sexta-feira, março 20, 2015

Sempre sabemos


"Eu quero sexo e você quer amor...
Você está girando de cama em cama e eu sem calor
Queremos o mesmo, mas não sabemos como buscar
Sei o que busco, você como encontrar
Sem saber o que busca, se encontrares, como saberá?
Me encontre e parará de tanto procurar
Tantos desencontros e dores, decepções apenas para chegar
A nenhum lugar
Não sabemos o que queremos?
Sempre sabemos?
Você quer sexo e eu quero amor!"

Nando Schweitzer

quinta-feira, março 19, 2015

O fascista é você!

Por Fernando Schweitzer


Me preocupa que o establishment das pessoas possa ao mesmo tempo gritar por mudança, mas não saiba para onde. Quando vemos pessoas achando que mudar é voltar a um partido que já governou o país, ou manter um que faz um governo de continuidade sistêmica ao governo FHC me assusto. E entendo porque em 2006 chamavam Heloísa Helena de insana. É louco pensar fora dos limites impositivos e sócio-normativos. Se querem mudança dentro das regras atuais, de verdade, votem em candidatos que nunca estiveram no poder.

Porque falar de política dentro do gueto, no nicho? Porque sim, todos pagamos impostos. E sim, todos somos responsáveis pelo que está acontecendo aqui e no planeta.

Irão perguntar o que está a suceder? Não. Eis a questão. A despolitização atinge também os ditos LGBTs. Mais triste que ver o povo, genérico, neste domingo pedindo o regresso do período de exceção foi ver pessoas que foram sistematicamente perseguidas como grupo social fazê-lo também.

Em um país aonde a arte, a sensibilidade e o ser humano tem pouco valor, amigos e parentes de Reinaldo Pepe dos Santos, 40 anos, já estavam acostumados a aplaudir o bailarino. Alguém que por si só vencera preconceitos. O reconhecimento como artista e o fato de ser considerado exemplo entre os amigos porém de nada serviram em um momento crucial. Nesta quarta-feira(18) quando ele foi velado e sepultado, no Cemitério Campo Santo, na Federação na cidade de Salvador, depois dos aplausos a tristeza e a revolta assumiram a face dos presentes.

É. Mais uma vez meus queridos. Mas uma vez a falta de coerência humano e o preconceito venceu. Vais dizer que a culpa é do homófobo? Não só! Temos hoje no mais alto cargo da república bananeira alguém que se diz de esquerda, defensora do povo e das minorias. Bem, segundo o IBGE, também vinculado ao governo, os LGBTs são 12,78%. ALOUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUU... Estamos a falar dos que se assumem perante ao censor nas entrevistas do IBGE.

A grande dúvida que me assola é. Se somos 12,78%, porque Luciana Genro a única candidata presidencial das últimas eleições a defender a população LGBT não teve 12,78% dos votos? Porque ainda tenho de suportar em cada esquina, em cada balada, em cada guichê ao pagar uma conta, na universidade, no inferno desta minha vida de merda LGBTs de direita?

Respondo. Por falta de porte de arma. Pois se o tivesse eu seria um skean head político. Sapatão de direita guilhotina, viado de direita pau de arara, transexual de direita bolsa família... Já respirei fundo 17 vezes. Seguimos. Vamos dividir as responsabilidades. Se cada um decrépito que chora em velórios de vítimas de homofobia que votassem na direita conservadora e golpista pudéssemos dar uma sova, passaria a me sentir um ser humano feliz.

De que paçocas serve chorar pela perda do seu irmão ou irmã morta, pelo mero fato de ser quem é, se votastes nos assassinos destes?

Sabe porque LGBTs irão continuar a morrer? Aliás como eu avisei em meu artigo de carnaval. Porque você é uma merda inerte que valoriza e alimento o fascismo dentro do seu bairro, do seu país, do seu emprego, da sua casa. Para de apontar viado. Deixa de acusar o outro travesti. Basta de por a culpa na sociedade sapatão. O fascista aqui é você! O conivente é você!!! E quem chora? Você.

Confesso que estou a 29 horas sem dormir, tentando não falar, não esbravejar, não escrever... Mas você reacionário me provoca.

sexta-feira, março 13, 2015

Lei Peterson, será que cola?

Por Fernando Schweitzer


Sabemos que de cada 10 ataques homófobos apenas 2,6 chegam a conhecimento da dita grande mídia. Mas como era de se esperar(não de se desejar), um hétero foi vítima de um ataque ignóbil de homofobia. À última quinta-feira (5) na escola pública na Vila Jamil, em Ferraz de Vasconcelos, em São Paulo, onde ele estudava desde os seis anos. O irmão, que também frequentava a escola, presenciou a agressão o que torna o fato muito mais trágico e agravado.

Um dos país afirmou que "não sabia que meu filho sofria por ser filho de um casal homossexual. Estamos tristes e decidimos divulgar o que aconteceu para que isso não se repita com outras crianças", afirmou um dos pais Márcio Nogueira. Na semana em que japoneses relembram os 70 anos dos bombardeios com bombas incendiárias a Tóquio, que mataram mais de 90.000 pessoas, o brasil aumento o seu número de mortos vítimas de homofobia. Agora pensemos que estão matando aqui por serem homossexuais e lá meramente por serem japoneses.

Se por lá durante a Segunda Guerra Mundial o pretexto para matar japoneses inocentes não existia, aqui tão pouco a morte de Peterson tem algum nexo.

Recentemente a nossa presidenta com trejeitos de caminhoneira aprovou uma lei anti-feminicídio. Termo este que ainda não consta em nossos dicionários. Não fora capaz ainda de aprovar uma lei anti-homofobia, termo incluído aos dicionários na última reforma ortográfica anos atrás. Ato encarado por muitos como uma medida populista para levantar sua popularidade em baixa. Afinal, mulheres são 52% da população.

Se eu tivesse esperança no ser humano, faria uma campanha ao estilo daquele do Michael Jackson pela fome na África. Mas como diz um outra canção. "Você tem fome de quê? A gente não quer só comida. A gente quer comida, diversão e arte. A gente quer saída para qualquer parte."

Quando aqui em minha coluna eu adverti, fui enormemente criticado, que seguiríamos sendo vítimas de assassinatos por crimes de ódio após os festejos carnavalescos. O tempo vai e o tempo vem, a vida passa e eu... Continuo com a razão mediante os factos. Temos mais um casal caricato "gay" na novela das 8 tendo um final feliz e com um selinho mocho. Embora preferisse que fossem tratados os casais homossexuais. Mas enfim, voltemos a mira dos revolveres da intolerância.

Mas um casal real perdeu seu filho e o cinismo do delegado responsável do caso me faz lembra vários relatos de ataques homófobos que tive conhecimento no Brasil e no mundo também. Pois segundo o delegado Eduardo Boiguez, da delegacia de Itaquaquecetuba, afirmou publicamente que o garoto havia brigado horas antes de passar mal e precisar ser levado da escola para o hospital, pois "brigou com alguns garotos na entrada da escola e passou mal quatro horas depois. Ele brincou, assistiu aula e depois passou mal. Ele já tinha um aneurisma. Não podemos afirmar que ele passou mal por conta da briga".

Gozamos hoje de um estado democrático. Até eu gargalhei com a minha frase. Enquanto mais de trinta direitos constitucionais não forem universais e negados a comunidade LGBT creio que nos resta rir. Rir para não chorar.

Vamos sempre escutar coisas do gênero: Se fossem gays de respeito... Mas não vejo nenhum hétero que não seja de respeito ser assassinado por isto. Nem estamos a defender que traficantes homossexuais não sejam condenados, ou tenham um tratamento diferenciado aos traficantes heterossexuais, ou qualquer outro discurso neonazista usando a inversão das reivindicações das pautas de parte das militâncias e OGNs LGBTs, por exemplo.

O quão uma sociedade pode evoluir antes da minha morte? Essa é a pergunta de minha insonia diária. Outrora, a menos de um mês recebi uma carta me ameaçando de morte e ao fazer uma boletim de ocorrência na comissaria mais próxima ouvi: "Não podemos fazer nada...", e logo após esta frase desliguei-me psicologicamente da frase. Somente pensei em que medidas independentes eu poderia tomar para minha segurança. Mas minha pobreza congênita frustrou 99% de minhas ideias.

Hoje seguimos como a canção de Seixas. Seguimos com a boca aberta, escancarada e cheia dentes, esperando a morte chegar. 

E a pergunta não cala, a mesmo, a de sempre, a cada esquina, em cada lugar, a cada respiração. 
A gente não quer só dinheiro, a gente quer dinheiro e felicidade. "A gente não quer só dinheiro, a gente quer inteiro e não pela metade." Direitos não são uma necessidade eminente, são um caso de dignidade pública e sobrevivência. Basta de homofobia. Lei Peterson, já!

#leipetersonja #forahomofobia


sexta-feira, março 06, 2015

Ataque do Estado Evangélico é eminente!

Por Fernando Schweitzer

Estão prontos para a "batalha" irmãs? Em entrevista a um programa do Rio Grande do Sul, o Gaúcha Atualidade, na manhã desta quarta-feira, Jean Wyllys, denunciou uma nova atitude da Igreja Universal e a comparou ao Estado Islâmico, aquele que joga homossexuais de arranha-céus.

Nossas irmãs de fé e muito camaradas estão a montar uma espécie de "exército", o que segundo o deputado LGBT, deve ser combatido com urgência. Para quem vê o vídeo ao primeiro instante pode pensar: "Ah, são apenas evangélicos, sendo evangélicos!". Mas, no entanto, entretanto e todavía. Um ser fanático cristão não diria o mesmo ao ver um vídeo de uma reunião de qualquer ONG de cunho LGBT.

Há pouco menos de cinco anos uma subdivisão da Al-Qaeda emerge nos palcos da política terrorista internacional, o EI. Famigerada facção que como nossos fanáticos local dizem-se e se auto-proclamam os representantes de um tal deus supremo. O grupo, em seu formato original, era composto e apoiado por vários grupos terroristas sunitas insurgentes, incluindo suas organizações antecessoras, como a Al-Qaeda no Iraque (AQI) (2003-2006), o Conselho Shura Mujahideen (2006-2006) e o Estado Islâmico do Iraque (ISI) (2006-2013), além de outros grupos insurgentes, como Jeish al-Taiifa al-Mansoura, Jaysh al-Fatiheen, Jund al-Sahaba, Katbiyan Ansar al-Tawhid wal Sunnah e vários grupos tribais iraquianos que professam o islamismo sunita. O objetivo original do ISIS era estabelecer um califado nas regiões de maioria sunita do Iraque. Isto após o seu envolvimento na guerra civil síria.

Após se manifestar sobre um vídeo com jovens marchando publicado pela Igreja Universal do Reino de Deus do Ceará que causou polêmica na internet, o deputado federal Jean Wyllys (PSOL-RJ) pediu providências do Ministério Público. Nas imagens, um grupo de jovens uniformizados que faz parte de um programa chamado"Gladiadores do Altar" marcha, bate continência e grita que estão prontos para a batalha durante um culto realizado em Fortaleza.

Quando o excelentíssimo deputado Jean comparou o ato com a Ação Integralista Brasileira (AIB), instituída por radicais de direita e em suma que objetivava exterminar comunistas no Brasil nas décadas de 60 e 70, esta fundada por Plínio Salgado, e ao fundamentalismo islâmico, lembrando o histórico da igreja na inquisição, creio que mesmo não sendo entendido pelos ouvintes e entrevistadores da rádio Gaúcha ele fez um esplendoroso touchet. 

O grande drama de termos um literato ao combater o fascismo é que no reverbere de sua ânsia por causar, no bom sentido, sem querer gera manifestações contrárias como a do internauta Daniel Hatschbach: "Mal sabe o imbecil deputado, que esse tipo de iniciativa da igreja universal existe porque há pessoas como o imbecil deputado!". Que nada mais é que o censo comum de uma sociedade ainda racista, sem cultura e além de tudo direitista, coxinha e homófoba.

Devido a todo esse bafafá muitos dos links foram retirados do ar em muitas páginas, pois, segundo Wyllys, "a Igreja Universal está com medo da repercussão negativa e midiática. Mas nós podemos ajudar. Buscando e enviando os vídeos e os links ao Ministério Público de nossos estados.

Vídeo dos "Gladiadores do Altar"


Levantemo-nos de nossas confortáveis e negligentes poltronas e sejamos menos cabaços. Pois, ao contrário dos norte-americanos que esperaram os Estado Islâmico crescer para depois reagir, não dispomos de armas para combater a homofobia e o preconceito. Aqui lanço a terminologia, (EE), pois o (EI) já conhecemos do que é capaz. E se assim não o é, finjamos felicidade e tranquilidade. Mas o Estado Evangélico já existe e tem sua enorme bancada no congresso, e preside a Câmara de Deputados Federal.

Com a palavra as vítimas de skin heads e fanáticos fundamentalistas. Claro, caso tenham sobrevivido. Boa semana a todos. Se é que isto é possível!!!


quarta-feira, março 04, 2015

Associação Amigos em Ação realizará Casamento Coletivo no mês das noivas

Novamente a Associação Amigos em Ação promoverá o Casamento Coletivo Civil na Grande Florianópolis. Esta é uma ação realizada pela associação idealizada pela voluntária Luciana de Bastos Silva, já realizou mais de 7 mil casamentos desde 2005 no estado de Santa Catarina. Com o intuito de viabilizar o casamento a quem não tem condições de bancar a cerimonia o projeto social oferece ainda uma festa de casamento.

Haverá ainda um evento antecedente dia 7 de Maio, o noivado, que ocorrerá no CIC - Centro Integrado de Cultura. Associação Amigos em Ação promoverá o Casamento Coletivo Civil para a Grande Florianópolis, dias 16 e 17 de maio de 2015 no Centro de Convenções Centro Sul.

Faça você também a sua inscrição para o próximo Casamento Coletivo. Qualquer pessoa residente na Grande Florianópolis, pode dirigir-se ao Ticen, para participar. Não perca a oportunidade! A inscrição é gratuita.

Essa é uma oportunidade para famílias com renda baixa que gostariam de regularizar a situação matrimonial. Com o registro de casamento e ainda com uma linda cerimônia para os participantes.

Inscreva-se no TICEN(ao lado do SETUF), ou em 
Associação Amigos em Ação

sexta-feira, fevereiro 27, 2015

Ainda encontro a nova fórmula do amor!

Nando Schweitzer - Jornalista e Diretor Teatral


Festas... No país da cerveja, mulher pelada e futebol uma nova moda grita forte nos covíos e recintos regados a "Tunz-tuntz", tequila, sexo e drogas. Os points mix friedly hoje, são mesmo nas cidades mais conservadoras, o frisson do momento.

Existe uma nova raça que surge na nossa pós-modernidade. O Heterozigoto seguro de si. Matreiro o caçador de amigas de homossexuais vê em danceterias e clubes de público LGBT uma oportunidade de lograr um vítima com menos dificuldade e concorrência.

O grande risco nesta aventura é que terminam perdendo parte de seus preconceitos para com os seus até então inimigos mortais, e por tabela adjetivo temido: viadinho.

A muito um macho alpha temia ser taxado de marica, e fugia de antros com fama de lugar de pederastas. Claro hoje ainda existem os clássicos homens que temem passar na mesma quadra em que houvesse uma boate gay. Mas os gays também são capitalistas, e como forma de ampliar seus lucros migraram a este novo conceito.

Diriam as nanãs: Essa balada têm muitos héteros hoje! Diriam as ninfetas: Hoje tem muito bofe na balada, vou fazer a linha banheirão. Ambas estão plenamente corretas. Pasmem, certa vez fiquei com o mesmo cara que uma amiga, no mesmo dia.

Quero frisar que não sou heterofóbico. Não ainda! Mesmo porque já estive na cama com amigos 'héteros" e em tese eles seguem héteros até hoje.

Larguemos as ironias. Embora verdadeiras não cabem neste momento real de comunicação. Viemos aqui transitar no mundo pantanoso da hibridade. Qual o papel a se desempenhar numa balada de público misto. Ser presunto ou ser queijo?

Nestas localidades aonde a quantidade de seres e opções sexuais são múltiplas são uma verdadeira façanha e que pedem uma calculadora. Pegue 100% das pessoas, mapeie a porcentagem de homos, héteros, raros, sapas, meninas simpatizantes... Pois não se enganem maricotas, não existe simpatizante hétero no sexo masculino. E então calcule.... Se o índice de bibas ou de caminhoneiras, cada um com seu objetivo e interesse.

Caso o índice seja inferior a 12,72%, podes considerar que estar nesta balada é o mesmo que estar na rua. Os poucos caras que encontrarás e não são horríveis, ou estão acompanhados na festa, ou são pseudo-héteros. Então vá dançar e esqueça o beijo do príncipe encanto por esta noite.

Se o índice superar 12,75% até o miliar de 30%. Broche. Pois a grande maioria dos interessantes serão pouquíssimas e fora o salto alto que já perderam na pista, são mais femininas que sua mãe.

Passando os 30%... Excluam os turistas e reze. Vai que cola! Se não fluir em torno de 40 minutos, puxe assunto com um turista, ou pegue um táxi e vá para casa.

Reproduza o calculo as avessas no caso que sejas lésbica, baixando os índices pela metade. Mulheres sempre são mais objetivas.

Verdade que todo índice tem margem de erro, já diria o Data Folha. Mas pode confiar na dica, isto lhe dará muito mais conforto e produtividade em suas novas noites mix friedly. O gueto acabou! Viva!

Calllllmaaaaaa... Porque todo viado é apressado. Você não ganhou mais um espaço, você só perdeu a exclusividade em troca de aceitação social. Mas ao dobrar a esquina continuarás a ser perseguido por motos e skins heads. Atenção! Cuidado! Nem tudo mudou!!!

E só nos resta assistir ao BBB sem homossexuais... Afe painho, que tédio!







quinta-feira, fevereiro 19, 2015

Ninguém quer ver a mangueira entrar?

Nando Schweitzer - Diretor Teatral e Jornalista


A pipa do vovô não sobe mais, e apesar de... Opa! Os tempos são outros, e o viagra está no bolso dos vovôs. Mas isto não é a única mudança nos carnavais dos últimos tempos. Cada vez mais é senso comum que o tradicional Bloco de Sujos, e seus homens vestidos de mulher se proliferam, até mesmo nas cidades mais conservadoras.

Por incrível que pareça para a vovó e o vovô a cabeleira do Zezé cresceu, se maquiou e muitas vezes tem no carnaval, festa pagã incorporada pela hipócrita Igreja Católica e que propicia no imaginário popular algo como uma válvula de escape, servindo para liberar as fantasias mais ocultas de nossa podre e carcomida sociedade. 

Viemos recentemente de um período de pseudo-politização da sociedade. E também de eleições polarizadas por partidos gêmeos-capitalistas de ex-esquerdas. Explico. No meu tempo viado era sinônimo de refinamento, bom gosto intelectual, e excelência nos gosto musicais. Viado que era viado(ou que se permitia em público transparecer sua orientação sexual) sonhava em viver em Paris, não na suja New York.

Lembro do carnaval no ginásio da cidade em que atirava serpentina nos garotos bonitos, das marchinhas, e que não precisava ver uma mulher com a bunda de fora a cada segundo. Saudosismo xô, xô, xô. Agora evoluímos, tivemos um rei de bateria na Grande Rio, homens pegando homens e mulheres se pegando na passarela no desfile da Salgueiro... Mas como se sabe... o que ocorre no Rio, fica no Rio... Ou o que ocorre no carnaval, morre no carnaval. Essa ousadia não ultrapassa da apuração, mesmo porque a nossa velha líder e reacionária TV Globo fez o que pode para esconder as cenas da "loucura" salgueirense em homenagem ao Fim do Mundo, de Paulinho Moska.

Hoje os LGBTs, tanto pelos hétero-normativos, mas muito mais por eles mesmos se nivelaram por baixo. Vi coisas nestes últimos tempos que são assustadores e inimagináveis para Cazuza e afins. Sapas, viados, travestis e todos os outros seres que não fazem parte das pesquisas oficiais do IBGE, votando na direita, em conservadores e em evangélicos. Ufa... Estava entalado na garganta, e não era uma pica gigante.

Amigos me insuflaram a participar da festa popular do Brasil. Justo no dia em que na cidade é tradição homens vestirem-se de mulheres. Retruquei de imediato que jamais participaria disto. Ademais, "se um dia fora presidente proibiria carnaval e futebol, para que as pessoas deixassem de perder tempo com imbecilidades e com estes dois ópios, anestésicos do povo". 

Foto da internauta: Adriana Rosa de Souza
Mas tranquilos inquietos leitores. Como esta é minha coluna de estreia no Cata o Babado e agora reproduzida aqui no Sincerando, irei pegar leve. Mesmo porque pesado neste país é apenas o ceticismo e a homofobia. Pois aproveito a grande oportunidade de nesta quarta-feira de cinzas comemorar, a diminuição dos crimes homófobos, ao menos por um dia, ou alguns nas cidades onde os festejos carnavalescos tem maior duração. Visto que "héteros" estarão travestidos nestes dias "alegres" e não querem correr o risco de matar a um "semelhante", um do seu grupo ariano-sócio-cultural-superior-hétero-normativo-neoliberal.

Festejemos, muito, mas muito mesmo... Pois a partir desta data até o próximo feriadão do "tudo é permitido" você correrá risco de vida e preconceito no trabalho, na rua, na chuva e na fazenda. Mas caso sejas uma pessoa rica, poderá se refugiar numa casinha de sapê. 

Tenho de me recuperar moralmente e psicologicamente de que pela primeira vez em anos de carnaval em Florianópolis, por não haver ido sequer ao tão famoso desfile do Pop Gay. Primeiro que gay para mim ainda é sinônimo de alegre, deturpação americanista do norte de um termo francês medieval que significa fresco ou novo. E todavia não vejo nenhum motivo para homossexuais serem alegres neste país. Também acreditava que mesmo o nome sendo um desfavor aos LGBTs, até outrora era a única ocasião em que a cidade deixava-se por algumas horas o preconceito homófobo de lado. Portanto respirava fundo, e então tragava os preconceitos poucos meus e encarava a aventura em meio a marginália e os poucos simpatizantes. 

Mas a alguns anos, ao que se extinguiram os outros pontos de bailes públicos da cidade, os frequentadores do POP GAY se tornaram muito mais hostis e ano possado prometi nunca mais frequentar o evento, ao qual fui semi-obrigado a ir para acompanhar meu grande amigo peruano, e relembrar nossas bombásticas saídas por Buenos Aires, quando feliz fui sem saber ao estudar jornalismo na ainda não hiper-inflacionada capital argentina. 

PS Babadeira: Um comentário do Facebook me chamou a atenção. Dizia: Hoje nesta balada está fácil saber quem é hétero, porque todos estão usando saias. Anedota a parte, falarei sobre as baladas Mix Friendly na próximo coluna. Um beijo, um abraço e se for bonitinho um apertão embaixo. 




quarta-feira, fevereiro 11, 2015

EQUIVOCADO



Sei que me apaixonei, eu cai perdido sem conhecer

Que ao cair o sol, se vai o amor

Dói reconhecer, dói equivocar-se e dói saber

Que sem você, ainda que a principio não

Me perdi, apenas te vi

Sempre me fez, como quis

Porque sempre estive equivocado, e não o quis ver

Porque eu por você a vida dava

Porque o tudo começa acaba

Porque nunca tive mais razões

Para estar sem ele

Por custa tomar decisões

Porque sei vai doer

E se assim me setia, não sei porque seguia

Apostando minha vida a ele...



quinta-feira, fevereiro 05, 2015

A Entrevista que eu não faria!

Fernando Schweitzer - Diretor Teatral e Jornalista


É meus caros, regressei. E o pior, voltei pior que outrora. Recém assisti A Entrevista. O filmezinho chulé, mas ao mesmo tempo cheio de conteúdo. Me deixou com umas mil pulgas atrás do rabo. Eh laiá. 

Ver um ditador oriental chorando como bebê ao dar uma entrevista para todo o planeta, realmente não se vê todo dia no cinema atual. São aquelas idéias pitorescas e ousadas que mesmo mal executadas, no caso atuadas, rende bons momentos.

O filme dirigido por  Seth Rogen e Evan Goldberg em seu segundo trabalho como diretores, após This Is the End. O roteiro escrito por Dan Sterling é de uma história de Rogen, Goldberg e Sterling. O filme é estrelado por Rogen e James Franco como jornalistas instruídos para assassinar o líder da Coreia do Norte, Kim Jong-un (interpretado por Randall Park) após conseguirem uma entrevista com ele. 

Um roteiro mais que previsível a moda filmes sobre a União Soviética durante a Guerra fria? Talvez o formato americano e de Hollywood penam sempre para serem criativos e/ou surpreendentes. Mas ao passo que o jornalista de celebridades Dave Skylark (Franco) e seu produtor Aaron Rapoport (Rogen) garantem uma entrevista com o líder da Coreia do Norte Kim Jong-un (Park) e são instruídos pela CIA para assassiná-lo e filme parece tornar-se outro. Não chega a um Reinas, filme espanhol hilariante com a participação de Carmen Mauro e a excelente Betiana Blum, mas me fez desistir de sair da sala.

Ver o "ditador" norte coreano em um tanque de guerra cantando frenéticamente Miley Cyrus também foi hilariante. Talvez se os protagonistas fossem atores de um perfil que se levassem a sério o filme seria menos sutil, e esta é a força de A Entrevista.

Os atores, exceto por Park, são de fracos a sofríveis. O filme recebeu atenção por seu retrato negativo de Kim Jong-un. Em junho de 2014, as ameaças de ações "implacáveis" contra os Estados Unidos foram feitas se o seu distribuidor, Columbia Pictures, fosse adiante com o lançamento do filme. Columbia retardou o planejado lançamento de 10 de outubro de 2014 para 25 de dezembro para alterar digitalmente decorações militares que honram o líder do país. Em novembro de 2014, os sistemas de computadores de empresa-mãe Sony Pictures Entertainment foram hackeados por um grupo que o FBI acredita que tem laços com a Coreia do Norte.

O final era óbvio, e foi mesmo. Mas afinal a proposta não era ser um filme de arte, menos de cine arte, menos ainda um filme. Cest'la Vie.


quinta-feira, dezembro 18, 2014

Malhação Total

Fernando Schweitzer - Jornalista e Diretor Teatral


Embora estragada por uma música americana, na sensível cena da expulsão de casa, o netinho de Irene Ravache não comprometeu. A atual temporada de Malhação ressurge com uma trama misturando moda e o preconceito clássico. Tenta transformar lutadores em almas sensível, e artistas em lutadores. O fator preconceito é abordado na fala do pai conservador ao excomungar o filho dizendo que "não queria estar passando por isto".

O repique se vai do trágico classico, ao tradicional pós-moderno. Um professor fala: "Corta pra mim!". E eis que surge um Workshop, sobre William Shaekeasper num acampamento, palavra caça-níquel do momento para justificar qualquer curso sem fundamentação teórica e/ou profundidade para novatos a pseudo-futuros-artistas deslumbrados. Antes as pessoas faziam cursos e mais cursos, hoje? Basta um Workshop e se tonam divos e divas, ou ambas coisas.

Aos saudosos que diriam, relembrando a primeira temporada da série que poderia pegar a carona do extinto Zorra Total, Malhação só mesmo a temporada primeira. Um viva! Se está também fosse a derradeira.

Na tentativa de ser atual comete clichês do passado, mais velhos que sua primeira temporada. Ao estilo sopa rápida, Malhação mescla o status quo do passado com coisinhas do presente. Os lutadores de MMA, exemplo de pseudo-héteros na vida real, com bibinhas da vida real que dançam contemporâneo.

Não pensem que nunca peguei um lutador... Já estive com lutadores de Boxe, Kung-Fu, etc. E obviamente como ativo, senão estaria eu favorecendo o status quo do mundinho pantanoso de Bibolândia. Mas um lutador de MMA me brocharia. Pois já pegou mais homem que eu, no bom sentido claro.

Essa trama é tão surreal quanto o elevador do meu prédio. Mas deixemos este assunto para a reunião de condomínio ou para um divã. Saudade dos filmes de lutas em que Vam Dame usava calças coladas para valorizar seus glúteos salientes.

quarta-feira, dezembro 10, 2014

Semana marcada por resgates históricos sobre a ditadura



Na semana em que a Comissão da Verdade trás a tona uma série de histórias ocultas sobre o regime militar, o musical Antes do Golpe, do diretor Nando Schweitzer volta aos palcos em Florianópolis, na Biblioteca Barreiros Filho do bairro Estreito. O espetáculo abordará através de canções de época a noite que antecedeu o golpe cívico-militar de 31 de Março de 1964.


ANTES DO GOLPE conta um momento político que mudou o Brasil, mas por uma ótica distinta. Quando seis amigos muito diferentes resolvem fazer um luau em torno de uma fogueira na noite que antecede o Golpe Militar de 1 de abril de 1964. No repertório, canções entre as 100 músicas mais tocadas nas rádios do Brasil nos anos de 62, 63 e 64, em um grande pout-pourri que transforma em diálogos as letras originais. Sendo composto por 6 atores-cantantes e banda, o espetáculo é realizado inteiramente ao vivo.

Após Somente Tu e Eu, espetáculo que em abriu esteve na capital gaúcha está produzindo uma webserie e um musical de época. Expandindo sua atuação em comemoração aos 11 anos de sua fundação. Hoje após donativos de familiares e atores da própria companhia, o elenco de A Tribo Produz, se prepara para para um inusitada viagem, a capital gaúcha.

Visto a falta de apoios e patrocínios, o grupo hoje corre atrás por vários meios e métodos do dinheiro restante para cumprir este sonho, estrear o musical Antes do Golpe. "TODOS SABEMOS DAS MÁFIAS PARA LOGRAR DATAS NA AGENDA DOS POUCOS TEATROS DE FLORIANÓPOLIS. Mas não viemos chorar o leite derramado. Queremos só fazer... Fazer... Cantar e cantar...", dispara o diretor da companhia “que o Teatro Nilton Filho de Porto Alegre se propôs a receber para lançar o musical em Setembro, espetáculo concebido pelo diretor teatral e cantor Nando Schweitzer, projeto concebido em 2005, que em seu regresso ao Brasil este ano se consolida.

Serviço
O que? ANTES DO GOLPE, o musical
Aonde? Biblioteca Municipal Barreiros Filho - Rua João Evangelista da Costa, 1160 - Estreito
Quando? 13 de Dezembro - Sábado
Horário? 16:00h
Preço? Colaboração Espontânea



A Tribo Produz (48) 8448-6288

Facilitemos sua abstração limitada de ultra direita

Fernando Schweitzer - Jornalista e Diretor Teatral


Quando me perguntam sobre a atual polarização da política brasileira realmente fico em uma sinuca. Não por não saber a respostam, mas por não crer que pessoas que se dizem politizadas caiam ainda nesta estratagema medíocre. Tanto enxergo igualdades, ou similitudes filosóficas entre os pseudo-próceres da nação que lhes afirmo: PT e PSDB não são polos ideológicos. Meramente são propostas siamesas que rivalizam-se no poder. A ignorância política, ou melhor, despolitização do povo que criam tal polarização entre propostas neoliberais. 

O assassino norueguês Anders Breivik, 
acusado de terrorismo, repete gesto nazista no tribunal 
O sociólogo político Oliver Woshinsky retratou em um de seus escritos a extrema-direita como uma dissidência política que prega o apoio de uma forte ou completa hierarquização social da sociedade, e apoia a supremacia de certos indivíduos ou grupos considerados naturalmente superiores que seriam mais valorizados do que aqueles considerados inatamente inferiores. Os termos "política de direita" e "política de esquerda" foram cunhados durante a Revolução Francesa principalmente. Agora, alguns aninhos depois voltam a fazer a boca miúda parte do debate efusivo de pessoas não tão aguerridas por mudanças estruturais.

Se o próprio Aloisyo Nunes em entrevista ao apresentador Danilo Gentili, disse textualmente: "O PSDB é mais esquerda que o PT hoje." Aí gente que votou no PSDB vem com discurso neonazista com clichês obsoletos contra o PT. Apoio que se critique o PT e seus aliados, estes que preferiram sucumbir-se a um projeto de poder despolitizado de valores individuais e rasgando suas bandeiras históricas. Agora, se fosse um mal ser de esquerda (cada um com sua ideologia política), jamais poderia-se acusar o PT disto, pois este seguiu a cartilha geoeconômica de seu antecessor, incluso mantendo Lula o mesmo presidente no Banco Central do governo FHC.

Facilitemos sua abstração limitada. Esqueçamos a provocação que não foi absorvida. Assim seguiremos de alguma forma Adorno, e assim pensemos na reprodutibilidade do sincrético. Se ao invés de considerarmos 41 partidos, e suas 15 tendências, claro pois, existem coincidências. Pensemos que estas 11 coligações representem 11 tendências políticas entre a ultra esquerda e a ultra direita, passando-se pelas centrais mais ou menos liberais. Porque não estiveram nos debates presidenciais todos os candidatos? ALERTA, NÃO FALEI EM NENHUM MOMENTO DO MEU JUÍZO DE VALOR PARTICULAR.

Para os que hoje muitos radicais de esquerda chamam ainda de filhotes da ditadura, ou mesmo e também, para os que reivindicam intervenção militar a "direita moderada", tipificada pelos escritos de Edmund Burke, seria hoje melhor retratada se este não fossem esbravejadores alienados por Dilma Roussef e seus aliados que por Aécio Neves e seus correligionários e aliados de ocasião. . 

Mas vivemos em um país bipartite. "Bipartidário? Quer dizer que PSOL é igual ao PT e ao PCB? Que o PSB, PDT, PSDB, PSC, DEM, são iguais?", me perguntara um boçal via redes sociais recentemente. A resposta começou no parágrafo acima. A resposta está nas coligações da última eleição. E na ironia que não foste capaz de perceber. A mídia fala de PT e PSDB a décadas, como os "candidatos principais"... Principais para quem? Para os coxinhas despolitizados? Tivemos 11 candidatos na última eleição, esta que é segundo a lei em 2 turnos. (Pensemos que durante uma eleição um partido e uma coligação tem o mesmo valor legal representativo) Sigo? Se é que consegues seguir o raciocínio.

O significado de direita "varia entre sociedades, épocas históricas, sistemas políticos e ideologias". De acordo com o The Concise Oxford Dicionário de Politica, nas democracias liberais, a direita política se opõe ao socialismo e à social-democracia. Os partidos de direita incluem conservadores, democratas-cristãos, liberais e nacionalistas, e os da extrema direita incluem racistas e fascistas.

Discussões políticas são sempre longas, pois geralmente as pessoas não usam dois mesmos marcos teóricos para embasamento do que falam. Mas não falando de lados, e sim de marcos teóricos clássicos... Os partidos que hipocritamente polarizaram em segundo turno, ambos fizeram governos neoliberais e as mesmas práxis econômicas e educacionais. O que me causa riso são os postagens de extrema (sejam à direita, ou, esquerda) que falam como se tudo fora 8 ou 80. 

Em um país com 41 partidos, termos apenas duas tendências políticas não soa algo surreal? A imprensa contemporânea, ocasionalmente, usa os termos "esquerda" e "direita" para se referir a lados opostos ou que se opõe. Ou a mídia e as pessoas que a compram criaram um país fictício e bucéfalo aonde não existam ponderação mistas, intermediarias, alternativas... Dessa formar pensarei que nos tornamos um país medíocre e bipartidário como Espanha, ou Estados Unidos.