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sexta-feira, junho 09, 2017

Brexit pode ser cancelado! E agora Theresa?

Primeira-ministra garante que vai procurar "estabilidade", mas Corbyn desafia-a a demitir-se. Theresa May decidiu pedir aos britânicos uma maioria reforçada. Mas acabou por perder a maioria que tinha. O partido conservador britânico, liderado por May, perdeu a maioria que tinha no Parlamento numa votação histórica cujos resultados finais foram conhecidos esta madrugada e confirmaram que a aposta estratégica da primeira-ministra "deu ruim". 

Nem se tinha fechado a contagem em mais do que uma dúzia de círculos eleitorais e já havia notícias sobre o abalo para a liderança de Theresa May, no Governo e no partido conservador. May “sob pressão” após uma “jogada que fracassou de forma espetacular”, uma “calamidade” que nos leva a perguntar “quanto tempo May irá resistir” — foi neste sentido a análise da imprensa britânica, à medida que o desarranjo ganhava forma.

No outro lado desta balança seu oponente diz que “A primeira-ministra convocou a eleição porque queria um mandato. Bom, teve um mandato. Perdeu lugares conservadores, perdeu votos, perdeu apoio, perdeu confiança”, afirmou o líder trabalhista Jeremy Corbyn.

Corbyn fez uma campanha eficaz e conseguiu marcar posição junto do eleitorado com algumas ideias políticas incisivas, como as propinas gratuitas (algo que apela aos jovens e apela, também, a quem paga as propinas da maioria dos jovens — os pais e, até, os avós). 

May, perdeu a maioria que tinha no Parlamento numa votação histórica cujos resultados finais foram conhecidos esta madrugada e confirmaram que a aposta estratégica da primeira-ministra saiu furada. Com o futuro político em risco, porque rapidamente se começaram a afiar facas longas no partido, Theresa May recusou demitir-se e chamou a si própria a responsabilidade de encontrar uma solução que dê ao país “estabilidade”. Mas a missão não será fácil e até o processo de saída da União Europeia pode estar em risco.

Agora, pelo menos em teoria, o Partido Conservador só irá enfrentar novas eleições em 2022 — ao passo que, sem a convocação destas eleições, as próximas eleições seriam já em 2020. E porque é que isto é importante? Porque se acreditarmos que a saída da União Europeia se irá, mesmo, confirmar, em 2022 a economia já terá tido mais tempo para se restabelecer de uma eventual recessão que marque os próximos anos decisivos. Recorde-se que, tendo ativado o artigo 50 em março, o Reino Unido tem até março de 2019 para concluir as negociações para um acordo de saída da UE.

Esse é, contudo, o único fator a que Theresa May se pode agarrar, apesar de chegar para esconder o fracasso que foi agendar eleições com 24 pontos de vantagem nas sondagens, em relação a um candidato (trabalhista) que aparecia frequentemente descrito como eleitoralmente impopular, e acabar com um parlamento “pendurado”.

Theresa May e os conservadores têm neste momento 315 lugares de deputados, contra os 261 lugares obtidos pelo candidato trabalhista Jeremy Corbyn. Se Theresa May receava que a maioria de que dispunha antes destas eleições era curta (17 lugares), não há muito como fugir à conclusão de que se tratou de uma derrota monumental.

Especialistas como Simon Hicks, professor da LSE, o cerco a Theresa May vai apertar. Ela lançou-se para esta eleição garantindo que uma maioria reforçada lhe daria maior força nas negociações com a Europa. Essa mensagem não terá sido muito eficaz junto do eleitorado — mas Anand Menon, professor do King’s College London, diz mais: “Esta ideia é um dos maiores mitos que se ouviram nos últimos tempos”. Na realidade, “quanto mais fraco é o governo internamente, mais forte consegue ser na negociação com a Europa”.

Para que Theresa May se afaste, como Jeremy Corbyn lhe pede, é preciso que ele consiga reunir o apoio suficiente para formar Governo. Pelo que já tinha dado a entender na campanha eleitoral, a ideia não é formar nenhuma coligação. A ideia foi sublinhada por Emily Thornberry, trabalhista e ministra sombra dos Negócios Estrangeiros.

Não há coligações, não há acordos. Ou os conservadores têm um governo minoritário, ou os trabalhistas têm um governo minoritário. Não vamos fazer uma coligação, não vamos fazer nenhum acordo, vamos apresentar um programa alternativo, a nossa visão alternativa para o Reino Unido”, disse à BBC. Se quiser chegar a esse “programa alternativo”, o Partido Trabalhista terá de convencer, pelo menos, os Liberais Democratas (que também recusam qualquer tipo de coligação ou aliança), o SNP (os independentistas escoceses já demonstraram abertura para falar), os Verdes e ainda outros partidos de cariz nacional e esquerdistas que possam estar dispostos a conversar, como os galeses do Plaid Cymru.

Enquanto esta aritmética se forma, há quem pergunte, afinal, como é que se diz “geringonça” em inglês. A tradução mais correta é contraption, que segundo o dicionário de Oxford é sinónimo para “máquina ou aparelho que parece estranho e desnecessariamente complicado e muitas vezes mal feito ou pouco seguro”. 

terça-feira, junho 06, 2017

EMPATE TÉCNICO: 'Tories' têm 41,5% das intenções de voto e o 'Labour' 40,4% para legislativas britânicas

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Na acirrada campanha para as legislativas antecipadas para a próxima quinta-feira a esquerda britânica ganha folego na reta final. Se em março, os conservadores da primeira-ministra, Theresa May, contabilizavam 20 pontos percentuais de vantagem sobre os trabalhistas liderados por Jeremy Corbyn na nova sondagem divulgada, do instituto Survation, uma reviravolta ocorreu após os novos atentados em Londres e se atribui aos 'tories' 41,5% das intenções de voto e ao 'Labour' 40,4%. 

O Partido Conservador britânico (Tory) e o Partido Trabalhista (Labour) surgem empatados para as legislativas de quinta-feira, com apenas um ponto percentual de diferença, segundo uma nova sondagem divulgada pela televisão ITV. Nesta mesma pesquisa os liberais-democratas reúnem 6% e o eurocético UKIP 3%.

Segundo as sondagens, se dependesse do eleitorado jovem, Corbyn estaria a entrar no número 10 de Downing Street na próxima sexta-feira, um dia depois das eleições. Os números da pesquisa ICM, feita no início do mês, diziam já que 63% dos eleitores que têm entre 18 e 24 anos vão votar de certeza. Destes, 67% vão votar Labour e só 16% vão votar nos Tories. 

A campanha eleitoral foi retomada hoje, depois de uma breve interrupção devido aos atentados de sábado em Londres, e o debate político está centrado na segurança e na capacidade das forças policiais para combater o terrorismo.

Os ataques de sábado, perpetrados na London Bridge e em Borough Market por três homens que atropelaram e esfaquearam dezenas de pessoas, fizeram sete vítimas mortais e 48 feridos.

quarta-feira, maio 31, 2017

Reino Unido: Conservadores perdem força, socialistas crescem

Jeremy Corbyn acena para apoiantes
Analistas e institutos de pesquisa apontam uma subida galopante da intensão de votos nos Trabalhistas para o pleito legislativo no Reino Unido. Estejam certos ou errados, o eleitorado britânico parece estar num momento volátil e, com menos de duas semanas para as eleições, a vitória de Theresa May é mais difícil de prever do que alguma vez já fora perante ao socialista Jeremy Corbyn. Escreveera o colunista político, Tom McTague, ao reconhecer que a líder conservadora só será bem sucedida “se nos próximos dez dias conseguir virar a campanha para um território que lhe seja mais favorável”. 

O programa eleitoral dos conservadores do partido da primeira ministra propunha que um maior número de pensionistas que recebem apoio domiciliário contribua para esses serviços, sendo o pagamento feito após a morte e podendo incluir a venda das suas casas. Confrontada com fortes protestos, a primeira-ministra acabou por admitir um tecto para as contribuições, mas o meio-recuo não impediu um tombo dos conservadores nas sondagens – dos 20 pontos de diferença para o Labour no início de Maio, para apenas cinco numa pesquisa divulgada na última sexta-feira.

PÚBLICO -
Mas as propostas “radicais” de Corbyn – incluindo a abolição das ajudas a setores privados ou a renacionalização dos transportes ferroviários – revelaram-se mais populares do que a imprensa ou os conservadores querem admitir. E um fiasco de May, ainda antes do atentado em Manchester, acabou por dar um enorme empurrão nas até então magras perspectivas dos trabalhistas.

A primeira-ministra britânica defende que os ataques contra o Reino Unido, com origem em Bruxelas, sede da União Europeia, têm como objectivo prejudicar o país e influenciar os resultados das eleições marcadas para o dia 8 de Junho.
Jeremy Corbyn falando em Reading, onde anunciou que iria participar do debate sobre eleições televisivas desta noite.

Em meio a relatos de que Corbyn poderia decidir no último minuto para participar de um debate na TV entre os líderes dos partidos na BBC, onde May será representada por Amber Rudd, o secretário do lar, ele pediu a primeira ministra que acabe com seu boicote a tais eventos e que venha conversar com ele.