quarta-feira, abril 09, 2014

Domingo estreia Somente Tu e Eu, em SC


Através desta comédia romântica, temas desde a inquisição ao primeiro amor verdadeira, o celibato e sexo sem amor serão abordados. Na nova montagem da Cia A Tribo Produz o poder da relação humano entre opostos será desvelado, com o pano de fundo, um trem a rumo ao Caminho de Santiago de Compostela.

O cartaz e chamadas do espetáculo incitam o público a saltar em cima do autor. "O espetáculo mais herege desde a redemocratização", por exemplo, é centelha para conservadores neste ano em que se comemoram 50 anos do Golpe Cívico-Militar de 64.


Florianópolis, 13 de Abril - 18:00h e 20h - SEST/SENAT - Jd. Atlântico
Porto Alegre, 26 e 27 de Abril --- 19h -------- Teatro Nilton Filho 
http://www.nosvamos.com.br/index.php?mod=evento&id=616

A história do galego Xavier e o baiano Román. Dois jovens completamente diferentes que tomam um trem na Cidade do Porto, rumo a Vigo, no sul da Galícia. Com o intuíto de fazer o mítico Caminho de Santiago de Compostela Román deixou o Brasil para essa peregrinação.

Um seminarista com muitas dúvidas e um fotógrafo trisexual com muitas certezas em uma viagem que mudará suas vidas e convicções. Ao embarcarem desde Portugal as protagonistas se conhecerão. O comboio com destino a Galícia, mudará não apenas suas vidas como também sua percepção do mundo.

Eles tomarão a importante linha laranja que liga a Galícia com Portugal (Vigo a Cidade do Porto). Essa linha é alvo de diversas críticas devido a demora da viagem entre as 2 cidades, visto que se trata de uma linha de trem antiga e que para em diversos pontos do interior até chegar ao destino final. A saída da estação Campanhã, na cidade do Porto pela noite, até Quixar, em Vigo, pretensamente dura pouco mais de 2 horas. Um período curto, mas que causará mudanças drásticas na vida de dois homens. Chegar a Galícia pelas margens do Rio Minho é sempre uma experiencia mística.

segunda-feira, março 31, 2014

50 anos em 5... Minutos!

Fernando Schweitzer - Diretor Teatral e Jornalista


O Golpe Militar de 1964 designa o conjunto de eventos ocorridos em 31 de março de 1964 no Brasil, que culminaram, no dia 1 de abril de 1964, com um golpe de estado que encerrou o governo do presidente João Goulart. Em 1964, houve um movimento de reação, por parte de setores conservadores da sociedade brasileira,juntamente as Forças Armadas, o alto clero da Igreja Católica e organizações da sociedade civil, apoiados fortemente pelos Estados Unidos.

Havia um temor de que o Brasil viria a se transformar em uma ditadura socialista, similar à Cuba. O governo de João Goulart e seu plano Trienal, afim de estabilizar a economia, seguido da acentuação do discurso de medidas vistas, as quais incluíam a reforma agrária e a reforma urbana, combate a pobreza, distribuição de renda e saúde não foram bem vistas. Pois à época significavam ser tachado de comunista, mesmo quando não fosse o caso. Os militares brasileiros chamavam o Golpe, de Revolução de 1964, ou Contrarrevolução de 1964. Expressão associada a defensores da ditadura.

Bem, defensores a está atroz desfeita ainda respiram. Novos cooptados por essa ideologia reacionário também. Recentemente tivemos a tal Marcha da Família, em várias cidades do Brasil.

A questão que ainda paira no ar é: Se os países vizinhos que tiveram ditaduras de menor tempo e com número inferior de assassinatos executados pelos seus regimes autoritários no século passado, porque o Brasil ainda segue na escuridão dos fatos desta época tenebrosa para o país?

Um suposto ladrão de alinhas pode ser linchados e amarrado a postes, mas assassinos em série usufruem de uma lei de anistia criada apenas par defender ditadores e seus apoiadores dos rigores da lei. Se é que lei há!

Neste dia a meros 50 anos, o povo ignorante apoiou um golpe anti-democrático. Será que hoje seria diferente? Não. Pois o povo ainda leva o sonho americano, ou melhor, americanizado no peito. Casa, carro e covardia!

quinta-feira, março 13, 2014

Somente Tu e Eu, tem estreia para fim de Março confirmada

Em 13/03/2014 - da Redação



A história do galego Xavier e o baiano Román. Dois jovens completamente diferentes que tomam um trem na Cidade do Porto, rumo a Vigo, no sul da Galícia. Com o intuíto de fazer o mítico Caminho de Santiago de Compostela Román deixou o Brasil para essa peregrinação. 
Guilherme Lohn, Román

O roteiro tem a firma do autor e diretor Nando Schweitzer que faz parte do elenco também. Passa a formar parte da equipe de Somente Tu e Eu, o artista Fah Gastaldi. Definido responsável da assistência de direção e produção do espetáculo, do qual fazem parte os atores Guilherme Lohn e Nando Schweitzer como par romântico protagonista.

A Tribo Produz a cargo de Nando desde 2003 vem de um ano muito produtivo e pretende seguir este trilho com força. Se em 2013 foram produzidas Bacalhau Regado ao Vinho, A Tribo de Kerodon e Antes do Golpe, para este ano La Casa Tujuana já está prevista para estrear em Abril entre outras produções.

Nando Schweitzer, em Show no Blues Velvet Bar
Um seminarista com muitas dúvidas e um fotógrafo trisexual com muitas certezas em uma viagem que mudará suas vidas e convicções. Ao embarcarem desde Portugal as protagonistas se conhecerão. O comboio com destino a Galícia, mudará não apenas suas vidas como também sua percepção do mundo.

Eles tomarão a importante linha laranja que liga a Galícia com Portugal (Vigo a Cidade do Porto). Essa linha é alvo de diversas críticas devido a demora da viagem entre as 2 cidades, visto que se trata de uma linha de trem antiga e que para em diversos pontos do interior até chegar ao destino final. A saída da estação Campanhã, na cidade do Porto pela noite, até Quixar, em Vigo, pretensamente dura pouco mais de 2 horas. Um período curto, mas que causará mudanças drásticas na vida de dois homens. Chegar a Galícia pelas margens do Rio Minho é sempre uma experiencia mística.

A estreia do espetáculo Somente Tu e Eu está prevista para 29 e 30 de Março na capital catarinense e 12 e 13 de Abril o elenco partirá para a estréia nacional em Porto Alegre. A obra seguirá temporada até Julho por Santa Catarina e algumas cidades fora do estado. Com uma mescla de teatro do oprimido e comédia de costumes o texto abarca temas desde o incesto, sociedade, religião e sexualidade, bem como o primeiro amor.


Ficha Técnica

Florianópolis
Teatro da UBRO - Sáb. e Dom. às 19h e 21h - 29 e 30 de Março.
Porto Alegre
Teatro Nilton Filho - Sab. e Dom. às 19h - 12 e 13 de Abril.
Guilherme Lohn, como Román
Nando Schweitzer, como Xabier
Assistência de Direção Fah Gastaldi
Direção Geral e Texto Nando Schweitzer

terça-feira, março 11, 2014

Tripolaridade na TV: The Noite, à noite é uma criança

Fernando Schweitzer - Diretor Teatral e Jornalista


Finalmente algo de qualidade na televisão brasileira. The Noite com Danilo Gentili. Mesmo com o longo intervalo comercial, as suas uma hora e quatro minutos valerão a espera e a expectativa gerada, por uma campanha promocional muito divertida e instigante.

Marcelo Mansfield e Danilo Gentili no AGORA É TARDE/Band
Meu receio enquanto esperava a estreia do programa era: de que a propaganda fosse melhor que o conteúdo. Felizmente, ao menos na estréia, o cartaz vendeu um espetáculo a altura, ou seria um espetáculo a altura do espetáculo.

Ao entrevistar sem alardes prévios o ator Fábio Poerchat, foi uma grande tacada, bem aproveitada pela produção. A pre-produção para a entrevista mostrou-se com um conteúdo complementar a entrevista, trazendo o hilário produto fictício "Método de Interpretação do Fábio Poerchat". Fez o próprio rir de si mesmo.

Seria campo comum, dizer-lo, mas se faz necessário. O integrantes e apresentador se mostraram confiantes, coesos e sem puderes de rir de si. Como por exemplo quando Danilo ao arrancar o programa faz piada das desventuras de como chegou ao nome do programa.

Muito também se notou que o excesso de participações especiais no programa vem a dar-se por um prazer e imenso apoio dos artistas da casa a esse novo projeto do canal. Piadas bem estruturadas com o elenco do canal paulista e os membros do The Noite fizeram da abertura uma boas vindas ao SBT.

Mais que nada, o cenário estava impecável, mostrando que a emissora paulista pode também jogar-se no mundo cult. Público esse em que Gentili transita a muito, mas sua simplicidade e simpatia também podem chegar a cativar o público família popular do SBT. Assim existe por hora uma tendência de crescimento da audiência do programa.

Vão dizer que são tolices, mas ser "tolo" é o que precisamos neste duro momento de falta de autenticidade no país. A falta de identidade, no sentido de individualidade criativa está sucumbindo nossa arte, cultura e fez a TV brasileira entretenimento barato e superficial. E se podemos ser felizes, hoje na televisão, é assistindo o The Noite, com Dannilo Gentili. Nada mais.

Qualidade, sagacidade, voraz-cidade... Dos pitacos de Roger a... Respiremos... Adorei a anedota dada e "justificando" a saída de Marcelo Mansfield, embora sinta sua falta no programa. Mas o substituto não me parece a altura, não por desmerecer Diguinho Coruja, e sim por ser admirador a décadas do brilhante Marcelo. Este que por alguma rusga com o SBT, onde já trabalhou, preferiu manter-se na Band, no Agora é Tarde, com apresentação do "novato" Rafinha Bastos.

Fazia tempo que não parava de usar o note book e parar exclusivamente à TV, para assistir um programa. A muitos anos sou um telespectador híbrido. Internet e televisão integradas. Mas se espera que o nível da estréia se mantenha e não seja fogo de palha.

Mas ver o corpinho quase sarado de Murilo Couto, a banda Ultraje a Rigor, as interações com a assistente Juliana, os vídeos bem produzido e perfeitamente integrados dão ao programa uma cara de ao vivo e não ao vivo. Essa mescla é uma loucura sana e que vão obrigar o já desgastadíssimo Programa do Jô a se mexer se não quiser ver seu público migrar para sua antiga casa, o SBT.

As divertidas imagens de arquivo de Fábio, mais gordo e errando piadas, sendo sem graça no programa de Ronye Von, foram um dos momentos mais nonsense e divertidos da entrevista. Com picardia Danilo soube provocar e sair da práxis do mero elogio jôniano ao entrevistado.

Essa provocação também veio já na abertura, quando Danilo afirma que "a 15 anos o SBT não tem um verdadeiro Talk Show". O rapaz de Santo André provocou, e agora terá de aguentar o rojão. Concorrer com seu colega Rafinha Bastos e seu antigo programa e com o Jô não será tarefa simples.

Esperemos agora ver esse lindo circo pegar fogo. Quando se fala que tripolarizar é melhor que polarizar, é isso. Antes a briga no horário televisivo parecia com as últimas campanhas presidenciais. Uma polarização boba entre iguais... A noite é uma criança, e neste sentido eu sou pedófilo. E o melhor: Nem olhei para a caneca durante o programa!



sexta-feira, fevereiro 21, 2014

Um títere que criou vida, Ivan Titerenovich

Fernando Schweitzer - Diretor Teatral e Jornalista


Então. Como nas críticas que fiz a outros espetáculos, dentro e fora do festival Invasão Teatral, gostaria de relembrar o espetáculo “Ivan Titerenovich” baseado no texto “Os males do tabaco” de Anton Tchekov, com direção de Juliano Valffi, estava primoroso mesmo com o calor absurdo de Teatro da Armação.

O comentaria por horas, mas como haviam apenas 2 pessoas na platéia deixo aqui minha recomendação. Muito divertido e instigante, mesmo em se tratando de teatro com a presença de um boneco.

Não, não resisti... Irei pincelar um pouco do que vi.

Que imenso prazer ao assistir um espetáculo em que o ator de inicio ao fim carrega com mestria uma personagem. Neste caso 2, que são o ide e o ego da mesma, Ivan. Mas nada ainda melhor, como o insuperável sotaque russo de Ivan, personagem cativante do espetáculo.

Aprofundandoquanto ao espetáculo sitecnicamente a construção e execução da personagem me cativou muito além do que poderia imaginar lendo a sinopse.

Por mais que minha especialização seja em sotaques para interpretação, a obra foi além de um sotaque bem executado, muito organico, desmistificando que um ator nao possa fazer voz e sotaques diferenciando-se do seu natural. O texto realmente me pareceu bom, e de límpido transcorrer em sua adaptação neste caso.

Em menos de 3 minutos a aura, ou como digo a membrana entre ficção e realidade-platéia e rifadas positivamente de exímia concentração, do ator e "seu boneco" em cena.

Uma postura neutra que realmente colocavam o foco no boneco, um plus, que na maioria das peças do estilo que vi... onde o ator muitas vezes força a barra e parece querer aparecer mais que o títere.

Diferente, muito distinto, impar!


segunda-feira, fevereiro 17, 2014

Brasil e Nigéria são mais parecido que pensamos!

Fernando Schweitzer - Diretor Teatral e Jornalista


Enquanto no Brasil bancadas evangélicas associadas a ala de ultra direita do governo Dilma Roussef, pensam ser aliados e salvadores da família normal e cristã, no continente mais atrasado e tribal do mundo, um projeto que foi apresentado pela primeira vez em 2009 e, inicialmente, propunha sentença de morte para atos homossexuais, foi alterado para prescrever prisão perpétua para o que chamou de homossexualidade agravada pode ser assinado nos próximos dias.. 

A homossexualidade é um tabu em muitos países africanos,  como no Brasil, e considerada ilegal em 37 países do continente. O que nos faria pensar, que africanos são arcaicos, diria neonazistas. Ou uma "raça" menos evoluída. Vale lembrar que não só a America recebeu novas influências nos últimos séculos, através de migrações norte-americanas e europeias. Além de insurgências e invasões de fundamentalistas árabes, muçulmanos, evangélicos, protestantes radicais e católicos.

A americanização nazista

Muitos ativistas locais e internacionais dizem que poucos africanos são abertamente gays, temendo a prisão, violência e a perda de seus empregos. A presença maciça de religiosos com discurso fundamentalista, principalmente cristãos, também foi lembrada pelos entrevistados ouvidos pelo por matéria recente do Jornal O GLOBO. Segundo Wainaina, uma militante local, a virada ocorreu entre os anos 1980 e 1990, quando missionários vindos dos EUA passaram a atrair milhões de pessoas e, com elas, o interesse dos políticos.

Na visão de quem acompanha o tema, as investidas contra os cidadãos LGBT surgem menos do preconceito e mais de manobras políticas com o objetivo de distrair a população de problemas não resolvidos e assegurar a liderança frente a uma maioria conservadora sobre a qual igrejas cristãs ganharam influência nos últimos 20 anos. — Neste países, os líderes políticos estão sendo pressionados pela população, e por isso recorrem a leis populistas — disse o escritor queniano Binyavanga Wainaina.

A Nigéria enfrenta uma crise energética e vai ter eleições em 2015. Só lembrada por aqui hoje pelo futebol, e antes por ser origem de parte e nossos ex-escravo. Também trouxe ao Brasil parte da cultura do candomblé, essa que historicamente foi a única religião a aceitar homossexuais nos seus cultos na republiqueta das bananas.

O uso da homofobia como instrumento de dominação popular também tem efeitos nefastos sobre a prevenção e o tratamento da Aids, e logo no continente que concentra 70% dos diagnosticados com a doença no mundo, conta o diretor executivo adjunto do Programa Conjunto da ONU sobre HIV/Aids (Unaids, na sigla em inglês), Luiz Loures. Ele lembra que a homofobia tem aparecido como tendência também em países da Ásia e do Leste Europeu. Consciente das dificuldades de reversão do panorama, ele aposta no diálogo.

Quando pensamos no país que queremos ser, sempre miramos ao rico império do norte, pois. Hoje este através de seu presidente, o primeiro egro no continente novo, ameaça o país africano com sanções. Obviamente não tão duras quanto as que duram vários décadas a Cuba. Nos faz pensar então que ser homossexual é algo pior que ser socialista.

Hoje apenas 17 países permitem o matrimonio igualitário. Dois penalizam com a morte o ato homossexual. Trinta e sete punem um homossexual por apenas o ser-lo com prisão perpétua. E o Brasil mata 338 pessoas em crimes e motivação única e exclusivamente homofóbica e temos uma proposta de criminalizar a HETEROFOBIA.

Está na hora do Brasil decidir de que lado do muro ficará... Do lado dos aliados europeus, sulamericanos que aprovaram o matrimonio igualitário. Ou do reacionalismo e fundamentalismo árabe, americano, africano e russo. 

Cidadãos que inda pagam impostos até na comida que compram a diário, façam de suas vidas um ato responsável. Pois se o IBGE afirma que 12,78% da população é homossexual, o próximo a perder a vida poderá estar no seu âmbito familiar. Criminalizar a homofobia e reconhecer um direito constitucional de quem não recebe descontos e impostos por ter menos direitos que os demais cidadão é o mínimo que pode fazer a primeira mulher eleita presidente no país.

Dilma, que vergonha!

sexta-feira, fevereiro 07, 2014

Invasão Teatral: Um pedacinho de terra perdido na espuma!

Fernando Schweitzer - Diretor Teatral e Jornalista


Amo releases de espetáculos, por isto, e nada mais os cito: "Em Poses para (não) esquecer, Heloisa Marina confronta as lembranças das histórias de guerra contadas pela avó imigrante polonesa com suas diversas versões, fundindo os fatos e fábulas de sua família com questões íntimas e coletivas." - assim se auto-promove o espetáculo sob direção de Elisza Peressoni Ribeiro.

Esta parte do jornalismo acadêmico me diverte. Onde se criticamos positivamente, somos dados como "coxinhas". Quando criticamos devidamente, somos xingados de tudo e muito mais. Receber uma crítica já o disse Chico Anysio: "é uma dádiva, que a poucos apetece". Embora muitos pensem que criticar é falar mal, ela consiste basada em quesitos teóricos discorrer por um universo em contra ponto a uma opinião, isenta de juízos de valor particular, um consenso.

Mas que nada quero ressaltar através das palavras do dramaturgo Sérgio de Carvalho, que "o processo de esvaziamento da crítica teatral na imprensa brasileira já dura mais de duas décadas. E esses que aí estão talvez constituam o nosso último grupo de críticos. Depois deles, ao menos na imprensa, será a morte da profissão. Fim inglório, para o qual eles próprios contribuíram".

Comentários e burburinhos de entrada de espetáculos de mostras e festivais sempre nos dão pano para manga, atritos, entre os comentários de que o crítico tal vem a um espetáculo para atirar tomates podres ao que seja. Eu detesto carregar sacolas e similares... Não levaria tomates, menos com esse calor brutal que faz na ilha da magia (negra, com uma cabela de burro enterrada na cabeceira da ponte Hercílio Luz). Segui para mais um dia do Invasão Cultural - Mostra Cênica de Desterro.

Poses para (não) Esquecer. - DearaquiaIr ao grão, ou de veras a espuma. Réu confesso de que abomino os espetáculos de marionetes e afins. Fuji de Paper Macbeth, no TAC e nesta calorosa quinta-feira de fevereiro fui ao cercano prédio histórico logo mais a 3 quadras, aonde se localiza o Tetro da UBRO. Paguei para ver, ou seria melhor não ver? Como a própria produção sugere com seu dúbio título que trás um não entre parenteses...

A proposta: Através do jogo entre realidade e ficção, atriz e boneco, presença e imagem, o espetáculo propõe revelar o ontem que insiste em ser esquecido, para pensar o hoje. Poses para (não) esquecer nos convida a relembrar e discutir as velhas histórias como forma de se preparar para o flash que aponta ao nosso futuro e ao passado daqueles que ainda estão por vir.

A realidade: Em uma insólita interpretação de 2 personagens, a atriz solitariamente acompanhada por uma bonequinha simpática de espuma tenta cativar ao início; apesar do pequeno e meio cheio, meio vazio teatro. Os recursos visuais, ou seja um telão com fotos e poucos vídeos, por vezes eram mais interessantes que a atuação da atriz como ela mesma que a entrada da sonoplastia não se entendia o texto que dava.

Os pontos positivos: Uma proposta que tenta internalizar ao público uma nova ótica sobre a 2ª guerra mundial, onde imigrantes alemães nazistas podem ter migrado ao Brasil após o fim da guerra. Esse conflito para a protagonista é muito fragilmente usado na trama, e a interpretação de baixa intensidade de Heloísa prejudicam ainda mais o espetáculo.

Piadas mal executadas ao meio do psicodrama soam inúteis e constrangeram o público, no sentido de sentir pena da atriz. Houve ainda uma promessa de interação, que não se justificou actancialmente ao espetáculo ao chamar uma pessoa da platéia. O propósito? Deve estar na cabeça dos produtores da peça. Ou seria para gerar uma abstração ao público para ser debatida ao fim da apresentação? Ah, o Invasão Teatral não possui conversas ou debates ao fim de seus espetáculos.

Queridos a desesperança me assolou. Sufocado pelo tédio neste embrolho murmurei: E eu que reclamava das panelosas mostras teatrais do SESC Prainha. Ao menos de cada 10 espetáculos 2 eram tragáveis, 3 razoáveis, 2 aplaudíveis, 1 era incrível... Bem os 2 que faltam... As produções passaram a me odiar, pois como havia debate, e sempre puxa-sacos de plantão a qualquer coisa tão boba, rude e atroz como o que estes paneleiros produzem, mas com o status de serem produzidas fora daqui; e obviamente fazia questão de me posicionar claramente no debate.

Seria brincadeira se este baloarte do teatro catarinense não se levassem tanto a sério. Mas parecem-me por assim dizer que querem convencer a cidade, estado, país, planeta que este é "O Teatro" que se faz aqui. E se sim, estamos perdidos. E se não também. Haja visto que os espaços para apresentação monopolizados por editais imbecis e burocráticos para utilização dos teatros pioram o que a anos já era uma badalhoca.

Um pedacinho de terra perdido no mar... NA ESPUMA.

PS.: Aos que dizem que só sei falar mal... Peçam aos teatreiros que melhorem e não que eu diminua meu senso crítico.

PS. 2: “Ivan Titerenovich ” baseado no texto “Os males do tabaco” de Anton Tchekov, com direção de Juliano Valffi, estava primoroso mesmo com o calor absurdo de Teatro da Armação. O comentaria por horas, mas como haviam apenas 2 pessoas na platéia deixo aqui minha recomendação. Muito divertido e instigante, mesmo em se tratando de teatro com a presença de um boneco.

PS. 3: O sotaque alemão da avó era legal. Mas nada como o insuperável sotaque russo de Ivan.

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segunda-feira, fevereiro 03, 2014

Todo esse Jazz da Chicago Ilhéu

Fernando Schweitzer - Diretor Teatral e Jornalista


Hoje fiz um programinha yankee. Fui a um musical estilo Brodway, na saída fui tomar um milk-shake, antes de chegar em casa passei no super market e comprei uma Pepsi e um hamburguer de microondas.

Prestigiei a livre adaptação de Chicago – A Musical Vaudeville, livro de Fred Ebb e Bob Fosse, sob a direção de Ana Luiza Koerich Rios e Marina Soares, pois havia me comprometido com um dos atores a estar presente e assim segui minha saga no festival Invasão Teatral - Mostra Cênica de Desterro. E eu que pensava que seria "do" Desterro.

Menos sofrível que o último espetáculo que presenciei (Leia aqui a crítica sobre Palhaços) no mesmo festival. All That Jazz nome da adaptação é resultado das disciplinas de Prática de Direção 1 e 2 - 2013 (da Udesc - Dado este não aclarado no programa do espetáculo entregue a entrada ao público).


Realmente o entorno de 150 a 200 pessoas no TAC em sua maioria familiares, curiosos, fãs de musicais americanos e colegas de faculdade. Para este quase público interno, que calorosamente aplaudia como torcida de futebol ao final de cada número, o musical foi apresentado o musical nesta terça, 03/02.

A excelência da montagem e o que mais reluz é a qualidade vocal e afinação dos cantores e cantoras. Em apenas 3 oportunidades durante 1 hora de espetáculo houveram semitonadas imperceptíveis a platéia presente. Duas destas da melhor cantora do espetáculo, que interpreta a personagem Mama, ou algo assim. Pois, não consegui entender claramente as partes faladas do espetáculo, o ponto crítico de All That Jazz.

Salve duas exceções, Mama e o detetive, as personagens não tinham uma desenrolho muito profundo. Tradicional dos musicais ao estilo americano que tem foco majoritariamente nas coreografias e canto o musical catarinense segue a receita do bolo. Muito mais no canto e salve, salve, com instrumentos ao vivo muito bem executados(piano, bateria e baixo).

Pode-se dizer que o trabalho psico-físico não estabelece-se com clareza pelas cenas, que são desenhadas apenas para consturar as canções e pela ausência de personagens mais claramente construídas.

Boa música e atuações fracas

Mesmo sem microfones as vozes mesmo nos solos luziram bem, deixando mesmo a única ressalva para as falas. Nas cenas não cantadas o espetáculo fazia com que parte do público mudasse de expressão automaticamente. Com uma trama clichê de musicais e cabaré, não se pode dizer que pela baixa voz e expressões lineares da maioria dos atores tenha-se comprometido o entendimento da peça, mas poderia ter divertido um pouco mais os espectadores caso este quesito também tivesse sido cumprido.

A íngua da língua

No meu caso por não falar inglês e ser completo abstêmio da língua saxônica, ao receber o programa com a letra das músicas traduzidas me animei. Me iludi ao pensar que as músicas seriam cantadas em português, seguindo as adaptações de êxitos norte-americanos no eixo Rio-São Paulo.

Fora boa a intenção de entregar as letras de canções traduzidas ao público, modelo utilizado em algumas óperas pelo mundo, tradicionalmente ainda cantadas em italiano. O drama para as pessoas que como eu não sabem inglês era enxergar as traduções no escuro durante a apresentação.

Volume um problema para o musical

Eis um espetáculo que terá um caminho a seguir. Com um apoio, um patrocínio pode-se incluir microfones sem fio para os atores o que poderia uniformizar melhor o desempenho irregular dos atores entre falas e canto. E seria muito interessante um sistema eletrônico de legendas como utilizado atualmente em grandes óperas traves de leds similares ao de placas de avisos em agencias bancárias.

Veja também o artigo
Arte catarinense: Diferentes sempre, inimigos jamais!
Palhaços: Tornei-me um ébrio

Tornei-me um ébrio, na bebida tento esquecer... A um palhaço...

Fernando Schweitzer - Diretor Teatral e Jornalista


Domingo plácido e caloroso, feliz por chegar ao TAC, no centro de Floripa exatamente as 20h e inda ter ingressos disponíveis para a função de Palhaços, com direção de Marcelo Serra. O espetáculo faz parte da programação da Invasão Teatral – Mostra Cênica de Desterro, que acontece de 1º a 8 de fevereiro com
apresentação de 29 espetáculos.

Surpresa! Estávamos para assistir poucas pessoas. Assisti acompanhado de uma amiga que dormia o espetáculo quase inteiro, somado a 4 casais e um simpático rapaz de óculos, mão no queixo e expressão de intelectual. A nós se juntaram 2 senhoras que chegaram após o inicio da função.

A métrica arrastada das interpretações soavam como uma música monocorde, que causou por várias vezes a desatenção do público. Em momentos dos largos monólogos do palhaço, personagem central da trama, era visível que a falta de variações nas inflexões do mesmo soavam como um jogral e não a uma atuação.

O texto não era de um grande impacto dramático. Uma dramaturgia um tanto que previsível auxiliou a cadencia não fluente que terminou por não cativar o público.

Palhaços se propõe a ser um drama ácido e inusitado, escrito e ambientado no início da década de setenta, auge da ditadura militar. Como o próprio autor, Timochenco Whebi escreveu. O confronto de duas situações humanas: o homem integrado dentro do status quo aspirando a tradicional caminhada ao topo, e o homem-artista-ator, cujos valores encaminham-se contra a média, contra a estabilidade”.

Com um estilo que aparenta buscar o naturalismo a montagem peca pelo excesso de non-performace. Principalmente por parte do ator que interpreta o palhaço careta, que em algo chamou a atenção por beber algo que simularia cachaça ou vodka e não transparecer-se ébrio na cena. 

Fui eu então ao fim tomar uma cerveja, para ver se o álcool do mundo real me ajudaria a sentir outra vez a magia... do circo...

Comecemos a assistir mais o teatro local, claro, sempre lembrando que gosto é um juízo de valor particular e que na multiplicidade de estilos que se começará a formar um público cativo para o teatro catarinense.

quinta-feira, janeiro 30, 2014

Felix é um desfavor aos homossexuais

Fernando Schweitzer - Diretor Teatral e Jornalista


Depois do engavetamento de um beijo gravado entre homens em América, no ano de 2005, estamos de volta a chata polêmica. Ao menos aquele beijo seria entre um "homem", ser com trejeitos masculinos e uma bicha louca e afetada. Gosto da diversidade.

Só mesmo a Grobo... SE SAIR um beijo "gay" na atual trama das nove, do assumidamente bissexual Walcir Carrasco, será um desfavor a militância. Em um país homófobo, arcaico, limitado e que não consegue ser laico ter um beijo entre mariquitas afetadas é o mesmo que um beijo lésbico. 

Agradará a machistas e bibas enrustidas. Apontará apenas que a sociedade brasileira está atrasada com relação a países do Mercosul e América Latina onde o matrimonio igualitário é realidade a anos. Como se para ser homossexual fosse necessário ser puta, efeminado, drogado e uma mariposa louca. 

Muitos virão reclamar a pessoa equivocada... Ou já o fizeram. Ah então manda carta pra central globo de produção. Afinal eles que estão construindo no imaginário popular esse conceito de homossexualidade. Ou seria reforçando o que o povo já pensa sobre os homossexuais, afinal ela trabalha os rumos de suas tramas de novela através de grupos de pesquisa, com representações equivalentes percentuais as camadas e classes sociais existentes no país percentualmente. 

Ou seja, vocês são tão astutos que ao criticaram o meu comentário, não percebem que o que vocês deveriam criticar é a Rede Bobo de manipulação. Esta que reforça esteriótipos a um share de 72% dos televisores no último episódio desta trama MÁ-RA-VI-LHO-SA.

Esteriótipo na mente da sociedade de um homossexual
O que faRta no BrasiR é uma escola de qualidade para que não se tenha mais analfabetos funcionais que não saibam interpretar uma oração simples, quem dirá uma composta. Antigamente se tinha como homossexual o sinônimo de inteligente, pessoa diferenciada... É, o tempo passa e as coisas mudam, hoje tá virando sinônimo de homossexual: Felix(bicha má), anjinho(o amante mudo, enrustido e sem cérebro), Bi-sexual (Dando piti afetadamente, depois de trair o esposa de anos com uma mulher má), Carneirinho (Efeminadinha e burra, que todos se aproveitam). 

Que grandes exemplos de HOMOSSEXUAL. Porque gay é um termo americanizado, que se entende por alegre, cheio de plumas, afetado. VÃO ESTUDAR POVO!!! Na novela onde uma péssima atriz perde o protagonismo para um ator mediano, mas menos pior que ela, talvez tenhamos o desejado, tão sonhado por alguns, beijo "gay" na Rede Globo. Brasil, você me cansa as vezes!


Arte catarinense: Diferentes sempre, inimigos jamais!

Fernando Schweitzer - Diretor Teatral e Jornalista


Pra que mentir, fingir que perdoou, tentar ficar amigos sem rancor... Assim recitava Cazuza a mais de duas décadas. Mas quem aprendeu a lição?

Ser cabaço hoje é lei... Regimento interno e externo da sociedade padronizada e chata do mundo atual. Em um país onde Gerald Tomas é vangloriado e Antunes Filho um semi desconhecido, não se pode esperar muito mesmo.

A incultura é o que incenteveia a corrupância.

Os famosos quem? Estes pseudo-sub-celebridades regionais, conhecidos apenas pelo seu círculo de amizades sodomistas e restritos.

Alguma atriz, modelo e dançarina da atualidade
Hoje o teatro catarinense cresce em número de espetáculos, mas sucumbe em diversidade. A criação do curso de artes cênicas na universidade federal deu uma pitada na corrida presidencial... Digo, artística. Mas ser udescquiano ainda é honor e status na capital catarinense. Pode ser que a nova geração social que hoje decide cursar cênicas tenha feito o seu papel contestador, e modificado o panorama da instituição. Mas confesso que raramente consigo ter uma conversa PROLONGADA, de tantas que já tive com o povo que se diz fazer arte no estado, com prófugos desta instituição renomada.

Identifiquei um comportamento diferenciado a todos os anteriores de meu circulo social udescquino, em um rapaz que conheci, todavia, não fora suficiente para tragar as clássicas críticas, que não apenas provém de minha pessoa aos atores e afins desta.

O público, oh algoz eterno dos artistas... Pensar, ou não pensar nele? Eis a questão. Muitos dirão que não se deve pensar nele, e fazer uma "arte pela arte", outros dirão que "fazem arte para o público".

Nem um, nem outro. O dilema não está em pensar ou não no público ao momento da criação. Ela é acidental. A execução essa sim requer além de técnica, visão, e percepção do público. Um espetáculo que talvez funcione em Porto alegre pode ser incompreendido em Florianópolis por exemplo. E obviamente o inverso também pode perfeitamente ocorrer.

Em um momento onde as companhias teatrais se esmeiram por fechar elencos para a temporada 2014, sofrem com a falta de pessoas capacitadas e com currículos de peso, o dilema está no ar. Experiência ou diploma, o que faz um bom ator?

Sejam nos ditos temas e textos populares, como os que se auto intitulam teatro conceitual, a falta do antigo espirito  de ator parece ter sumido da cena catarinense. Pois uma comédia de costumes mal atuada pode resultar mais incompreensível que um espetáculo de estética elaborada bem executado.

Ensaiar pouco, ganhar muito e em pouco tempo é o lema do momento. Aureos tempos em que Tonia Carreiro e sua companhia que transformaram o advogado Paulo Autrán no maior ator da história do Brasil podiam fazer longas temporadas de terça a domingo, e viajar pelo país apenas gerenciando sua bilheteria.

Um teatro preocupado em ser e fazer teatro e nada mais. Atores que se sentiam rebaixados ao serem convidados para atuar na TV. Profissionais forjados nas tabuas do tablado e longe dos liceus. Criaturas que se faziam irreconhecíveis a cada espetáculo, a cada personagem.

O Tempo vai, o tempo vem

Ainda lembro-me a ultima vez que fui ao Festival Isnard de Azevedo, no CIC. Para meu peculiar parecer e critérios a montagem de Uma obra de Arte, de uma companhia de Londrina-PR, foi de encher os olhos. Sem embargo a vencedora do festival fora outra de uma companhia manézinha que até hoje recolhe os louros deste premio quiçá merecido.

Longe de juízos simplórios de valor, mas o que me destrambelha o pensar, o respirar e meu viver é: Esta certa arte incompreensível e inacessível para reles mortais. Ou seja, se você não cursou X curso, não trabalhou com X pessoas do X circulo deixas de ter a aura da perfeição e o poder da acessibilidade ou gosto refinado suficiente para valorar essas primorosas e conceituais obras de arte pós-modernas.

Saudosos tempos em que independente da formação, e obviamente não excluo que um ator ou diretor deva capacitar-se, aperfeiçoar-se e todos outros ar-se possíveis. Mas concordando com Adorno, creio que a aura da ineditibilidade e essência da arte se perde com certos tipos de academicismos errôneos. São desfavores de caráter tácito o não reconhecimento a pureza da arte como emissária da emoção e da cultura.


Quando o nosso festival de teatro ainda era competitivo e em sua abertura trazia palestrantes interessantes e na época nem sonhava ser jornalista, fiz uma singela pergunta a Paulo Autrán. Esta mesmo que fora ovacionada antes de sua resposta. O pobre ator outrora iniciante com pouco mais de 5 anos de teatro e umas 20 peças no currículo inquieto proferiu: "Senhor Paulo Autrán, existe no eixo Rio-São Paulo, aonde trabalhas com maior frequência algum tipo de monopolização ou máfia na utilização dos teatros como existe em Florianópolis?"

Os anos passaram e a pergunta hoje ainda é atual. O ator, sereno, respondeu: "Máfia existe em todo lado neste país. E se isso ocorre aqui cabe ao meio artístico unir-se e lutar para que isso não ocorra...".

Alguns dirão que sou preconceituoso

Jamais monsieur!!! Nem com héteros tenho preconceito, como igual. Obviamente nem todos, só os interessantes. Posso estar ao lado de qualquer tipo de ser, seja este real ou imaginário, sem preconceito. Mas a recíproca deve ser verdadeira... Quanto ao preconceito, dizia.

Pena de morte para a cultura

A pena é que na cidade nem quem faz teatro assiste ao teatro local, exceto por seus amigos e correligionários de formação par. Essas panelinhas que tem historicamente o intuíto de não gerar público para a "concorrência" é um desfavor a geração e formação de um público de teatro no estado. Algo que como muito se esboça ocorrer na cidade de Joinville.

Mais que triste é você presentear colegas de profissão com entradas vip de seu espetáculo durante 2 anos em cartaz e apenas quando sua montagem está por estrear em São Paulo este amigo resolva ir prestigiar a sua pessoal. Ao menos ao encerrar a apresentação recebi um comprimento e ao sorrir uma frase raramente proferida entre profissionais de teatro por aqui, um elogio: "Felicitações, agora finalmente entendo muitas coisas que ouvi você dizer por anos e por teimoso e preconceituoso me recusava a escutar... Agora eu te entendo!".

Talvez estes dois loucos que hoje se entendem, pudessem tê-lo feito antes. Se artistas interagissem mais, se defendessem menos uns dos outros. Discutir não é brigar, e nem toda briga é gerada a partir de uma discussão. Diferentes sempre, inimigos jamais! Tomara que um dia seja assim o meio artístico catarinense.

quinta-feira, janeiro 16, 2014

Auto-respeito, nos falta!

Fernando Schweitzer - Diretor Teatral e Jornalista


Quando o limite do certo e do errado perdem sentido? Quando desvelamos preconceitos e pré-julgamentos. Teoricamente. Ninguém tem o direito de determinar os trilhos para outros caminharem... Isso bem é verdade, ao menos filosoficamente.

A lei máxima de um país sempre é a sua constituição. Eis aí uma grande malha de dúvidas para nós reles mortais não legisladores, nem estudantes perenes de causa, ou peritos em leis constitucionais. Em nenhum país do mundo de meu conhecimento se tem na escola uma disciplina chamada "Constituição", embora religião seja obrigatória em vários.

Os tempos mudam, as sócio culturas transformam-se aos poucos, as vezes recebem choques. O choque anterior no país dos estádios faraônicos, dos hospitais deteriorados, dos trens e metrôs superfaturados, mensalões e assassinatos por homofobia com direito a torturas e uma lança cravada na perna a vítima.


Paremos a analisar coisas sutis. Quem nunca ao viver no interior não sonhou com o dia de ter um Atari, ou um televisor colorido? Esse era o sonho de minha infância e da maioria dos rapazotes. Hoje crianças ganham patinetes motorizados de cerca de R$ 2.385,00. Sim os tempos mudam.


Nossa sociedade é servilista? Não é utilitária. Senti isso na pele, outro dia ao cantar em um concurso onde um rapaz que recém havia conhecido foi a única a quem pude abraçar ao sair do palco. Enquanto os vários amigos de longa data não estiveram presentes. Obviamente este tinha seu objetivo utilitário, uma transa. Logo de lá saímos e fomos a um ambiente mais aconchegante, pois ele queria muito dar.

Doravante seguimos nos fingindo de puritanos no trabalho, escolas, nas ruas, campos construções e não conseguimos jamais enternecer-nos pelo drama e conflitos existenciais alheios seremos utilitários. Como uma Kombi velha, apenas utilitários. Não alcançaremos o mérito para tal e como tal ser dito epígrafemente humanos.

Se bem os humanos estão em escassez, os quase santos também. Até o papa admitiu recentemente que existem pedófilos entre sacerdotes e funcionários da igreja. Bom se padre recebe salário ele também é um funcionário, que deve obedecer a seu patrão... Foco!

Certo ou errado? Certo você seguir o que outras pessoas de valores hipócritas definem ser certo. Errado você seguir sua natureza. Critérios sempre, censura nunca mais. O seu direito em sociedade está restrito por um único bastião: "Nunca, jamais, nunca e jamais invadir o direito do outro...". Dá pra tentar?

Respeite-se ou se torne um ermitão! Repeite ou aceite o processo por cercear a liberdade do próximo. Um dos poucos artigos da constituição que vagamente lembro é o 5º em seu inciso IX: "...é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença."

Então não necessitamos pedir licença a ninguém para sermos nós mesmos. Você precisa? Se pensou em responder sim, é porque você se auto-desrespeita.