs e todas as suas variáveis, protestar contra o modelo de família tradicional e também sugerir que os principais defensores do modelo atual de família - nomes como Jair Bolsonaro, Cunha, Malafaia e Feliciano - cometam suicídio.

O evento chamou a atenção e algumas capitais do país - como Porto Alegre, Rio de Janeiro e Maceió - também se organizam e se preparam para aderir ao movimento.

Os organizadores afirmam que o evento é real e alegam que as leis do país asseguram liberdade de expressão e liberdade religiosa, por isso têm o mesmo direito que os cristãos de expressar sua fé e suas crenças publicamente.

sexta-feira, abril 07, 2017

Tangente Econômica: A saída é pela esquerda?

Resultado de imaxes para tacher reagan
Como fazer políticas reformistas desde um estado, quando esse estado é subalterno ao neoliberalismo e a elite capitalista internacional, esta que se sobrepassa em poder a todos estados nacionais incluso as potências capitalistas do século 21?


Se as classes trabalhadoras como tal não existem como agentes sociais na atualidade. A crise da democracia representativa impossibilitam uma resolução, estes se lograrem algo, a verdade sabe-se que não chegarão a uma mudança institucional. A social democracia não permitem em suas bases pragmáticas econômicas e ideológicas uma reforma real. 

O ciclo político internacional de construção política deve se atualizar. A Terceira Internacional necessita se atualizar como estratégia de chegada ao poder. Nosso marco hoje não pode ser mais nacional e sim transnacional. Tacher e Reagan iniciaram um processo exitoso de liberalismo em contra as periferias e que lograram dar ainda mais controle econômico a elite econômica mundial. O ciclo do socialismo como ideologia no consciente coletivo se terminou, agora. 

Estamos saindo do pior, e essa é a hora de se instaurar um reformismo histórico, este somente possível por uma verdadeira esquerda. A solução para sair-se de uma crise de institucionalidade por via democrática não pode se dar com os parâmetros da social-democracia, nem pela centro direita, e isso já se comprovou na última década em Chile, Argentina, Brasil, Espanha, Portugal, México e França. 

Uma única e óbvia saída deste ecrã é a esquerda democrática, por meio de retomar-se o estado como agente motriz de modificação de paradigmas e inclusão social. O estado como agente regulador e reformista de emancipação e que impeça as grandes corporações transnacionais de sugarem e explorarem ainda mais o povo e os países periféricos.

Quando refletimos sobre os processos a que EUA e o Consenso de Washington impuseram nos países do sul da Europa e América Latina e que instauraram crises de várias ordens, o sucateamento e posterior espólio das estatais que se privatizaram, assim fazendo perder o controle de áreas estratégicas como energia, telecomunicações e transporte só podemos pensar que a liberalização dos mercados trouxe a título de uma modernização a bem da verdade um prejuízo bilionário para a economia destes países.

quarta-feira, janeiro 18, 2017

Líder nazista teria terminado seus dias em Santa Catarina


Resultado de imaxes para hitler argentinaO antigo espião Bob Baer e Tim Kennedy, um sargento das forças especiais americanas que esteve envolvido nas investigações ao paradeiro de Bin Laden, entre outras, reviram mais de 12 mil documentos de agências de informação um pouco de todo o mundo que entretanto foram tornados públicos e assim pode concluir que a fabula sobre o paradeiro d líder nazista realmente tenha sido o sul brasileiro.

A História regista que Adolf Hitler se suicidou no seu bunker a 30 de abril de 1945 e o corpo foi depois queimado. Mas a falta de um cadáver logo deu azo a teorias afirmando que o ditador nazi tinha simulado a própria morte e escapado. Agora, um ex-agente da CIA e um especialista forense dizem ter provas de que tal pode mesmo ter acontecido. Os argumentos são revelados na nova temporada do documentário Hunting Hitler, do Canal History.

Entre eles, consta um telegrama do serviço de informações britânico afirmando que Hitler saiu de Berlim num avião da Luftwaffe pilotado pelo comandante Peter Baumgart no dia 29 de abril de 1945. Os dois investigadores encontraram ainda uma suposta saída do bunker até agora desconhecida que, afirmam, poderia ter sido utilizada pelo fuhrer para fugir. Segundo o documentário, o referido comandante Baumgart surge num outro documento como tendo voado numa "missão secreta" num Messerchmitt.

Mas o fato de Adolf ter terminado seus dias próxima a cordilheira dos Andes já era dado por muitos historiadores como certo. Doravante e novo é o fato revelado que aproveitando-se do fluxo constante nos veraneios de argentinos no balneário de Florianópolis e o câmbio favorável da época, Hitler e a esposa Eva Braun teriam comprado uma casa no bairro de Canasvieiras e lá vivido seus últimos dias. O líder fascista teria sido nos meados dos anos 60 um dos idealizadores de um movimento separatista do sul que anos depois viria a inspirar o atual "O Sul é o Meu País", que visa desanexar Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul e formar um novo país.

A teoria assim construída concretiza que Hitler voou até à Dinamarca, ainda ocupada, tendo aí mudado de avião para rumar à Argentina. Baer e Kennedy encontram uma fotografia que lhes é apresentada como sendo do líder nazi. No curso da investigação, segundo o jornal britânico Daily Express, são também encontradas provas que apontam para a existência de uma descendente do líder da força aérea nazi Hermann Goering ainda viva, em Misiones, na Argentina. A mulher, identificada como Adela Goering, é supostamente a bisneta do chefe da Luftwaffe.

Em 1945, o que seriam os restos mortais de Hitler -- incluindo um maxilar inferior cujo tratamento dentário foi identificado como pertencendo ao ditador -- foram levados para Moscou, onde ainda estarão, em parte incerta. Portanto tais relatos e estudos afirmariam que Hitler teria seu óbito verdadeiro aos 72 anos no sul do Brasil, após mudanças após o fim do primeiro governo de Perón no ano de 1955, ao Paraguay sendo acobertado pela ditadura de Stroessner e logo de desavenças com o líder do país guarani retornaria a patagônia argentina e derradeiramente migraria ao Brasil aonde uma dura ditadura cívico-militar de ultra direita estaria já no poder desde 31 de Março de 1964.

sábado, maio 28, 2016

Atualidades lusitanas, tanto mar.

O além mar hoje nos parece muito distante, mesmo ao passo da evolução tecnológica. Fato, ou facto, é que ao deixarmos de ser parte do reino de Portugal, os laços forçados que perduraram, ficaram cada vez menos explícitos.

Ir a Portugal é hoje quase o mesmo que um português descobrir as Índias ou as Américas. Tanto é que os lusos mesmo ao assistirem farta programação em suas emissoras produzidas por cá... destas apenas se tem como única fonte para a realidade de sua ex-colonia.

Se muitas vezes os que no Brasil estão não conseguem se enxergar na telinha, quem dirá um português conseguirá ver ou perceber, como lá se diz algo sobre o tal país tropical.

Bem, devaneios a parte. A pulsante atual política portuguesa passa ao largo dos noticiários brasileiros e vice-versa.

Mas a influência de veras de um para o outro perdeu significado na mente popular.

A falta de ditaduras ao molde dos anos da guerra fria, hoje nada mais faz o mundo sentir-se pequeno, ou se dividir. Nada mais somos que hoje cidadães do mundo. Assim, não damos mais tanto importância as origens, ao idioma, ao laço histórico.

Queria mesmo que além da poesia que nos resta, da língua comum que nos resta... Tivéssemos mais, tivéssemos cais... Um atracadouro vindouro entre ambos, em constante e não tão aparcada relação.


terça-feira, outubro 07, 2014

Ainda somos coxinhas e vivemos como os nossos avôs!

Fernando Schweitzer - Diretor Teatral e Jornalista


Ainda somos os mesmos e vivemos como nossos avôs. O estado paternalista e impositor, conservador, racista, homófobo, e dentre tantos outros adjetivos que poeriam caber nesta oração segue símil ao estado ditatorial da Era Vargas ou da política Café com Leite. Mudam-se os coronéis, mas não mudam-se os bezzeros.

Era uma ironia suave aos que vem no governo atual(que é neoliberal) algo que ver com Cuba. Óbvio que o crime de um não ameniza o do outro. Os cubanos que fogem a Cuba, são do mesmo naipe dos Brasileiros que hoje fogem para os USA, com a diferença única que os brasileiros se fossem menos americanizados poderiam ir a 197 países do mundo... Pois tem dinheiro e condições para isto. Enquanto o povo cubano empobrecido por um boicote de 60 anos, mais uma ditadura nefasta(tanto quando a ditadura brasileira, que matou e empobreceu o país... que logo ao seu fim viu mesmo na pseudo democracia do bipartidarismo na era Sarney suas prateleiras de mercado vazias e inflação de 120% ao mês).

O cubano foge para os Estados Unidos por proximidade geográfica, o brasileiro por alienação da outra ponta do iceberg do mal. Cri,ticar Cuba sem criticar os norte-americanos é inconcebível. Mas para o bucéfalo cidadão padrão fifa, temos hoje um governo esquerdista. Que piada! Mas estes são os mesmos que confundem: social democracia, com comunismo, ou socialismo ou qualquer coisa que não seja neoliberal e pró Estados Unidos.

E eu queria ver uma comissão da verdade contra os crimes de lesa humanidade cometidos pelos norte americanos em todo o mundo, mas principalmente: Japão, Vietnam, Brasil, Argentina, Chile, México(até hoje), Ecuador, Afeganistão, Iraque, Síria, Argélia, Panamá, Nicarágua, Puerto Rico(que hoje ainda em 2014 é uma colonia dos Estados Unidos). Respeito qualquer orientação, seja política, sionista ou sexual, mas desde que não se ignorem certo fatos. Tanto o amiguinho do Dilmão(Fidel), quanto os do Aécio mataram, pois depois da ditadura argentina a que mais matou fora a ditadura militar brasileira(na média ano/morte). Mas a ditadura brasileira duraria 20 anos, contra 6 da ditadura argentina... Para pensar e fazer a conta. 

O MUNDO NÃO PODE SER APENAS ESSA MEDÍOCRE BIPOLARIDADE. Ou Cuba ou Estados Unidos, ou comunismo ou capitalismo, ou PT ou PSDB... E a luta contra a ditadura no Brasil não acabou até hoje, pois grandes interventores do governo cívico-militar hoje estão nos dois lados que se dizem tão diferentes. Sarney que fora da Arena, apoiou o vovô do Aécinho na eleição indireta de 84, pois nossos milicos queridos achavam que o povo não estava preparado para votar... Talvez meu único ponto convergente com estes genocidas. 

Agora temos ao lado da dita esquerda: Collor, Maluf, Sarney, entre tantos que apoiaram e participaram da ditadura coligados ao PT; e de outro lado temos o tal diferente que é mais reacionário e que esteve contra os direitos civis em toda nossa história com Aécio, partidos como Democratas, que mudou de nome tantas vezes por ser mais sujo seu passado que pau de galinheiro. Hoje democratas, ontem PFL, ante ontem Arena... 

Muito me admira um país tão grande, multicultural, auto-suficiente energeticamente, etc, etc, etc... Ter falido tantas vezes... Ter quebrado 3 vezes só no governo FHC, que tinha seu vice o PMDB, que hoje é vice do PT, querer dizer-se a salvação., ou pior que irá mudar a política geo-econômica do país. O PT quando chega ao poder só fez dar continuidade a política de seu antecessor, tanto que manteve Armínio Fraga anos ainda a frente do Banco Central. Quero que me mostrem em que diferem PT e PSDB, além do endereço dos contra-cheques! Por obséquio!

Transgenizando a célebre canção de Belchior poetizarei: Ainda somos coxinhas e vivemos como os nossos avôs!

domingo, agosto 17, 2014

Enterramos a terceira via? O medo venceu a esperança!

Fernando Schweitzer - Jornalista e Diretor Teatral


Deve ser o tempo... O clima... A idade... Ou até mesmo o excesso de tempo longe da televisão, que estão a fazer-me duro, impoluto e diriam muitas carpideiras: "insensível".

Crívelmente não tenho me comovido com imagens e vídeos compartilhados no Facebook. Quer ver me deixar desestimulado é um vídeo com o título de: "Realmente Comovente", compartilhado na linha do tempo ou retwittado. Não sou cristão mas por sócio-cultura impositiva grito por Deus. Ou seria deus, como adjectivo?

Estamos no momento recebendo uma avalanche de informações inúteis e repetidas, por e-mail, por celular, por redes sociais e consequentemente por vias de facto. Será a tecnologia vilã da sócio-cultura ou o reverso? Tarde de mais! Hoje são o mesmo significado e significante. O povo perdeu o brio e sua antes natural vontade de vencer na vida, e por conseguinte se desistiu do Brasil.

Perdemos a curiosidade infantil. Felizmente. Toda criança é chata e sem critérios. Um ser cheio de angústias e buscando desbravar o novo. Tolas criaturas... Como se existira algo novo... Nesta incorruptâncial e marasmática actualidade. Clamemos aos... Não clamemos a nada. Conforme-mo-nos com nossa substantiva incapacidade de sermos únicos, indivíduos. Comemorardes sua pasteurização lactal!

Deparo-me neste plácido domingo de conciliação nacional com pessoas que me dizem em rompantes gritos que buscam o novo. Mas irão votar nos tucanos que desgovernaram por 8 anos o Brasil e a décadas São Paulo. Território este que controla 5% do PIB do continente, e ainda assim é o maior disparate social e a maior escada de extremos em renda per capita do Brasil.

Enquanto que muitos fingem ter no defunto socialista o enterro de uma esperança e renovação política, estes mesmo baluartes de velhas praticas nada mais querem capitalizar suas campanhas para manutenção do status quo que impera neste rincão isolado culturalmente de seus vizinhos do continente Sul-americano. 

A questão neste instante aonde o honrado, mas jamais representante de uma real terceira via, é sepultado é: Realmente existe esquerda no actual Brasil. Se pragmaticamente se afirma que a terceira via é uma proposta entre a direita neoliberal e conservadora e a esquerda extremada ou socialismo, comete-se um vergonhoso e ignóbil erro académico e histórico no Brasil. A terceira via, camuflada e auto-proclamada como "a esquerda" está no poder desde 2002. Esta mesma que difere-se da direita que tenta disfarçar-se de centro, vide PSDB, ainda apoiada por mecenas do conservadorismo como o DEM; que em seus quadros ainda possui ex-membros da ditadura.

Comungando... Se viemos de um governo de direitas, não de direitos... Passamos por um governo de centro-direita, que se dizia esquerda... Piamente conjuro que a terceira via real no Brasil seja um discurso de ultra esquerda, para se ter como resultante um governo de centro-esquerda-democrática e plural, mais próximo de um estado laico e igualitário.

Enterramos a terceira via? Sim!!! Pois ela já esteve no poder e se desgastou na incompetência e escândalos de corrupção. Deixando claro o conceito de terceira via é o de se ter uma postura que mescle a política social socialista com uma interacção e o livre mercado nos preceitos liberalistas.




terça-feira, janeiro 14, 2014

Que tal um "rolezinho" cultural?

Fernando Schweitzer - Diretor Teatral e Jornalista


A conta-cultura hoje qual é? Porque o termo sugere uma duplicidade a qual atualmente nem a população refil e descartantemente descartável alcançaria compreender. 

Campanha da marca Benetton que usou elementos
 considerados da contra-cultura
Vejo que o isolamento mútuo entre os países da América Latina se deva muito mais a americanização do continente, que consome por status qualquer porcaria proveniente das terras do Tio Sam e recusa tudo que
não seja americano. Como se um produto que não venha do Império do Norte não tenha a possibilidade de ser algo bom. 

Essa cultura ignóbil que principalmente teve força nos anos noventa por aqui, quando se ligava em uma rádio e não se escutava nada mais que o inglês. Salve as AMs que tocavam o que na época se rotulava brega e hoje é repertório de DJs em festas cults e trashs. Por nosso continente um adolescente, e não apenas eles, sabem mais do país de Obama, que sobre os países limítrofes. O Brasil é absurdamente ignorante quanto a cultura de seus países vizinhos.

Quem é normal hoje em dia? Ataques públicos de insanidade é o que hoje mais se vê, com pessoas fugindo de pedágio pela contra mão, partidos ditos de esquerda fazendo governos de direita, enfim. Os assuntos das conversas de bar na atualidade giram apenas em torno de quem trepou com quem. Seja na novelinha ou nos reality's.

Passando-se o Oba-Oba do réveillon, das frases puritanas, cristãs e de auto ajuda no facebook, além do desejo surrealista de que a passagem de ano no calendário seria como um mágico arco-íris ao qual passando por baixo se mudaria de sexo ou ao achar o seu início encontrarias um pote de ouro, racionalizemos "Oh, animais racionais do planeta!".

Assistindo uma entrevista de Elis Regina na TV Cultura, e ela com um impensável cigarro em mãos, descalça em uma poltrona faz refletir, além do conteúdo de sua angústia esbravejada em frases contundentes... Pausa. O politicamente correto da atualidade não nos permite. O que? Nada!

O tão revolucionista e intelectual Roda-Viva, também da TV Cultura, hoje faz um jornalismo coxinha. A décadas parecia um pub irlandês separatista envolto num breu ocasionado pelos cigarros e tragos de seus boêmios entrevistadores. Viver hoje está muito comercial de margarina Becel. O Maluco Beleza de hoje seria qualquer um que fale frases inéditas, que não seja um disco riscada da norma e do status quo acefalizante. 

E pensar que o careta de outrora hoje é revolucionário, ou ao menos menos cabaço que os jovens talentos atuais, ou diria separado "ta-lento". RPM hoje não significaria "Revoluções por Minuto", se traduziria "Roupa pra Mauricinho" ou "Rezando pelos Maricas". A segunda seria uma banda psy-rocker-evangélico-batista. A primeira um grupo de Axé-funk propagada pela galera dos "rolezinhos".

Hoje seria possível algum movimento real como o que teve seu auge na década de 1960, quando teve lugar um estilo de mobilização e contestação social e utilizando novos meios de comunicação em massa? Além de pancadarias nos estádios padrão Fifa.

É fato que precisamos mudar. Mas como? Eliminando o ócio intelectual e o marasmos a improdutividade encefálica. Basta proibir futebol e carnaval por uma década.

Jovens inovando estilos, voltando-se mais para o anti-social aos olhos das famílias mais conservadoras, com um espírito mais libertário... Não marginal, promíscuo e libertinoso, como os que hoje desrespeitam o próximo, ou a cidadania e humanidade.

Resumindo. Algo inédito, ou não, como uma verdadeira nova cultura. Seja nominada, rotulada como underground, cultura alternativa ou cultura marginal, focada principalmente nas transformações da consciência, dos valores e do comportamento, na busca de outros espaços e novos canais de expressão para o indivíduo.

Ma será que nesta sociedade atual e pasteurizada há espaço para se ser INDIVÍDUO? Será que... A vida é uma loucura travestida de normalidade e hipocrisia.


segunda-feira, outubro 07, 2013

É o que tem pra hoje!

Fernando Schweitzer - Diretor Teatral e Jornalista


Dualidade bi-polar. Esse é o trilho da nossa sociedade atual. O maniqueísmo é um fato, e mais, fator limítrofe para a construção da diversidade. Depois de anos havia uma esperança de termos outra vez, uma nova peleja de titãs de várias tendências e faces, no morno debate político do cenário brasileiro das últimas duas décadas.

O inesquecível debate presidenciável comandado por Marília Gabriela na Bandeirantes, em 1989, poderia se reeditar de forma moderna e atualizado. E como disse Leonel de Moura Brizola aos gritos, sem corte e sem pudores a imprensa e ao candidato, que lhe atacara "vocês engordaram com a ditadura. Malufistas! Filhotes da ditadura! Vendidos e filhotes da ditadura.".

Hoje talvez não tenhamos um Brizola, mas eu sonho que com a desistência temporário de Marina Silva, Heloísa Helena e o PSOL reconsiderem suas posições e entrem na campanha como a única possibilidade real de esquerda no país. Pois do contrário teremos uma campanha presidencial híbrida e sem pré e nem sal.

Se tivemos em 1989 uma poluição sonora e multifacética no debate, pelo excesso de candidatos, agora temos uma disputa pasteurizada. O fascista de ultra direita José Serra perde força interna no PSDB, que quer esquecer também FHC. Aécinho inexpressivo tenta ser a cara limpa de uma direita que vai para o centro, mas que em 89 era um centro que ao chegar ao poder se tornou direita, tanto na presidencia quando nos governos paulista e país afora.

Eu não sou mais um cordeirinho, e não me chamo Enéas (Carneiro), desdenhado por muitos mas que catalizou ano pós ano um rebanho de fiéis revoltos com a política nacional e se tornou anos depois o deputado mais votado da história o país. Outras figuras ainda vivas outras, que eraM muito vivas estavam lá dando o nome.

Uma multidão esquecida

Leonel Brizola (PDT, único partido brasuca filiado a Internacional Socialista, o primeiro a sair do governo Lula mas hoje com o Ministério do Trabalho),  Mário Covas (PSDB, que mudou a constituição e criou a reeleição para Fernando Henrique e que serviu para Lulinha Paz e Amor e agora pra Dilmão), Paulo Maluf (PDS e atual PP. O ainda deputado "muitas vezes processado, mas nunca condenado") , Afid Domingos (PL, partido que foi o vice de Lula, depois PR e agora ninguém lembra o que), Ulisses Guimarães (PMDB, que seque em cima do muro e hoje no mudo da vice presidencia), Aureliano Chaves (Arena-PFL-DEM... O futuro a Deus pertence), entre figuras menos relevantes.

Maluf e Brizola - Debate Presidencial de 1989
Ganhou a zebra Fernando Collor, contra o ainda despreparado para agradar o povo conservador, pudico e despolitizado brasileirinho, Lula. Um coligado e de um partido que ninguém sabe até hoje o que significam PRN, PSC, PTR, PST. Outro emblematicamente com apoios que uns seguirão Dilmão e outros que... (PT, PSB, PCdoB).

A bi-polaridade tupiniquins

Aí começamos o Brasil bi-polar. Na época, apenas no 2º turno e nas ultimas décadas já desde o 1º. Nos últimos embates tivemos sempre o chato e desnecessário 1º turno concebido como circo para a disputa polarizada pelos meios de comunicação pelegos entre PT e PSDB. Estes que por razões distintas e parecidas, voltamos a bi-polaridade, fizeram governos mesquinhos e iguais. Com a mesmo política macro e "mico-econômica".

E hoje? Marina, a promessa de pimenta no angu dos outros se filia ao PSB, que era candidato a vice em 89 de Lula e hoje tem o ex-aliado Eduardo Campos do Agreste, como possível presidenciável. Mostrando que nem tudo que cai na Rede é peixe. Serra, se não morrer de desgosto será esmagado por Aécio Neves na convenção, se é que existirão internas no PSDB. Dilma se não se mexer será substituída por Lula. E... É o que tem pra hoje! E quanto a temas que têm aceitação no PSB, como a união entre homossexuais e a legalização do aborto, mas enfrentam resistência pessoal por parte de Marina, será que serão e como resolvidas? 

O debate político-ideológico cada vez mais raso no Brasil, vai perfilando o país cada vez mais, se assemelhando ao Império do Norte. Tal qual o americano comum, que não sabe a diferença exata entre republicanos e democratas. Entre Bush e Obama. Entre Iraque e Afeganistão. Entre Brasília e Buenos Aires. O Brasileiro graças ao PT que virou a casaca e hoje de esquerda male-mal tem o passado, e o PSDB que male-mal quer lembrar o seu passado, está em um dilema unitário. Temos no país alguém capaz de dizer se ainda existe aqui abaixo a linha do equador direita ou esquerda?