terça-feira, agosto 19, 2014

Sonolência é carência?

Fernando Schweitzer - Jornalista e Diretor Teatral


Tenho sentido muito sono. E você? Tem dormido bem? Dormir é algo inerente aos mamíferos. Segundo a OMS(Organização Mundial de Saúde) afirma que em média o normal e suficiente para a reposição energética e descanso, são 7 horas noite.

Porque quanto mais dormimos, menos recargados de energias nos sentimos? A propensão de um corpo é movimentar-se, a inércia do sono para o corpo é danoso ao excesso. Ao mesmo que a falta de horas possa causar-lhe problemas de concentração.

Estima-se que ao passar de sete horas imóvel a circulação sanguínea em partes extremas do corpo passa a ser comprometido pelos baixos níveis no ritmo cardíaco.

Mas quantos outros fatores temos na moderna vida dos humanos que nos impedem de dormir? Inflação, criminalidade, problemas amorosos, pressões laborais, familiares... etc.

Outro dia parei olhando as sobras geradas por minha janela aberta. A cada figura humana, imaginei um assalto possível.

segunda-feira, agosto 18, 2014

A Ressaca de Aécinho!

Fernando Schweitzer - Diretor Teatral e Jornalista


Ilustração de revista de direita e tendenciosa
A ressaca moral é sempre pior que a alcoólica. Aécio Neves hoje vive o pior dia desde que decidiu se tornar um presidenciável. A bombástica pesquisa eleitoral do Instituto Data Folha que lhe tira a confortável posição de 2º nome mais apontado pelos eleitores em Outubro, foi um bande de gelo na campanha do tucano.

Muitos atribuem apenas a petistas a incessante perseguição e boicote a criação do Rede Sustentabilidade. Quando na realidade é sabido que parte preponderante de vários políticos ligados ao agronegócio e setores mais conservadores do PSDB e DEM, fizeram das suas contra a criação do novo partido.

Campos, que faleceu em trágico acidente aéreo criou uma alternativa de mudança de foco na eleição, mesmo antes de se associar a Marina Silva, arquitetando uma pluri-aliança de matemática confusa e complexa. Em cada estado costurou apoios de diversas vertentes, hora anti PT, hora anti PSDB.

Essa política de raspa de tacho funcionava mais ou menos como um grito dos excluídos. Não os de eleitores de Marina em 2010, tão pouco o dos protestos do ano passado. Um grito dos excluídos políticos, que tanto no poderio petista e aliados governista se via, mas que também não queria uma retórica anti esquerda beirando o fascismo como em certos aliados que apoiam o tucana como a "única opção anti o "mal comunista" que seria o PT.

Em meio a sua corrida para a criação para a criação do Rede Sustentabilidade eu tive a oportunidade de entrevistar a acriana e agora provável presidenciável. (Entrevista à Marina Silva).

O grande dilema de marineiros hoje viraram vidraça, e tem ainda outra dura tarefa, conciliar o cartel de lideranças tão ecléticas quanto a música brasileira que possui o PSB.

Pior conflito sofre o PSDB, que antes era fraco no discurso, pois atacava o PT de incompetente. Mas não podia bater e frente e propostas concretas, pois o PT é um governo continuista ao de Fernando Henrique Cardoso. E agora tem uma emblemática concorrente, que graças ao discurso vazio de voto útil não tirou de Serra o 2º turno em 2010.

domingo, agosto 17, 2014

Enterramos a terceira via? O medo venceu a esperança!

Fernando Schweitzer - Jornalista e Diretor Teatral


Deve ser o tempo... O clima... A idade... Ou até mesmo o excesso de tempo longe da televisão, que estão a fazer-me duro, impoluto e diriam muitas carpideiras: "insensível".

Crívelmente não tenho me comovido com imagens e vídeos compartilhados no Facebook. Quer ver me deixar desestimulado é um vídeo com o título de: "Realmente Comovente", compartilhado na linha do tempo ou retwittado. Não sou cristão mas por sócio-cultura impositiva grito por Deus. Ou seria deus, como adjectivo?

Estamos no momento recebendo uma avalanche de informações inúteis e repetidas, por e-mail, por celular, por redes sociais e consequentemente por vias de facto. Será a tecnologia vilã da sócio-cultura ou o reverso? Tarde de mais! Hoje são o mesmo significado e significante. O povo perdeu o brio e sua antes natural vontade de vencer na vida, e por conseguinte se desistiu do Brasil.

Perdemos a curiosidade infantil. Felizmente. Toda criança é chata e sem critérios. Um ser cheio de angústias e buscando desbravar o novo. Tolas criaturas... Como se existira algo novo... Nesta incorruptâncial e marasmática actualidade. Clamemos aos... Não clamemos a nada. Conforme-mo-nos com nossa substantiva incapacidade de sermos únicos, indivíduos. Comemorardes sua pasteurização lactal!

Deparo-me neste plácido domingo de conciliação nacional com pessoas que me dizem em rompantes gritos que buscam o novo. Mas irão votar nos tucanos que desgovernaram por 8 anos o Brasil e a décadas São Paulo. Território este que controla 5% do PIB do continente, e ainda assim é o maior disparate social e a maior escada de extremos em renda per capita do Brasil.

Enquanto que muitos fingem ter no defunto socialista o enterro de uma esperança e renovação política, estes mesmo baluartes de velhas praticas nada mais querem capitalizar suas campanhas para manutenção do status quo que impera neste rincão isolado culturalmente de seus vizinhos do continente Sul-americano. 

A questão neste instante aonde o honrado, mas jamais representante de uma real terceira via, é sepultado é: Realmente existe esquerda no actual Brasil. Se pragmaticamente se afirma que a terceira via é uma proposta entre a direita neoliberal e conservadora e a esquerda extremada ou socialismo, comete-se um vergonhoso e ignóbil erro académico e histórico no Brasil. A terceira via, camuflada e auto-proclamada como "a esquerda" está no poder desde 2002. Esta mesma que difere-se da direita que tenta disfarçar-se de centro, vide PSDB, ainda apoiada por mecenas do conservadorismo como o DEM; que em seus quadros ainda possui ex-membros da ditadura.

Comungando... Se viemos de um governo de direitas, não de direitos... Passamos por um governo de centro-direita, que se dizia esquerda... Piamente conjuro que a terceira via real no Brasil seja um discurso de ultra esquerda, para se ter como resultante um governo de centro-esquerda-democrática e plural, mais próximo de um estado laico e igualitário.

Enterramos a terceira via? Sim!!! Pois ela já esteve no poder e se desgastou na incompetência e escândalos de corrupção. Deixando claro o conceito de terceira via é o de se ter uma postura que mescle a política social socialista com uma interacção e o livre mercado nos preceitos liberalistas.




segunda-feira, julho 14, 2014

Manoel Carlos copia argumento de espetáculo teatral, em final de novela

da Redação 14/07/2014 - por Sincerando


Muitos dizem que coincidências não existem. Outros que o universo paralelo as vezes nos cruza de tempos em tempos o caminho. Agora mesmo por exemplo na tão reconhecida novela das 8 da Rede Globo, vi o argumento de meu espetáculo Juan e Marco(2007) ser utilizado pela grande Manoel Carlos, como linha condutora de sua protagonista, o Laerte de Em Família. 

Ao chegar finalmente à última semana de seu drama familiar, o autor Manoel Carlos revelou novos detalhes sobre o final de “Em Família”. E falou sobre o fim do personagem Laerte (Gabriel Braga Nunes) e explicou o motivo da Luiza (Bruna Marquezine) não ter o abandonado. “Laerte vive dias bons e dias ruins, como toda enfermidade dessa natureza. O mal dele é progressivo e ele passa por surtos. Ao mesmo tempo em que maltrata, ama”, contou o autor ao jornal “Extra”.

O texto teatral polêmico e censurado em um dos principais teatros catarinenses e que percorreu outras capitais como São Paulo e Porto Alegre a 6 anos atrás, e que ainda fora montado em 2012 na cidade de Buenos Aires, trazia como fio condutor o complexo de Dom Juan de Marco em sua trama. Retratando o problemático romance entre um cantor sem êxito e um dançarino clássico.

Segundo sinopse do espetáculo Juan & Marco, a protagonista Juan sofre, segundo a psicanálise, do complexo de Don Juan de Marco, em que o ser humano tem como princípio da vida sublimar todos os seus sentimentos em prol do ato da conquista. Após a conquista o encanto acaba e começa novamente a busca interminável pelo amor.

No espetáculo, com duas personagens protagonistas e que compartilhavam de forma distinta a mesma sociopatia, Marco é o oposto de seu parceiro, este de perfil psicológico, romântico ao extremo. Ele sofre por amar e não ter a certeza de ser amado por Juan. A peça narra a intimidade deste casal, a beira da separação. 

De acordo com os produtores, fora uma comédia romântica “proibida para menores, de idade e mentalidade”. “Um jogo psicológico em busca de encontrar a chave do verdadeiro amor.” Ainda sobre a peça, os produtores dizem que Juan e Marco estão apaixonados e agora estão brigando, e que a peça é recomendada para casais, em crise ou não. Após Florianópolis, a montagem na época foi apresentada em Curitiba, São Paulo e Porto Alegre. 

A última versão deste espetáculo assinado por Nando Schweitzer se deu no país vizinho, Argentina. País onde embora o matrimonio igualitário seja legalizado, a questão homossexual ainda levanta polêmico em uma país com 96% de católicos.



terça-feira, julho 01, 2014

Florianópolis receberá o fim da temporada de Somente Tu e Eu

Eles tomarão a importante linha laranja que liga a Galícia com Portugal (Vigo a Cidade do Porto). Essa linha é alvo de diversas críticas devido a demora da viagem entre as 2 cidades, visto que se trata de uma linha de trem antiga e que para em diversos pontos do interior até chegar ao destino final. A saída da estação Campanhã, na cidade do Porto pela noite, até Quixar, em Vigo, pretensamente dura pouco mais de 2 horas. Um período curto, mas que causará mudanças drásticas na vida de dois homens. Chegar a Galícia pelas margens do Rio Minho é sempre uma experiencia mística.

A história do galego Xavier e o baiano Román. Dois jovens completamente diferentes que tomam um trem na Cidade do Porto, rumo a Vigo, no sul da Galícia. Com o intuíto de fazer o mítico Caminho de Santiago de Compostela Román deixou o Brasil para essa peregrinação. 

Avant Premiére - Florianópolis, 5 e 6 de Julho - 20h – TEATRO DA UBRO
Estréia 2ª Temporada - Curitiba, 29 e 10 e Agosto - 19h - Teatro Saltimbancos
Página Official: https://www.facebook.com/SomenteTueEu
Trailler https://www.youtube.com/watch?v=ZVRMlq7S2NA
Apresentação em Porto Alegre https://www.youtube.com/watch?v=_d07NTVpEvw&feature=youtu.be

Ingressos - R$ 30,00 (No dia)
Antecipados - R$ 15,00 (via http://www.nosvamos.com.br/ e Quevedo Jóias)

O roteiro tem a firma do autor e diretor Nando Schweitzer que faz parte do elenco também, com a assistência de direção de Fah Gastaldi. Como protagonistas desta comédia romântica estão os atores Guilherme Lohn e Nando Schweitzer. A companhia teatral A Tribo Produz, a cargo de Nando Schweitzer desde 2003 vem de um ano muito produtivo e pretende seguir este trilho com força. Se em 2013 foram produzidas  Bacalhau Regado  ao Vinho, A  Tribo de Kerodon e Antes do Golpe, para este ano La Casa Tujuana já está prevista para estrear em Maio, entre outras produções e Somente Tu e Eu.

Um seminarista com muitas dúvidas e um fotógrafo trisexual com muitas certezas em uma viagem que mudará suas vidas e convicções. Ao embarcarem desde Portugal as protagonistas se conhecerão. O comboio com destino a Galícia, mudará não apenas suas vidas como também sua percepção do mundo.

Xabier, é aquele tipo de personagem sem pudores, e sem papas na língua. Ao passo que chega ao interior do trem e vê um rapaz lindo, não pensa duas vezes e pede para sentar-se ao lado de Román. A pensar que seja galego, como ele, começa a falar-lhe em galego o que provoca uma estranheza, pois ignorava até então a existência do idioma e desta conversa desatam diversos temas: da trisexualidade de Xabier, ao puritanismo religioso de Román. 

quinta-feira, junho 26, 2014

Estreia do projeto Teatro Falado ocorrerá sexta, no Shopping Beiramar

DEBATE sobre a obra de Ariano Suassuna

Livrarias Catarinense, A Tribo Produz e GRATTA, promovem nesta sexta um debate precedido pela leitura dramática da renomada obra O Santo e a Porca, como a primeira edição do projeto "Teatro Falado". O evento com entrada franca contará com a presença dos atores de ambas companhias e acadêmicos de Artes Cênicas de Florianópolis.

Com objetivo de se ampliar a discussão no campo teatral, e da importância da leitura para atores na construção de um espetáculo e da formação de público no estado. O projeto Teatro Falado, consiste em uma leitura dramática de um texto, seguida de debate sobre o texto e seu ator e ocorrerá a partir de junho todas as últimas sextas feiras de cada mês na Livraria Catarinense do Beiramar Shopping.

A parceria entre o Grupo GRATTA e A TRIBO PRODUZ, lançam a partir de junho um novo marco na Agenda Cultural de Florianópolis e Santa Catarina, o Projeto de leituras dramáticas e debates: Teatro Falado e em agosto em sistema de co-produção, integrando elencos o teatro de revistas LA CASA TIJUANA. 

Em sua primeira edição o Projeto trará um dos livros mais aclamados da literatura teatral, a comédia em três atos, escrita em 1957 e que traz todas as características do Movimento Armorial, criado por Ariano Suassuna. Aproximando-se da literatura de cordel e dos folguedos populares do nordeste, narra a história de Euricão Árabe, um velho avarento devoto de Santo Antônio que esconde em sua casa uma porca cheia de dinheiro.

Um dos livros mais aclamados da literatura teatral, esta comédia em três atos, escrita em 1957, traz todas as características do Movimento Armorial, criado por Ariano Suassuna. Aproximando-se da literatura de cordel e dos folguedos populares do nordeste, narra a história de Euricão Árabe, um velho avarento devoto de Santo Antônio que esconde em sua casa uma porca cheia de dinheiro.


TEATRO FALADO APRESENTA: O SANTO E A PORCA. 
DIA 27, SEXTA-FEIRA, 19h30.
Livrarias Catarinense – Beiramar Shopping.

terça-feira, junho 10, 2014

"A Revolta dos Brinquedos": nova versão chega a palcos de Florianópolis

Todos os dias cometemos equívocos. Mas nem todos os dias nos arrependemos.

No espetáculo do Grupo GRATTA essa questão volta a ser pano de manga, para uma entusiasmante discussão. O espetáculo estreará este final de semana no circuito comercial catarinense, no Teatro Municipal da UBRO, no centro histórico da capital.

A história de “A Revolta dos Brinquedos” é singela e seus autores souberam equilibrar com humorismo suave os preciosos ensinamentos de bondade e justiça de que está impregnada, decorrendo em atmosfera de poesia e graça, um divertido manifesto contra a violência. Um texto clássico do teatro infantil, em uma montagem que possui linguagem e concepção cênica e estética contemporânea, voltada para as crianças do século XXI.

A HISTÓRIA de uma menina que maltrata os seus brinquedos e eles tomarão vida para vingar-se. A DIRETORA E AUTORA Vera Costa imprime no espetáculo, algo que sua marca. Interpretações intensas e realistas.

Vera Costa trás a capital catarinense desde 1992 montagens como este clássico para todas as idades. Este que esteve em cartaz desde 1995, também comercialmente, e nesta retomada do GRATTA voltará aos palcos para deleite dos espectadores do bom teatro. 

Direção Geral: VERA COSTA
Coreografia: RENATA SANTOS
Produção: FERNANDO SCHWEITZER

Espectáculo:            A Revolta dos Brinquedos (62 min)
Debút/temporada:    Sáb. e Dom. 14 e 15 de Junho de 2013 - Teatro da UBRO
Funções:                 19:00h e 21:00h 
R$ 10,00 (Antecipados no site http://www.facebook.com/grupogratta) 


R$ 30,00 (NO DIA NA BILHETERIA DO TEATRO)

Informações com a produção do GRATTA, nos telefones (48) 8448-6288 / 84575155.

quarta-feira, maio 07, 2014

Esperamos momentos de amor nesta Copa, não de violência

Fernando Schweitzer - Diretor Teatral e Jornalista

Desde os primórdios do Sincerando venho repetindo frases, jargões... Todos inéditos e de minha própria autoria. Mas hoje é dado o momento de se reinventar... De se reinventar o país. Ano de Copa. Preferiria que fora um ano de cozinha, ou melhor, de comida na panela do povo, Preferiria que fora um ano de quarto, ou mais bem, de que nossos cidadãos pagadores das maiores taxas e impostas não devolutos em investimentos no mundo, segundo matéria recente do francês Le Monde, pudessem dormir tranquilos.

Um ano de escolas e da extirpação deste câncer que limita o acesso do povo a educação e ao conhecimento, chamado vestibular. Porque não um ano de civilidade? 

Hoje se tem como dada certeira uma posição sociológica, como consenso das pessoas ditas civilizadas, Ditaduras são um mal. Já houveram vários de fundos e ideologias múltiplas: ditadura da burguesia, militares, nazistas, comunistas, neoliberais... Mas uma ditadura pode ser mais ou menos inflexível? E uma democracia?
Esperamos momentos de amor nesta Copa, não de violência

Hoje sim temos uma ditadura. A ditadura da superficialidade, do status quo, do comodismo, do pre-establechment. É feio criticar, é feio refletir, mas nunca será mal visto ser acrítico. Isto é uma fatalidade natural.

Natural? Ser apolítico é natural, a sociedade assim nos fez, a nossa deseducação assim nos impôs. Ser hétero é normal também, desde o ventre a mamãe racista, machista e neoliberal nos domesticou, a título de preparar-nos para a sociedade.

Em países de outras culturas em que vivi, após aqui, me surpreenderam em uma festa de aniversário. Um ser falou algo sobre política. Alguém puxou uma cadeira e trouxe um vinho. Outra cadeira se arrastou... Se fora aqui escutaríamos a clássica: Vamos falar de coisas boas!!!

Vamos lançar uma nova rash-tag: #somostodoscabaços.

O amor depois do amor


Depois de tempestades pessoais, intelectuais, hermenêuticas e físicas, trataremos de dar uma nova fase ao conteúdo de nosso portal.

Esta sema começaremos a publicar matérias e artigos desconexos para deleite de nosso rivais, algozes e detratores.

Como esta canção conhecidíssima no universo, exceto no Brazil, teremos aqui uma alternativa a acefalante Copa do Mundo no Brasil.


Sejam Bem Vindos a uma nova era! Ao amor depois do amor!

terça-feira, abril 15, 2014

Hoje eu quero vestir você!

Fernando Schweitzer - Diretor Teatral e Jornalista


Há quanto tempo não sentes realmente a sua respiração embargada e aferida por uma atmosfera vibrantemente positiva? Quem nunca cheirou o moletom do seu grande amor as escondidas? Hoje Eu Quero Voltar Sozinho é o tipo de filme que eu lamento profundamente por não tê-lo escrito eu.

Conheci o curta que baseou a história quando vivia em Buenos Aires. Passei a todos amigos com cérebro e 
bom gosto que pude o link no Youtube. Vibrei com a notícia de Que "Yo no Quiero Volver Solito", título em espanhol para o curta "Eu não quero Voltar Sozinho", se tornaria um longa graças ao estouro do curta nas redes e mídias cibernéticas.

A ansiedade dos fãs nas redes pela estreia do longa premiado em Berlim fora me contaminando. Pensei que por ser independente o filme não chegaria as salas de Florianópolis. Tinha razão. Só chegou a uma, do outro lado da cidade. 

Justo no Shopping Iguatemi, o mais snobe, mas que por estar em um âmbito entre 2 universidades se faz de cult. Bem, lá fui. Em plena segunda-feira, dia de cinemas vazios, pois prefiro ver e escutar o filme que as pessoas sem educação e bons modos, inaptas para a via social.

Escrevi estes três parágrafos somente para deixar curiosas as pessoas.

Fiz o ritual para sentir-me público leigo. Combo médio, 50% coca, 50% fanta, 50% pipoca doce, 50% pipoca salgada, e aí pisei na sala 7. Alguns trailers e por fim pude depois de anos ter novamente em minha vida um momento de plenitude e emoção for dos palcos, como espectador. Desde que assisti Amores Imaginários, do canadense Xavier Dolan, que não tinha deixado de pensar na morte durante um filme.

O poder aplastante do roteiro, guiado delicadamente e sem exageros ou excessos de ego do diretor é impressionante. Os mesmos atores do curta de anos atrás estavam mais intensos e naturais em seus papéis, e mesmo os atores coadjuvantes não comprometeram. Guilherme Lobo principalmente, evoluiu muito, e sua personagem se tornou complexo e terno.



Nunca aprender a andar de bicicleta... Nunca ver um eclipse lunar... Nunca dar o primeiro beijo... Nunca... Nunca colocar-se no lugar de outra pessoa se tornou tão real e verossímil através de uma obra de arte. 

Detesto melodrama, e por fim tive o prazer de degustar de um filme universal embora sua trama esteja focada em um universo particular. Sempre que vejo filmes sobre histórias homoafetivas, já digo: "Lá vem mais um final trágico!". Como se na nossa sociedade o homossexual estivesse fadado ao gueto, a dor, a perseguição e ao fim épico infeliz de uma pre-destinação ao fracasso de sua via pessoal afetiva, e social.

Hoje Eu Quero Voltar Sozinho é um filme brasileiro? Não. Só por que fora dirigido por um brasileiro? Produzido e roteirizado por um brasileiro? Daniel Ribeiro conta com a produção da Lacuna Filmes e com a distribuição no Brasil da Vitrine Filmes e distribuição internacional pela Films Boutique. O longa-metragem estrelado por Tess Amorim(Gi), Ghilherme Lobo(Léo) e Fábio Audi(Gabriel) realmente é uma mudança e paradigmas para o novo cinema latino-americano.

Quando pensamos em cinema latino, logo despontam os argentinos com seus prêmios Óscar. Mas esse cinema pasteurizado a moda hollywoodiana em idiomas latino lançada por Almodóvar décadas atrás é ultrajante e ultrapassada. Temos hoje uma nova era tecnológica, novos impulsos sociais. E oremos que uma nova forma de ver o mundo que cineastas como Ribeiro, Dolan, ou até mesmo o espanhol Manuel Gómez Pereira trazem de forma contundente mas sem pragmatismos e pregações. O cinema, teatro televisão, podem ser contestadores e comoventes sem ser panfletários e engessados.

Ri. Tive os olhos úmidos. Senti o pulsar de meu coração. E voltei a resignificar o valor de poder andar de mãos dadas com alguém. Só quem assistiu ao filme poderá entender. Sai pensando: Hoje eu quero vestir seu moletom e te sentir, hoje eu quero. Mas se você não quiser vou tentar aprender a andar de bicicleta sozinho.

segunda-feira, abril 14, 2014

Somente Tu e Eu: Autocrítica é algo possível?

Fernando Schweitzer - Diretor Teatral e Jornalista


Gentes... depois de muito lutar, por data, teatro, divulgação... E bater na porta de redações e jornais, rádios e TV, estreei meu novo espetáculo. Agradeço muito a presença do público em geral, mais de veras a de amigos que lá estiveram e estes são os que tornam o viver nesta desumana, inóspita e bairrista cidade possível e mais aprazível.

Aos que não foram.. Bem, espero que estejam bem. Inclusive financeiramente, para que possam acompanhar nossa estréia nacional em Porto Alegre, nos dias 26 e 27/04 no Teatro Nilton Filho.

Não posso fazer uma crítica sobre o que vi sobre o espetáculo Somente Tu e Eu. Mesmo porque não o vi. Não de fora. Estava no palco. Mas da visão privilegiada do palco, mesmo com tudo o que tens de elementos: luz, musica, conta-cenas, texto intenções, equívocos, nervosismo... Sobram segundos valiosos e apreciação e admiração para com o público.

As expressões transeuntes do público, que mesmo "imóvel" pareceu-me inquieto. No mar com gélido e esquálido status de imobilidade temporal, ou corporal, ele se debatia internamente. Uns, um tanto mais modernos a rir de cada cutucada ateia da personagem que me tocou interpretar, Xabier, a seu par cênico Román, interpretado por Guilherme Lohn. Já outros um tanto mais conservadores, se asfixiavam, e tinham nos mandamentos bíblicos proferidos pelo puritano seminarista baiano Román, um elixir, ou quase que uma bombinha contra asma.

Muitos creem que só a comédia rasgada, rasa, fútil, modista, psico-física e vulgar leva ao riso. Pobres iludidos Stanislavskianos!

Todos, público e produção, sem relevar sentiam que as interpretações ainda não estão orgânicas. O texto trás pesados diálogos que pelo discurso político separatista de Xabier, como pelo excesso de puritanismo das pregações de Román as vezes destoam do padrão corriqueiro ao que se está praticando atualmente no teatro e mais ainda no cinema. Por isto, e também pela falta de maturação a montagem, o peso dos diálogos em diversos momentos se faz sentir na platéia.

Embora tenha duração acima de 90 minutos, o público segue ativo, exceto no momento em que numa dubiedade entre flash back, ou repetição do texto. Este estratagema cartesiano, ou recuso discursivo retórico necessita para ter êxito atualmente de muito ensaio e jogo cênico, pois a audiência está cativada e acostumada, a textos e cenas curtas. Por exemplo quando se vê cenas de Roque Santeiro ou Água Viva, novelas da década de 80, imediatamente se questiona se hoje uma cena tão grande sem cortes poeria ser escrita, rodada e veiculada na TV.

Mesmo com falhas proritariamente relevantes em se tratando de uma estreia, Somente Tu e Eu, digamos que sobreviveu ao público que por diversas vezes riu alto, se condensou ao universo criado do trem rumo ao Caminho de Santiago e Compostela. Este que questionou-se ao final da emblemática cena em que ambos personagens entonam com voz embargada o título a peça, bem como após o seu término se as protagonista se beijaram realmente ou não.

A desconstrução psico-temporal feita pela direção através a iluminação trouxe vários dilemas que constavam na dramaturgia do espetáculo. Não todos resolvidos. Mas o suficiente para deixar o público com a sensação de um espetáculo com um final em aberto, criando a possibilidade ao espectador de criar em sua mente o seu próprio desfecho da peça. Como toda oba universal, não se pode querer domar ou castrar o público, nunca subestimar é o lema.

quarta-feira, abril 09, 2014

Domingo estreia Somente Tu e Eu, em SC


Através desta comédia romântica, temas desde a inquisição ao primeiro amor verdadeira, o celibato e sexo sem amor serão abordados. Na nova montagem da Cia A Tribo Produz o poder da relação humano entre opostos será desvelado, com o pano de fundo, um trem a rumo ao Caminho de Santiago de Compostela.

O cartaz e chamadas do espetáculo incitam o público a saltar em cima do autor. "O espetáculo mais herege desde a redemocratização", por exemplo, é centelha para conservadores neste ano em que se comemoram 50 anos do Golpe Cívico-Militar de 64.


Florianópolis, 13 de Abril - 18:00h e 20h - SEST/SENAT - Jd. Atlântico
Porto Alegre, 26 e 27 de Abril --- 19h -------- Teatro Nilton Filho 
http://www.nosvamos.com.br/index.php?mod=evento&id=616

A história do galego Xavier e o baiano Román. Dois jovens completamente diferentes que tomam um trem na Cidade do Porto, rumo a Vigo, no sul da Galícia. Com o intuíto de fazer o mítico Caminho de Santiago de Compostela Román deixou o Brasil para essa peregrinação.

Um seminarista com muitas dúvidas e um fotógrafo trisexual com muitas certezas em uma viagem que mudará suas vidas e convicções. Ao embarcarem desde Portugal as protagonistas se conhecerão. O comboio com destino a Galícia, mudará não apenas suas vidas como também sua percepção do mundo.

Eles tomarão a importante linha laranja que liga a Galícia com Portugal (Vigo a Cidade do Porto). Essa linha é alvo de diversas críticas devido a demora da viagem entre as 2 cidades, visto que se trata de uma linha de trem antiga e que para em diversos pontos do interior até chegar ao destino final. A saída da estação Campanhã, na cidade do Porto pela noite, até Quixar, em Vigo, pretensamente dura pouco mais de 2 horas. Um período curto, mas que causará mudanças drásticas na vida de dois homens. Chegar a Galícia pelas margens do Rio Minho é sempre uma experiencia mística.