segunda-feira, julho 14, 2014

Manoel Carlos copia argumento de espetáculo teatral, em final de novela

da Redação 14/07/2014 - por Sincerando


Muitos dizem que coincidências não existem. Outros que o universo paralelo as vezes nos cruza de tempos em tempos o caminho. Agora mesmo por exemplo na tão reconhecida novela das 8 da Rede Globo, vi o argumento de meu espetáculo Juan e Marco(2007) ser utilizado pela grande Manoel Carlos, como linha condutora de sua protagonista, o Laerte de Em Família. 

Ao chegar finalmente à última semana de seu drama familiar, o autor Manoel Carlos revelou novos detalhes sobre o final de “Em Família”. E falou sobre o fim do personagem Laerte (Gabriel Braga Nunes) e explicou o motivo da Luiza (Bruna Marquezine) não ter o abandonado. “Laerte vive dias bons e dias ruins, como toda enfermidade dessa natureza. O mal dele é progressivo e ele passa por surtos. Ao mesmo tempo em que maltrata, ama”, contou o autor ao jornal “Extra”.

O texto teatral polêmico e censurado em um dos principais teatros catarinenses e que percorreu outras capitais como São Paulo e Porto Alegre a 6 anos atrás, e que ainda fora montado em 2012 na cidade de Buenos Aires, trazia como fio condutor o complexo de Dom Juan de Marco em sua trama. Retratando o problemático romance entre um cantor sem êxito e um dançarino clássico.

Segundo sinopse do espetáculo Juan & Marco, a protagonista Juan sofre, segundo a psicanálise, do complexo de Don Juan de Marco, em que o ser humano tem como princípio da vida sublimar todos os seus sentimentos em prol do ato da conquista. Após a conquista o encanto acaba e começa novamente a busca interminável pelo amor.

No espetáculo, com duas personagens protagonistas e que compartilhavam de forma distinta a mesma sociopatia, Marco é o oposto de seu parceiro, este de perfil psicológico, romântico ao extremo. Ele sofre por amar e não ter a certeza de ser amado por Juan. A peça narra a intimidade deste casal, a beira da separação. 

De acordo com os produtores, fora uma comédia romântica “proibida para menores, de idade e mentalidade”. “Um jogo psicológico em busca de encontrar a chave do verdadeiro amor.” Ainda sobre a peça, os produtores dizem que Juan e Marco estão apaixonados e agora estão brigando, e que a peça é recomendada para casais, em crise ou não. Após Florianópolis, a montagem na época foi apresentada em Curitiba, São Paulo e Porto Alegre. 

A última versão deste espetáculo assinado por Nando Schweitzer se deu no país vizinho, Argentina. País onde embora o matrimonio igualitário seja legalizado, a questão homossexual ainda levanta polêmico em uma país com 96% de católicos.



terça-feira, julho 01, 2014

Florianópolis receberá o fim da temporada de Somente Tu e Eu

Eles tomarão a importante linha laranja que liga a Galícia com Portugal (Vigo a Cidade do Porto). Essa linha é alvo de diversas críticas devido a demora da viagem entre as 2 cidades, visto que se trata de uma linha de trem antiga e que para em diversos pontos do interior até chegar ao destino final. A saída da estação Campanhã, na cidade do Porto pela noite, até Quixar, em Vigo, pretensamente dura pouco mais de 2 horas. Um período curto, mas que causará mudanças drásticas na vida de dois homens. Chegar a Galícia pelas margens do Rio Minho é sempre uma experiencia mística.

A história do galego Xavier e o baiano Román. Dois jovens completamente diferentes que tomam um trem na Cidade do Porto, rumo a Vigo, no sul da Galícia. Com o intuíto de fazer o mítico Caminho de Santiago de Compostela Román deixou o Brasil para essa peregrinação. 

Avant Premiére - Florianópolis, 5 e 6 de Julho - 20h – TEATRO DA UBRO
Estréia 2ª Temporada - Curitiba, 29 e 10 e Agosto - 19h - Teatro Saltimbancos
Página Official: https://www.facebook.com/SomenteTueEu
Trailler https://www.youtube.com/watch?v=ZVRMlq7S2NA
Apresentação em Porto Alegre https://www.youtube.com/watch?v=_d07NTVpEvw&feature=youtu.be

Ingressos - R$ 30,00 (No dia)
Antecipados - R$ 15,00 (via http://www.nosvamos.com.br/ e Quevedo Jóias)

O roteiro tem a firma do autor e diretor Nando Schweitzer que faz parte do elenco também, com a assistência de direção de Fah Gastaldi. Como protagonistas desta comédia romântica estão os atores Guilherme Lohn e Nando Schweitzer. A companhia teatral A Tribo Produz, a cargo de Nando Schweitzer desde 2003 vem de um ano muito produtivo e pretende seguir este trilho com força. Se em 2013 foram produzidas  Bacalhau Regado  ao Vinho, A  Tribo de Kerodon e Antes do Golpe, para este ano La Casa Tujuana já está prevista para estrear em Maio, entre outras produções e Somente Tu e Eu.

Um seminarista com muitas dúvidas e um fotógrafo trisexual com muitas certezas em uma viagem que mudará suas vidas e convicções. Ao embarcarem desde Portugal as protagonistas se conhecerão. O comboio com destino a Galícia, mudará não apenas suas vidas como também sua percepção do mundo.

Xabier, é aquele tipo de personagem sem pudores, e sem papas na língua. Ao passo que chega ao interior do trem e vê um rapaz lindo, não pensa duas vezes e pede para sentar-se ao lado de Román. A pensar que seja galego, como ele, começa a falar-lhe em galego o que provoca uma estranheza, pois ignorava até então a existência do idioma e desta conversa desatam diversos temas: da trisexualidade de Xabier, ao puritanismo religioso de Román. 

quinta-feira, junho 26, 2014

Estreia do projeto Teatro Falado ocorrerá sexta, no Shopping Beiramar

DEBATE sobre a obra de Ariano Suassuna

Livrarias Catarinense, A Tribo Produz e GRATTA, promovem nesta sexta um debate precedido pela leitura dramática da renomada obra O Santo e a Porca, como a primeira edição do projeto "Teatro Falado". O evento com entrada franca contará com a presença dos atores de ambas companhias e acadêmicos de Artes Cênicas de Florianópolis.

Com objetivo de se ampliar a discussão no campo teatral, e da importância da leitura para atores na construção de um espetáculo e da formação de público no estado. O projeto Teatro Falado, consiste em uma leitura dramática de um texto, seguida de debate sobre o texto e seu ator e ocorrerá a partir de junho todas as últimas sextas feiras de cada mês na Livraria Catarinense do Beiramar Shopping.

A parceria entre o Grupo GRATTA e A TRIBO PRODUZ, lançam a partir de junho um novo marco na Agenda Cultural de Florianópolis e Santa Catarina, o Projeto de leituras dramáticas e debates: Teatro Falado e em agosto em sistema de co-produção, integrando elencos o teatro de revistas LA CASA TIJUANA. 

Em sua primeira edição o Projeto trará um dos livros mais aclamados da literatura teatral, a comédia em três atos, escrita em 1957 e que traz todas as características do Movimento Armorial, criado por Ariano Suassuna. Aproximando-se da literatura de cordel e dos folguedos populares do nordeste, narra a história de Euricão Árabe, um velho avarento devoto de Santo Antônio que esconde em sua casa uma porca cheia de dinheiro.

Um dos livros mais aclamados da literatura teatral, esta comédia em três atos, escrita em 1957, traz todas as características do Movimento Armorial, criado por Ariano Suassuna. Aproximando-se da literatura de cordel e dos folguedos populares do nordeste, narra a história de Euricão Árabe, um velho avarento devoto de Santo Antônio que esconde em sua casa uma porca cheia de dinheiro.


TEATRO FALADO APRESENTA: O SANTO E A PORCA. 
DIA 27, SEXTA-FEIRA, 19h30.
Livrarias Catarinense – Beiramar Shopping.

terça-feira, junho 10, 2014

"A Revolta dos Brinquedos": nova versão chega a palcos de Florianópolis

Todos os dias cometemos equívocos. Mas nem todos os dias nos arrependemos.

No espetáculo do Grupo GRATTA essa questão volta a ser pano de manga, para uma entusiasmante discussão. O espetáculo estreará este final de semana no circuito comercial catarinense, no Teatro Municipal da UBRO, no centro histórico da capital.

A história de “A Revolta dos Brinquedos” é singela e seus autores souberam equilibrar com humorismo suave os preciosos ensinamentos de bondade e justiça de que está impregnada, decorrendo em atmosfera de poesia e graça, um divertido manifesto contra a violência. Um texto clássico do teatro infantil, em uma montagem que possui linguagem e concepção cênica e estética contemporânea, voltada para as crianças do século XXI.

A HISTÓRIA de uma menina que maltrata os seus brinquedos e eles tomarão vida para vingar-se. A DIRETORA E AUTORA Vera Costa imprime no espetáculo, algo que sua marca. Interpretações intensas e realistas.

Vera Costa trás a capital catarinense desde 1992 montagens como este clássico para todas as idades. Este que esteve em cartaz desde 1995, também comercialmente, e nesta retomada do GRATTA voltará aos palcos para deleite dos espectadores do bom teatro. 

Direção Geral: VERA COSTA
Coreografia: RENATA SANTOS
Produção: FERNANDO SCHWEITZER

Espectáculo:            A Revolta dos Brinquedos (62 min)
Debút/temporada:    Sáb. e Dom. 14 e 15 de Junho de 2013 - Teatro da UBRO
Funções:                 19:00h e 21:00h 
R$ 10,00 (Antecipados no site http://www.facebook.com/grupogratta) 


R$ 30,00 (NO DIA NA BILHETERIA DO TEATRO)

Informações com a produção do GRATTA, nos telefones (48) 8448-6288 / 84575155.

quarta-feira, maio 07, 2014

Esperamos momentos de amor nesta Copa, não de violência

Fernando Schweitzer - Diretor Teatral e Jornalista

Desde os primórdios do Sincerando venho repetindo frases, jargões... Todos inéditos e de minha própria autoria. Mas hoje é dado o momento de se reinventar... De se reinventar o país. Ano de Copa. Preferiria que fora um ano de cozinha, ou melhor, de comida na panela do povo, Preferiria que fora um ano de quarto, ou mais bem, de que nossos cidadãos pagadores das maiores taxas e impostas não devolutos em investimentos no mundo, segundo matéria recente do francês Le Monde, pudessem dormir tranquilos.

Um ano de escolas e da extirpação deste câncer que limita o acesso do povo a educação e ao conhecimento, chamado vestibular. Porque não um ano de civilidade? 

Hoje se tem como dada certeira uma posição sociológica, como consenso das pessoas ditas civilizadas, Ditaduras são um mal. Já houveram vários de fundos e ideologias múltiplas: ditadura da burguesia, militares, nazistas, comunistas, neoliberais... Mas uma ditadura pode ser mais ou menos inflexível? E uma democracia?
Esperamos momentos de amor nesta Copa, não de violência

Hoje sim temos uma ditadura. A ditadura da superficialidade, do status quo, do comodismo, do pre-establechment. É feio criticar, é feio refletir, mas nunca será mal visto ser acrítico. Isto é uma fatalidade natural.

Natural? Ser apolítico é natural, a sociedade assim nos fez, a nossa deseducação assim nos impôs. Ser hétero é normal também, desde o ventre a mamãe racista, machista e neoliberal nos domesticou, a título de preparar-nos para a sociedade.

Em países de outras culturas em que vivi, após aqui, me surpreenderam em uma festa de aniversário. Um ser falou algo sobre política. Alguém puxou uma cadeira e trouxe um vinho. Outra cadeira se arrastou... Se fora aqui escutaríamos a clássica: Vamos falar de coisas boas!!!

Vamos lançar uma nova rash-tag: #somostodoscabaços.

O amor depois do amor


Depois de tempestades pessoais, intelectuais, hermenêuticas e físicas, trataremos de dar uma nova fase ao conteúdo de nosso portal.

Esta sema começaremos a publicar matérias e artigos desconexos para deleite de nosso rivais, algozes e detratores.

Como esta canção conhecidíssima no universo, exceto no Brazil, teremos aqui uma alternativa a acefalante Copa do Mundo no Brasil.


Sejam Bem Vindos a uma nova era! Ao amor depois do amor!

terça-feira, abril 15, 2014

Hoje eu quero vestir você!

Fernando Schweitzer - Diretor Teatral e Jornalista


Há quanto tempo não sentes realmente a sua respiração embargada e aferida por uma atmosfera vibrantemente positiva? Quem nunca cheirou o moletom do seu grande amor as escondidas? Hoje Eu Quero Voltar Sozinho é o tipo de filme que eu lamento profundamente por não tê-lo escrito eu.

Conheci o curta que baseou a história quando vivia em Buenos Aires. Passei a todos amigos com cérebro e 
bom gosto que pude o link no Youtube. Vibrei com a notícia de Que "Yo no Quiero Volver Solito", título em espanhol para o curta "Eu não quero Voltar Sozinho", se tornaria um longa graças ao estouro do curta nas redes e mídias cibernéticas.

A ansiedade dos fãs nas redes pela estreia do longa premiado em Berlim fora me contaminando. Pensei que por ser independente o filme não chegaria as salas de Florianópolis. Tinha razão. Só chegou a uma, do outro lado da cidade. 

Justo no Shopping Iguatemi, o mais snobe, mas que por estar em um âmbito entre 2 universidades se faz de cult. Bem, lá fui. Em plena segunda-feira, dia de cinemas vazios, pois prefiro ver e escutar o filme que as pessoas sem educação e bons modos, inaptas para a via social.

Escrevi estes três parágrafos somente para deixar curiosas as pessoas.

Fiz o ritual para sentir-me público leigo. Combo médio, 50% coca, 50% fanta, 50% pipoca doce, 50% pipoca salgada, e aí pisei na sala 7. Alguns trailers e por fim pude depois de anos ter novamente em minha vida um momento de plenitude e emoção for dos palcos, como espectador. Desde que assisti Amores Imaginários, do canadense Xavier Dolan, que não tinha deixado de pensar na morte durante um filme.

O poder aplastante do roteiro, guiado delicadamente e sem exageros ou excessos de ego do diretor é impressionante. Os mesmos atores do curta de anos atrás estavam mais intensos e naturais em seus papéis, e mesmo os atores coadjuvantes não comprometeram. Guilherme Lobo principalmente, evoluiu muito, e sua personagem se tornou complexo e terno.



Nunca aprender a andar de bicicleta... Nunca ver um eclipse lunar... Nunca dar o primeiro beijo... Nunca... Nunca colocar-se no lugar de outra pessoa se tornou tão real e verossímil através de uma obra de arte. 

Detesto melodrama, e por fim tive o prazer de degustar de um filme universal embora sua trama esteja focada em um universo particular. Sempre que vejo filmes sobre histórias homoafetivas, já digo: "Lá vem mais um final trágico!". Como se na nossa sociedade o homossexual estivesse fadado ao gueto, a dor, a perseguição e ao fim épico infeliz de uma pre-destinação ao fracasso de sua via pessoal afetiva, e social.

Hoje Eu Quero Voltar Sozinho é um filme brasileiro? Não. Só por que fora dirigido por um brasileiro? Produzido e roteirizado por um brasileiro? Daniel Ribeiro conta com a produção da Lacuna Filmes e com a distribuição no Brasil da Vitrine Filmes e distribuição internacional pela Films Boutique. O longa-metragem estrelado por Tess Amorim(Gi), Ghilherme Lobo(Léo) e Fábio Audi(Gabriel) realmente é uma mudança e paradigmas para o novo cinema latino-americano.

Quando pensamos em cinema latino, logo despontam os argentinos com seus prêmios Óscar. Mas esse cinema pasteurizado a moda hollywoodiana em idiomas latino lançada por Almodóvar décadas atrás é ultrajante e ultrapassada. Temos hoje uma nova era tecnológica, novos impulsos sociais. E oremos que uma nova forma de ver o mundo que cineastas como Ribeiro, Dolan, ou até mesmo o espanhol Manuel Gómez Pereira trazem de forma contundente mas sem pragmatismos e pregações. O cinema, teatro televisão, podem ser contestadores e comoventes sem ser panfletários e engessados.

Ri. Tive os olhos úmidos. Senti o pulsar de meu coração. E voltei a resignificar o valor de poder andar de mãos dadas com alguém. Só quem assistiu ao filme poderá entender. Sai pensando: Hoje eu quero vestir seu moletom e te sentir, hoje eu quero. Mas se você não quiser vou tentar aprender a andar de bicicleta sozinho.

segunda-feira, abril 14, 2014

Somente Tu e Eu: Autocrítica é algo possível?

Fernando Schweitzer - Diretor Teatral e Jornalista


Gentes... depois de muito lutar, por data, teatro, divulgação... E bater na porta de redações e jornais, rádios e TV, estreei meu novo espetáculo. Agradeço muito a presença do público em geral, mais de veras a de amigos que lá estiveram e estes são os que tornam o viver nesta desumana, inóspita e bairrista cidade possível e mais aprazível.

Aos que não foram.. Bem, espero que estejam bem. Inclusive financeiramente, para que possam acompanhar nossa estréia nacional em Porto Alegre, nos dias 26 e 27/04 no Teatro Nilton Filho.

Não posso fazer uma crítica sobre o que vi sobre o espetáculo Somente Tu e Eu. Mesmo porque não o vi. Não de fora. Estava no palco. Mas da visão privilegiada do palco, mesmo com tudo o que tens de elementos: luz, musica, conta-cenas, texto intenções, equívocos, nervosismo... Sobram segundos valiosos e apreciação e admiração para com o público.

As expressões transeuntes do público, que mesmo "imóvel" pareceu-me inquieto. No mar com gélido e esquálido status de imobilidade temporal, ou corporal, ele se debatia internamente. Uns, um tanto mais modernos a rir de cada cutucada ateia da personagem que me tocou interpretar, Xabier, a seu par cênico Román, interpretado por Guilherme Lohn. Já outros um tanto mais conservadores, se asfixiavam, e tinham nos mandamentos bíblicos proferidos pelo puritano seminarista baiano Román, um elixir, ou quase que uma bombinha contra asma.

Muitos creem que só a comédia rasgada, rasa, fútil, modista, psico-física e vulgar leva ao riso. Pobres iludidos Stanislavskianos!

Todos, público e produção, sem relevar sentiam que as interpretações ainda não estão orgânicas. O texto trás pesados diálogos que pelo discurso político separatista de Xabier, como pelo excesso de puritanismo das pregações de Román as vezes destoam do padrão corriqueiro ao que se está praticando atualmente no teatro e mais ainda no cinema. Por isto, e também pela falta de maturação a montagem, o peso dos diálogos em diversos momentos se faz sentir na platéia.

Embora tenha duração acima de 90 minutos, o público segue ativo, exceto no momento em que numa dubiedade entre flash back, ou repetição do texto. Este estratagema cartesiano, ou recuso discursivo retórico necessita para ter êxito atualmente de muito ensaio e jogo cênico, pois a audiência está cativada e acostumada, a textos e cenas curtas. Por exemplo quando se vê cenas de Roque Santeiro ou Água Viva, novelas da década de 80, imediatamente se questiona se hoje uma cena tão grande sem cortes poeria ser escrita, rodada e veiculada na TV.

Mesmo com falhas proritariamente relevantes em se tratando de uma estreia, Somente Tu e Eu, digamos que sobreviveu ao público que por diversas vezes riu alto, se condensou ao universo criado do trem rumo ao Caminho de Santiago e Compostela. Este que questionou-se ao final da emblemática cena em que ambos personagens entonam com voz embargada o título a peça, bem como após o seu término se as protagonista se beijaram realmente ou não.

A desconstrução psico-temporal feita pela direção através a iluminação trouxe vários dilemas que constavam na dramaturgia do espetáculo. Não todos resolvidos. Mas o suficiente para deixar o público com a sensação de um espetáculo com um final em aberto, criando a possibilidade ao espectador de criar em sua mente o seu próprio desfecho da peça. Como toda oba universal, não se pode querer domar ou castrar o público, nunca subestimar é o lema.

quarta-feira, abril 09, 2014

Domingo estreia Somente Tu e Eu, em SC


Através desta comédia romântica, temas desde a inquisição ao primeiro amor verdadeira, o celibato e sexo sem amor serão abordados. Na nova montagem da Cia A Tribo Produz o poder da relação humano entre opostos será desvelado, com o pano de fundo, um trem a rumo ao Caminho de Santiago de Compostela.

O cartaz e chamadas do espetáculo incitam o público a saltar em cima do autor. "O espetáculo mais herege desde a redemocratização", por exemplo, é centelha para conservadores neste ano em que se comemoram 50 anos do Golpe Cívico-Militar de 64.


Florianópolis, 13 de Abril - 18:00h e 20h - SEST/SENAT - Jd. Atlântico
Porto Alegre, 26 e 27 de Abril --- 19h -------- Teatro Nilton Filho 
http://www.nosvamos.com.br/index.php?mod=evento&id=616

A história do galego Xavier e o baiano Román. Dois jovens completamente diferentes que tomam um trem na Cidade do Porto, rumo a Vigo, no sul da Galícia. Com o intuíto de fazer o mítico Caminho de Santiago de Compostela Román deixou o Brasil para essa peregrinação.

Um seminarista com muitas dúvidas e um fotógrafo trisexual com muitas certezas em uma viagem que mudará suas vidas e convicções. Ao embarcarem desde Portugal as protagonistas se conhecerão. O comboio com destino a Galícia, mudará não apenas suas vidas como também sua percepção do mundo.

Eles tomarão a importante linha laranja que liga a Galícia com Portugal (Vigo a Cidade do Porto). Essa linha é alvo de diversas críticas devido a demora da viagem entre as 2 cidades, visto que se trata de uma linha de trem antiga e que para em diversos pontos do interior até chegar ao destino final. A saída da estação Campanhã, na cidade do Porto pela noite, até Quixar, em Vigo, pretensamente dura pouco mais de 2 horas. Um período curto, mas que causará mudanças drásticas na vida de dois homens. Chegar a Galícia pelas margens do Rio Minho é sempre uma experiencia mística.

segunda-feira, março 31, 2014

50 anos em 5... Minutos!

Fernando Schweitzer - Diretor Teatral e Jornalista


O Golpe Militar de 1964 designa o conjunto de eventos ocorridos em 31 de março de 1964 no Brasil, que culminaram, no dia 1 de abril de 1964, com um golpe de estado que encerrou o governo do presidente João Goulart. Em 1964, houve um movimento de reação, por parte de setores conservadores da sociedade brasileira,juntamente as Forças Armadas, o alto clero da Igreja Católica e organizações da sociedade civil, apoiados fortemente pelos Estados Unidos.

Havia um temor de que o Brasil viria a se transformar em uma ditadura socialista, similar à Cuba. O governo de João Goulart e seu plano Trienal, afim de estabilizar a economia, seguido da acentuação do discurso de medidas vistas, as quais incluíam a reforma agrária e a reforma urbana, combate a pobreza, distribuição de renda e saúde não foram bem vistas. Pois à época significavam ser tachado de comunista, mesmo quando não fosse o caso. Os militares brasileiros chamavam o Golpe, de Revolução de 1964, ou Contrarrevolução de 1964. Expressão associada a defensores da ditadura.

Bem, defensores a está atroz desfeita ainda respiram. Novos cooptados por essa ideologia reacionário também. Recentemente tivemos a tal Marcha da Família, em várias cidades do Brasil.

A questão que ainda paira no ar é: Se os países vizinhos que tiveram ditaduras de menor tempo e com número inferior de assassinatos executados pelos seus regimes autoritários no século passado, porque o Brasil ainda segue na escuridão dos fatos desta época tenebrosa para o país?

Um suposto ladrão de alinhas pode ser linchados e amarrado a postes, mas assassinos em série usufruem de uma lei de anistia criada apenas par defender ditadores e seus apoiadores dos rigores da lei. Se é que lei há!

Neste dia a meros 50 anos, o povo ignorante apoiou um golpe anti-democrático. Será que hoje seria diferente? Não. Pois o povo ainda leva o sonho americano, ou melhor, americanizado no peito. Casa, carro e covardia!

quinta-feira, março 13, 2014

Somente Tu e Eu, tem estreia para fim de Março confirmada

Em 13/03/2014 - da Redação



A história do galego Xavier e o baiano Román. Dois jovens completamente diferentes que tomam um trem na Cidade do Porto, rumo a Vigo, no sul da Galícia. Com o intuíto de fazer o mítico Caminho de Santiago de Compostela Román deixou o Brasil para essa peregrinação. 
Guilherme Lohn, Román

O roteiro tem a firma do autor e diretor Nando Schweitzer que faz parte do elenco também. Passa a formar parte da equipe de Somente Tu e Eu, o artista Fah Gastaldi. Definido responsável da assistência de direção e produção do espetáculo, do qual fazem parte os atores Guilherme Lohn e Nando Schweitzer como par romântico protagonista.

A Tribo Produz a cargo de Nando desde 2003 vem de um ano muito produtivo e pretende seguir este trilho com força. Se em 2013 foram produzidas Bacalhau Regado ao Vinho, A Tribo de Kerodon e Antes do Golpe, para este ano La Casa Tujuana já está prevista para estrear em Abril entre outras produções.

Nando Schweitzer, em Show no Blues Velvet Bar
Um seminarista com muitas dúvidas e um fotógrafo trisexual com muitas certezas em uma viagem que mudará suas vidas e convicções. Ao embarcarem desde Portugal as protagonistas se conhecerão. O comboio com destino a Galícia, mudará não apenas suas vidas como também sua percepção do mundo.

Eles tomarão a importante linha laranja que liga a Galícia com Portugal (Vigo a Cidade do Porto). Essa linha é alvo de diversas críticas devido a demora da viagem entre as 2 cidades, visto que se trata de uma linha de trem antiga e que para em diversos pontos do interior até chegar ao destino final. A saída da estação Campanhã, na cidade do Porto pela noite, até Quixar, em Vigo, pretensamente dura pouco mais de 2 horas. Um período curto, mas que causará mudanças drásticas na vida de dois homens. Chegar a Galícia pelas margens do Rio Minho é sempre uma experiencia mística.

A estreia do espetáculo Somente Tu e Eu está prevista para 29 e 30 de Março na capital catarinense e 12 e 13 de Abril o elenco partirá para a estréia nacional em Porto Alegre. A obra seguirá temporada até Julho por Santa Catarina e algumas cidades fora do estado. Com uma mescla de teatro do oprimido e comédia de costumes o texto abarca temas desde o incesto, sociedade, religião e sexualidade, bem como o primeiro amor.


Ficha Técnica

Florianópolis
Teatro da UBRO - Sáb. e Dom. às 19h e 21h - 29 e 30 de Março.
Porto Alegre
Teatro Nilton Filho - Sab. e Dom. às 19h - 12 e 13 de Abril.
Guilherme Lohn, como Román
Nando Schweitzer, como Xabier
Assistência de Direção Fah Gastaldi
Direção Geral e Texto Nando Schweitzer

terça-feira, março 11, 2014

Tripolaridade na TV: The Noite, à noite é uma criança

Fernando Schweitzer - Diretor Teatral e Jornalista


Finalmente algo de qualidade na televisão brasileira. The Noite com Danilo Gentili. Mesmo com o longo intervalo comercial, as suas uma hora e quatro minutos valerão a espera e a expectativa gerada, por uma campanha promocional muito divertida e instigante.

Marcelo Mansfield e Danilo Gentili no AGORA É TARDE/Band
Meu receio enquanto esperava a estreia do programa era: de que a propaganda fosse melhor que o conteúdo. Felizmente, ao menos na estréia, o cartaz vendeu um espetáculo a altura, ou seria um espetáculo a altura do espetáculo.

Ao entrevistar sem alardes prévios o ator Fábio Poerchat, foi uma grande tacada, bem aproveitada pela produção. A pre-produção para a entrevista mostrou-se com um conteúdo complementar a entrevista, trazendo o hilário produto fictício "Método de Interpretação do Fábio Poerchat". Fez o próprio rir de si mesmo.

Seria campo comum, dizer-lo, mas se faz necessário. O integrantes e apresentador se mostraram confiantes, coesos e sem puderes de rir de si. Como por exemplo quando Danilo ao arrancar o programa faz piada das desventuras de como chegou ao nome do programa.

Muito também se notou que o excesso de participações especiais no programa vem a dar-se por um prazer e imenso apoio dos artistas da casa a esse novo projeto do canal. Piadas bem estruturadas com o elenco do canal paulista e os membros do The Noite fizeram da abertura uma boas vindas ao SBT.

Mais que nada, o cenário estava impecável, mostrando que a emissora paulista pode também jogar-se no mundo cult. Público esse em que Gentili transita a muito, mas sua simplicidade e simpatia também podem chegar a cativar o público família popular do SBT. Assim existe por hora uma tendência de crescimento da audiência do programa.

Vão dizer que são tolices, mas ser "tolo" é o que precisamos neste duro momento de falta de autenticidade no país. A falta de identidade, no sentido de individualidade criativa está sucumbindo nossa arte, cultura e fez a TV brasileira entretenimento barato e superficial. E se podemos ser felizes, hoje na televisão, é assistindo o The Noite, com Dannilo Gentili. Nada mais.

Qualidade, sagacidade, voraz-cidade... Dos pitacos de Roger a... Respiremos... Adorei a anedota dada e "justificando" a saída de Marcelo Mansfield, embora sinta sua falta no programa. Mas o substituto não me parece a altura, não por desmerecer Diguinho Coruja, e sim por ser admirador a décadas do brilhante Marcelo. Este que por alguma rusga com o SBT, onde já trabalhou, preferiu manter-se na Band, no Agora é Tarde, com apresentação do "novato" Rafinha Bastos.

Fazia tempo que não parava de usar o note book e parar exclusivamente à TV, para assistir um programa. A muitos anos sou um telespectador híbrido. Internet e televisão integradas. Mas se espera que o nível da estréia se mantenha e não seja fogo de palha.

Mas ver o corpinho quase sarado de Murilo Couto, a banda Ultraje a Rigor, as interações com a assistente Juliana, os vídeos bem produzido e perfeitamente integrados dão ao programa uma cara de ao vivo e não ao vivo. Essa mescla é uma loucura sana e que vão obrigar o já desgastadíssimo Programa do Jô a se mexer se não quiser ver seu público migrar para sua antiga casa, o SBT.

As divertidas imagens de arquivo de Fábio, mais gordo e errando piadas, sendo sem graça no programa de Ronye Von, foram um dos momentos mais nonsense e divertidos da entrevista. Com picardia Danilo soube provocar e sair da práxis do mero elogio jôniano ao entrevistado.

Essa provocação também veio já na abertura, quando Danilo afirma que "a 15 anos o SBT não tem um verdadeiro Talk Show". O rapaz de Santo André provocou, e agora terá de aguentar o rojão. Concorrer com seu colega Rafinha Bastos e seu antigo programa e com o Jô não será tarefa simples.

Esperemos agora ver esse lindo circo pegar fogo. Quando se fala que tripolarizar é melhor que polarizar, é isso. Antes a briga no horário televisivo parecia com as últimas campanhas presidenciais. Uma polarização boba entre iguais... A noite é uma criança, e neste sentido eu sou pedófilo. E o melhor: Nem olhei para a caneca durante o programa!