Mostrando postagens com marcador direitos humanos. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador direitos humanos. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, setembro 29, 2017

LGBTs e a esquerda, conflito eterno ou refluxo histórico?

Resultado de imaxes para gays socialistas
Quando a dita esquerda passou a incorporar a agenda LGBT? Uma espécie de mutatis mutandis do que fora há um século o início do fascismo é o que se apercebe no cotiano do ocidente na atualidade e taxada como de ultra-direita. Não façamos comparações com o oriente, tão complexo e heterogéneo, para não incorrer no erro de ramificar demais esse artigo e dissipar o foco. Este que por si só é multifocal por ende. Mas a pergunta que não quer calar é: Quando o socialismo deixou de ser homofóbico? Ainda hoje na Rússia é difícil e perigoso organizar uma simples Parada Gay ou uma manifestação pelos direitos dos homossexuais, similaridade recorrente em grande parte dos países pós-soviéticos.

A resposta a provocação talvez não seja apenas uma. Em um mundo aonde ondas conservadoras se alastram podemos hoje surtar e simplesmente não recordar que bandeiras empunhadas hoje por reacionários. Sim sabemos que o Brasil tem uma bancada evangélica e homófoba, ruralista arcaica, neonazista e fervorosa; e que juntas a falta de educação do povo são uma bomba contra minorias. Mas a história política mundial sempre foi pendular, e assim segue. Quem pensaria que na terra da Revolução à Francesa surgiria o monstro Marine Le Pen? Que no bastião da democracia remanesceria ao poder um Trump? Que na democrática, pós-nazista, Alemanha uma AfD com discurso fascista ultrapassaria os 10%?

Não obstante a algumas décadas poloneses, checos, húngaros e búlgaros após pertenceram aos russos em sua gigantesca maquina outrora chamada União Soviética, eliminaram o artigo que criminalizava relações entre pessoas do mesmo sexo em 1968. Até Boris Yeltsin removeu o artigo russo sobre isso em 1992, após a perestroica e outras "aberturas" na nova Rússia. A Romênia, por outro lado, aumentou a pena para algo entre dois e sete anos em 1997 e criminalizou a "propaganda" gay, mas logo anos depois passou a descriminalizar atos homossexuais para integrar a União Europeia. Algo que na atual Russia parece ser impossível lei com a ascensão do reacionário, Vladmir Putin, que em seu governo tem reconhecimento mundial de atos contra as liberdades individuais, a oposição e a comunidade LGBT.

É tão complexa a cronologia da legalidade LGBT no mundo que necessitaríamos meses e meses a detalhar como cada país e seus regimes foram avançando e retrocedendo e novamente avançando e retrocedendo quanto ao tema. Mas algo que podemos realmente perceber é que tanto nos países liberais de hoje e ontem, quanto nos socialistas a questão das liberdades individuais e sexuais são moeda de troca e fator de uso político. Hoje em Cuba mesmo ainda sendo um país auto-proclamado socialista e considerado fechado se pode ver autorizadas operações de mudança de sexo no seu sistema gratuito e universal de saúde, embora em países democráticos e neoliberais sejam moeda de troca em votações no congresso e bandeiras de campanha tanto pró com em contra.

Mas o hoje não apaga o passado. Em entrevista ao site Opera Mundi, Mariela Castro, filha Raúl e sobrinha do ex-comandante Fidel, declarou que: "A homofobia institucionalizada dos primeiros anos da Revolução refletia uma realidade e estava em consonância com a cultura da época. Zombar dos homossexuais era algo normal, assim como depreciá-los ou denegri-los. Era normal discriminá-los no mercado de trabalho, em sua vida profissional, e esse era o aspecto mais grave." e ainda lembra um dos períodos mais duros para os homoafetivos quando "No Congresso Nacional de “Educação e Cultura”, em 1971, foram estabelecidos parâmetros exclusivos contra pessoas com orientação sexual distinta do que se considerava a regra. Até 1976, data em que foi criado o Ministério da Cultura. Com a adoção da nova Constituição naquele ano, essa resolução que separava homossexuais dos mundos da educação e da cultura foi declarada inconstitucional e eliminada. Foi então adotada outra política em nível educacional e cultural."

Nos híbridos anos 70 as transmutações no pensamento quanto a homossexualidade só são contadas do lado de cá do Muro de Berlim. Mas um dentre poucos que adentraram ao mundo pós-marxista,  sem negá-lo fora o prestigiado O homem e a mulher na intimidade[Lisboa: Editorial Caminho, 1983], de Sigfred Schnabel, publicado originalmente em 1979 na Alemanha Oriental, que foi um best seller em vários países de doutrina socialista, afirmava que a homossexualidade não era uma doença. Sendo um dos primeiros autores científicos a demonstrar isso com repercussão em Cuba e países alinhados a União Soviética.

O homossexualismo(termo usado à época e já em desuso) era visto, como um crime e um ato contra-revolucionário, ou mesmo uma patologia psiquiátrica nas repúblicas socialistas baixo o comando de Moscou. O indivíduo era visto como sujeito de uma verdadeira perversão, com infantilismo psíquico, defeito orgânico e distúrbio hormonal. No art. 121 do código penal soviético se previa, de fato, a reclusão de até cinco anos, com a possibilidade de agravante de até oito anos em casos de prática mediante coação, de relações com menores de idade, e mediante violência. Muitas vezes o aprisionamento era convertido em trabalhos forçados em um dos muitos gulag, onde os homossexuais sofriam humilhações e "pestaggi", mesmo por parte de outros condenados.

Nos gulag acabavam milhões de pessoas pelos mais variados motivos, empregados muitas vezes em obras faraônicas, como o Canal do Mar Báltico. Os internados morriam de cansaço, de frio, de doenças, de espancamento e de fome, escavando nas minas ou desmatando as zonas perdidas da Sibéria. Se denominavam gulag o sistema de campos de trabalhos forçados para criminosos, presos políticos e qualquer cidadão em geral que se opusesse ao regime na União Soviética (todavia, a grande maioria era de presos políticos; no campo Gulag de Kengir, em junho de 1954, existiam 650 presos comuns e 5200 presos políticos).

Sempre devemos relativizar ou situar o contexto histórico, mas sem ser piegas. O escritor francês André Gide realizou uma viagem a União Soviética em 1936, com um companheiro e voltou profundamente abalado e escreveu dois livros sobre sua experiência. O primeiro em tons mais sutis e o segundo mais objetivo sobre a miséria social e ausência de liberdade de expressão na URSS. Os comunistas e seus aliados voltaram-se violentamente contra ele, atribuindo insinuações e falando de seus problemas com a "moral" e sua devoção a homens mais jovens.

Mas podemos revolcar o início da União Soviética, quando em 1918, após o triunfo da Revolução Bolchevique, a homossexualidade foi descriminalizado em todo o território da União Soviética. Desse modo, a URSS se tornou, por quase uma década, o primeiro país a "aprovar" práticas não heterossexuais. Embora em boa parte do mundo a prática fora condenada. Com a chegada de Stalin ao poder intensificou-se e perseguição aos gays a partir de 1934 passou a ocorrer fortemente até os primeiros anos da década de 1980. Calcula-se que aproximadamente 50 mil homossexuais tenham sido condenados sumariamente, e muitos deles morreram em campos de concentração. 

Até à época de Pedro, o Grande, a homossexualidade, na Rússia, era tolerado mesmo se sancionada pela Igreja Ortodoxa com penitências. Apenas em 1706 foi instituída a fogueira para qualquer um que fosse descoberto em uma relação homossexual, e no ano de 1917 aconteceu a Revolução de Outubro e, graças à intervenção dos cadetes (KD, Partido dos constitucionalistas democráticos), a homossexualidade foi finalmente descriminalizada. Os Bolchevique se demonstraram contrários a esta nova forma de liberdade, por sua postura postura sexófoba. 

No "Congresso Mundial da Liga pelas Reformas Sexuais", em Copenhague em 1928 se discutira abertamente o tema da homossexualidade, e seguindo esta linha ainda em 1930 Mark Serejskij, perito médico, descreveu na Grande Enciclopédia Soviética que "a legislação soviética não reconhece crimes ditos contra a moral. As nossas leis partem do princípio da defesa da sociedade, e portanto preveem uma punição somente naqueles casos nos quais o objeto de interesse homossexual seja uma criança ou um menor de idade."

E se podemos trazer uma dialética materialista a ainda e talvez longínqua discussão entre polos de esquerda a direita, Cuba, hoje em dia proporciona gratuitamente a cirurgia de mudança de sexo aos transgêneros, reconhece legalmente as uniões civis entre homossexuais, etc; e os Estados Unidos, Coréia do Norte, Arábia Saudita, China, a nova Rússia ultra-neoliberal e muitos outros países não. Temos também na atualidade países que perseguem LGBTs querendo fazer parte da União Europeia. Vivemos um mundo mega-multi-polar e neste devemos nos situar, todavia sem perder o rastro de pólvora da história. Os direitos dos cidadãos necessitam ultrapassar a discussão das bandeiras ideológicas para avançar, mas nunca podem se excluir das lutas sociais. Um ser humano pode ser ao mesmo tempo de direita ou esquerda, esta é uma questão programática e de envergadura particular, e sem embargo ser ao mesmo um excluído por outras motivações quanto a etnia, credo e orientação sexual.

O outro lado da bandeira colorida

Resultado de imaxes para gays socialistasÉ de conhecimento na atualidade que em muitos países homossexuais e transgêneros reivindicam seu espaço e voz em movimentos de direita. Esta é uma vertente cada vez mais visível.

Em muitas rodas de discussão se esbravejam pontas extremas de um iceberg. Se de um lago LGBTs de direita recriminam as perseguições históricas e atuais de regimes auto-proclamados comunistas, socialistas e similares; em um outro campo ideológico LGBTs parte atuante na atual militância de esquerda vem que a direita atual tem como retórica a exclusão desta comunidade.

O impasse fica ainda maior quando se nota que ambas militâncias por muitas vezes não sabem se para a sua luta como seguimento de classe lhes poderá vir a convir mais um lado que outro. 

Dentro das 4 letrinhas da sigla do arco-íris os homossexuais homens, geralmente mais consumistas e individualistas,  pendem ao discurso da direita neoliberal que parece englobar o seu grito de liberdade sexual e individual a possibilidade de ascensão social. As homossexuais mulheres surgem como majoritariamente nas fileiras ligadas as esquerdas e de militância social, geralmente com um perfil mais próximo ao discurso feminista. Claro que exceções de ambos lados existem, como Tammy/Tommy Gretchen, que já teve candidaturas pelo PP. Mas dentro do "mundinho" LGBT há também preconceitos com setores da comunidade que poderiam com um pouco de conscientização serem superados. Todavia não esqueçamos que boa parte desta geração foi educada e criada por uma anterior que não viveu em democracia plena.

Por Nando Schweitzer, Jornalista, Diretor Teatral e provocador nas horas vagas

sexta-feira, fevereiro 12, 2016

O Direito de Cagar!


cagandoHá muito tempo que ando sem escrever sobre coisas que ocorrem a todos, embora muitos de nós não percebamos o quão estamos imbuídos destas, ou desta.  Passei horas a pensar, comer, pensar e comer, pensar e comer… E o assunto da coluna de hoje não brotava. Devido a tanto comer e pensar, assomados ao calor fui obrigado a ir cagar. Vejamos… Sempre mandamos os outros irem cagar, mas nunca mandamos a nós mesmos. Em meio a televisão. Aplicativos de chat, de sexo, facebook, grupos de whastsapp do trabalho, dos amigos, dos ex-amigos, jogos on-line, celular, parentes à casa a incomodar e interromperem minha linha de raciocínio… Ufa. Qual o tempo que temos para reflexões profundas e intelectualizadas. Como assentar nossos conflitos e reflexões em um ato elaborado de reflexão sério?

CA-GAN-DO. Neste mundo desrespeitoso para com o indivíduo, dentro da perspectiva do neocapitalismo, não temos mais direito a sermos(indivíduos). Mas hoje a única hora, ou momento, de paz que possuímos é… cagando.
No Brasil, os direitos individuais foram regulados pela primeira vez na Constituição de 1824. O art. 179, em 35 incisos, estabeleceu um conjunto de direitos individuais. O art. 72 da Constituição de 1891, primeira Constituição do Brasil republicano, assegurou aos brasileiros e estrangeiros residentes no país o direito à liberdade, à segurança e à propriedade.
De veras, não tenho me sentido tão livre assim ultimamente. Se estás a um ônibus, estás sobre os olhos vigilantes da sociedade, essa que por construção histórica é bisbilhoteira e se preocupa mais com o alheio que com o próprio orifício. Dezesseis edições de Big Brother, oito de A Fazenda, e sete ou oito de A Casa dos Artistas que o digam. Nas primeiras não se mostravam tanto os banheiros como nas atuais. Claro sinal de que os sensos de individualidade estão em gradual e acelerada descaracterização.
Voltando a cagalhança… Não a da sociedade hominídea, mas a da privada, e em âmbito privado… Enfim. De tudo que há na terra não há nada em lugar nenhum, hoje em dia mais trasconfigurizado e tranquilizador; e particular que dar uma bela defecada.
Sou contra o capitalismo selvagem, mas graças aos fast-foods e shoppings temos aonde cagar gratuitamente nos dias atuais. Estão eles assim segundo meu ver a dar sua contrapartida social. Realmente, há males que vem para o bem!
Citando o grande José Wilker, em momento sublime de atuação, em que lhe falam por longo tempo coisas de completo desinteresse de sua personagem: “Está tudo muito bom, mas… Agora vocês me deem licença que eu vou dar uma cagada!”
Nossas cidades hoje tem um complô contra a liberdade do cidadão. Onde cagar atualmente é um problema, mesmo em períodos de baixa temporada em cidades turísticas. Ou é ainda pior. Menos locais abertos, e com horários de funcionamento mais restitos. Eis que me ocorre uma grande frase para a posteridade. Cagar, ou não cagar? Eis a questão! Onde cagar, como cagar, porque cagar?
Lembro da saudosa casa de minha madrinha de batismo, do quão não me deixaram fugir. Lá se cagava com classe. Havia uma grande estante, com excelentes papéis higiênicos, revistas em quadrinhos, livros de piadas para adultos, revistas políticas, jornais, livros de suspense e de detetive… Ai como era lindo cagar! Nunca ninguém batia apressado a porta, haviam um outro banheiro menor, e se era uma fisiológica emergência havia um plano B. Aí comecei a gostar de literatura.
Nosso anseio exagerado em nos tornarmos civilizados, eruditos, etc, nos retirou um direito simples e básico, natural e inerente ao ser humano. O direito de cagar. Tanto o é assim, que mesmo que biologicamente estivesse a ponto de, não me permitia, pois estava a horas refém da tecnologia, da sociedade, do politicamente correto, da loucura do dia a dia, dos afazeres, do trabalho em casa, do… Ahhhhhhhhhhhhhhhhhhh!!!
Estava já como literalmente enfastiado, claustrofóbico mesmo estando com a janela aberta. E quando uma crise existencial, de stress, de ansiedade, dentre outras já pensava em chamar o SAMU, um táxi, o 190… Caguei! Sem celular, com a televisão desligada. Caguei!
Minha dica de hoje, é: cague, cague muito, cague hoje, cague agora, cague sempre… Mesmo sem vontade. Cague!!!

Nando Schweitzer é um cagador profissional, que tem praticado pouco este ato de liberdade devido ao excesso de afazeres para pagar as contas e a falta de banheiros públicos na cidade.

quinta-feira, novembro 19, 2015

O Fetiche Nosso de Cada Dia nos Dai Hoje

Fernando Schweitzer - Diretor Teatral e Jornalista

Quando começamos a pensar em sexo? Creio que no instante em que descobrimos o outro. Ou, no momento em que sabemos que não somos a única pessoa no universo. o ser humano, ao passo que racionalizou seu ato de prazer passou a buscar vários métodos para ampliá-lo.

Outro dia choquei uma amiga ao dizer que não tenho fetiches, e que odeio quem os tem. Pois, alguém que para estar a gosto a meu lado necessite de artifícios demonstra estar psicologicamente a se afastar de minha pessoa. Seria o disparate sexual. Ao passo que a intenção do sexo é a interação com outro ser desejado, qual o sentido em buscar fetichismos para conseguir-se lograr o ato sublime do prazer?

Mas não quero discutir o sexo dos anjos, tão pouco dos mundanos. O que interessa aqui é flertar com o que motiva uma pessoa abandonar a masturbação e ir rumo a uma caçada desenfreada pelo objeto de desejo.

Uma relação de poder se forma no momento em que alguém deseja algo que depende da vontade de outro. E são nestas bases que muitos se perdem. Esse desejo que estabelece uma relação de dependência de indivíduos ou grupos em relação a outros, pode ser danosa. Quanto maior a dependência de A em relação a B, maior o poder de B em relação a A. Essa dependência aumenta à medida que o controle de B sobre o que é desejado por A aumenta.

Em psicologia o fetichismo é uma parafilia. As parafilias podem ser consideradas inofensivas e, de acordo com algumas teorias psicológicas, são parte integral da psiquê normal — salvo quando estão dirigidas a um objeto potencialmente perigoso, danoso para o sujeito ou para outros (trazendo prejuízos para a saúde ou segurança, por exemplo), ou quando impedem o funcionamento sexual normal, sendo classificadas como distorções da preferência sexual na CID-10 na classe F65.

Creio que aí vem minha angústia para com os fetiches. Não pela questão segurança física, mas psicológica. Qual a segurança se tem que o outro está interessado real e ainda verdadeiramente opor você se precisa de artifícios para sentir prazer com você?

Vejo comentários radicais em redes sociais diversas em contra o amor livre, vejo notícias do lançamento de produtora de filmes pornôs evangélicos... Pausa. Será que os atores serão casados na vida real? Ironia ou não, não vale o debate. Vimemos em uma sociedade ocidental, patriarcal, machista e neoliberal.

Mas aprofundando o discurso. Já considerações com respeito ao comportamento considerado parafílico dependem em um grau muito elevado das convenções sociais reinantes em um momento e lugar determinados. Por sua vez práticas, como a homossexualidade ou até mesmo o sexo oral, o sexo anal e a masturbação foram consideradas parafílicas em seu momento, embora agora sejam consideradas variações normais e aceitáveis do comportamento sexual.

Quando a pouco vi uma postagem de Facebook aonde havia uma campanha em contra o sexo anal, de início ri, mas agora reflito. Se o prazer é estar com outro, e não somos estripadores, quem nos pode impor restrições. Ou melhor. Como um ser externo a relação se atreve a estigmatizar qualquer acto entre dois?

Qual fora a segmentação, ou subdivisão do fetichismo alheio, não estou a criticar, apenas digo que a mim não  interessa. Seja o sadismo, o masoquismo, o exibicionismo, o voyeurismo ou o fetichismo... A margem, as religiões no passado e no presente fazem do sexo um adjeto e um cetro pejorativo de inclusão social e espiritual. O intuito? Controle.

Hoje em tempos de evangélicos que pregam o casamento entre virgens e a cura gay, mas pastores são descobertos aliciando fiéis e regressando ao mundo colorido, devemos ser mais que observadores; mas agentes libertadores-iluministas. Corremos o risco de nos tornarmos um novo EI. Disse certo dia Max Weber: "Poder é toda chance, seja ela qual for, de impor a própria vontade numa relação social, mesmo contra a relutância dos outros."

O Fetiche Nosso de Cada Dia nos Dai Hoje... A dica moderna, ou não é. Seja você, e não o fetiche alheio. Para embasamento meramente teórico citaremos algumas terminologias do mundo dos seres criativos no âmbito sexual. Preparei uma pequena lista de possibilidades e terminologias nesta lista de parafilias:

Abasiofilia: atração psicossexual a pessoas com a mobilidade prejudicada, especialmente aqueles que usam aparelhos ortopédicos como tiras de perna, formas ortopédicas, tiras espinais, muletas, ou cadeiras de rodas.
Adstringopenispetrafilia: fetiche por amarrar pedras ao pênis.
Agalmatofilia: atração por estátuas.
Agorafilia: atração por copular em lugares abertos ou ao ar livre.
Aiquemofilia : Prazer pelo uso de objetos cortantes e pontiagudos.
Amaurofilia: excitação da pessoa pelo parceiro que não é capaz de vê-la (não se aplica a cegos).
Amphiboliafilia: atração ou excitação sexual por ambiguidades.
Anadentisfilia: excitação e prazer sexual por pessoas sem dentes.
Anemofilia: excitação sexual com vento ou sopro (corrente de ar) nos genitais ou em outra zona erógena.
Apotemnofilia: desejo de se ver amputado.
Asfixiofilia (asfixia autoerótica): prazer pela redução de oxigênio.
ATM (ass to mouth): prática em que o parceiro ativo, após o coito anal, leva seu pênis à boca da pessoa penetrada.
BBW: atração por mulheres obesas
Bondage: prática onde a excitação vem de amarrar ou/e imobilizar o parceiro.
Bukkake: modalidade de sexo grupal praticado com uma pessoa que "recebe" no rosto a ejaculação de diversos homens.
Clismafilia: fetiche por observar ou sofrer a introdução de enemas.
Coleopterafilia: atração sexual por besouros.
Coprofagia: fetiche pela ingestão de fezes.
Coprofilia: fetiche pela manipulação de fezes, suas ou do parceiro.
Cock and ball torture: é uma atividade sexual BDSM sadomasoquista envolvendo os genitais masculinas.
Coreofilia: excitação sexual pela dança.
Crinofilia: excitação sexual por secreções (saliva, suor, secreções vaginais, etc).
Crematistofilia: excitação sexual ao dar dinheiro, ser roubado, chantageado ou extorquido pelo parceiro.
Cronofilia: excitação erótica causada pela diferença entre a idade sexo-erótica e a idade cronológica da pessoa, porém em concordância com a do parceiro.
Cyprinuscarpiofilia: excitação sexual por carpas.
Dendrofilia: atração por plantas.
Emetofilia: excitação obtida com o ato de vomitar ou com o vômito de outro.
Espectrofilia: prática medieval que consiste na excitação por fantasias com fantasmas, espíritos ou deuses.
Estelafilia: atração sexual por monumentos líticos (feitos de pedra) normalmente feitas em um só bloco, contendo representações pictóricas e inscrições.
Exibicionismo: fetiche por exibir os órgãos genitais.
Fetiche por balões: excitação ao tocar balões de látex (usadas em festas).
Fisting: prazer com a a inserção da mão ou antebraço na vagina (brachio vaginal) ou no ânus (brachio procticus).
Flatofilia: prazer erótico em escutar, cheirar e apreciar gases intestinais próprios e alheios.
Frotteurismo: prazer em friccionar os órgãos genitais no corpo de uma pessoa vestida.
Galaxiafilia: atração sexual pelo aspecto leitoso da Via Láctea.
Gerontofilia: atração sexual de não-idosos por idosos.
Hebefilia (ver lolismo)
Hipofilia: desejo sexual por equinos.
Imagoparafilia: prazer em imaginar-se com alguma parafilia.
Lactofilia: fetiche por observar ou sugar leite saindo dos seios
Lolismo: preferência sexual e erótica de homens maduros por meninas adolescentes
Kosupurefilia: excitação sexual por Cosplay.
Maieusofilia: ver pregnofilia
Masoquismo: prazer ao sentir dor ou imaginar que a sente.
Menofilia: atração ou excitação por mulheres menstruadas.
Moresfilia: atração ou excitação sexual por coisas relativas aos costumes.
Nanofilia: atração sexual por anões.
Necrofilia : atração por pessoas mortas
Nesofilia: atração pela cópula em ilhas, geralmente desertas.
Odaxelagnia: fetiche por mordidas.
Orquifilia: fetiche por testículos.
Panpaniscusfilia: excitação sexual por Bonobos.
Partenofilia: fixação sexual por pessoas virgens.
Pigofilia: excitação sexual por nádegas.
Pirofilia: prazer sexual com fogo, vendo-o, queimando-se ou queimando objetos com ele.
Podolatria: fetiche por pés.
Pogonofilia: fetiche por barba.
Pregnofilia ou maieusofilia: fetiche por mulheres grávidas e/ou pela observação de partos.
Quirofilia: excitação sexual por mãos.
Sadismo: prazer erótico com o sofrimento alheio.
Sadomasoquismo: prazer por sofrer e, ao mesmo tempo, impingir dor a outrem.
Sarilofilia: fetiche por saliva ou suor.
Sororilagnia: sexo com a própria irmã.
Timofilia: excitação pelo contato com metais preciosos.
Trampling: fetiche onde o indivíduo sente prazer ao ser pisado pelo parceiro.
Tricofilia: fetiche por cabelos e pelos.
Urofilia: excitação ao urinar no parceiro ou receber dele o jato urinário, ingerindo-o ou não.
Vorarefilia: atração por um ser vivo engolindo ou devorando outro.
Voyeurismo: prazer pela observação da intimidade de outras pessoas, que podem ou não estar nuas ou praticando sexo.
Zoofilia: prazer em relação sexual com animais.

segunda-feira, fevereiro 17, 2014

Brasil e Nigéria são mais parecido que pensamos!

Fernando Schweitzer - Diretor Teatral e Jornalista


Enquanto no Brasil bancadas evangélicas associadas a ala de ultra direita do governo Dilma Roussef, pensam ser aliados e salvadores da família normal e cristã, no continente mais atrasado e tribal do mundo, um projeto que foi apresentado pela primeira vez em 2009 e, inicialmente, propunha sentença de morte para atos homossexuais, foi alterado para prescrever prisão perpétua para o que chamou de homossexualidade agravada pode ser assinado nos próximos dias.. 

A homossexualidade é um tabu em muitos países africanos,  como no Brasil, e considerada ilegal em 37 países do continente. O que nos faria pensar, que africanos são arcaicos, diria neonazistas. Ou uma "raça" menos evoluída. Vale lembrar que não só a America recebeu novas influências nos últimos séculos, através de migrações norte-americanas e europeias. Além de insurgências e invasões de fundamentalistas árabes, muçulmanos, evangélicos, protestantes radicais e católicos.

A americanização nazista

Muitos ativistas locais e internacionais dizem que poucos africanos são abertamente gays, temendo a prisão, violência e a perda de seus empregos. A presença maciça de religiosos com discurso fundamentalista, principalmente cristãos, também foi lembrada pelos entrevistados ouvidos pelo por matéria recente do Jornal O GLOBO. Segundo Wainaina, uma militante local, a virada ocorreu entre os anos 1980 e 1990, quando missionários vindos dos EUA passaram a atrair milhões de pessoas e, com elas, o interesse dos políticos.

Na visão de quem acompanha o tema, as investidas contra os cidadãos LGBT surgem menos do preconceito e mais de manobras políticas com o objetivo de distrair a população de problemas não resolvidos e assegurar a liderança frente a uma maioria conservadora sobre a qual igrejas cristãs ganharam influência nos últimos 20 anos. — Neste países, os líderes políticos estão sendo pressionados pela população, e por isso recorrem a leis populistas — disse o escritor queniano Binyavanga Wainaina.

A Nigéria enfrenta uma crise energética e vai ter eleições em 2015. Só lembrada por aqui hoje pelo futebol, e antes por ser origem de parte e nossos ex-escravo. Também trouxe ao Brasil parte da cultura do candomblé, essa que historicamente foi a única religião a aceitar homossexuais nos seus cultos na republiqueta das bananas.

O uso da homofobia como instrumento de dominação popular também tem efeitos nefastos sobre a prevenção e o tratamento da Aids, e logo no continente que concentra 70% dos diagnosticados com a doença no mundo, conta o diretor executivo adjunto do Programa Conjunto da ONU sobre HIV/Aids (Unaids, na sigla em inglês), Luiz Loures. Ele lembra que a homofobia tem aparecido como tendência também em países da Ásia e do Leste Europeu. Consciente das dificuldades de reversão do panorama, ele aposta no diálogo.

Quando pensamos no país que queremos ser, sempre miramos ao rico império do norte, pois. Hoje este através de seu presidente, o primeiro egro no continente novo, ameaça o país africano com sanções. Obviamente não tão duras quanto as que duram vários décadas a Cuba. Nos faz pensar então que ser homossexual é algo pior que ser socialista.

Hoje apenas 17 países permitem o matrimonio igualitário. Dois penalizam com a morte o ato homossexual. Trinta e sete punem um homossexual por apenas o ser-lo com prisão perpétua. E o Brasil mata 338 pessoas em crimes e motivação única e exclusivamente homofóbica e temos uma proposta de criminalizar a HETEROFOBIA.

Está na hora do Brasil decidir de que lado do muro ficará... Do lado dos aliados europeus, sulamericanos que aprovaram o matrimonio igualitário. Ou do reacionalismo e fundamentalismo árabe, americano, africano e russo. 

Cidadãos que inda pagam impostos até na comida que compram a diário, façam de suas vidas um ato responsável. Pois se o IBGE afirma que 12,78% da população é homossexual, o próximo a perder a vida poderá estar no seu âmbito familiar. Criminalizar a homofobia e reconhecer um direito constitucional de quem não recebe descontos e impostos por ter menos direitos que os demais cidadão é o mínimo que pode fazer a primeira mulher eleita presidente no país.

Dilma, que vergonha!