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quinta-feira, janeiro 30, 2014

Arte catarinense: Diferentes sempre, inimigos jamais!

Fernando Schweitzer - Diretor Teatral e Jornalista


Pra que mentir, fingir que perdoou, tentar ficar amigos sem rancor... Assim recitava Cazuza a mais de duas décadas. Mas quem aprendeu a lição?

Ser cabaço hoje é lei... Regimento interno e externo da sociedade padronizada e chata do mundo atual. Em um país onde Gerald Tomas é vangloriado e Antunes Filho um semi desconhecido, não se pode esperar muito mesmo.

A incultura é o que incenteveia a corrupância.

Os famosos quem? Estes pseudo-sub-celebridades regionais, conhecidos apenas pelo seu círculo de amizades sodomistas e restritos.

Alguma atriz, modelo e dançarina da atualidade
Hoje o teatro catarinense cresce em número de espetáculos, mas sucumbe em diversidade. A criação do curso de artes cênicas na universidade federal deu uma pitada na corrida presidencial... Digo, artística. Mas ser udescquiano ainda é honor e status na capital catarinense. Pode ser que a nova geração social que hoje decide cursar cênicas tenha feito o seu papel contestador, e modificado o panorama da instituição. Mas confesso que raramente consigo ter uma conversa PROLONGADA, de tantas que já tive com o povo que se diz fazer arte no estado, com prófugos desta instituição renomada.

Identifiquei um comportamento diferenciado a todos os anteriores de meu circulo social udescquino, em um rapaz que conheci, todavia, não fora suficiente para tragar as clássicas críticas, que não apenas provém de minha pessoa aos atores e afins desta.

O público, oh algoz eterno dos artistas... Pensar, ou não pensar nele? Eis a questão. Muitos dirão que não se deve pensar nele, e fazer uma "arte pela arte", outros dirão que "fazem arte para o público".

Nem um, nem outro. O dilema não está em pensar ou não no público ao momento da criação. Ela é acidental. A execução essa sim requer além de técnica, visão, e percepção do público. Um espetáculo que talvez funcione em Porto alegre pode ser incompreendido em Florianópolis por exemplo. E obviamente o inverso também pode perfeitamente ocorrer.

Em um momento onde as companhias teatrais se esmeiram por fechar elencos para a temporada 2014, sofrem com a falta de pessoas capacitadas e com currículos de peso, o dilema está no ar. Experiência ou diploma, o que faz um bom ator?

Sejam nos ditos temas e textos populares, como os que se auto intitulam teatro conceitual, a falta do antigo espirito  de ator parece ter sumido da cena catarinense. Pois uma comédia de costumes mal atuada pode resultar mais incompreensível que um espetáculo de estética elaborada bem executado.

Ensaiar pouco, ganhar muito e em pouco tempo é o lema do momento. Aureos tempos em que Tonia Carreiro e sua companhia que transformaram o advogado Paulo Autrán no maior ator da história do Brasil podiam fazer longas temporadas de terça a domingo, e viajar pelo país apenas gerenciando sua bilheteria.

Um teatro preocupado em ser e fazer teatro e nada mais. Atores que se sentiam rebaixados ao serem convidados para atuar na TV. Profissionais forjados nas tabuas do tablado e longe dos liceus. Criaturas que se faziam irreconhecíveis a cada espetáculo, a cada personagem.

O Tempo vai, o tempo vem

Ainda lembro-me a ultima vez que fui ao Festival Isnard de Azevedo, no CIC. Para meu peculiar parecer e critérios a montagem de Uma obra de Arte, de uma companhia de Londrina-PR, foi de encher os olhos. Sem embargo a vencedora do festival fora outra de uma companhia manézinha que até hoje recolhe os louros deste premio quiçá merecido.

Longe de juízos simplórios de valor, mas o que me destrambelha o pensar, o respirar e meu viver é: Esta certa arte incompreensível e inacessível para reles mortais. Ou seja, se você não cursou X curso, não trabalhou com X pessoas do X circulo deixas de ter a aura da perfeição e o poder da acessibilidade ou gosto refinado suficiente para valorar essas primorosas e conceituais obras de arte pós-modernas.

Saudosos tempos em que independente da formação, e obviamente não excluo que um ator ou diretor deva capacitar-se, aperfeiçoar-se e todos outros ar-se possíveis. Mas concordando com Adorno, creio que a aura da ineditibilidade e essência da arte se perde com certos tipos de academicismos errôneos. São desfavores de caráter tácito o não reconhecimento a pureza da arte como emissária da emoção e da cultura.


Quando o nosso festival de teatro ainda era competitivo e em sua abertura trazia palestrantes interessantes e na época nem sonhava ser jornalista, fiz uma singela pergunta a Paulo Autrán. Esta mesmo que fora ovacionada antes de sua resposta. O pobre ator outrora iniciante com pouco mais de 5 anos de teatro e umas 20 peças no currículo inquieto proferiu: "Senhor Paulo Autrán, existe no eixo Rio-São Paulo, aonde trabalhas com maior frequência algum tipo de monopolização ou máfia na utilização dos teatros como existe em Florianópolis?"

Os anos passaram e a pergunta hoje ainda é atual. O ator, sereno, respondeu: "Máfia existe em todo lado neste país. E se isso ocorre aqui cabe ao meio artístico unir-se e lutar para que isso não ocorra...".

Alguns dirão que sou preconceituoso

Jamais monsieur!!! Nem com héteros tenho preconceito, como igual. Obviamente nem todos, só os interessantes. Posso estar ao lado de qualquer tipo de ser, seja este real ou imaginário, sem preconceito. Mas a recíproca deve ser verdadeira... Quanto ao preconceito, dizia.

Pena de morte para a cultura

A pena é que na cidade nem quem faz teatro assiste ao teatro local, exceto por seus amigos e correligionários de formação par. Essas panelinhas que tem historicamente o intuíto de não gerar público para a "concorrência" é um desfavor a geração e formação de um público de teatro no estado. Algo que como muito se esboça ocorrer na cidade de Joinville.

Mais que triste é você presentear colegas de profissão com entradas vip de seu espetáculo durante 2 anos em cartaz e apenas quando sua montagem está por estrear em São Paulo este amigo resolva ir prestigiar a sua pessoal. Ao menos ao encerrar a apresentação recebi um comprimento e ao sorrir uma frase raramente proferida entre profissionais de teatro por aqui, um elogio: "Felicitações, agora finalmente entendo muitas coisas que ouvi você dizer por anos e por teimoso e preconceituoso me recusava a escutar... Agora eu te entendo!".

Talvez estes dois loucos que hoje se entendem, pudessem tê-lo feito antes. Se artistas interagissem mais, se defendessem menos uns dos outros. Discutir não é brigar, e nem toda briga é gerada a partir de uma discussão. Diferentes sempre, inimigos jamais! Tomara que um dia seja assim o meio artístico catarinense.

terça-feira, junho 25, 2013

Meu país é uma peça!

Fernando Schweitzer, Florianópolis - Actor, Director Teatral, Cantante, Escritor e Jornalista


A quem diga que um formato não pode transgredir e migrar-se a outro. De veras poderia. Ser verdade ou não sê-lo. Isso não infere no desmerito-crático existir contemporâneo. Manifestar é preciso, desde que se saiba o porquê.

Idos 2006, estreou no Rio de Janeiro o espetáculo “Minha Mãe É Uma Peça”, sob a direção de João Fonseca. O texto de Paulo Gustavo trás sua personagem, a aclamada Dona Hermínia, construída através de suas observações domésticas e vivenciais, assumidamente inspirada na mãe do próprio ator. O filme recria muitas falas da peça original com personagens não existentes na obra teatral (em cena).

Estamos em 2013, tempos "mudernos", de consciência e rebeldia. E pensamos, se é que pensamos. É impossível o êxito de uma produção cinematográfica provinda de um meio tão tangível como o teatro. Sano erro, e como tais sempre são rotundos equívocos. Uma comédia que leva as lágrimas é o tom do longa metragem.

Um cinema vazio. Talvez pelas grandes manifestações no país, em que reclamam não se sabe bem o que, como muito os porquês. Mas Dona Hermínia sabe do que reclama. Em protesto ao desrespeito dos filhos ao escutar uma conversa acidentalmente quando seu filho no carro do pai esquece de desligar o celular ao fim de uma ligação, aonde ela preocupada avisara que seu filho deixou em casa sua bombinha contra asma.

Protestar é preciso. É proibido proibir. Desculpe o transtorno estou mudando o país. Essas são frases soltas que sem uma contextualização não têm o menor peso e carecem de crédito para realmente causarem uma real mudança em uma sociedade comodista e estagnada como a brasileira.

Louca e abalada ela sai de casa. São milhares nas ruas. Mas Hermínia só pensa em seus filhos, pois sabe o que é melhor para eles. Uma multidão grita e pede mudanças. Ela só precisa que os filhos valorizem o que possuem.

Depois de muita briga, e da ausência absoluta de sua mãe, ao passarem fome por não saberem cozinhar, os filhos buscaram a mamãe. Eles sabiam o que queriam, as mordomias de sua mãe serviçal de volta ao lar. Já outros seguem a reclamar pela democracia e diversos direitos que possuem, mas que nunca lhes importou. Reivindicam várias mudanças, pois como está não pode ficar, não está bem assim - dizem.

O maior problema do ser humano é, e para isso tenho minha resposta pronta. Nunca faça uma pergunta se você não quer uma resposta. Nunca perguntaram ao povo o que ele queria? Sim, várias vezes. O grande drama é que quando resolvem deixar de se fazerem de surdo aos acontecimentos, estes que estão aí desde a Contra Revolução de 64, pois o sistema não mudou desde então. O que temos?

Um impasse tal qual o da Marcha pela Família contra o presidente João Goulart. Uma tropa de insatisfeitos que passivamente aceitou sr salva do dito mal comunista, que male mal chegava a ser social-democrata. Ou seja, centro-esquerda com optimismo.

Sabemos o que não queremos. Não queremos o controle de nossas mães, não! Não queremos os comunistas, não! Não queremos o governo atual e seu neoliberalismo? Não! Sabemos o que é controle, não! Sabemos o que é comunismo? Não! Sabemos o que é neoliberalismo? Não!

As manifestações são como a casa de uma mãe protetora. Quanto mais se tentar reter as pessoas por motivos inertes e inconsistentes, mais rápido vai se esvaziar.

Afinal o que buscamos? Algo além do amor... Algo além do simples amar... Pouco diria, se dissesse gostar... Por que pouco é dizer simplesmente: Amar!


Fernando Schweitzer, Florianópolis - Actor, Director Teatral, Cantante, Escritor e Jornalista

domingo, maio 12, 2013

Nós e um laço, eu e o teatro

Fernando Schweitzer, Joinville - Actor, Director Teatral, Cantante, Escritor e Jornalista


Uma cidade diferente, onde ao pisar na faixa de pedestre os carros param. Essa é Joinville, da surpresa com a sociabilidade do joinvillense, a um teatro surpreendente e com público, mesmo em dia de espetáculo com figurões de tarimba e robustos patrocínio de "nível nacional".

Muitas vezes desejamos encontrar, apenas, e nada mais do aquilo que desejamos encontrar. Tento ir ao teatro e não pensar como ator, menos como bicho de teatro. Em um segundo momento tenho o costume de tentar deixar-me levar pelas reações do público. Neste caso foi fácil... Haviam dois espelhos em cena, em diagonal, estética construída pela direção de Nós e um Laço. Lucas David ousa no quesito conceitual. Esse termo define como uma risca de giz traçada no chão para hipnotizar uma galinha. O traço vertiginoso de um teatro não usual.

Talvez o único pecado do espetáculo seja sua fortaleza. Uma obra com 2 atores que não está em momento algum focada nos atores. A força física como argumento e artifício. A medida que as personagens vão se conhecendo dentro de uma constante e quasimoda relação seus atos corporais passam a ser as personagens, dentro de uma lógica composta pela emoção da força atrito entre as protagonistas.

A reação do público inicialmente é de um estranhamento óbvio, ao iniciar do espetáculo. O estilo teatro dança não tem como vi-és uma narrativa linear, costumeira ao espectador. Este mesmo estilo vai aos poucos rompendo a expectativa de uma história de senso comum. O romance óbvio passa a conflito quando as personagens passam a usar o público como confidente. 

Um teatro fora dos padrões no estado, esse é o ponto desequilibrante de Nós e um Laço. O caminho é mais difícil que o caminhar. Uma direção segura, ao ponto de por instantes soar artificial na sua discursividade, mostrando a mão do diretor em alguns momentos mais que o próprio trabalho dos atores. Conceitos e força são o que chamam ao espetáculo. Uma muita boa experiência dentro do universo teatro autoral conceitual.

O espetáculo segue em cartaz no Galpão de Teatro da Ajote, Joinville. Esperemos que siga em cartaz e alcance outras cidades. O diferente mesmo quando se faz parecer em sua propaganda igual, pode ser a salvação para o teatro catarinense. Assim podendo fugir-se do feijão com arroz do teatro global versus teatro local. Nós e um Laço é teatro e ponto.

Sinopse:

Ornella é uma mulher independente, designer de moda bem sucedida que busca um sonho mais alto: ter sua própria grife . Edvaldo é um chef de cozinha que sonha viver um grande amor. O encontro casual no Espírito Santo dá início a um relacionamento. Surgem, então, pequenos obstáculos, revelações do passado, rotina e divergências de interesses. Nós desatam. Laços ficam.

Ficha Técnica: 

Direção, Concepção de Cenário e Figurino e Operação de Luz: Lucas David
Elenco: Jonas Raitz e Juliana Araújo
Confecção de Cenário e Figurino: Adriane Ourício, Ângelo Marcos , Celinha , César, Jonas Raitz, Juliana Araújo, Lucas David e Mazza. 
Concepção de Luz: Flávio Andrade e Lucas David 
Dramaturgia: Jura Arruda 
Direção Musical: Juninho Salves 
Direção de estúdio: Erivan Piazera 
Consultoria em Dança de Salão: Francine Borges e Maycon dos Santos 
Fotografia: Renan Bejarano 
Designer Gráfico: Ronaldo Diniz 
Material Audiovisual: Hélio Costa 
Produção Executiva e Operação de Som: João Daniel Zanella