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segunda-feira, julho 02, 2018

A angústia nossa de cada Copa, ou de cada dia

Copas, protestos, frio... Angústia! É impossível crer que o país acordou. Pois não acordou. Em meio ao escândalo das obras superfaturadas para construir estádios pensando somente na maldita Copa do Mundo, o país esquece que um evento como esse historicamente e somente se torna interessante quando trás investimentos externos para o país e não ao contrário. Mas em um país onde há um programa chamado Malhação e ninguém malha, tudo é possível.

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Sempre disse que se um dia fora presidente deste Brasil varonil, o meu AI-6 seria proibir o futebol e o carnaval no país. Esses dois patrimônios intocáveis, inquestionáveis. Falar que não gosta de futebol e carnaval é crime hediondo no país da cura gay, onde ser racista é crime, mas ser homofóbico não. A mesma nação onde turistas europeus, digo jogadores, fazem turismo sexual. Principalmente em épocas de copas e carnaval.


Sem embargo, temos na pauta do dia de antes de ontem, e antes de antes de antes de ontem as malditas manifestações que os próprios manifestantes não sabem sobre o quê reclamar. E neste país do machismo e do macho que sai com homens e travestis no sigilo, na encolha. Os famosos Discreto Casado, ou Macho Sigilo dos chats. Vivemos um protesto de caminhoneiros que promete desabastecer o país, em meio a uma crise inflacionária de alimentos sem precedentes nas últimas décadas.

Isso tudo porque a malha ferroviária brasuca vem sendo desde a década de 1980 (oficialmente) sucateada. Perdemos a nossa ligação férrea São Paulo – La Paz, via Pantanal a fins da década de 80, a linda e estonteante trilha do trem de Prata que durante 40 anos ligou Rio e São Paulo. Até 1991, como empresa pública, e retomada entre 1994 e 1998 com parceria da iniciativa privada.

Criada em 1957 mediante autorização da Lei nº 3.115, de 16 de março de 1957, e dissolvida de acordo com o estabelecido no Decreto nº 3.277, de 7 de dezembro de 19991 , alterado pelo Decreto nº 4.109, de 30 de janeiro de 2002, pelo Decreto nº 4.839, de 12 de setembro de 2003, e pelo Decreto nº 5.103, de 11 de junho de 2004, reunia 18 ferrovias regionais, e tinha como intuito promover e gerir o desenvolvimento no setor de transportes ferroviários. Seus serviços estenderam-se por 40 anos antes de sua desestatização, promovida pelo então presidente Fernando Henrique Cardoso, operando em quatro das cinco regiões brasileiras, em 19 unidades da federação.

Com passagens de ônibus de larga distância a preços de transatlântico transporte de cargas somente por rodovias esburacadas, o Brasil com tamanho continental cada vez mais se desintegra, em meio a meios de comunicação cada vez mais centralistas. Tomam força cada vez mais os bairrismos e ideais separatistas como o movimento fascista “O Sul é o Meu País” e o surgimento do Partido Militar. Oi?

Será mesmo que o Brasil ganhou do México? La eles acabaram ontem de eleger López Obrador do MORENA, aqui temos Temer. Será alguém que esteve nas manifestações alguém lembrou de pedir redução das passagens interestaduais de ônibus? Algo mais contundente? Faltaram propostas em verdade, faltaram idéias, faltaram os que saibam um pouco da história do país. Um país sem passado não tem futuro.

Ver hoje estampado em sites jornais e na TV os semianalfabetos milionários do futebol penta-penta, nos faz pensar quando o país ganhará novamente um prêmio de melhor filme em Cannes ao invés de mais uma Copa do Mundo, uma olimpíada de matemática, um Nobel de literatura. A ignorância venceu o saber. Brasil um pais de todos, onde todos são analfabetos funcionais, políticos e morais. E ainda teremos um plebiscito para reforma política. Manobra politiqueira que pode piorar a realidade do sistema eleitoral parlamentarista brasileiro. País que... Chega! 

Deu para ti, vou viver na Republica dos Pampas. Vontade de fazer o trajeto São Paulo-Corumbá e cruzar a fronteira seca e seguir pelo Trem da Morte, até Santa Cruz de la Sierra. O drama é que o trecho brasileiro hoje só funciona para cargas. Mas como o povo é tratado como gado talvez eu chegue à fronteira num vagão de carga e siga numa cama do serviço Pulmann, pois o trecho boliviano ainda funciona. Se você conseguir chegar a Puerto Suarez, poderás comprar sua passagem por cerca de B$ 300,00 bolívares, aqui eis o site da empresa Empresa de Ferroviaria Andina 

quarta-feira, maio 07, 2014

Esperamos momentos de amor nesta Copa, não de violência

Fernando Schweitzer - Diretor Teatral e Jornalista

Desde os primórdios do Sincerando venho repetindo frases, jargões... Todos inéditos e de minha própria autoria. Mas hoje é dado o momento de se reinventar... De se reinventar o país. Ano de Copa. Preferiria que fora um ano de cozinha, ou melhor, de comida na panela do povo, Preferiria que fora um ano de quarto, ou mais bem, de que nossos cidadãos pagadores das maiores taxas e impostas não devolutos em investimentos no mundo, segundo matéria recente do francês Le Monde, pudessem dormir tranquilos.

Um ano de escolas e da extirpação deste câncer que limita o acesso do povo a educação e ao conhecimento, chamado vestibular. Porque não um ano de civilidade? 

Hoje se tem como dada certeira uma posição sociológica, como consenso das pessoas ditas civilizadas, Ditaduras são um mal. Já houveram vários de fundos e ideologias múltiplas: ditadura da burguesia, militares, nazistas, comunistas, neoliberais... Mas uma ditadura pode ser mais ou menos inflexível? E uma democracia?
Esperamos momentos de amor nesta Copa, não de violência

Hoje sim temos uma ditadura. A ditadura da superficialidade, do status quo, do comodismo, do pre-establechment. É feio criticar, é feio refletir, mas nunca será mal visto ser acrítico. Isto é uma fatalidade natural.

Natural? Ser apolítico é natural, a sociedade assim nos fez, a nossa deseducação assim nos impôs. Ser hétero é normal também, desde o ventre a mamãe racista, machista e neoliberal nos domesticou, a título de preparar-nos para a sociedade.

Em países de outras culturas em que vivi, após aqui, me surpreenderam em uma festa de aniversário. Um ser falou algo sobre política. Alguém puxou uma cadeira e trouxe um vinho. Outra cadeira se arrastou... Se fora aqui escutaríamos a clássica: Vamos falar de coisas boas!!!

Vamos lançar uma nova rash-tag: #somostodoscabaços.

O amor depois do amor


Depois de tempestades pessoais, intelectuais, hermenêuticas e físicas, trataremos de dar uma nova fase ao conteúdo de nosso portal.

Esta sema começaremos a publicar matérias e artigos desconexos para deleite de nosso rivais, algozes e detratores.

Como esta canção conhecidíssima no universo, exceto no Brazil, teremos aqui uma alternativa a acefalante Copa do Mundo no Brasil.


Sejam Bem Vindos a uma nova era! Ao amor depois do amor!

terça-feira, janeiro 14, 2014

Que tal um "rolezinho" cultural?

Fernando Schweitzer - Diretor Teatral e Jornalista


A conta-cultura hoje qual é? Porque o termo sugere uma duplicidade a qual atualmente nem a população refil e descartantemente descartável alcançaria compreender. 

Campanha da marca Benetton que usou elementos
 considerados da contra-cultura
Vejo que o isolamento mútuo entre os países da América Latina se deva muito mais a americanização do continente, que consome por status qualquer porcaria proveniente das terras do Tio Sam e recusa tudo que
não seja americano. Como se um produto que não venha do Império do Norte não tenha a possibilidade de ser algo bom. 

Essa cultura ignóbil que principalmente teve força nos anos noventa por aqui, quando se ligava em uma rádio e não se escutava nada mais que o inglês. Salve as AMs que tocavam o que na época se rotulava brega e hoje é repertório de DJs em festas cults e trashs. Por nosso continente um adolescente, e não apenas eles, sabem mais do país de Obama, que sobre os países limítrofes. O Brasil é absurdamente ignorante quanto a cultura de seus países vizinhos.

Quem é normal hoje em dia? Ataques públicos de insanidade é o que hoje mais se vê, com pessoas fugindo de pedágio pela contra mão, partidos ditos de esquerda fazendo governos de direita, enfim. Os assuntos das conversas de bar na atualidade giram apenas em torno de quem trepou com quem. Seja na novelinha ou nos reality's.

Passando-se o Oba-Oba do réveillon, das frases puritanas, cristãs e de auto ajuda no facebook, além do desejo surrealista de que a passagem de ano no calendário seria como um mágico arco-íris ao qual passando por baixo se mudaria de sexo ou ao achar o seu início encontrarias um pote de ouro, racionalizemos "Oh, animais racionais do planeta!".

Assistindo uma entrevista de Elis Regina na TV Cultura, e ela com um impensável cigarro em mãos, descalça em uma poltrona faz refletir, além do conteúdo de sua angústia esbravejada em frases contundentes... Pausa. O politicamente correto da atualidade não nos permite. O que? Nada!

O tão revolucionista e intelectual Roda-Viva, também da TV Cultura, hoje faz um jornalismo coxinha. A décadas parecia um pub irlandês separatista envolto num breu ocasionado pelos cigarros e tragos de seus boêmios entrevistadores. Viver hoje está muito comercial de margarina Becel. O Maluco Beleza de hoje seria qualquer um que fale frases inéditas, que não seja um disco riscada da norma e do status quo acefalizante. 

E pensar que o careta de outrora hoje é revolucionário, ou ao menos menos cabaço que os jovens talentos atuais, ou diria separado "ta-lento". RPM hoje não significaria "Revoluções por Minuto", se traduziria "Roupa pra Mauricinho" ou "Rezando pelos Maricas". A segunda seria uma banda psy-rocker-evangélico-batista. A primeira um grupo de Axé-funk propagada pela galera dos "rolezinhos".

Hoje seria possível algum movimento real como o que teve seu auge na década de 1960, quando teve lugar um estilo de mobilização e contestação social e utilizando novos meios de comunicação em massa? Além de pancadarias nos estádios padrão Fifa.

É fato que precisamos mudar. Mas como? Eliminando o ócio intelectual e o marasmos a improdutividade encefálica. Basta proibir futebol e carnaval por uma década.

Jovens inovando estilos, voltando-se mais para o anti-social aos olhos das famílias mais conservadoras, com um espírito mais libertário... Não marginal, promíscuo e libertinoso, como os que hoje desrespeitam o próximo, ou a cidadania e humanidade.

Resumindo. Algo inédito, ou não, como uma verdadeira nova cultura. Seja nominada, rotulada como underground, cultura alternativa ou cultura marginal, focada principalmente nas transformações da consciência, dos valores e do comportamento, na busca de outros espaços e novos canais de expressão para o indivíduo.

Ma será que nesta sociedade atual e pasteurizada há espaço para se ser INDIVÍDUO? Será que... A vida é uma loucura travestida de normalidade e hipocrisia.


terça-feira, novembro 19, 2013

Parece cocaína!

Fernando Schweitzer - Diretor Teatral e Jornalista


Se a Copa é o único de bom que se pode fazer pelo país, imagina o resto... Odeio esse esporte que é arma de manipulação e alienação. Quando for presidente proibirei futebol e carnaval por 5 anos. Para que talvez assim as pessoas passem a ocupar seu tempo com coisas úteis e que estimulem seu crescimento espiritual. 

Já diriam os reaças de plantão: "Quando houver uma direita no Brasil...". Surgir uma direita no Brasil? - perguntar-me-ia. Isso é pura política de direita. Como Rafael Videla na Argentina bem o provou. Usando o futebol para anestesiar o povo e tentar disfarçar interna e externamente seu regime ditatorial. Com apoio da Fifa, que é bem conservadora e de direita.

Bem, aqui tudo foi deixado de lado pelo (lazer). Mas o lazer pode ser mil coisas: arte, cultura, música, esportes variados(proibindo o futebol)... É só uma idéia diferente de tudo que já se fez aqui. Mudar as vezes é preciso. Pense nisso como um drogado dependente que vai para uma clínica de reabilitação. Sem drogas pode ter a oportunidade de se recuperar. O brasileiro sem futebol, talvez consiga evoluir a um estado mais próximo de um ser humano racional e critico.

Já está esbravejando e me xingando! Que coisa feia. Sério? Como se alguém fosse morrer sem futebol e carnaval... É uma sócio cultura de adestramento social. Até um animal de circo pode voltar a ser livre, basta lhe tirar as correntes.

Não. Tente abrir sua mente. Por uma cultura de paz... Darei um exemplo. Você vai a um médico. Ele te receita um remédio e você mesmo sabendo que ele está certo, perde tempo discutindo? Já dei o remédio, agora cabe aos demais tomá-lo ou continuarem enfermos.

Tente ver além do horizonte. Pois, use sua boa conexão e assista filmes de Xavier Dolan, descubra a obra discográfica de Mercedes Sosa, e por fim veja vídeos do "Club de la Comedia" da Espanha para descobrir que existe como fazer humor sem apelação... Te farão muito bem.

In-Cultura... Vivemos numa incultura impositiva, nada plural e muito longe de ser laica. Cheia de fanátismos. Mas por hora vou destrinchar apenas esse. Cultura entendo como algo que eleve a alma, estimule o raciocínio e sirva para avançar na vida. Infelizmente ainda temos professores ganhando salários por vezes menor ao de jogadores de time da terceira divisão.

Essa dita manifestação de um povo, deve acabar. Talvez o tenha sido em seu surgimento. Mas a cultura de um povo pode evoluir... A menos de 100 anos no Brasil se cagava no mato mesmo se sendo um senhor de senzala... Hoje até pobre tem bacio para cagar... Se algum dia o futebol foi manifestação popular hoje e a muito tempo se tornou o ópio do povo.

Respeitar por respeitar, cultura por cultura... Também a pouco era "cultura no Brasil" não se usar cinto de segurança, e o povo só aprendeu a força, como em um país neoliberal, quando lhes aferiu no bolso. Tudo pode ser mudado em prol de um bem maior. E se salvar um país perdido e tirado no lixo da superficialidade e ignorância, alienação e comodismo é desrespeitar... Quero saber quando fui respeitado neste país? Não me venha com chorumelas.

A Copa do Mundo é o circo, o bolsa família é o pão, e eis que a mentalidade sociopática coletiva regressa a Roma de Nero, ou mais para atrás. Porque Nero ateou fogo a Roma? Dizem as más línguas que para refazer Roma, e criar-lhe um novo projeto arquitetônico.

O carnaval foi criado em Veneza, o futebol na Inglaterra. O que essa imposição histórica das elites para tapar o sol com a peneira tem de legítimo e popular? Não façam-me rir. Hoje como resultante deste processo meus queridos, apenas temos um povo que se conforma em ser feliz por 90 minutos(mais felizes são os jogadores a posteriori nos vestiários), ou com uma festa de 4 dias para apagar um ano de miséria. 

Com o dinheiro público que vai para o carnaval se pode patrocinar mais de 4000 mil espetáculos teatrais por todo o país por exemplo, se pode financiar 200 orquestras. Enfim... Estou a falar para as paredes. Você entendeu? A parte que sou ateu e prego um estado laico e igualitário? E se sou anti neoliberal tenho obviamente que ser contra a Igreja. Seja aquela que matou na inquisição ou a que mata de desnutrição pedindo dízimos.

Se hoje é proibido cocaína por seu efeito alucinógeno, seria ditadura proibir outras drogas como Carnaval e Futebol? Leio muito mais notícias de gente sendo morta e assassinado após assistir a um jogo do que por ter usado cocaína... Qual droga é pior? Cocaína, ou futebol?

Vive-se a ditadura do conformismo neoliberal desde 1964 no Brasil e nunca vi uma crítica dos pelegos de plantão. Em algum ínfimo instante disse que é apenas esse o dilema moral do país? Estava abordando estritamente o tema aqui em questão. Realmente não faltam exemplos reais de que futebol causa irracionalidade compulsiva social. 

Senão isto, como explicar que um rapaz ao sair da casa da namorada em um dia em que não havia jogo algum, com a camisa do Avaí FC em plena e nobre Avenida Beiramar, na cidade de Florianópolis tenha sido espancado. Para citar 1 caso, no âmbito: "prova cabal de irracionalidade".

 Alguém matar alguém por estar usando a camisa de uma ou outra determinada equipe é para mim o mesmo que matar alguém "meramente por ser judeu, homossexual, negro, muçulmano...". Nunca vi ninguém matar alguém por pertencer a outra companhia teatral, ou outra banda, por exemplo.