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quarta-feira, janeiro 08, 2020

Tudo a 89 pesos? A revolução da vez é a comida "proletária gourmet"

Muita gente já ouviu o ditado que "o barato sai caro" mas uma nova febre, um local de comidas de conceito "proletario gourmetizado" está se alastrando pelo continente e em breve pode chegar ao Brasil. A CERVECERÍA CHAPULTEPEC nasce em 2015 na cidade de Guadalajara, México sendo uma das melhores e ousadas opções de como se comer bem e barato. A empresa asteca é pioneira em creir o concepto ¡TODO A UN MISMO PRECIO! (Tudo pelo mesmo preço). Já são 88 sucursais pelo mundo e presentes além do México em Honduras, El Salvador e Argentina. Com a crise e a dita recessão técnica, não se vê a hora de que este novo fenômeno chegue ao Brasil.
Em seu portal internacional se autodefinem. "Somos Cervejaria, restaurante bar, um concepto diferente em tua cidade, grande variedade de productos em alimentos, cervejas e coquetéis... E seguem seu discurso "Cozinha inspirada na Baixa California, clamatos, cocteles, tostadas, tacos, hamburguesas, poboys, tequila, whiskey, buena fiesta y mucho más." Abrimos todos los días, desde la 13:00. Assim informa sua página oficial de suas duas unidades na cidade de Buenos Aires.
Um local maguiníficpo e nobre em Buenos Aires é o bairro mega badalado por turistas e portenhos, Palermo Hollywood. Eis que por estas lindas ruas surge esse gigante mexicano a impor aos restaurantes de seu entorno uma competição "desleal". Tudo a 89 pesos argentinos(R$7,41, no cambio de hoje). Mas é tudo mesmo. Long Neck Corona importada do México a 89 pesos, Mojito, capirinha, roska, burritos, hamburguer... Tu-di-nho!
Para não ficar de garoto propaganda observei que a meia quadra alguns negócios já colocaram suas promoções a custo baixa na roda. "Mini-hamburguesa" diziam um negócio local a meia quadra.
Promo Milanesas+refrigerante+batatas
Sou ousado, depois de provar um muito saboroso hamburguer, batatas rústicas e uma corona. Total 267 pesos(R$22,25), segui pelo bairro e encontrei a 2 quadrasuma promoção: 2 milanesas+gaseosa+papas a 279 pesos. Obviamente provei. Olhei o cardápio e não vi nada além da promoção por menos de 380(um hamburguer simples).
Obviamente que o mercado é regido pela competição. Mas creio que esta invasão mexicana pode ajudar a atual crise Argentina e seus exorbitantes preços pos-Macri. Ressaltando que entre uma única opção e um cardábio variado que até te dificulta a escolha sempre optarei por um amor a la mexicana e melhor se for na nobre esquina de Armenia y Nicaragua.

quinta-feira, maio 23, 2013

Boémia, aqui me tens em Desterro

Fernando Schweitzer, Florianópolis - Actor, Director Teatral, Cantante, Escritor e Jornalista

Crise, outra crise, e... outra... E quando menos se espera aí vem mais crise. O sistema capitalista é assim e o Brasil como país de sistema neoliberal não escapa da regra. Algumas crises são mais rápidas outras de tão fulminante deixam sequelas.

O centro de Florianópolis sofreu vários golpes históricos, a cada um sofrendo um deterioramento gradual. Mas a partir de 2003, o turismo teve importante baixa no que tanja a estrangeiros em sua demanda. Um reflexo tardio da crise argentina de 2001 e 2002. Os outros latinos também foram buscando alternativas a super-valorização artificial do real.

A medida que o turismo se enfraquecia outro baque viria a sofrer o centro de Desterro. A polêmica inauguração do sistema integrado de transporte e o Ticen. Esses dois fatores trouxeram a bancarrota de sopetão a quase metade do centro da cidade.

Lojas, bares, lanchonetes, quiosques, casas noturnas, hotéis, cyber cafés, todos se viram a mingua pela súbita ausência de clientela. O movimento natural ao redor do Cidade de Florianópolis, antigo terminal de transporte de linhas municipais se extinguiu. Também o transito entre terminais, que existia pois as pessoas que vinham da grande Florianópolis, desembarcavam no antigo terminal próximo a rodoviário, este que virou estacionamento.

Hoje por desventuras de um encontro lembrei dos tempos em que se tinha o que fazer no centro da cidade até altas horas. As aglomerações no calçadão da João Pinto que tomavam uma quadra inteira as quartas e sextas. As baladas que as seguiam como o pós da galera da João Pinto e que eram diárias. Galilleus, Tulipas Bar, Casarão, Plaza... Todos fecharam.

Bem, o centro da cidade hoje praticamente deixa de existir as 19:00h. A insegurança, a falta de opções, são uma constante no centro da cidade. Nem as tais câmeras da polícia em alguns pontos garante o sossego dos que resistem e frequentam os poucos pontos vivos da atualidade no centro de Florianópolis.

Mas para aqueles que não tem medo de escuro, pois a iluminação no centro é feita com lâmpadas de baixa potência eu posso sugerir um roteiro quase vintage pelo centro. Além de bucólico sai barato.

Encontrar um bom corpo, digo pessoa suculenta, digo... Enfim... Usar um dos hotéis antigos como motel por R$ 20,00 a hora. Jantar nos restaurantes ou do supermercado ou na lanchonete do china, próximo ao terminal Cidade de Florianópolis. Ainda algumas lanchonetes vão até as 21:00h. Se você for da boémia, a Travessa Raticlif você encontrará duas boas opções, com um público cult. O Bar do Noel, onde servem inclusive Dobradinha com cachaça artesanal de lambuja e uma resto-bar Pizzaria Itália, com pizzas e petiscos.

Eu fiquei só na cervejinha, já havia jantado na opção "restaurante do mercado". Após o sexo tenho muita fome. Um povo bastante interessante frequenta o famigerado beco... Assim muitos denominam a travessa entre a João Pinto e Tiradentes. Remanescentes da boémia de Desterro? Seremos talvez.


Fernando Schweitzer, Florianópolis - Actor, Director Teatral, Cantante, Escritor e Jornalista