sexta-feira, junho 06, 2025
Por que o Teatro Ainda É um Espelho Poderoso da Nossa Realidade?
quarta-feira, abril 30, 2025
Brasil e seu Malvado Favorito!
O PT é neoliberal e direitosissimo. Não é um achismo. Irei comprovar diametralmente através de argumentos esta sincera e pouco dita crítica aos stalinistas neoliberais.
Isto a burguesia pseudointelectual não vê, ou vê e finge que não porque essa burguesia stalinista que mantém o status quo é a mesma que criou o monstro de estimação ao bom estilo "Meu Malvado Favorito"? Achavam que poderiam controlar o monstro e o monstro os devorou. Acham que com estas medidas paliativas iri controlar a sede neopentecostal e neoliberal?
Seguindo nesta linha argumentativa, podemos que se sustentem visceralmente a afirmação: as veias abertas da América Latina seguem jorrando e o quão ela e o Brasil são ainda reféns do consenso de Washington.
Ancoremo-nos na crítica plenamente fundamentada e corroborada pelos mais diversos pensadores contemporâneos, que o Brasil (e a América Latina como um todo) continuam presos ao Consenso de Washington, e que o PT (Partido dos Trabalhadores) e outros setores da "burguesia progressista" nacional e até mundial agem, na prática, como mantenedores desse status quo, apesar da retórica "de esquerda". Grande exemplo é o do Partido Socialista Obreiro Espanhol (PSOE), que atualmente é governo e não tem uma mínima vocação ou ação realmente de esquerda e deveria se rebatizar como Partido Social-democrata Espanhol, por exemplo.
Apesar de movimentos políticos que se autodenominam progressistas ou de esquerda, o Brasil e a América Latina permanecem estruturalmente presos à lógica neoliberal e dependente imposta pelo Consenso de Washington. Essa dependência é mascarada por discursos nacionalistas ou "social-desenvolvimentistas", mas na prática preserva a lógica de subordinação ao capital financeiro global.
O PT e o neoliberalismo envergonhado
O PT, a partir de 2003, adotou políticas de conciliação com o mercado financeiro, não rompendo com os pilares do neoliberalismo (ex: responsabilidade fiscal rígida, superávit primário, política de metas de inflação via juros altos), como afirmou e desenvolveu em seu livro, Marcio Pochmann, nos mostra escatologicamente e de maneira bem didática em Desenvolvimento e crise social; mas não apenas ele. Francisco de Oliveira, Hegemonia às Avessas, abordou também via esta ótica mais realista e crítica estas questões do peleguismo Lula petista.
A burguesia pseudointelectual como gestora e propagandista do status quo
Intelectuais e elites progressistas buscaram manter a ilusão de transformação enquanto garantiam a estabilidade do modelo econômico dependente e suas regalias. Pois, em time que dá lucro não se mexe.
O Monstro
A aliança pragmática com setores conservadores e a falta de disputa cultural profunda permitiram o crescimento do neopentecostalismo e do neoliberalismo radical, que agora são forças políticas autônomas e hostis. As políticas de inclusão pelo consumo (ex: Bolsa Família) não alteraram a lógica da financeirização da economia brasileira nem a vulnerabilidade externa.
O modelo latino-americano pós-anos 1990 internalizou de tal forma o receituário do Consenso de Washington (privatizações, liberalização, austeridade) que mesmo governos ditos progressistas agem sob essa cartilha.
As veias continuam abertas
A tese de Eduardo Galeano (As Veias Abertas da América Latina) permanece válida: a lógica extrativista e de subordinação econômica foi atualizada, mas não superada.
O Neoliberalismo de Esquerda é o Novo Cativeiro Latino-Americano. Este artigo propõe uma análise crítica do papel das elites políticas progressistas latino-americanas, especialmente no Brasil, na manutenção do projeto neoliberal imposto a partir do Consenso de Washington. Argumenta-se que a adesão prática ao neoliberalismo, sob retórica social, criou as condições para o fortalecimento de forças conservadoras extremas e perpetuou a dependência econômica da região. Se é que ninguém ainda percebeu a clara reflexão que me proponho neste dialético texto.
A protoesquerda se rendeu, abriu as ancas ao Neoliberalismo e Consenso de Washington. A esquerda latino-americana gerenciou o modelo neoliberal em vez de superá-lo. A conciliação de classes e a financeirização no Brasil pós-2003 são a razão óbvia da extirpação da mínima possibilidade de sairmos deste campo minado em que o país continental e seus periféricos vizinhos se encontram arrinconados. A hegemonia cultural conservadora e o crescimento neopentecostal. O falso nacionalismo e a real dependência. Crítica à esquerda stalinista e à burguesia progressista. Atualização da dependência latino-americana: "As Veias Abertas" no século XXI. A esquerda institucional latino-americana, ao não romper estruturalmente com o neoliberalismo, alimentou, ajudou a criar e até parece gostar do fortalecimento da extrema direita.
sexta-feira, abril 25, 2025
Pobre Francês
Este francês...
este ente estranho e mui afamado,
tal qual pedra...
ou bola de cabelos enredados...
Sabor de toronja passada em seu tempo,
áspero como vinho vil aberto há sete dias
Este que te faz bradar
como donzela em trem de assombração,
semelhante a buzinas ou clarins de coche às três d’alva da matina
Cheirava a cão molhado em chuva d’estio
ou a meu irmão após jogo de pelota
Ao dele me achegar, tentava eu não olhar
Mas vendo-o, jurei em memória tê-lo sempre
Um pão esquecido em cofre de madeira... ao menos isto, após 6x1
Pobre francês...
domingo, abril 20, 2025
A Crise da Representação e o Impasse da Esquerda Institucional
Desde o início dos anos 2000, o Partido dos Trabalhadores (PT) tem adotado uma postura conciliatória com setores do capital, evidenciada pela "Carta ao Povo Brasileiro" de 2002. Essa estratégia visava garantir a governabilidade, mas resultou na manutenção de estruturas neoliberais e na desmobilização das bases populares. A recente pesquisa do instituto Paraná Pesquisas indicava naquela época da trágica eleição que levou ao poder o atualmente inelegível, Jair Bolsonaro, ao poder e dizia que este superaria Lula em um segundo turno, com 45,1% contra 40,2% das intenções de votos. Esse dado refletia a insatisfação de parcelas significativas da população com as alternativas políticas tradicionais.
A Ascensão da Direita e a Fragmentação da Classe Trabalhadora
A crescente adesão de setores populares à direita é um fenômeno preocupante. Segundo análise do El País, os pobres pelo mundo têm votado cada vez mais em candidatos conservadores que oferecem soluções práticas, razas e objetivas para problemas cotidianos, em detrimento de promessas revolucionárias. Essa tendência evidencia a eficácia da direita em se apresentar como alternativa viável, enquanto a esquerda institucional falha em mobilizar e representar efetivamente os interesses da classe trabalhadora.
Isso tem uma ligação direta com a realidade brasileira atual: muitos trabalhadores pobres apoiam candidatos da direita porque são bombardeados por mensagens que demonizam a esquerda, ligando-a à corrupção e à ineficiência, enquanto glorificam valores conservadores, meritocráticos e neoliberais.
Despolitização dentro de uma Sociedade Líquida
Embora Bauman seja o principal autor da teoria da modernidade líquida, Chomsky também contribui para o entendimento dessa fluidez social ao destacar como o sistema capitalista contemporâneo promove o individualismo, o consumismo e o enfraquecimento dos laços coletivos. A fragmentação da classe trabalhadora não é só material, mas também cultural e simbólica.
Na prática, isso significa que trabalhadores deixam de se reconhecer como parte de uma classe explorada, e passam a se identificar com ideais de empreendedorismo, sucesso individual e ascensão pessoal, mesmo quando essas promessas são inalcançáveis.
O Papel da Educação e do Discurso Simplificado
Chomsky também critica fortemente a degradação da educação pública, que torna os indivíduos mais vulneráveis à propaganda política simplista e populista. A direita tem se aproveitado dessa brecha para oferecer “soluções práticas” (como repressão policial, corte de gastos públicos, e moralismo religioso) que parecem concretas diante do vazio da retórica revolucionária da esquerda institucional.
Em suma, Chomsky nos auxilia a entender como a combinação entre hegemonia ideológica, mídia corporativa, e educação debilitada cria um terreno fértil para que a direita avance sobre setores da população que, em teoria, seriam a base de apoio da esquerda.
A Necessidade de uma Alternativa Revolucionária
Diante desse cenário, é imperativo que os setores revolucionários da esquerda brasileira construam uma alternativa política que vá além das limitações impostas pelo sistema capitalista.
A Rejeição às alianças com a burguesia, que deveriam rechaçar-se e comprometem a autonomia e os princípios da classe trabalhadora. Com a construção de um programa socialista, que proponha a ruptura com as estruturas do capital e a implementação de políticas voltadas para a coletivização dos meios de produção. Deveríamos buscar uma mobilização das bases populares, fortalecendo os movimentos sociais e sindicatos como instrumentos de luta e conscientização de classe. Seria muito interessante gerar a formação de uma frente revolucionária, capaz de disputar o poder político e implementar uma verdadeira transformação social.
Em suma, as eleições de 2026 representam uma oportunidade para a esquerda revolucionária apresentar uma alternativa concreta ao neoliberalismo, rompendo com as práticas conciliatórias do passado e construindo um projeto socialista enraizado nas lutas da classe trabalhadora. Mas... corremos o risco de seguirem como puxadinhos do lulopetismo stalinista.
quinta-feira, março 27, 2025
Uma fábula sobre a divisão!
Pois num é que um cabra teimoso ganhou um bolo grande e bonito? Disseram-lhe:
— Bolo bom é bolo repartido!
Mas ele, com olho maior que a barriga, resolveu comer tudo sozinho. No começo, era uma festa. Depois, um tormento. A barriga pesou, o suor escorreu, e ele ficou ali, arrependido, feito jabuti virado de casco pra cima.
Um velho sábio, vendo aquilo, disse:
— Bolo inteiro ninguém come. Pra não se entalar, tem que cortar em pedaços.
E o cabra aprendeu, na dor, que tudo na vida se reparte: seja bolo, seja trabalho… ou poder.
quinta-feira, março 06, 2025
Europa e o Escândalo da Soberania
Foi o suficiente que um país da União Europeia, um desses periféricos que têm a honra de fazer parte da grande família europeia mas que não devem, jamais, se esquecer de onde vêm, insinuasse que talvez, veja bem, talvez, suas decisões econômicas e políticas devessem levar em conta sua própria realidade antes das diretrizes de Bruxelas, para que se levantasse a fúria dos bem-pensantes, daqueles que sabem o que é melhor para os outros, pois, afinal, não é para isso que existem os especialistas, os economistas, os analistas de risco, os mercados, essa entidade mística que, embora ninguém tenha visto, todos temem?
Compreende-se a preocupação. A União Europeia foi fundada sobre certos princípios inegociáveis, a livre circulação de capitais, a estabilidade monetária, a disciplina fiscal e, acima de tudo, a compreensão tácita de que os países podem, sim, ter eleições, desde que os eleitos saibam se comportar. E não se está aqui a dizer que não possam haver discordâncias, discussões, debates, desde que, ao fim e ao cabo, todos cheguem à conclusão correta, ou seja, a já previamente determinada por aqueles que verdadeiramente compreendem como funciona o mundo.
Mas então vem o dissidente, o insensato, o desorientado, que começa a fazer perguntas inconvenientes: por que não podemos decidir nossa própria política industrial? Por que os investimentos precisam estar atrelados a condições que nem sempre fazem sentido para nós? Por que não podemos, Deus nos livre, negociar acordos comerciais sem pedir permissão? E é então que se inicia o ritual da punição, e não se pense que se faz isso por maldade, nada disso, é por preocupação, por zelo, como se faz com uma criança que quer colocar o dedo na tomada, porque, afinal, um país que decide por si mesmo pode acabar muito mal, vide o exemplo de, bem, não importa, o importante é que não pode.
A imprensa, sempre vigilante, faz sua parte. De repente, descobre-se que os indicadores não são tão bons assim, que há déficits que ninguém notara, que os investidores, esses seres sensíveis, começaram a desconfiar, e veja só que coincidência, o risco país aumentou. Dizem que há tensões no governo, que os ministros discutem, que funcionários estão descontentes, que há rumores de desorganização, de instabilidade, de que talvez, só talvez, tenha sido um erro dar tanto poder a quem não sabe como usá-lo. Claro que tudo isso pode não ser exatamente verdade, mas também não é exatamente mentira, e, no final das contas, a verdade importa menos do que a narrativa bem contada.
E assim, pouco a pouco, o rebelde volta ao eixo, aprende que soberania, na Europa, é um conceito flexível, que há países que a têm e outros que devem contentar-se com a ilusão dela, que há autonomia e há autonomia vigiada, e que qualquer tentativa de mudar isso resultará, inevitavelmente, naquilo que todos já sabem: desconfiança dos mercados, crise de governabilidade, fuga de capitais, instabilidade institucional e, caso ainda assim o recado não seja compreendido, uma intervenção mais direta, sempre em nome da democracia, da estabilidade e do bem comum.
Pois a liberdade de um país é algo muito precioso para ser deixada nas mãos de seus próprios governantes.
segunda-feira, março 03, 2025
E o Óscar vai para... Eu avisei! Ou não avisei?
Mas e o Óscar? Enquanto artistas burgueses do grande circulo do entretenimento gargalham em festas luxuosas mundo a fora, nós os da base piramidal da cultura, nem pão conseguimos em troca da nossa arte.
Ela, a arte, olhou para as próprias mãos. Estavam cansadas, como se a pele ainda guardasse as cicatrizes invisíveis de outras mãos que um dia serviram, forçadas. De onde vinha esse cansaço, essa dívida histórica que nunca parecia se pagar? O aluguel, a comida, a água, a energia. O corpo que se levanta antes do sol e se recolhe depois da lua. A pele escura ou pálida, mas sempre subjugada. O tempo do descanso que nunca chega, o sonho sempre adiado.
E o Óscar, gente, é do Brasil!!! Acho que a casta inferior não é o Brasil. Pois, dadas as circunstâncias da realidade da produção cultural no país e em geral no mundo capitalista seja de primeiro ou quarto mundo é a mesma! Obsoleta, ingerível, destruidora de sonhos e palatalmente dura de tragar, como uma mescla de Campari e vinho velho seco de marca duvidosa.
A liberdade chegou em papéis assinados, mas não nos dias que se repetem em uma escala 6x1. Seis dias de entrega, um dia para respirar — ou tentar lembrar como se respira. Como se fosse um presente. Como se o corpo não precisasse de mais. Como se a mente não soubesse que a engrenagem gira e gira e gira e não há saída.
Na escravidão, os corpos eram vendidos; agora, alugam-se. O preço? O que for suficiente para sobreviver — mas nunca para viver.
Quem paga isso? E mais: quem decide o que vale um dia, um mês, uma vida?
Ela fechou os olhos por um momento, tentando lembrar de um tempo em que não houvesse contas a pagar. Mas a memória falhou, porque nunca houve. Sempre foi assim. E talvez continue sendo.
Mas, por um instante, a revolta cresceu silenciosa dentro dela, como uma faísca no escuro. E pensou: talvez seja tempo de mudar a pergunta. Talvez a resposta não esteja nas contas, mas na coragem de quebrar esse ciclo que insiste em se repetir.
segunda-feira, fevereiro 24, 2025
A Grama do Vizinho Continua Mais Verde?
Fernando Schweitzer, Florianópolis-SC - Ator Não-Global, Diretor Teatral, Cantor, Escritor e Jornalista
"A liberdade da mídia não se mede pelo que se pode dizer, mas pelo que se ousa mudar." Muito se falou e muito mais se falará sobre política, mídia e futebol. Três pilares da discussão social que, em tempos de polarização extrema, assumem contornos ainda mais radicais. O mundo de 2025 se vê novamente imerso no retorno da ultradireita, reconfigurando narrativas e redefinindo as prioridades do entretenimento e da informação.
A TV, como reflexo da sociedade, espelha essas mudanças e, em alguns casos, reforça suas estruturas. No Brasil, onde a tradicional dominação das grandes emissoras sempre ditou o consumo midiático, a rigidez dos formatos e a busca incessante por status continuam sendo elementos centrais na cultura televisiva. Mas até que ponto esse modelo ainda se sustenta?
O Paradigma da TV Aberta: Brasil x Argentina
Ao visitar Buenos Aires, é impossível não notar um ecossistema televisivo distinto do brasileiro. A líder argentina, Telefe, embora ocupando um papel dominante, apresenta uma dinâmica diferente: a busca pelo conteúdo acima do status. Um exemplo clássico é o programa CQC, originado na produtora independente Cuatro Cabezas e transmitido por diferentes canais no mundo ao longo dos anos e em seu país nativo mudou de emissora algumas vezes.
No Brasil, essa mobilidade televisiva é rara. Programas como "Ídolos" apenas migraram de emissora devido a questões contratuais internacionais. Fora isso, formatos se mantêm estagnados e, mesmo quando perdem seu elenco principal, persistem como marcas imutáveis. Isso cria uma estrutura de dependência de grandes redes, fazendo com que a qualidade seja frequentemente subordinada à reputação de seus astros e não ao potencial criativo.
A Nova Ordem Midiática e o Avanço da Ultradireita
Com o renascimento da ultradireita ao redor do mundo, incluindo o Brasil, a comunicação passa a ser instrumentalizada de forma ainda mais incisiva. O discurso de que apenas "uma verdade oficial" deve prevalecer cresce, minando espaços de experimentação cultural e consolidando um oligopólio ideológico na mídia.
A Argentina, apesar de também enfrentar ondas conservadoras, mantém sua tradição de valorização do conteúdo acima da estrela. Um exemplo emblemático foi a trajetória de Cris Morena, criadora de êxitos como Chiquititas e Floricienta, que não hesitou em levar suas produções de um canal a outro, sem perder relevância. Enquanto isso, no Brasil, um programa como Casseta & Planeta jamais conseguiría existir fora do guarda-chuva de uma gigante como a Globo.
A Massificação e o Engessamento Criativo
A TV brasileira, ancorada na segurança de sua bolha tradicional, perpetua um discurso homogêneo e robotizado. Os formatos são reciclados, os talentos são os mesmos e as apostas continuam seguras. Em um mundo onde a mídia digital pulverizou o monopólio da audiência, insistir em um modelo fechado parece, no mínimo, anacrônico.
Se Garrincha, por fugir do padrão comportamental da sociedade conservadora, nunca foi considerado o verdadeiro rei do futebol, podemos dizer que a suposta qualidade da TV brasileira é uma ilustração perfeita de como a massificação impõe limites criativos.
A verdade é que a TV argentina prova que o conteúdo sobrevive sem um rótulo fixo. E se no Brasil a insistência na imutabilidade de formatos perdurânticos, talvez seja a hora de nos perguntarmos: a grama do vizinho continua mais verde? Ou apenas nos recusamos a olhar para o próprio quintal?
quarta-feira, fevereiro 19, 2025
Que esquerda é essa companheiro molusco?
Hoje nosso artigo vai por um novo caminho. Resolvi listar algumas das razões e/ou justificativas para afirmar que o lulopetismo não é de esquerda, eis:
- O pragmatismo do "toma lá, dá cá" – Um esquerdista de verdade enfrenta o sistema, não se alia a ele.
- A aliança com banqueiros – Os donos do dinheiro nunca tiveram tanto lucro como nos governos petistas.
- O “nunca antes na história deste país” – Frase repetida como um mantra, mas sem revolução.
- O mensalão e o petrolão – A corrupção institucionalizada como método de governabilidade.
- O discurso populista – Mistura de Getúlio com sindicalismo velho, mas sem mudança estrutural.
- Os jantares com a Faria Lima – Uma esquerda que confraterniza com o capital financeiro?
- O abraço em Maluf – Se até o Maluf cabe na “esquerda” do Lula, então o conceito perdeu o sentido.
- A falta de projeto socialista – Governou mais próximo da social-democracia europeia do que de qualquer esquerda radical.
- O apoio às empreiteiras – O BNDES financiou grandes empresários enquanto o povo continuava no aperto.
- A institucionalização da miséria – Programas sociais sem porta de saída são paliativos, não transformação.
- O look operário virou terno Armani – Trocar o macacão pelo paletó não é coisa de revolucionário.
- O “sapo barbudo” virou amigo do Rei – De sindicalista rebelde a compadre da elite.
- O conservadorismo nos costumes – O PT nunca teve coragem de bancar pautas progressistas de verdade.
- A bajulação de ditadores – Esquerda de verdade defende liberdade, não afaga tiranos.
- O bordão “nunca soube de nada” – O Che Guevara deve revirar no túmulo cada vez que Lula diz isso.
- O amor pelo capitalismo de Estado – Um governo que enriqueceu empresários amigos não é socialista.
- O jeitinho brasileiro virou método de governo – A esquerda que prega ética não pode viver de conchavo.
- O discurso reciclado – Fala de mudanças radicais, mas governa no “mais do mesmo”.
- O país do futebol, cerveja e Bolsa Família – Enquanto isso, educação e cultura seguem no banco de reservas.
A ironia final seria que, no fundo, Lula não é de esquerda nem de direita—é apenas um sobrevivente da política brasileira, moldado pelo jogo de poder.
quinta-feira, fevereiro 13, 2025
6x1 ou 5x2: Qual o Melhor Sistema de Trabalho para o Brasil?
A economia como régua e compasso
No cenário corporativo, a busca por produtividade muitas vezes atropela direitos e desgasta a força de trabalho. Dados recentes mostram que redes de restaurantes, como o Outback, alcançam faturamentos bilionários explorando um modelo de operação contínua e intensiva. Apenas no Brasil, o lucro internacional da empresa responde por 87% dos US$ 84 milhões faturados pela matriz, segundo relatórios financeiros. Mas a que custo?
Nos bastidores do crescimento econômico, o trabalhador se vê submetido a extensas jornadas e, muitas vezes, à exaustão. O modelo 6x1, predominante no setor de serviços, parece alimentar um ciclo de produção incessante, sem oferecer contrapartidas reais em termos de bem-estar.
A lógica do crime e a (des)ilusão do mercado
Se no setor formal o esforço contínuo gera lucro para poucos e cansaço para muitos, no submundo do crime a estrutura não difere tanto. O tráfico de drogas, que movimenta entre R$ 20 bilhões e R$ 100 bilhões por ano no Brasil, segundo estudos de segurança pública, opera com uma eficiência empresarial invejável. Facções como o PCC e o Comando Vermelho adotam sistemas rigorosos de trabalho, logística avançada e diversificação de mercados, garantindo um faturamento que ultrapassa R$ 400 milhões anuais apenas para uma das organizações. Aqui, não há folgas nem convenções coletivas.
A lógica implacável do mercado, seja ele lícito ou ilícito, parece sugerir que o modelo 6x1, ao exigir disponibilidade contínua, favorece o crescimento de grandes impérios, mas impõe um custo social elevado.
Saúde mental e produtividade: o dilema da modernidade
Estudos demonstram que longas jornadas de trabalho reduzem a produtividade ao invés de aumentá-la. Países europeus vêm adotando semanas mais curtas, como o 4x3, com resultados positivos em engajamento e eficiência. No Brasil, onde o burnout se torna uma epidemia silenciosa, a defesa do 5x2 ganha força como um modelo mais equilibrado.
Afinal, qual a alternativa mais adequada? A resposta não pode ser puramente econômica. O país precisa decidir se quer um trabalhador exaurido, sustentando a engrenagem do capital e do crime, ou uma sociedade que valorize tanto o esforço quanto o descanso. A escolha entre 6x1 e 5x2, portanto, não é meramente matemática. É política, social e, acima de tudo, humana.
O brasileiro sempre trabalhou muito. Foi assim que o país cresceu, foi assim que geramos riquezas e construímos nossas metrópoles. Quem quer descanso que fique na Escandinávia! Aqui, o sol nasce para os esforçados. Esse papo de 5x2 só alimenta a preguiça institucionalizada que já corrói nossa produtividade tão morosa e moribunda.
Empresas multinacionais, que operam em regime de excelência, geram empregos, criam oportunidades e movimentam a economia. Querem o quê estes bravateiros inconsequentes? Que fechem as portas porque o garçom está cansado? Querem que o empresário pague mais para que o trabalhador saia mais cedo e vá tomar uma cervejinha no bar da esquina?
E essa comparação infeliz com o tráfico de drogas! Ora, meu amigo, quem opta pelo crime já fez sua escolha, não tem nada a ver com sistema de trabalho. O trabalhador honesto está no chão de fábrica, no restaurante, na loja, na rua, pisoteado pelo burguês capitalista, mas generoso, que lhe dá de comer – não no morro trocando tiro com a polícia.
O Brasil não precisa de mais descanso, precisa de mais trabalho. É o suor, a repetição, a disciplina que formam nações. E o que estamos criando? Uma geração que quer semana de quatro dias e salário de cinco dígitos. Queremos um país rico? Pois bem, vamos trabalhar para isso. Seis dias por semana, sete se necessário. O descanso é para os fracos; o crescimento é para os fortes.
E assim seguimos, entre os que fazem e os que sonham. Entre os que produzem e os que lamentam. O Brasil precisa decidir de que lado quer estar. Mas você também!!!
segunda-feira, fevereiro 10, 2025
Trágico: O Repartidor
sábado, fevereiro 01, 2025
"Pior tá que tá fica": Tiririca perde mandato e a direita continua fingindo que não há corrupção
E não é que o "melhor do que tá, não fica" virou profecia autorrealizável? Tiririca caiu do trapézio eleitoral e, no meio da confusão, levou junto parte da trupe do PL. O circo perdeu um palhaço, mas a plateia segue cheia de otários que ainda insistem que "só a esquerda é corrupta".
Olho o Circo Pegando Fogo
Enquanto Carla Zambelli tentava fazer cosplay de Jason Bourne armada num shopping, a ala mais fervorosa da direita continuava batendo no peito para dizer que corrupção no PL "não existe". Sim, amigos, a turma que acreditava piamente que as rachadinhas eram fake news, os imóveis pagos em dinheiro vivo eram apenas coincidência e que os cheques na conta da ex-primeira-dama eram empréstimos entre amigos, agora vê seus representantes caindo um a um — mas, claro, tudo é culpa do STF, da ONU, do 5G e, se duvidar, até do Papa Francisco.
A Direita Brasileira e o Manual do Autoengano
Deixando claro que CONSIDERO OS GOVERNOS PETISTAS DE DIREITA, NEOLIBERAIS E DE CUNHO STALINISTA, desejo por pimento no orifício alheio. O roteiro é sempre o mesmo: Deputado de direita é cassado. Os apoiadores fingem que não viram e mudam de assunto. Se insistirem no assunto, jogam a culpa no comunismo, na mídia ou em conspirações internacionais. Se nada disso colar, dizem que “não era de direita de verdade”.
Agora, com Tiririca fora do Congresso, a pergunta que não quer calar: será que o ex-humorista também será acusado de ser um agente infiltrado da esquerda globalista? Porque, convenhamos, o critério para definir quem é "de direita de verdade" no Brasil muda conforme a conveniência. Rachadinhas? Perdão divino. Caixa 2? Esquecimento seletivo. Cassação? Justiça sendo injusta.
Rindo de Nervoso
No fim das contas, a direita brasileira parece um cachorro tentando correr atrás do próprio rabo, sempre em busca de uma explicação mirabolante para o óbvio: corrupção na política não tem ideologia, tem oportunistas. Mas, claro, para os fanáticos, se um político de direita rouba, é tudo armação; se for de esquerda, é o fim da civilização ocidental.
Se fosse possível resumir esse momento da política brasileira em um espetáculo circense, Tiririca teria saído do Congresso, mas o show de autoengano da direita continuaria em cartaz, com lotação esgotada e sessão extra.
No Brasil, o problema nunca foi corrupção, mas sim quem está cometendo ela. E, no meio dessa palhaçada toda, quem ainda acredita que a "direita é pura" continua fazendo o papel de bobo da corte.
Se fosse pra definir a política brasileira numa frase, seria algo entre um bordão do Tiririca e um provérbio de boteco: “Pior que tá, não fica”... mas fica sim, e sempre dá pra piorar.”
Nosso protagonista desta tragicomédia nacional entrou na política como um palhaço e saiu como um profeta — mesmo sem perceber. Ele chegou ao Congresso montado no voto de protesto, aquele velho truque do eleitor que acha que não pode mudar nada e, pra provar isso, decide piorar tudo. A lógica? "Se é pra me ferrar, pelo menos eu dou risada." E deu. Só que agora o riso virou careta e o protesto saiu pela culatra.
Tiririca dizia que a política era coisa séria, mas o Brasil é um país onde quanto mais sério o problema, mais cômica é a solução. Enquanto isso, do lado de fora do picadeiro, os eleitores seguem trocando seus votos por bordões vazios, acreditando que um microfone e uma peruca colorida resolvem um país com PIB em queda e democracia em risco.
Agora que o espetáculo chegou ao fim, a pergunta que fica é: o público aprendeu alguma coisa ou já tá na fila do ingresso pro próximo palhaço?
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