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terça-feira, junho 25, 2013

Meu país é uma peça!

Fernando Schweitzer, Florianópolis - Actor, Director Teatral, Cantante, Escritor e Jornalista


A quem diga que um formato não pode transgredir e migrar-se a outro. De veras poderia. Ser verdade ou não sê-lo. Isso não infere no desmerito-crático existir contemporâneo. Manifestar é preciso, desde que se saiba o porquê.

Idos 2006, estreou no Rio de Janeiro o espetáculo “Minha Mãe É Uma Peça”, sob a direção de João Fonseca. O texto de Paulo Gustavo trás sua personagem, a aclamada Dona Hermínia, construída através de suas observações domésticas e vivenciais, assumidamente inspirada na mãe do próprio ator. O filme recria muitas falas da peça original com personagens não existentes na obra teatral (em cena).

Estamos em 2013, tempos "mudernos", de consciência e rebeldia. E pensamos, se é que pensamos. É impossível o êxito de uma produção cinematográfica provinda de um meio tão tangível como o teatro. Sano erro, e como tais sempre são rotundos equívocos. Uma comédia que leva as lágrimas é o tom do longa metragem.

Um cinema vazio. Talvez pelas grandes manifestações no país, em que reclamam não se sabe bem o que, como muito os porquês. Mas Dona Hermínia sabe do que reclama. Em protesto ao desrespeito dos filhos ao escutar uma conversa acidentalmente quando seu filho no carro do pai esquece de desligar o celular ao fim de uma ligação, aonde ela preocupada avisara que seu filho deixou em casa sua bombinha contra asma.

Protestar é preciso. É proibido proibir. Desculpe o transtorno estou mudando o país. Essas são frases soltas que sem uma contextualização não têm o menor peso e carecem de crédito para realmente causarem uma real mudança em uma sociedade comodista e estagnada como a brasileira.

Louca e abalada ela sai de casa. São milhares nas ruas. Mas Hermínia só pensa em seus filhos, pois sabe o que é melhor para eles. Uma multidão grita e pede mudanças. Ela só precisa que os filhos valorizem o que possuem.

Depois de muita briga, e da ausência absoluta de sua mãe, ao passarem fome por não saberem cozinhar, os filhos buscaram a mamãe. Eles sabiam o que queriam, as mordomias de sua mãe serviçal de volta ao lar. Já outros seguem a reclamar pela democracia e diversos direitos que possuem, mas que nunca lhes importou. Reivindicam várias mudanças, pois como está não pode ficar, não está bem assim - dizem.

O maior problema do ser humano é, e para isso tenho minha resposta pronta. Nunca faça uma pergunta se você não quer uma resposta. Nunca perguntaram ao povo o que ele queria? Sim, várias vezes. O grande drama é que quando resolvem deixar de se fazerem de surdo aos acontecimentos, estes que estão aí desde a Contra Revolução de 64, pois o sistema não mudou desde então. O que temos?

Um impasse tal qual o da Marcha pela Família contra o presidente João Goulart. Uma tropa de insatisfeitos que passivamente aceitou sr salva do dito mal comunista, que male mal chegava a ser social-democrata. Ou seja, centro-esquerda com optimismo.

Sabemos o que não queremos. Não queremos o controle de nossas mães, não! Não queremos os comunistas, não! Não queremos o governo atual e seu neoliberalismo? Não! Sabemos o que é controle, não! Sabemos o que é comunismo? Não! Sabemos o que é neoliberalismo? Não!

As manifestações são como a casa de uma mãe protetora. Quanto mais se tentar reter as pessoas por motivos inertes e inconsistentes, mais rápido vai se esvaziar.

Afinal o que buscamos? Algo além do amor... Algo além do simples amar... Pouco diria, se dissesse gostar... Por que pouco é dizer simplesmente: Amar!


Fernando Schweitzer, Florianópolis - Actor, Director Teatral, Cantante, Escritor e Jornalista

segunda-feira, maio 20, 2013

Nem sou tão jovem, mas estou a dois passos...

Fernando Schweitzer, Joinville - Actor, Director Teatral, Cantante, Escritor e Jornalista


Longe de casa, a mais de uma semana... Quem dera. O mais longe que consegui em um desses dias de desespero foi ir ao cinema após uma reunião de trabalho.

Covarde talvez, cardíaco? Não sei. Mais ainda não sei se "Somos tão Jovens" é um filme ruim, ou se eu realmente sou incompatível a essa exagerada importância dada a uma coisa famigerada, e para mim insossa Legião".

Enquanto primos meus vinham felizes com o LP azul na mão, eu escutava Gal, Conzaguinha, Gonzagão, Elis Regina, Tim Maia e Rosana. Algum descarno cerebral me acometeu no berço, ou no resto da humanidade. Nunca vi profundidade nas tais letras dos ratos de porão.

Quando vi um filme sobre Cazuza, té que bem feito, profanei: "Que não venha uma moda de filmes sobre mortos vintage". E né que veio mermão? Depois do intragável "Somos tão jóvens", virá um sobre os Mamonas Assassinas, com direito a Rodrigo Faro na pele de Dinho, o líder da banda.

Sentar-se a ver uma história conhecida, trilhada, batida... podemos fazer vendo a Sessão da Tarde. Que um filme inédito te soe como um de Sessão da tarde?

A forçasão de barra, sendo bem retrô, do roteiro em tentar fazer cartases com as letras de disco riscado da Legião Urbana, soavam falsas e pueris até para os fanáticos da bando que eram maioria. Era como clichê mal usado. As actuações eram impossibilitadas pelo texto chulo e castrante de pensamento através de um raciocínio lógico. Nem o genial Marcos Bredda, no papel de pai de Renato Russo pode abrilhantar o morno filminho estilo clipe MTV pobre.

Se o minho era ruim o desfecho, não houve. A película termina com uma constrangedora olhada coletivo entre os espectadores... Tipo: "Acaba assim?". O orçamento gigantesco, o dinheiro gasto em promoção, vindos de capitação e dinheiro público são uma ofensa aos fãs da banda, e uma agressão aos que como eu terminei assistindo isso, por ser o único filme não yankee no cinema. Ou será que é difícil encontrar filmes de algum dos demais 197 países do mundo, que não Estados Unidos, em Provincianópolis?

Que país é esse? Se a música de Renatinho não respondeu... Aliás, nunca achei uma gota de crítica social, menos de rebeldia, quanto mais de revolucionário nas letras da famigerada legião. Redimirei-me a minha insignificância. Deixa quieto né?

É um país complicado esse. Recém a justiça, e não o congresso aprovam o matrimonio igualitário e um filme sobre a vida de um ídolo gay termina sem beijo, e apenas com toscas insinuações homo afectivas.

PS.: Legal o cara que fazia o Hebert Vianna no filme.

"PS.:" é tão vintage... Vou escutar Blitz!


Fernando Schweitzer, Joinville - Actor, Director Teatral, Cantante, Escritor e Jornalista

terça-feira, abril 16, 2013

Gosto dos que ardem!


Conversando com um amigo conservador hoje comecei a divagar... Porque será que nos importamos tanto com os outros? Será pelo controle exacerbado que a sociedade normativa exerce sobre as pessoas, como diria Michel Foucault em seus escritos sobre as relações de poder?

Esse emaranhado de forças em oposição e transversalmente sobrepostas que veladamente criticam o diferente... O pensar diferente, o dizer diferente, o transcender diferente.

Se você não pensa dentro da forminha de gelo, prepare-se, aí vêm um turbilhão de críticas e perseguições. Um para sentir-se poderoso ou com a razão necessita duas coisas básicas: apontar o outro como fora do padrão, dito normal; e colocar-se a apoiar o pensamento arcadista e sócio-normativo para sentir-se normal e incluído ao status-quo.

Mesmo pensando igual a plebe majoritária, não obstante é necessário expressar-se como tal. Assim não se corre o risco de que te mirem como um diferente da uniformidade aceitável. A ditadura do pensamento medieval, como esquema improdutivo da evolução e libertação intelectual segue vigente nos dias de hoje, sim.

E os normais onde estão? Os que pensam igual? Por toda parte. A cada esquina. Os que aprovam o atual governo, mesmo com o crescimento da inflação e desemprego, mesmo sem um crescimento do IDH(Índice de Desenvolvimento Humano). Os que não reclamam? Os que acham que tudo está perfeito? Os conformados?

E não gosto do bom gosto... Não que eles o tenham. E não gosto dos bons modos... Não que eles saibam o que realmente é. Eu gosto dos que têm fome, dos que ardem.

"Brasil, ame ou deixe-o!". Foi algo que me lembrei de imediato ao ser criticado, por criticar as mazelas da republiqueta das bananas. Certa vez um governo de transição foi exercido por uma junta militar em 1969. No mesmo ano, o general Emílio Médici foi escolhido como presidente pela mesma. Médici ficou conhecido por exercer o governo mais autoritário de toda a ditadura. Com o bordão “Brasil, Ame ou deixe-o”, o presidente ordenou a total censura a livros, filmes, músicas e quaisquer outros tipos de manifestações contra o regime.




terça-feira, abril 09, 2013

Quantos gays, e tão poucos homossexuais!

Fernando Schweitzer - Jornalista desempregado, Director teatral censurado e até ser assassinado por um homofóbico cidadão livre e de pensamento independente.

Ando tão de saco cheio de um argumento falido da tal ditadura gay... Primeiro que gay é um termo americanizado para definir um momento histórico. Este, onde HOMOSSEXUAIS, a época ditas como pessoas tristes, ou na expressão também arcadista "que triste é ter um filho assim"... construíram um constrangimento social que até hoje perdura. Ocasionando a criação de uma gíria pelo movimento LGBT destas escuras décadas de 30 e 40... GAY. 

Termo proveniente do antigo francês GUI, novidade, frescor. O termo que existe também no espanhol arcaico "guay", ainda usual no México e parte de Espanha, como algo legal, ou divertido.

O fator X é. Atos homossexuais existem entre animais, inclusive leões, cientificamente em mais de 20% da população. Claro leões não precisam responder ao censo dentro de suas casas aonde escondem por preconceito sócio-normativo sua real preferência emotiva.

A esteriotipação do homo o transformou no decorrer dos anos em um arquétipo, ou o vulgarmente chamado gay. Até mesmo os homossexuais são homófobos a este biótipo de homossexual, que muitas vezes sim é efeminado, mas também muito força a barra para fazer-se mais feminino do que já é.

Existem muitos homossexuais que tem medo de assumirem-se, muito mais por serem taxados de bichinha que por gostarem de estar com homens. Ess micelânia de fatores sejam na ampla sociedade ou no gueto trazem malefícios para todos os pares homossexuais.

O Brasil é o atraso do continente, mesmo sendo visto como país livre e progressista. Enquanto Uruguay desde 2003 tem tanto o matrimonio igualitário, tal qual a adoção por pessoas do mesmo sexo como leis e mais de 500 crianças órfãs já com uma família... Por aquí, ainda se discute a ineficaz união civil, aprovada desde 2001 na Argentina, que em 2010 regulamentou o matrimonio igualitário.

Mediante aos absurdos ouvidos por fundamentalistas religiosos e pseudo-artístas, tivemos pérolas para a posteridade, mas que parecem ter vindas ou das profundezas do inferno, ou do diário pessoal de Hittler:

- Estão criando uma ditadura gay. ( E os que mataram mais de 300 homossexuais pela simples razão de serem homossexuais, querem construir um ditadura.... o que? )

- Joelma, o ganido do Pará... Afirmou que homossexuais são "como um drogado tentando se recuperar". ( Pena que quem tem mais gosto musical dificilmente se recupera )

- "O problema é que depois do casamento religioso, eles podem querer, como já brigam pela adoção de crianças. E nós sabemos, a própria psicologia diz, que a criança criada por dois homens ou criada por duas mulheres tem uma problemática sem tamanho", declarou Feliciano, o pastor deputado. ( Me surpreendem a grande quantidade de dementes, assassinos, ladrões, pastores e até mesmo homossexuais criados por casais "normais" de heterossexuais.

Deixemos algumas imagens para serem compartilhados em nossa cruzada por um país laico e igualitário. A primeira é minha com  ajuda de um amigo "gay" que prefere não se identificar, por medo de represálias em seu trabalho e a outra vi em algum facebook perdido por aí. 

As pessoas crêem em uma minoria gay, e não pensam na esmagadora maioria homossexual como por exemplo um amigo meu. Ele após 5 anos que nos conhecíamos começou a me dar cantadas. Mesmo sendo hétero e pegador um certo dia transou comigo (tanto como ativo, como passivo). No dia seguinte me ligou para dizer que não lembrava da noite anterior. Quatro dias depois me ligou para dizer que sua namorada estava grávida e mudou de cidade. Três anos depois disse aos gritos bêbado no carnaval no meio da rua cheia de gente que me amava, mas que não podíamos ter nada porque mesmo ele me amando ele era hétero. E logo em seguida me beijou por mais de 1 minuto.

Eu não tenho nenhum preconceito contra heterossexuais, como igual. E eles depois que se corroam em seu mundo de hipocrisia e covardia.

Fernando Schweitzer - Jornalista desempregado, Director teatral censurado e até ser assassinado por um homofóbico cidadão livre e de pensamento independente.

Em resposta a uma montagem feita que dizia: QUANTO MAIS FELICIANO MELHOR




CORRE PELAS REDES SOCIAIS COMO UM IRÔNICO VIRAL

Feliz sem ciano!

Compartilhe essa idéia... E tenha um país mais laico!