quinta-feira, janeiro 30, 2014

Felix é um desfavor aos homossexuais

Fernando Schweitzer - Diretor Teatral e Jornalista


Depois do engavetamento de um beijo gravado entre homens em América, no ano de 2005, estamos de volta a chata polêmica. Ao menos aquele beijo seria entre um "homem", ser com trejeitos masculinos e uma bicha louca e afetada. Gosto da diversidade.

Só mesmo a Grobo... SE SAIR um beijo "gay" na atual trama das nove, do assumidamente bissexual Walcir Carrasco, será um desfavor a militância. Em um país homófobo, arcaico, limitado e que não consegue ser laico ter um beijo entre mariquitas afetadas é o mesmo que um beijo lésbico. 

Agradará a machistas e bibas enrustidas. Apontará apenas que a sociedade brasileira está atrasada com relação a países do Mercosul e América Latina onde o matrimonio igualitário é realidade a anos. Como se para ser homossexual fosse necessário ser puta, efeminado, drogado e uma mariposa louca. 

Muitos virão reclamar a pessoa equivocada... Ou já o fizeram. Ah então manda carta pra central globo de produção. Afinal eles que estão construindo no imaginário popular esse conceito de homossexualidade. Ou seria reforçando o que o povo já pensa sobre os homossexuais, afinal ela trabalha os rumos de suas tramas de novela através de grupos de pesquisa, com representações equivalentes percentuais as camadas e classes sociais existentes no país percentualmente. 

Ou seja, vocês são tão astutos que ao criticaram o meu comentário, não percebem que o que vocês deveriam criticar é a Rede Bobo de manipulação. Esta que reforça esteriótipos a um share de 72% dos televisores no último episódio desta trama MÁ-RA-VI-LHO-SA.

Esteriótipo na mente da sociedade de um homossexual
O que faRta no BrasiR é uma escola de qualidade para que não se tenha mais analfabetos funcionais que não saibam interpretar uma oração simples, quem dirá uma composta. Antigamente se tinha como homossexual o sinônimo de inteligente, pessoa diferenciada... É, o tempo passa e as coisas mudam, hoje tá virando sinônimo de homossexual: Felix(bicha má), anjinho(o amante mudo, enrustido e sem cérebro), Bi-sexual (Dando piti afetadamente, depois de trair o esposa de anos com uma mulher má), Carneirinho (Efeminadinha e burra, que todos se aproveitam). 

Que grandes exemplos de HOMOSSEXUAL. Porque gay é um termo americanizado, que se entende por alegre, cheio de plumas, afetado. VÃO ESTUDAR POVO!!! Na novela onde uma péssima atriz perde o protagonismo para um ator mediano, mas menos pior que ela, talvez tenhamos o desejado, tão sonhado por alguns, beijo "gay" na Rede Globo. Brasil, você me cansa as vezes!


Arte catarinense: Diferentes sempre, inimigos jamais!

Fernando Schweitzer - Diretor Teatral e Jornalista


Pra que mentir, fingir que perdoou, tentar ficar amigos sem rancor... Assim recitava Cazuza a mais de duas décadas. Mas quem aprendeu a lição?

Ser cabaço hoje é lei... Regimento interno e externo da sociedade padronizada e chata do mundo atual. Em um país onde Gerald Tomas é vangloriado e Antunes Filho um semi desconhecido, não se pode esperar muito mesmo.

A incultura é o que incenteveia a corrupância.

Os famosos quem? Estes pseudo-sub-celebridades regionais, conhecidos apenas pelo seu círculo de amizades sodomistas e restritos.

Alguma atriz, modelo e dançarina da atualidade
Hoje o teatro catarinense cresce em número de espetáculos, mas sucumbe em diversidade. A criação do curso de artes cênicas na universidade federal deu uma pitada na corrida presidencial... Digo, artística. Mas ser udescquiano ainda é honor e status na capital catarinense. Pode ser que a nova geração social que hoje decide cursar cênicas tenha feito o seu papel contestador, e modificado o panorama da instituição. Mas confesso que raramente consigo ter uma conversa PROLONGADA, de tantas que já tive com o povo que se diz fazer arte no estado, com prófugos desta instituição renomada.

Identifiquei um comportamento diferenciado a todos os anteriores de meu circulo social udescquino, em um rapaz que conheci, todavia, não fora suficiente para tragar as clássicas críticas, que não apenas provém de minha pessoa aos atores e afins desta.

O público, oh algoz eterno dos artistas... Pensar, ou não pensar nele? Eis a questão. Muitos dirão que não se deve pensar nele, e fazer uma "arte pela arte", outros dirão que "fazem arte para o público".

Nem um, nem outro. O dilema não está em pensar ou não no público ao momento da criação. Ela é acidental. A execução essa sim requer além de técnica, visão, e percepção do público. Um espetáculo que talvez funcione em Porto alegre pode ser incompreendido em Florianópolis por exemplo. E obviamente o inverso também pode perfeitamente ocorrer.

Em um momento onde as companhias teatrais se esmeiram por fechar elencos para a temporada 2014, sofrem com a falta de pessoas capacitadas e com currículos de peso, o dilema está no ar. Experiência ou diploma, o que faz um bom ator?

Sejam nos ditos temas e textos populares, como os que se auto intitulam teatro conceitual, a falta do antigo espirito  de ator parece ter sumido da cena catarinense. Pois uma comédia de costumes mal atuada pode resultar mais incompreensível que um espetáculo de estética elaborada bem executado.

Ensaiar pouco, ganhar muito e em pouco tempo é o lema do momento. Aureos tempos em que Tonia Carreiro e sua companhia que transformaram o advogado Paulo Autrán no maior ator da história do Brasil podiam fazer longas temporadas de terça a domingo, e viajar pelo país apenas gerenciando sua bilheteria.

Um teatro preocupado em ser e fazer teatro e nada mais. Atores que se sentiam rebaixados ao serem convidados para atuar na TV. Profissionais forjados nas tabuas do tablado e longe dos liceus. Criaturas que se faziam irreconhecíveis a cada espetáculo, a cada personagem.

O Tempo vai, o tempo vem

Ainda lembro-me a ultima vez que fui ao Festival Isnard de Azevedo, no CIC. Para meu peculiar parecer e critérios a montagem de Uma obra de Arte, de uma companhia de Londrina-PR, foi de encher os olhos. Sem embargo a vencedora do festival fora outra de uma companhia manézinha que até hoje recolhe os louros deste premio quiçá merecido.

Longe de juízos simplórios de valor, mas o que me destrambelha o pensar, o respirar e meu viver é: Esta certa arte incompreensível e inacessível para reles mortais. Ou seja, se você não cursou X curso, não trabalhou com X pessoas do X circulo deixas de ter a aura da perfeição e o poder da acessibilidade ou gosto refinado suficiente para valorar essas primorosas e conceituais obras de arte pós-modernas.

Saudosos tempos em que independente da formação, e obviamente não excluo que um ator ou diretor deva capacitar-se, aperfeiçoar-se e todos outros ar-se possíveis. Mas concordando com Adorno, creio que a aura da ineditibilidade e essência da arte se perde com certos tipos de academicismos errôneos. São desfavores de caráter tácito o não reconhecimento a pureza da arte como emissária da emoção e da cultura.


Quando o nosso festival de teatro ainda era competitivo e em sua abertura trazia palestrantes interessantes e na época nem sonhava ser jornalista, fiz uma singela pergunta a Paulo Autrán. Esta mesmo que fora ovacionada antes de sua resposta. O pobre ator outrora iniciante com pouco mais de 5 anos de teatro e umas 20 peças no currículo inquieto proferiu: "Senhor Paulo Autrán, existe no eixo Rio-São Paulo, aonde trabalhas com maior frequência algum tipo de monopolização ou máfia na utilização dos teatros como existe em Florianópolis?"

Os anos passaram e a pergunta hoje ainda é atual. O ator, sereno, respondeu: "Máfia existe em todo lado neste país. E se isso ocorre aqui cabe ao meio artístico unir-se e lutar para que isso não ocorra...".

Alguns dirão que sou preconceituoso

Jamais monsieur!!! Nem com héteros tenho preconceito, como igual. Obviamente nem todos, só os interessantes. Posso estar ao lado de qualquer tipo de ser, seja este real ou imaginário, sem preconceito. Mas a recíproca deve ser verdadeira... Quanto ao preconceito, dizia.

Pena de morte para a cultura

A pena é que na cidade nem quem faz teatro assiste ao teatro local, exceto por seus amigos e correligionários de formação par. Essas panelinhas que tem historicamente o intuíto de não gerar público para a "concorrência" é um desfavor a geração e formação de um público de teatro no estado. Algo que como muito se esboça ocorrer na cidade de Joinville.

Mais que triste é você presentear colegas de profissão com entradas vip de seu espetáculo durante 2 anos em cartaz e apenas quando sua montagem está por estrear em São Paulo este amigo resolva ir prestigiar a sua pessoal. Ao menos ao encerrar a apresentação recebi um comprimento e ao sorrir uma frase raramente proferida entre profissionais de teatro por aqui, um elogio: "Felicitações, agora finalmente entendo muitas coisas que ouvi você dizer por anos e por teimoso e preconceituoso me recusava a escutar... Agora eu te entendo!".

Talvez estes dois loucos que hoje se entendem, pudessem tê-lo feito antes. Se artistas interagissem mais, se defendessem menos uns dos outros. Discutir não é brigar, e nem toda briga é gerada a partir de uma discussão. Diferentes sempre, inimigos jamais! Tomara que um dia seja assim o meio artístico catarinense.

quinta-feira, janeiro 16, 2014

Auto-respeito, nos falta!

Fernando Schweitzer - Diretor Teatral e Jornalista


Quando o limite do certo e do errado perdem sentido? Quando desvelamos preconceitos e pré-julgamentos. Teoricamente. Ninguém tem o direito de determinar os trilhos para outros caminharem... Isso bem é verdade, ao menos filosoficamente.

A lei máxima de um país sempre é a sua constituição. Eis aí uma grande malha de dúvidas para nós reles mortais não legisladores, nem estudantes perenes de causa, ou peritos em leis constitucionais. Em nenhum país do mundo de meu conhecimento se tem na escola uma disciplina chamada "Constituição", embora religião seja obrigatória em vários.

Os tempos mudam, as sócio culturas transformam-se aos poucos, as vezes recebem choques. O choque anterior no país dos estádios faraônicos, dos hospitais deteriorados, dos trens e metrôs superfaturados, mensalões e assassinatos por homofobia com direito a torturas e uma lança cravada na perna a vítima.


Paremos a analisar coisas sutis. Quem nunca ao viver no interior não sonhou com o dia de ter um Atari, ou um televisor colorido? Esse era o sonho de minha infância e da maioria dos rapazotes. Hoje crianças ganham patinetes motorizados de cerca de R$ 2.385,00. Sim os tempos mudam.


Nossa sociedade é servilista? Não é utilitária. Senti isso na pele, outro dia ao cantar em um concurso onde um rapaz que recém havia conhecido foi a única a quem pude abraçar ao sair do palco. Enquanto os vários amigos de longa data não estiveram presentes. Obviamente este tinha seu objetivo utilitário, uma transa. Logo de lá saímos e fomos a um ambiente mais aconchegante, pois ele queria muito dar.

Doravante seguimos nos fingindo de puritanos no trabalho, escolas, nas ruas, campos construções e não conseguimos jamais enternecer-nos pelo drama e conflitos existenciais alheios seremos utilitários. Como uma Kombi velha, apenas utilitários. Não alcançaremos o mérito para tal e como tal ser dito epígrafemente humanos.

Se bem os humanos estão em escassez, os quase santos também. Até o papa admitiu recentemente que existem pedófilos entre sacerdotes e funcionários da igreja. Bom se padre recebe salário ele também é um funcionário, que deve obedecer a seu patrão... Foco!

Certo ou errado? Certo você seguir o que outras pessoas de valores hipócritas definem ser certo. Errado você seguir sua natureza. Critérios sempre, censura nunca mais. O seu direito em sociedade está restrito por um único bastião: "Nunca, jamais, nunca e jamais invadir o direito do outro...". Dá pra tentar?

Respeite-se ou se torne um ermitão! Repeite ou aceite o processo por cercear a liberdade do próximo. Um dos poucos artigos da constituição que vagamente lembro é o 5º em seu inciso IX: "...é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença."

Então não necessitamos pedir licença a ninguém para sermos nós mesmos. Você precisa? Se pensou em responder sim, é porque você se auto-desrespeita.

terça-feira, janeiro 14, 2014

Que tal um "rolezinho" cultural?

Fernando Schweitzer - Diretor Teatral e Jornalista


A conta-cultura hoje qual é? Porque o termo sugere uma duplicidade a qual atualmente nem a população refil e descartantemente descartável alcançaria compreender. 

Campanha da marca Benetton que usou elementos
 considerados da contra-cultura
Vejo que o isolamento mútuo entre os países da América Latina se deva muito mais a americanização do continente, que consome por status qualquer porcaria proveniente das terras do Tio Sam e recusa tudo que
não seja americano. Como se um produto que não venha do Império do Norte não tenha a possibilidade de ser algo bom. 

Essa cultura ignóbil que principalmente teve força nos anos noventa por aqui, quando se ligava em uma rádio e não se escutava nada mais que o inglês. Salve as AMs que tocavam o que na época se rotulava brega e hoje é repertório de DJs em festas cults e trashs. Por nosso continente um adolescente, e não apenas eles, sabem mais do país de Obama, que sobre os países limítrofes. O Brasil é absurdamente ignorante quanto a cultura de seus países vizinhos.

Quem é normal hoje em dia? Ataques públicos de insanidade é o que hoje mais se vê, com pessoas fugindo de pedágio pela contra mão, partidos ditos de esquerda fazendo governos de direita, enfim. Os assuntos das conversas de bar na atualidade giram apenas em torno de quem trepou com quem. Seja na novelinha ou nos reality's.

Passando-se o Oba-Oba do réveillon, das frases puritanas, cristãs e de auto ajuda no facebook, além do desejo surrealista de que a passagem de ano no calendário seria como um mágico arco-íris ao qual passando por baixo se mudaria de sexo ou ao achar o seu início encontrarias um pote de ouro, racionalizemos "Oh, animais racionais do planeta!".

Assistindo uma entrevista de Elis Regina na TV Cultura, e ela com um impensável cigarro em mãos, descalça em uma poltrona faz refletir, além do conteúdo de sua angústia esbravejada em frases contundentes... Pausa. O politicamente correto da atualidade não nos permite. O que? Nada!

O tão revolucionista e intelectual Roda-Viva, também da TV Cultura, hoje faz um jornalismo coxinha. A décadas parecia um pub irlandês separatista envolto num breu ocasionado pelos cigarros e tragos de seus boêmios entrevistadores. Viver hoje está muito comercial de margarina Becel. O Maluco Beleza de hoje seria qualquer um que fale frases inéditas, que não seja um disco riscada da norma e do status quo acefalizante. 

E pensar que o careta de outrora hoje é revolucionário, ou ao menos menos cabaço que os jovens talentos atuais, ou diria separado "ta-lento". RPM hoje não significaria "Revoluções por Minuto", se traduziria "Roupa pra Mauricinho" ou "Rezando pelos Maricas". A segunda seria uma banda psy-rocker-evangélico-batista. A primeira um grupo de Axé-funk propagada pela galera dos "rolezinhos".

Hoje seria possível algum movimento real como o que teve seu auge na década de 1960, quando teve lugar um estilo de mobilização e contestação social e utilizando novos meios de comunicação em massa? Além de pancadarias nos estádios padrão Fifa.

É fato que precisamos mudar. Mas como? Eliminando o ócio intelectual e o marasmos a improdutividade encefálica. Basta proibir futebol e carnaval por uma década.

Jovens inovando estilos, voltando-se mais para o anti-social aos olhos das famílias mais conservadoras, com um espírito mais libertário... Não marginal, promíscuo e libertinoso, como os que hoje desrespeitam o próximo, ou a cidadania e humanidade.

Resumindo. Algo inédito, ou não, como uma verdadeira nova cultura. Seja nominada, rotulada como underground, cultura alternativa ou cultura marginal, focada principalmente nas transformações da consciência, dos valores e do comportamento, na busca de outros espaços e novos canais de expressão para o indivíduo.

Ma será que nesta sociedade atual e pasteurizada há espaço para se ser INDIVÍDUO? Será que... A vida é uma loucura travestida de normalidade e hipocrisia.


terça-feira, dezembro 31, 2013

CONTOS DE UM RÉVEILLON QUALQUER

Fernando Schweitzer - Diretor Teatral e Jornalista


A exatos 10 anos, no meu início na noite de Florianópolis, foi quando por primeira vez fui a uma balada. Porque?

Eu era um romântico-inocente, hoje sou apenas romântico.

Aquele 31 de Dezembro de 2003 iria mudar minha vida, minha concepção de mundo e até com algumas experiencias posteriores, mudar minha maneira de olhar o ser humano.

Outrora jovem, eu, um pueril ator, e apaixonado por um ator de minha ex-ex-companhia ao qual havia meses antes me declarado em cena piegas e patética que não comentarei para não estender-me, mais, tinha planejado passar na Praia do Campeche a noite boa, aqui nominada Réveillon.


Obviamente seria na companhia do ser amado. Seria... Apenas seria. Esperei todo o dia, toda a noite pela chamada naquele velho celular tijolo. E como um tijolo carregado ao sol cada vez mais me pesara.


Ao que a desesperação se acirrara em meu peito o número de tentativas de ligar aumentava, pois em tese me ligarias após ser definido em qual de seus amigos passaríamos a virada do ano.

Nunca recebi essa chamada. Então, as 23:47, após um jantar familiar com alguns parentes distantes e outros ainda próximos minha face era a mais nítida expressão do ano velho.

Houvia os fogos, fingia um sorrir, transbordava em lágrimas secas.

Que cousa louca era aquela? Que dor era aquela? Que virada era aquela?

Foi a virada da minha vida. Já passados umas dezenas de minutos, chamei um táxi. Disse o nome de um discoteca, me surpreendi pois o Taxista me diria: "Acho que vai ter trânsito... Em uns 40 minutos chegamos...". E eu mudo, carnificado em minha angústia e pena.

Ao chegar e após um trânsito infame de pessoas felizes, ou descobriria eu mais tarde, pessoas que fingem melhor que eu os seus temores e dores.

Estava tão fora de mim. Ou melhor, tão entro de mim, que não havia fora. Hoje sei que em uma noite assim a fila é enorme. Neste dia, não! Naquele instante não.

Paguei R$ 20,00, a moeda era mais valorizada em 2003. Hoje um ingresso antecipado é o dobro. Entrei. Uma onda de pessoas me carregava de lá pra cá, daqui pra lá. Pessoas que jamais pensei estarem ali, ali estavam. Estás e desconhecidos me cumprimentavam, desejando feliz ano novo...

Tinha uma raiva imensa e mim e do mundo. Demorei cerca e 2 horas intermináveis para assentar minha alma. Então fui iluminado pela racionalidade. Pensei: Gastei R$ 20,00 e todos a minha volta parecem felizes e eu? Gastei o mesmo e não estou... Já sei! Sou ator, posso fingir estar feliz, quem sabe assim recupere o valor do ingresso. Me fingindo feliz, as pessoas em volta me veriam feliz, e quem sabe assim alguém me olharia por fim.

Deu certo. Três. Três rapazes lindos beijei esta noite.

Hoje eu não sou mais inocente, jamis voltei a beijar três pessoas na mesma festa. É mais fácil passar três festa sem ninguém beijar-me. Mas o alento que possuo é que ao menos hoje aprendi. Aprendi a fingir coisas para a sociedade e atuar fora dos palcos e cenários.

quinta-feira, dezembro 12, 2013

Uma geração que quis mudar!!!

Fernando Schweitzer - Jornalista e Diretor Teatral


"Temos de aprender a incluir a diversidade que há neste mundo. É muito difícil hoje em dia ser "liberal" no sentido civilizatório, que é o de aceitar a existência de outros modelos de civilização, ou ser civilizado." A quem de nossa cultura social mesquinha, supérflua e inócua. Assim me incluo no coro da citação que fiz a José Mojica, líder e presidente uruguayo de esquerda. O único realmente de esquerda no continente!

Assistindo tardiamente uma entrevista do presidente uruguayo a TVE, emissora de televisão estatal espanhola, fui acometido de uma rara esperança no ser humano, ou de realmente conhecer um antes de minha morte. 

Da legalização da Marihuana, a nossa maconha, a adoção para casais compostos por pessoas do mesmo sexo, a legalização do álcool nas décadas de 1910... a República Oriental do Uruguay é uma revolucionária nação a frente do pensamento retrógrado capitalista e conservador de seus vizinhos continentais. É de se pensar: Como um país de dimensões tão pequenas pode pensar tão grande?

"Hay que luchar por la paz en todos los rincones de la Tierra". Frase tal não necessita tradução em um território aonde o castelhano é idioma co-oficial, e peça ao editor deste site que o mantenha assim. Mujica profere esta pérola meses antes da recém legalizada lei que regulamentou o uso da maconha em seu país. Alegando que assim traz paz a várias famílias reféns direta ou indiretamente pelo narcotráfico.

"Nunca podem devolver o que perdestes em um calabouço...". Com frases assim o sóbrio ex-guerrilheiro deflagra não sentir mágoa de seus detratores no passado e remete-se a um futuro em que "a paz é o que está por vir". Ainda afirma que nunca é tarde e é o mal necessário de viver "voltar a começar, e voltar a começar" como um ciclo da vida.

Um tipo que quando perguntado o que pensa de sua indicação para o prêmio nobel da paz salta da poltrona e dispara "Están todos locos..." e que como muito uma honraria assim serviria para enaltecer a sócio cultura uruguaya e traria "unos pesitos más"(alusão a moeda de seu pais, o peso) para construir umas moradias para os que ainda não têm teto, esse é Pepe Mujica.

Minha garganta dá um nó, a cabeça refuta tudo ao meu redor. Quando este ser diz que em seu país caminha pelas ruas e come em qualquer bar de esquina sem as parafernálias dos homens de estado, nem nada. E finaliza dizendo que morrer sabe que vai, e não se pode viver temendo a tudo e a todos. 

Pepe me faz sentir em contradição, pois sempre afirmo que quanto mais velho o ser humano este se torna mais normativo e contaminado pela sociedade. Pepe me provoca a sonhar que posso estar equivocado.

Frases cabalísticas de Mujica nesta entrevista? Muitas... Para meu íntimo vibrar poucas:

"Os únicos derrotados no mundo são os que deixam de lutar, de sonhar e de querer."
"Pertenço a uma geração que quis muar o mundo, mas fui esmagado, pisado, derrotado.."
"Creio que o homem tem recursos para criar um mundo melhor. Mara tem de ser um  mundo rico em recursos materiais, mas muito mais rico em cultura e em conhecimento."


A íntegra da entrevista em espanhol, podes acessar aqui: 




quarta-feira, dezembro 04, 2013

Sul Americano de Dança na Cidade de Córdoba, Argentina

Florianópolis, 04 de Dezembro de 2013.

Nota a Imprensa sobre o festival Sudamericano de Córdoba:


O Grupo GRATTA, e GHETOS de dança de rua vêm a público agradecer a seus apoiadores, patrocinadores, meios de comunicação e equipe pelo empenho na captação de recursos para que tão bem pudéssemos representar a Florianópolis na GRAN FINAL do Campeonato Sudamericano, ocorrido em Córdoba na Argentina.

Como resultado nesta empreitada aonde abandonados por todos os órgãos públicos da cidade e estado, recebendo alguns apoios privados, e ainda pedindo colaborações espontâneas em semáforos, casas, gabinetes de deputados, familiares e etc, o grupo recebeu duas premiações. 

Na categoria solo o dançarino Sandrinhu Nostrinkcriu teve a primeira colocação, e o Grupo GHETOS se qualificou em 4º lugar Sul Americano, com coreografia de Anderson Costa.

Sandrinhu Nostrinkcriu - 1º lugar Sul Americano Solo
A competição que contou com mais de 500 coregrafias e grupos do Chile, Uruguay, Argentina, Paraguay e Brasil foi realizado no "Espacio Quality", que comporta 1500 espectadores e está dentro da Cidade Universitária Federal de Córdoba, entre os dias 29 de novembro e 1 de dezembro.

Após um mês e meio de caçada a auspícios e patrocínio o Grupo GRATTA logrou chegar a cidade argentina onde iria competir nas categorias solo e grupo adulto.
Ghetos, 4º lugar categoria Street Dance

O grupo desde já se prepara para o festival de Riberão Preto, o qual já está qualificado. Seguiremos na luta, com ou sem apoios rumo nossos objetivos.


Atenciosamente,

Nando Schweitzer - Assessoría de Imprensa
GRATTA - GHETOS

Florianópolis, 04 de Dezembro de 2013.

quarta-feira, novembro 27, 2013

Nem tudo que cai na rede é peixe!

Fernando Schweitzer - Diretor Teatral e Jornalista


O copo meio vazio para quem tem muita sede é o mesmo que o copo meio cheio para quem de água recém se fartou. O Partido Socialista Brasileiro (PSB) atualmente presidido pelo presidenciável Eduardo Campos, é um partido político de esquerda brasileiro que segue a ideologia socialista democrática. Foi criado em 1947 a partir da Esquerda Democrática, até ser extinto por força do Ato Institucional nº 2, de 1965.

Quando imaginamos uma peneira para resgatar somente partidos de esquerda ou direita vemos que apenas peneirar é um ato superficial. Temos um mar de partidos políticos e hoje existem poucas figuras que personifiquem algo de ideológico, o que facilitaria aos leigos compreender por exemplo que não possuímos no Brasil mais esquerdas com poderio para chegar a uma presidência.

Neste ciclo dito como democrático tivemos vários presidentes de direita, um que se dizia de esquerda e acabou fazendo um governo de centro, e uma ex-guerrilheira de esquerda que faz um governo de centro-direita. Claro, aí que volto ao copo meio vazio-cheio. Para os filhotes da ditadura o governo FHC foi um descalabro populista de esquerda, só para se dar ciência aos desavisados.

Quando em 1965, dado o Ato Institucional nº 2, de 27 de outubro, extinguiu todos os partidos, incluindo o PSB, que na quase totalidade ingressou no Movimento Democrático Brasileiro (MDB), ajudando a organizar seu trabalho de base. Aurélio Viana Guanabara tornou-se um dos principais líderes do MDB no Congresso. Este mesmo que anos antes chegou a ter simpatizantes a Jânio Quadros dentro do próprio partido.

Em abril de 1947, por ocasião da 2a Convenção Nacional da Esquerda Democrática, no Rio de Janeiro, seus integrantes decidiram constituir-se como Partido Socialista Brasileiro, sob a liderança de João Mangabeira, Hermes Lima e Domingos Vellasco. O PSB foi registrado em 6 de agosto de 1947, contando em sua bancada com os dois deputados federais eleitos pela ED. Em 1985, com a redemocratização no Brasil, foi recriado. Entre 1947 e 1964, editou o jornal Folha Socialista.

Entendo que a política é mutável e evolutiva como princípio, mas de fato o transito entre siglas e ideologias hoje é menos ideológica que nos tempos idos. Hoje nao temos mais estadistas como Juscelino ou Vargas, penas possuímos angustias do naipe de Lula e FHC.

O efeito Marina mudou o discurso de Eduardo Campos. O que é mais contraditório é que Marina Silva caracterizava solidamente desde o último pleito uma candidatura de centro, moderada e de discurso pragmático. Ao que Eduardinho de esquerda têm apenas o avô Miguel Arraes, em seu currículo. Faz um governo de centro-direita em segundo mandato no Pernambuco.

Parece realmente raro que para negar-se conservador e fugir de possíveis atritos com a REDE, o PSB passa a girar num âmbito mais a centro esquerda para fugir dos aliados direitistas de Marina e também buscando diferenciar-se do outro neto, Aécinho, que de esquerda nem mesmo o avô, têm.

Tancredo Neves, avô de Aécio, caracterizou a única opção não de direito no colégio eleitoral, e um candidato anti Malufismo e ditatorial. Mas ao que recebe o apoio de José Sarney, ex-Arena, passa a ser um candidato controverso, e ao passo de sua morte o Brasil termina por ter um presidente que teve laços com o partido que sustentou o discurso e a política de ultra-direita do governo militar.

Qual é o desnorteado rumo para o Brasil? Famigeradamente dito como o país do futuro, a mais de 3 décadas. Voltar a direita neoliberal tucana? Continuar na Direito disfarçada(no discurso) de esquerda petista? Ou mudar-se para a centro-direita-ecológica Edurina?

terça-feira, novembro 19, 2013

Parece cocaína!

Fernando Schweitzer - Diretor Teatral e Jornalista


Se a Copa é o único de bom que se pode fazer pelo país, imagina o resto... Odeio esse esporte que é arma de manipulação e alienação. Quando for presidente proibirei futebol e carnaval por 5 anos. Para que talvez assim as pessoas passem a ocupar seu tempo com coisas úteis e que estimulem seu crescimento espiritual. 

Já diriam os reaças de plantão: "Quando houver uma direita no Brasil...". Surgir uma direita no Brasil? - perguntar-me-ia. Isso é pura política de direita. Como Rafael Videla na Argentina bem o provou. Usando o futebol para anestesiar o povo e tentar disfarçar interna e externamente seu regime ditatorial. Com apoio da Fifa, que é bem conservadora e de direita.

Bem, aqui tudo foi deixado de lado pelo (lazer). Mas o lazer pode ser mil coisas: arte, cultura, música, esportes variados(proibindo o futebol)... É só uma idéia diferente de tudo que já se fez aqui. Mudar as vezes é preciso. Pense nisso como um drogado dependente que vai para uma clínica de reabilitação. Sem drogas pode ter a oportunidade de se recuperar. O brasileiro sem futebol, talvez consiga evoluir a um estado mais próximo de um ser humano racional e critico.

Já está esbravejando e me xingando! Que coisa feia. Sério? Como se alguém fosse morrer sem futebol e carnaval... É uma sócio cultura de adestramento social. Até um animal de circo pode voltar a ser livre, basta lhe tirar as correntes.

Não. Tente abrir sua mente. Por uma cultura de paz... Darei um exemplo. Você vai a um médico. Ele te receita um remédio e você mesmo sabendo que ele está certo, perde tempo discutindo? Já dei o remédio, agora cabe aos demais tomá-lo ou continuarem enfermos.

Tente ver além do horizonte. Pois, use sua boa conexão e assista filmes de Xavier Dolan, descubra a obra discográfica de Mercedes Sosa, e por fim veja vídeos do "Club de la Comedia" da Espanha para descobrir que existe como fazer humor sem apelação... Te farão muito bem.

In-Cultura... Vivemos numa incultura impositiva, nada plural e muito longe de ser laica. Cheia de fanátismos. Mas por hora vou destrinchar apenas esse. Cultura entendo como algo que eleve a alma, estimule o raciocínio e sirva para avançar na vida. Infelizmente ainda temos professores ganhando salários por vezes menor ao de jogadores de time da terceira divisão.

Essa dita manifestação de um povo, deve acabar. Talvez o tenha sido em seu surgimento. Mas a cultura de um povo pode evoluir... A menos de 100 anos no Brasil se cagava no mato mesmo se sendo um senhor de senzala... Hoje até pobre tem bacio para cagar... Se algum dia o futebol foi manifestação popular hoje e a muito tempo se tornou o ópio do povo.

Respeitar por respeitar, cultura por cultura... Também a pouco era "cultura no Brasil" não se usar cinto de segurança, e o povo só aprendeu a força, como em um país neoliberal, quando lhes aferiu no bolso. Tudo pode ser mudado em prol de um bem maior. E se salvar um país perdido e tirado no lixo da superficialidade e ignorância, alienação e comodismo é desrespeitar... Quero saber quando fui respeitado neste país? Não me venha com chorumelas.

A Copa do Mundo é o circo, o bolsa família é o pão, e eis que a mentalidade sociopática coletiva regressa a Roma de Nero, ou mais para atrás. Porque Nero ateou fogo a Roma? Dizem as más línguas que para refazer Roma, e criar-lhe um novo projeto arquitetônico.

O carnaval foi criado em Veneza, o futebol na Inglaterra. O que essa imposição histórica das elites para tapar o sol com a peneira tem de legítimo e popular? Não façam-me rir. Hoje como resultante deste processo meus queridos, apenas temos um povo que se conforma em ser feliz por 90 minutos(mais felizes são os jogadores a posteriori nos vestiários), ou com uma festa de 4 dias para apagar um ano de miséria. 

Com o dinheiro público que vai para o carnaval se pode patrocinar mais de 4000 mil espetáculos teatrais por todo o país por exemplo, se pode financiar 200 orquestras. Enfim... Estou a falar para as paredes. Você entendeu? A parte que sou ateu e prego um estado laico e igualitário? E se sou anti neoliberal tenho obviamente que ser contra a Igreja. Seja aquela que matou na inquisição ou a que mata de desnutrição pedindo dízimos.

Se hoje é proibido cocaína por seu efeito alucinógeno, seria ditadura proibir outras drogas como Carnaval e Futebol? Leio muito mais notícias de gente sendo morta e assassinado após assistir a um jogo do que por ter usado cocaína... Qual droga é pior? Cocaína, ou futebol?

Vive-se a ditadura do conformismo neoliberal desde 1964 no Brasil e nunca vi uma crítica dos pelegos de plantão. Em algum ínfimo instante disse que é apenas esse o dilema moral do país? Estava abordando estritamente o tema aqui em questão. Realmente não faltam exemplos reais de que futebol causa irracionalidade compulsiva social. 

Senão isto, como explicar que um rapaz ao sair da casa da namorada em um dia em que não havia jogo algum, com a camisa do Avaí FC em plena e nobre Avenida Beiramar, na cidade de Florianópolis tenha sido espancado. Para citar 1 caso, no âmbito: "prova cabal de irracionalidade".

 Alguém matar alguém por estar usando a camisa de uma ou outra determinada equipe é para mim o mesmo que matar alguém "meramente por ser judeu, homossexual, negro, muçulmano...". Nunca vi ninguém matar alguém por pertencer a outra companhia teatral, ou outra banda, por exemplo.


quarta-feira, novembro 06, 2013

Europeus são nazistas

Fernando Schweitzer - Diretor Teatral e Jornalistas

Ong - O N G - Organização Não Governamental. Quero fundar uma dinastia nazista. Se nazistas podem fazer, e ainda ter apoio de partidos políticos que pretendem, além de dominar o mundo, comerer crimes de lesa humanidade em prol de sua ideologia nefasta. Receber apoios financeiros da Opus Dei, PSDB, e outras prostitutas sociais, travestidas de partidos democratas, porque eu que sou decente, não posso ser tratado com ser humano?

 Porque essa gente de merda que você diz que tanto odeia, ainda é tratada por você como algo melhor que eu?

Hipócritas de mierda. A basura é o que vocês representam...  BASURA é lixo, en espanhol. Lixo é o que vocês são. Merda. Bosta. Um bando de reacionários que eu quero que morram de câncer. Que é gradativo doloroso e eficaz.

É uma lástima que eu mesmo tendo, triple nacionalidade... Sou tratado pelos pseudo europeus como algo menor. Pensava que Buenos Aires era preconceituosa, mas aqui o ego dos pseudo europeus, sem passaporte não é menor. Gente que seria barrada lá, mesmo que por motivos irracionais que eu refuto, aqui me tratam com preconceito.

Ou seja, o problema não é a nacionalidade, e sim, o pseudo ser humano. Por isso que eu desejo que esses pseudo europeus, eurocentricos morram de câncer. Que é gradativo, doloroso y eficaz!!!

terça-feira, novembro 05, 2013

Nada mudou


“Você se sente confortável em ter contato físico com outros caras?”, pergunta um personagem de “Interior. Leather bar”, filme que abre, nesta quinta-feira, em São Paulo, a 21ª edição do Festival Mix Brasil. A resposta para a pergunta passa por décadas de representação homossexual no cinema, esbarra em preconceito e censura e se baseia no imbróglio que envolveu um dos mais polêmicos longas-metragens de Hollywood a lidar com personagens gays, 30 anos atrás. Dirigido por James Franco e Travis Mathews, “Interior. Leather bar” é a reconstrução, ou talvez a desconstrução, de “Parceiros da noite”.
Isso significa relembrar protestos de progressistas e ataques de conservadores, significa voltar a artigos publicados em jornais nos quais se pedia boicote ao filme e também significa recordar que as carreiras do diretor e do protagonista do longa, respectivamente William Friedkin e Al Pacino, já foram estremecidas.
— Para a gente, pareceu mais interessante retomar um filme polêmico que fracassou na bilheteria do que um clássico. Sempre, quando alguém revisita o passado, busca como referência algo considerado perfeito. Nós não queríamos isso — define Mathews. — Nosso interesse foi fazer um filme que usasse “Parceiros da noite” como ponto de partida para explorar o quanto avançamos desde então em termos de censura e em termos da representação da sexualidade gay no cinema.
Mathews está em São Paulo não apenas para apresentar seu filme no Mix Brasil (o festival acontece no Rio entre 14 e 21 de novembro), mas também para ser jurado da mostra, a principal do país para o cinema gay. Com uma carreira premiada em festivais do gênero, ele conheceu Franco depois que lançou seu primeiro longa-metragem de ficção, “I want your love” (2012), e recebeu a proposta de entrar no universo arriscado de “Parceiros da noite”: no filme de Friedkin, Pacino interpretou um policial que se disfarçava para caçar, em clubes gays sadomasoquistas, um serial killer. Porém, “Interior. Leather bar”, que foi selecionado para os festivais de Sundance e Berlim, não é um remake. Seu foco está nos 40 minutos de “Parceiros da noite” que foram cortados por censura a cenas de sexo entre homens.
— Nós nunca quisemos imaginar como seriam. O que queríamos era entrar nos temas da censura e da fronteira da exploração sexual. Para isso, misturamos documentário e ficção, mostramos os debates entre pessoas da equipe sobre o que pode ou não ser mostrado e também recriamos algumas cenas — diz Mathews. — Nosso filme é sobre as barreiras que criamos, as criativas, as pessoais e as sexuais.
Essas mesmas barreiras já estavam presentes quando Friedkin resolver filmar “Parceiros da noite”. Mas certamente ele não esperava a repercussão negativa que o projeto alcançou, até porque, no papel, tudo conspirava a favor do filme. “Parceiros da noite” foi lançado em 1980, depois de toda a liberação sexual da década anterior, antes da descoberta do vírus da Aids, numa época em que já se começava a quebrar o preconceito contra gays (vejam bem, apenas “começava”). Sua trama, entre o thriller e o erotismo, se passava no submundo de Nova York, ambiente sobre o qual o cinema mantém constante curiosidade. E a produção conseguiu juntar um diretor que vinha de quatro longas-metragens premiados ou indicados ao Oscar (entre eles “O exorcista”), com Al Pacino, que àquela altura já era o Al Pacino.
Mas o que aconteceu foi justamente o contrário. “Parceiros da noite” não apenas foi detonado pelos críticos e indicado a três “prêmios” Framboesa de Ouro, inclusive o de pior filme, como foi duramente atacado por grupos de defesa dos homossexuais. O argumento era que a produção de Friedkin mostrava os homens gays como pervertidos ou psicopatas. Um colunista do jornal de Nova York “The Village Voice” chegou a pedir a seus leitores que, caso esbarrassem com Friedkin e equipe na vizinhança, deixassem explícita sua insatisfação.


Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/cultura/polemicas-da-representacao-gay-de-parceiros-da-noite-sao-retomadas-em-interior-leather-bar-10684340#ixzz2jmlE8zfP 
© 1996 - 2013. Todos direitos reservados a Infoglobo Comunicação e Participações S.A. Este material não pode ser publicado, transmitido por broadcast, reescrito ou redistribuído sem autorização.