quinta-feira, setembro 10, 2009

Invente, tente, assista algo diferente

Invente, tente, assista algo diferente

Fernando Schweitzer, Buenos Aires/ARG - Ator Não-Global, Diretor Teatral, Cantor, Escritor e Jornalista


Me chamou atenção ao ler no jornal extra online a matéria de Leonardo Ferreira -09/09/2009, o como estamos em um país de libertinagens e com zero de liberdade. Alheio eu ao fato tardiamente me embasbaquei ao ler a seguinte nota:

O autor José Louzeiro prepara um livro sobre os bastidores da proibição de sua novela “O marajá”, que seria exibida pela Manchete em 1993. A trama contava com humor a trajetória de Fernando Collor e foi impedida de ir ao ar poucas horas antes da estreia. Mesmo sem ter visto nenhum capítulo do folhetim, o ex-presidente conseguiu impedir na Justiça a exibição, num caso claro de censura prévia. Ele teria se sentido ofendido pelo que nunca viu. Depois disso, as fitas sumiram. “A novela se perdeu em trambiques, com muito dinheiro envolvido. Acho que nunca veremos essa história”, diz Louzeiro.

Um dos detalhes revelados no livro é que o próprio departamento comercial da emissora, segundo Louzeiro, ajudou a boicotar a novela. Sem que os autores nem o diretor da história (Marcos Schetman, que dirige hoje "Caminho das Índias") fossem consultados, foi posta no ar uma chamada de "O marajá" , considerada, mesmo nos dias de hoje, muito forte. Nela, uma enfermeira levava numa bandeja de prata supositórios com cocaína para o ex-presidente. A chamada foi o que alertou Collor, que logo depois entraria com uma ação para impedir a exibição da novela.

Vendo os índices das novelas baixos hoje em dia penso no que pode estar faltando para que as mesmas voltem a patamares estratosféricos de anos atrás. Pois seja por falta de qualidade de atores, muitos meros seres que tiveram momentos intimo com diretores de elenco, produtores e afins. Seja por remakers de histórias batidas e que já tiveram milhões de versões como a Colombiana "Bety, la Feia", que no Brasil fora exibida a anos atrás pela Rede TV!, depois teve "La Fea Mais Bella" exibida pelo SBT em versão dublada, na adaptação feita pela mexicana Televisa que hoje exibe pela tarde a versão original Colombiana. Mas o pior é o que se passa hoje, neste momento temas "Ugly Bety" versão americana realizada pela tradicional ABC, no ar pelo SBT. E ainda uma versão em horário nobre na Rede Record, "Bela, a feia".

Tanto lá como cá

Mas quem pensa que a coisa está assim só no Brasil se engana quadrada-mente. A grande exportadora Televisa hoje tem como opção comprar roteiro de novelas argentinas e colombianas para diversificar os temas de sua novela, coisa que a Globo jamais fará por ego exacerbado. O último caso é a exitosa novela exibida pela rede TELEFE e produzida pela Endemol/Underground em parceria com a emissora. "Los exitosos Pells", que no México se chama "Los Exitosos Pérez" devido ao sobrenome Pells não existir no México. Novela essa que teve segundo apontam alguns sítios portenhos direitos de exibição comprados pelo SBT que exibira a partir de dezembro uma adaptação e tinha em mente para agosto a exibição da versão dublada, mas engavetou a exibição pensando na possibilidade de produzi-la.

A novela que tem 6 premios "Martin Fierro" o principal da Argentina na área artística, englobando TV e teatro em seu rool de premios, quase não iria ao ar, pois era uma produção independente da Endemol Argentina para o mercado latino e não especificamente para Argentina. A substituição Exibida às 22:00, de segunda a quinta-feira como a maioria das novelas no país, teve como protagonistas Carla Peterson a mesma do sucesso "La Lola", também já exibida no Brasil. Ainda em exibição existem versões na Espanha, Chile, Ecuador e México devido a compra depois de assistir o piloto pela TELEFE, mudança de atores que ocasionou uma "porteñización", como trataram os meios do país, da trama e principalmente do sotaque e gírias utilizadas. Ocorre que o sotaque argentino é demasiadamente particular e utiliza até mesmo de tempos verbais distintos da maioria dos país de língua espanhola.

Aqui temos na Rede Globo a antropofagia do horário das 6, como o remake de "Paraíso" e tantas outras, algumas raramente feitas por outras emissoras como "Mulheres de Areia" da TV Excelsior. Temos também lá Walcir Carrasco com a milésima novela que parece copiar o texto e piadas de suas próprias novelas anteriores. Glória Pérez com suas emboladas tramas sem rumo que se guiam mais pelas pesquisas de público da emissora do que pela intuição e suposto talento da autora. Isso vem a constatar uma dura realidade de que o povo consome muitas vezes mesmice com roupa nova. A questão é de quem sabe melhor disfarçar isso.

O SBT tem um redundante fracasso com a adaptação de "Vende-se um véu de Noiva" de Janete Clair, novela escrita inicialmente para o rádio. Talvez aí o grande problema. Não acredito que o canal tenha reambientado dramaturgicamente para a linguagem de TV a obra e sim meramente atualizado poucas coisas da historia e filmado os diálogos.

Ineditismo nao vende

Foi-se o tempo da foice em que o novo era o que mais vendia. Hoje a sociedade está pasteurizada e com lomba de pensar. O que vende hoje é a repetição. Como citação ilustrativa de um sábio que a muito percebeu o quanto o povo se deixa levar irracionalmente pelos meios de massa: "Quer fazer sucesso? É só repetir qualquer coisa no cocuruto do povo..." em a Gota d´água de Chico Buarque. Onde uma personagem aconselha ao sambista Jazão lhe ensinando a fórmula do sucesso.

Poder Paralelo é um retumbante fracasso de Ibope hoje com media de 5 pontos a 7 no máximo. O detalhe é que a produção e trama são impecáveis. Ainda o elenco conta com monstros da interpretação como Beth Coelho e Antonio Abujamrra dentre vários outros. E mesmo assim "Caminho da Índias" com a "atriz profissional", sabe se Deus como se formou, Juliana Paes batendo recordes de audiência.

O Marajá

Acredito piamente que "O marajá" deveria ser refeita, hoje em dia se faz e se refaz tanta porcaria, que seria de muita valia. Ou isso ou fazer uma novela em estilo grande épico como "Cidadão Brasileiro" de Lauro Cézar Muníz, onde as personagens foram retratas pelos mesmos atores dos 20 até a morte, alguns claro. Se não sobre Collor talvez sobre seu antecessor, hoje envolvido em alguns escândalos, nosso querido José Sarney. Creio que vou registrar dois nomes possíveis: 1) Brasileiros e Brasileiras; 2) Planos Cruzados. E no caso Collor: "Impeachment, porque?"; "Caçador de Marajás", "O Confisco", "Cadê minha poupança?"... Mais um que me interessaria muito que fora aprovado por alguma emissora é: "Ressurreição", afinal de contas nosso ex-mal-presidente é senador eleito.

Se alguém me contratar me junto a um par de colaboradores e escrevo uma novela, bons títulos já tenho.

PS.: Peco desculpas aos leitores da coluna pelo atraso da mesma. Tive de mudar as pressas do Hotel Residência em que estou a viver em Buenos Aires, devido a seu fechamento. Me avisaram domingo(6) a noite que fechariam ao dia 15. Ou seja, 9 dias para conseguir um novo lar, sem muito "tu-tu" no bolso foi um tanto "fastidioso". Agora de casa nova podemos voltar a trocar idéia minha gente. Forte abraco e continuem aqui, que prometo falar menos besteiras na próxima coluna semana que vem.


Fernando Schweitzer, Buenos Aires/ARG - Ator Não-Global, Diretor Teatral, Cantor, Escritor e Jornalista

segunda-feira, agosto 31, 2009

Falta

Fernando Schweitzer, Buenos Aires/ARG - Ator Não-Global, Diretor Teatral, Cantor, Escritor e Jornalista



A grande novidade do domingo (30 de Agosto de 2009), de novidade pouco teve. O tal polêmico Programa do Gugu, com o próprio, só que agora atravez do canal 7 de São Paulo, de novo teve apenas com cenário "high-tech" com 120m² de telas de LEDs que são coordenadas de acordo com os quadros do programa. No total, o espaço tem 650m² e pode receber uma platéia de até 200 pessoas.

A Audiência

De acordo com dados preliminares obtidos pelo ’O Planeta TV!’, o "Programa do Gugu", no horário das 19h56 às 00h03, marcou uma média de 16 pontos com pico de 19,5. O programa de estreia ficou na liderança por aproximadamente 15 minutos. Veja o ranking do horário:

Esses foram os índices da guerra dominical no horário nobre da TV brasileira: Globo - 22, Record - 16, Rede TV! - 9, SBT - 8. Realmente ao menos para estreia. Os índices do Ibope representam aproximadamente 60 mil domicílios, dados que servem como referência para o mercado publicitário.

Equilíbrio sem conteúdo

Quando é que nos poremos a pensar, ou melhor, a repensar o que nossas concessões "públicas" estão a fazer no caso das TVs, para nao ter de falar do "transporte público" e demais relegos de serviços que segundo a constituição sao de responsabilidade das instituições governamentais.

Enquanto no país o governo for forte e as instituições fracas teremos cada vez mais teremos maiores disparates como o estratosférico contrato de Augusto Liberato pela Rede Record. A inflação saiu do supermercado e chegou ao alto degrau da televisão.

Quando vemos o velho patrão, sua criação em outro canal e contra eles o Faustão é uma competição com muito ão para um só dia na televisão. O que ocorre é realmente só para continuar a rima é literalmente falta de opção.

Como a música

É impossível saber se o louco hoje é quem produz ou quem dá Ibope a certas coisas. Como a música Shakiriana "Si me falta el argumento y la metodología, cada vez que se aparece frente a mi tu anatomía". Em meu caso digo que não tenho mais realmente que argumentar dentro da óbvia situação, e nao haverá metodologia para não deixar-me estarrecido com o pandemônio ao qual está se tornando a TV no país. E a anatomia paradoxal que me trava os sentidos é a TV atual.



Fernando Schweitzer, Buenos Aires/ARG - Ator Não-Global, Diretor Teatral, Cantor, Escritor e Jornalista

domingo, agosto 23, 2009

GGM: A Grande Guerra Midiática

Fernando Schweitzer, Buenos Aires/ARG - Ator Não-Global, Diretor Teatral, Cantor, Escritor e Jornalista



É insuportável começar um artigo sobre TV usando o termo "******" pelo Ibope, embora acredite que possa tranqüilamente abordando o tema aludir claramente a tal palavra "secreta" de seis letras a que não citei, ainda.

Ademais do fenômeno “A Fazenda”, que refletiu índices recordes em programas como o “Hoje em Dia”, “Geraldo Brasil” dentre outros da casa nos dias em que repercutiam as polêmicas do reality. A revista matinal da Record registrou 14 pontos e o programa de Geraldo Luís 13 pontos de média na última quinta (20), índice recorde das duas atrações desde suas respectivas estréias. Neste mesmo dia, a Record alcançou suam maior média em 2009. Foram 11 pontos entre sete da manhã e meia-noite.

A tempos que a emissora tem investido em frentes múltiplas para alcançar o almejado posto de emissora líder no país, o que ao menos diz pretender. O combate entre as duas maiores redes do painel nacional atual segundo a Folha Online de 22/08/2009, está por iniciar uma nova fase. O combate via documentários. A Record comprou na quarta-feira (19) os direitos de "Muito Além do Cidadão Kane", produção inglesa de 1993 com pesadas críticas à Rede Globo. Em contra-ataque, a Globo negocia "Universal, Uma Ameaça ao País dos Crentes" (2002), documentário francês inédito no Brasil e no YouTube.

Um aviso aos navegantes

Para quem não tem idéia de que se trata um ou ambos os documentários é valido aludir a que se propõe cada um dos trabalhos.

Enquanto o filme francês, produzido pela TV católica francesa KTO, retrata a relação estreita entre igreja e emissora de TV. Ainda segundo a produção, não passa de um meio para Macedo aumentar sua própria influência política. A certa altura, entrevista o atual senador Marcelo Crivella (PRB-RJ), que admite que o governo "aceitou" a venda da Record para uma igreja, embora isso fosse, à época, vetado pela Constituição.

Já "Muito Além do Cidadão Kane", que está na íntegra no Google Videos, foi idealizado como programa em quatro blocos para o canal inglês Channel Four, em 93. Convencionou-se chamar essa obra de documentário porque, depois da TV, os blocos foram unidos e vendidos na íntegra em CDs e fitas piratas no Brasil e em outros países. "Muito Além do Cidadão Kane", produção inglesa de 1993 com pesadas críticas à Rede Globo. Tem em momentos depoimentos de grandes figuras históricas como: Leonel Brizola, Antonio Carlos Magalhães e até mesmo o atual presidente, quando ainda era um sindicalista de esquerda.


O mesmo produto, vários interessados

A Record fez uma aquisição poderosa comprando o documentário "Muito Além do Cidadão Kane" ("Beyond Citizen Kane"). A emissora fechou o negócio nesta semana, mas já havia tentado adquirir os direitos de exibição para TV brasileira nos anos 90. Segundo apurou a Folha Online, o material saiu por menos de US$ 20 mil para a emissora do bispo Edir Macedo.

Detalhe nesta historieta dentre desta grande história que é a batalha entre Globo e Record é que a emissora do falecido Roberto Marinho já havia tentado compra-lo para que o pudera engavetar. A grande sacada Simon Hartog, diretor da obra e que morreu em 1992, foi a analogia entre dois personagens que justamente vai a justificar o título da obra. Transmitido pela primeira vez em 1993, no Reino Unido, onde o empresário Roberto Marinho surge como ícone da concentração da mídia no Brasil, em referência a Charles Foster Kane, magnata das comunicações vivido pelo cineasta Orson Welles em "Cidadão Kane" (1941).


GGM: A Grande Guerra Midiática

Tentei refutar o inevitável, usar a palavra secreta do artigo. A batalha via documentários é uma busca de ratificação de suas retóricas discursas, dentro da GGM que os dois impérios por fim as claras resolveram travar. O que na verdade é uma grande estratégia. Sempre em várias rodas de violão de minha adolescência acabávamos por perguntar-nos: "O que será que tem nesse tal "Muito Além do Cidadao Kane" que faz a globo querer proibir a exibição no Brasil?".

Detalhe, na época não havia Google, Youtube, etc, etc, etc... Mas nada como uma vinculação em rede nacional e que vai mais que esquentar a GGM brasileira.

Obviamente que já assisti trechos de ambos documentários. Não inteiros pois a qualidade de imagens e som são sofríveis. Mas creio que hoje saiu na rua com meu violão a imaginar-me um fedelho e a gritar, ou quiçá compor uma canção. Aonde poderia eu a falar sobre este tema, onde o refrão seria:
Finalmente irei saber o que a Globo tem a temer...
Kane me diga o que passou
O que a Globo não contou
Por tantas décadas de história
Kane me diga o que passou
Por anos que estou
A ermo de minha história

Fernando Schweitzer, Buenos Aires/ARG - Ator Não-Global, Diretor Teatral, Cantor, Escritor e Jornalista

terça-feira, agosto 18, 2009

Com a palavra o artista!

Fernando Schweitzer, Buenos Aires/ARG - Ator Não-Global, Diretor Teatral, Cantor, Escritor e Jornalista


Quem disse que a fórmula iria cansar e perder a graça se estabacou. De acordo com dados obtidos com exclusividade pelo "O Planeta TV!", neste dia 16 de agosto no horário das 20h54 às 23h29, assim ficaram as médias de audiência medidas pelo Ibope: Globo 19; Record 16; RedeTV 11 e, SBT 10.

O que passava neste horário é o mais interessante que os números nos farão pensar muita coisa. Na ordem de emissoras: Fantástico; A Fazenda; Pânico na TV; Domingo Legal. Nesse baião de doido o ”Pânico na TV!” está em festa! O programa exibido na noite deste domingo, dia 16 de agosto, conquistou pico de 17 pontos e ficou na liderança por aproximadamente 5 minutos.

A ironia da turma do pânico não é chusma é linha editorial. Talvez isso explique records e mais record no histórico do programa. Em um momento em que na TV cada vez mais, artistas não são artistas, jornalista não precisam tão pouco ser jornalistas (vide a ultima decisão do STF)... O programa que sempre questionou na cara mesmo certos tipos de celebridades o quão artistas estas o são, tem na atualidade cada vez mais material de trabalho, somado aos anos de pratica são fatalmente hilariantes.

Sempre se questiona se o programa é um humorístico, ou o que? Ou que sem nenhum demérito creio ser o melhor termo para não definir este ícone único da nova maneira de fazer TV no mundo. Também muito se fala da mescla de ficção e jornalismo que eles como ninguém sabem fazer. Penso que um jornalista "sério" com sua endumentária tem seu papel em veículos de comunicação. Agora, quem disse que este pinguim de geladeira é um ser real. Qual é o marido que diz um boa noite tão formal a esposa como o sr. Bonner?

Acima de tudo o Pânico na TV é sim para fazer rir. Mas creio que seu estilo é mal rotulado. Muitos o põe como bandalha, humor escraxado, etc... Eu os vejo trabalhar em cima de um estilo pouco explorado no Brasil, seja em TV, teatro, cinema ou o que for que é a trágiocomédia. Que em poucas palavras consiste em muitos casos em mostrar algo trágico, por uma lente satírica, fazendo com que o público ria da desgraça das personagens. Estas muitas vezes passando por refletir o que passa na vida de cada um do público, que acaba por rir de sua própria tragédia indiretamente.

Pânico usando de personagens muito bem construídos diga-se, faz arte. Questionando pseudo-artistas faz jornalismo. Mesclando esses dois elementos produz entretenimento. Eu auto-ratifico o meu discurso deixando no ar apenas o seguinte levante. É verdade ou não que hoje não existe nada mais trágico, ou em estado mais trágico que a "cultura" no país?


Fernando Schweitzer, Buenos Aires/ARG - Ator Não-Global, Diretor Teatral, Cantor, Escritor e Jornalista

quarta-feira, agosto 05, 2009

Sonho de Ícaro

Fernando Schweitzer, Buenos Aires/ARG - Ator Não-Global, Diretor Teatral, Cantor, Escritor e Jornalista



Esta semana que passou foi um pouco atípica, por não dizer-se estranha na TV Brasileira. Os mais impensáveis exitosos produtos televisivos em questão ibope foram a milésima versão de "Bety, la Fea", original colombiana de Fernando Gaitán. Esta que já teve desde versão gringa a mexicana. A terça-feira (04) estreou a versão em parceria com a Televisa(Mex) na Rede Record. Os índices ficaram abaixo do sonhado pela emissora, embora sendo coerente e justo se deva reconhecer que não é simples estrear em mesmo horário que o grande sucesso global e sem sal do momento, Caminho da Índias.

O que se deve entender é que o público brasileiro é muito conservador e prestigia a Rede Globo por osmose. Nada além da vênus platinada tem o tal selo de qualidade Globo. Embora não veja um produto de qualidade na Rede Globo a mais de 2 décadas, exceto por Os Normais. A pasteurização do público mesclada a uma acomodação fenomenal, quase um status quo sócio cultural, faz com que se compre produtos de terceira linha como de primeira se na poderosa estão sendo vinculados. E o contrário também sucede, ou seja, se está fora da Rede Globo o bom lhe parecerá feia. Aí entra o problema para "Bela, a feia", nome da versão recém lançada pela emissora da Barra Funda. Adjunto a isto também se deve ver o fiasco que foi a ultima temporada da saga do mutantes, que chegou a beirar 6 pontos pífios em suas "emoções finais".

Mesmo com todo esse histórico sociopático coisa rara está a passar na mente do povo brasileiro este semana. Por incrível que pareça, a Rede Globo perdeu novamente para o programa religioso da Record. Na última segunda (03/08), o programa “Fala que Eu te Escuto” marcou uma média de 6 pontos. No mesmo horário, a Globo que exibiu o “Programa do Jô” também marcou a mesma média. Enquanto a Globo exibia uma entrevista com a cantora Elba Ramalho, a Record pegou carona em “Bela, a Feia”. Esse outro fenômeno mundial que é a nova aposta da emissora e ainda mais em horário nobre que de acordo com dados preliminares obtidos pelo portal O Planeta TV!, a estréia da novela adaptada por Gisele Joras, no horário das 20h30 às 21h39, marcou uma média de 10 pontos com pico de 13.

O X da questão vem em que TV é hábito, e como sempre em desesperação as emissoras brasileiras e suas grades voadoras são o maior inimigo da perfeição, digo, da audiência. Este sonho de ícaro que todas almejam e poucas alcançam. E seguindo essa tradição após o término do reality "A Fazenda", a pobre feia vai mudar de horário.

A competitividade na tevê brasileira é algo que hora e meia ressurge como um novo ou velho Davi contra o grande Golias midiático global. Todavia acabam naufragando em sua própria volúpia e sede de êxito. A Record hoje se estabilizou em um patamar de boas médias com picos de liderança mais que não passam muito disso, ao contrário de a tempos atrás onde chegava a ter vários programas como líder absolutos de determinados horários.

É eminente que ou a Rede Record terá de voltar a estabilizar sua grade para cativar um público para chamar de seu. Mesmo com produtos como este um "sucesso mundial" ou internacional como queiram, existem outras coisas que fazem o êxito de um produto midiático. Do contrário o que pode ocorrer é um desperdício de dinheiro e em nada fluir em resultados. Hoje se pensar que a emissora investe 200mil reais por capítulo de novela é um grande feito, e a qualidade hoje de seus produtos são incontestáveis. Mas o erro é velho e conhecido, em tempos áureos SBT também tinha seus pontos de liderança, e se perdeu. Hoje o canal paulista é 3° na média mês do PNT e está sofrendo e investindo muito para tentar voltar ao status anterior de segunda rede do país.

Sem embargo vemos que de um lado a Rede Globo caiu em Ibope bem como em qualidade. De outro a guerra Record X SBT, essa que parece não ter fim. É como um cego em tiroteio que não sabe de onde vem a bala e menos para onde está o inimigo. A Globo segue tentando manter o ranzo de seu êxitoso histórico de glórias mil, enquanto os nanicos se escalpelam e sonham em um dia ser líder. Essa é a triste realidade da TV aberta brasileira, infelizmente.




Fernando Schweitzer, Buenos Aires/ARG - Ator Não-Global, Diretor Teatral, Cantor, Escritor e Jornalista




segunda-feira, julho 27, 2009

300, o filme? Não!!!

Fernando Schweitzer, Buenos Aires/ARG - Ator Não-Global, Diretor Teatral, Cantor, Escritor e Jornalista



O programa mais audaz dos últimos tempos na TV brasileira chegou esse domingo(19), a extraordinária marca de 300 programas semanais na Rede TV!.

Tudo começou no rádio. Lá os intrépidos rapazes, quase todos de agora, começaram a traçar um novo perfil e estilo de fazer humor no país. A tímida Rede TV! lhes proporia depois de cerca de uma década no ar, que se fizera o tal "Pânico na TV". Antes mesmo de começar sofreram preconceito, rechaça pelo simples fato de não serem formados atores ou qualquer outra coisas semelhante que não se vê por exemplo em novelas globais fazem mais de duas décadas.

A homenagem a Sabrina Sato, figura que se projectou como único caso mais fora que dentro do Big Brother, com suas quase mortes desde voando içada por balões de festa ou sendo lançada em uma cápsula nas cataratas do Iguaçú. As sandalhas da humildade ao saudoso e sinceramente franco atirador de verdades jamais ditas por qualquer outro na história da TV brasileira.

Rádio na TV e TV no rádio

Tudo começou no rádio. Lá os intrépidos rapazes, quase todos de agora, começaram a traçar um novo perfil e estilo de fazer humor no país. A tímida Rede TV! lhes proporia depois de cerca de uma década no ar, que se fizera o tal "Pânico na TV". Antes mesmo de começar sofreram preconceito, rechaça pelo simples fato de não serem formados atores ou qualquer outra coisas semelhante que não se vê por exemplo em novelas globais fazem mais de duas décadas.

Eles humildemente se propuseram a aprender e a lidar com o formato. O que talvez nem eles esperassem é que o que a TV lhes proporcionaria, iria inversamente ao que pensavam modificar sua forma de fazer rádio . Ao entrarem na TV chegaram a dizer com a boa inocência dos humildes: "Vamos fazer o que fazemos no rádio, só que agora com imagem!" - disse Zurita, líder do bando. Hoje um dos quadros do "Pânico na TV" é mostrar quem foram os entrevistados destaque da semana na rádio.

Obviamente que se não estivessem na TV muitos entrevistados não estariam na versão"rádio" do programa. Mesmo porque, um programa de rádio mesmo que em cadeia quase nacional ao meio dia tem suas dificuldades para obter bons convidados. Algo interessante é o surgimento de personagens na TV que migram a versão rádio, como: Cristian Pior. este uma das revelações mais surpreendentes e hilárias do programa.

A tal "dança do sirí" que molestou a TV Globo por mais de um ano em suas transmissões ao vivo. Era impossível para os repórteres da poderosa fazerem externas, quanto mais se fossem ao vivo. Até Galvao Bueno dançou, fora o presidente da republica e centenas de celebridades, nacionais e internacionais.

Pânico X CQC

Muitos compararam o CQC em algum momento com o programa da Rede TV!. Pode se ter um comparativo único a meu ver, que é o fato de fazerem humor através de reportagens. No mais é absurdo ignorar a história de ambos. CQC é um programa criado pela produtora indepente argentina Cuatro Cabezas, que está em quase 30 países. O argentino tem como base literalmente uma mescla de jornalismo investigativo, político, socioculturalmente engajado travestido de humor e ironia. Existe uma intencionalidade em cada ato, realmente de caso pensado, coisa que não existe no Pânico.

O programa rádio-televisivo ou televiso-radial é como um adolescente. Inconseqüente, irresponsável, loucamente vivo, rebelde, despudorado e desmistificador. São como um grito contra a hipocrisia social. Cito o momento em que o repórter Vesgo pergunta o que o país gostaria de perguntar. Sem medo a William Bonner questionou: "Como você se sente tendo de voltar de férias mais cedo porque o Jornal Nacional tá perdendo para a novela da Record?". O rapaz da padrão de qualidade não sabia o que dizer e aí vem o arremate. Sílvio Santos, personagem do comediante Ceará: Fica tranqüilo Bonner, qualquer coisa tenho emprego pra você na minha emissora, pode vir com toda a família...".

Diferente do CQC que apesar de adaptar-se a cada país em forma de abordar os mesmos temas, segue um modelo pasteurizado e muito parecido em todos os países. O muy brasileiro Pânico na TV pode ser acusado de tudo, menos de ter fórmulas. Embora o CQC Brasil pegue mais leve com os políticos que o pai argentino, ainda assim a temática discursiva dos programas são amplamente distintas

Fórmulas para que?

O Programa Pânico veio sem pretenções e acabou gerando uma grande discussão no país em meio a uma grande crise no humor brasileiro. Isso que fazem é humor? Eles fazem humor ou brincam de ser jornalistas, deveria ser a pergunta. A resposta é: Fazem rir!

Os índices do programa Pânico na TV! em comemoração ao programa de número 300. Exibido no horário das 20h52 às 23h16, foram na média de 10 pontos com pico de 14. Na reprise que foi exibida na sexta-feira (24), o Pânico marcou média de 8 pontos com pico de 12. A considerar a guerra entre os 3 titãs na grade dominical, é de se pensar se realmente em outras esferas investir no novo também não pode ser bom e interessante.

Citar uma coisa ou algumas não fariam jus a tudo que se passou nestes 300 programas. A qualidade das imitações realizadas sejam de artistas ou políticos batem fácil o moribundo Casseta e Planeta. As personagens inéditas talvez percam apenas para as clássicas e empoeiradas personagens do "A Praça é Nossa".

Oxalá que as novidades comecem a ter espaço na mídia brasileiro, pois enquanto a maioria das emissoras está a pagar por formatos, algo nativo se criou.


Fernando Schweitzer, Buenos Aires/ARG - Ator Não-Global, Diretor Teatral, Cantor, Escritor e Jornalista


quarta-feira, julho 15, 2009

VOLTEI...

Sílvio Santos vem aí... La, la, la, la, la, lá!

Fernando Schweitzer, Buenos Aires/ARG - Ator Não-Global, Diretor Teatral, Cantor, Escritor e Jornalista


É guerra! Declarada! Senor Abravanél resolveu retrucar o ataque de sua ex-emissora, a Rede Record, cujo fora proprietário até 1991. Depois da escandalosa contratação de Augusto Liberato pela emissora concorrente trombeteada aos quatro ventos, o patrão resolve contra-atacar. Se já não fora muito retirar Eliana e aí com ela além de uma boa audiência dominical, segundo lugar isolado a meses até a volta do patrão com o não muito reformulado "Programa Sílvio Santos". As forcas do complexo Anhangüera surpreenderam esta semana com um novo ataque.

Recentemente Sílvio Santos levou para o SBT Roberto Justus e Eliana, além de Paulo Franco, diretor de programação da Record e um dos responsáveis pela nova cara do canal. Agora chegou a vez de um ícone da nova fase da emissora migrar de canal. Tiago Santiago, ex-Globo, agora ex-Record, era autor um funcionário que recebia em sua antiga casa patronal R$ 60 mil fixos mensais, mais R$ 25 mil como consultor de tele dramaturgia. Além disso, recebia bônus por pontos no Ibope, que chegaram a lhe render, nos melhores meses, R$ 200 mil. Já o SBT, lhe ofereceu ganhos mensais em torno de R$ 1 milhão.

A guerra entre as duas emissoras pelo segundo lugar tem no último mês inflacionado o mercado de elite de profissionais de TV no país. Gugu passou de 500 mil para 3 milhões, Justos e Eliana de 150 para 600 mil, e assim se vai aumentando as cifras da mídia brasileira a palo largo. Santiago fechou um contrato de quatro anos com o SBT nessa sexta-feira (13), na casa de Sílvio. "Senti que minha consultoria e meu trabalho de autor ficaram bastante desprestigiados. Mudaram meu horário e deram uma divulgação enorme para 'A Fazenda'. O orçamento de elenco caiu pela metade em 'Promessas'. Economizaram até nos cenários", disse a Coluna Outro Canal do UOL.

A ida do autor que fora responsável pelas 3 das 5 maiores audiências em novelas da emissora é um tremendo golpe de mestre, em sentido estratégico. Mesmo que a terceira temporada de "Os Mutantes", "Promessas de Amor" tenha ficada apenas na promessa de um gran finale para a trilogia, todavia as 2 primeiras temporadas tiveram grandes índices e ainda fizeram história como a primeira trilogia em formato de novela do país.

Criticas a parte ao estilo didático de Santiago, o mesmo que serviu para a formação de um público cativo a novelas da Record, considero que o autor tem sim seus méritos. O enfoque humanístico ou humanista as vezes cansativo em suas tramas fazem um grande diferencial estilístico em seu trabalho. Como quando a personagem Berenice de Prova de Amor, vitima de TOC (Transtorno Obsessivo Compulsivo), sendo a irmã da protagonista acabo por fazer um marco demonstrativo de como um transtorno psicológico pode alterar a rotina de vida de um ser humano.

Nessa guerrilha de bastidores outras peças podem estar por girar no tabuleiro. Bianca Rinaldi atriz que teve pleno destaque em todas as tramas do escritor, deve ser escalada para próxima novela da Record. Especula-se que a atriz pode ser convidada para o casting do SBT, mas o autor Marcílio Moraes, responsável pela novela que substituirá “Poder Paralelo”, já desenvolve uma personagem especialmente para Bianca Rinaldi na trama.

Tiago foi o maior se não um dos maiores responsáveis pela retirada de ícones da Rede Globo com intuito de construir uma imagem ilusória de que suas novelas se passavam na emissora carioca. Com um elenco basicamente de ex-atores Globais o comentário das pessoas sempre fora de: "Pensava que está novela era da Globo". Estratégia também usada pela carioca na década de 60 e 70 com atores das TVs Tupi e Excelsior. Se dessa vez seu Sílvio levar a sério a história de fazer história na TV podemos ter mais um boom inflacionário no alto escalão de actores das grandes redes, como dizem nossos irmãos lusitanos.


Fernando Schweitzer, Buenos Aires/ARG - Ator Não-Global, Diretor Teatral, Cantor, Escritor e Jornalista

terça-feira, junho 30, 2009

O que falta?

Fernando Schweitzer, Buenos Aires/ARG - Ator Não-Global, Diretor Teatral, Cantor, Escritor e Jornalista



Exatamente! Metade do ano. Momento de fazer um balancete da vida o ao menos dos muitos acontecimentos recentes. Onde? No mundo? Claro. No meu mundo... É um dos que mais conheço, apesar de que dizem que a grama do vizinho sempre é mais verde. Creio que se pode também ao invés desta frase, se dizer que é a do vizinho a grama mais fácil de criticar. Devo confessar um grande erro que cometi em minha vida, ou seriam vários? Milhares, que nem da metade recordo. Alguns que recordo sem parcimônia lhes digo. Deveria ter amado mais, pois que digam que isso é cafona ou ultrapassado. Deveria ter chorado mais, já estou quase plagiando uma canção. Agora já foi... Ter feito tudo que eu queria fazer.

A quem possa crer interessar ou não, creio que minha vivência ressente em um outro país possa interessar a alguém. Se não, escrevo igual. Mas para isso ter um pouco de nexo devo informar ao quem ainda não o está, quem seria esta criatura errante que lhes escreve. Ou que a eu mesmo me reporto em um sentimento autóctono e auto antropofágico.

Nascido em berço simples, e vejam que não disse pobre pois seria muito piegas, em São Paulo, localidade de Suzano. A início da década de 80, final de ditadura no longínquo país, quase colônia americanizada situada ao sul do hemisfério sul. Passante por vários estados deste, sofrido vivente não aculturado em sua juventude na longínqua Santa Catarina, vivi meus últimos dias na República das Bananas em sua "capital" Florianópolis. Hoje erradicado em Buenos Aires com dois grandes pesares: Ser brasileiro y infelizmente ainda não naturalizado portenho.

Qual sofrimento desta situação? Primeiro ter de largar um país nativo por não conseguir muda-lo. Como em uma ditadura aberta, a dita-branca hoje vigente no "brasil", obriga aos não negligentes para com ele ou que se tornem podres e imbecis ou que fujam do país. A nossa mídia tem sido um grande aliado histórico e atual desta continuidade ideológico-sócio-normativa. Diriam os defensores do indefensável país mais cercanos a consciência: Mas você vai desistir do país pelo qual você já tanto lutou? A resposta é pior que a pergunta para estes mesmos. Digo eu em resposta: "Não sou eu que desisti do país, o país que desistiu de mim!".

A medida que eu não consegui me tornar podre e conivente a barbáries sócio culturais de vários graus aceitas sócio-culturalmente no país, e todavia este tão pouco quis deixar de valorizar as mais torpes criaturas existentes no universo e no próprio país... Restou-me apenas fugir ou deixar-me definhar pelo sofrimento, a exclusão sócio-cultural e a dor de ver os seres mais decrépitos e corruptos vencendo e sendo valorizados.

Ao chegar na Argentina lhes digo caro leitor, as dificuldades foram além do idioma todas. Você sair de um país onde o maior produto de exportação são coisas vulgares te atrapalham ou ao menos aos mais corretos e decentes entristecem e incomodam. A cada vez que obrigatoriamente você tiver que cometer o fatídico erro de proferir em voz alta sua nacionalidade, por favor jamais diga que é brasileiro. A não ser que queira responder as malditas perguntas que se repetirão inúmeras vezes pós este ato impensado:

- ¿Sos de Brasil? ¿Te gusta axé?
- ¿Sos de Brasil? ¡Juegas futbol! A todos los brasileños le gusta futbol, ¿no?
- ¿Sos de Brasil? ¿Juegas capoeira?
- ¿Sos de Brasil? ¿Sabes sambar?
- ¿Sos de Brasil? Las mujeres de "brasil" son hermosas...
- ¿Sos de Brasil? Me encanta "brasil", ¡todos son tan alegres!

Entre estas várias perguntas me me enfurecem a alma e corroem meu ser pela infelicidade de ter nascido no "brasil", existem muitas outras similares que tanto ou mais me irritam. Essa desgraçada imagem idealizada do país vizinho que têm os argentinos e todo o mundo é com certeza culpa dos governos que nada fazem pelo país e seu coniventes que respaldam essa pseudo democracia, menos democrática que Cuba, ou qualquer ditadura medieval ou contemporânea.

Segundo vários autores, cito: Marx, Weber, Adorno, Durkheim, Bordié, Bodeler, Ramoné e Luis Melodia, existe um consenso de práxis de que um ser apenas é livre quando é consciente. E antes que os psicóticos, psicólogos, psiquiatras ou pseudo seres humanos nos perguntem o que é consciência eu lhes digo que é o que não é inconsciente, automático, sociopaticamente aceito sem crítica por status quo. E peco que ninguém que recompile este texto ponha o termo status quo em parênteses ou qualquer outro tipo de grafismo que o diferencie do restante deste texto. É quase uma vontade testamental, a qual não se deve desrespeitar.

Esperando que não haja consciência de uma minoria para que não hajam novos excluídos funcionais, fugitivos culturais, emigrantes do império e da sociedade vendida e vendedora sem valores daquele que poderia se não o fosse como é ser uma grande nação. Ou que uma ampla maioria não se se conscientize, seguindo a matiz marxista revolucionária de cambio social, onde pensasse que somente um povo consciente de seu papel no mundo e de sua realidade podem ter chance de modificar o status quo de sua triste realidade de exclusão.

O que mais me perguntam, perguntaram e perguntarão a meu esquálido e desvalorizado ser? Se você não adivinhou ainda, realmente não sei se deves continuar a ler este punhado de letras que aqui estão. A resposta vem antes quiçá assim venha as mentes a desvairada e talvez hoje diria inocente pergunta. Proferia eu que "buscara um país, com uma maior noção de nação e um pouco mais de valorização a cultura e ao amor próprio". Fácil agora não? Para quem ainda não, a pergunta do milhão é: Argentina? O que você vai fazer na Argentina?

Bem, a resposta antes de minha vinda a este país desconhecido de seus vizinhos brasileiros está acima. Ou melhor a que eu tinha para o momento. Agora, depois de 6 meses e 26 dias residindo em Buenos Aires tenho outras.

Poderia ser sincrético e citar Gardel, ícone da música argentina, e assim apenas por status quo não precisar argumentar:

Mi Buenos Aires, tierra florida donde mi vida terminaré.
Bajo tu amparo no hay desengaños, vuelan los años, se olvida el dolor.

Apesar do respeito que tenho pelo senhor Carlos Gardel devo descordar. Pois, infelizmente, a dor não se esquece, as vezes se deixa de sentir por um ou vários momentos. E não sei se aqui minha vida terminarei, devido a falta de cumprimento de acordos bilaterais mal feitos, não posso fazer documentos argentinos e me legalizar plenamente no país. Como o maior país do mundo tem critérios distintos dos demais países de seu bloco, o famigerado Mercosul, precisei voltar ao "brasil" três vezes para refazer documentos não considerados aqui.

O melhor de tudo é que 4 meses antes de mudar do país fui a chancelaria do ministério de relaciones exteriores em Florianópolis e recebi as instruções de como proceder para concluir estudos no exterior. Detalhe todos os indicativos errados, ademais ao buscar o consulado e embaixadas brasileiras fui instruído a me dirigir a Brasília para fazer as validações de documentos, que pasmem somente são feitas na capital federal em um setor do ministério de relações exteriores que funciona apenas de 9h as 11h. E ainda fui obrigado a escutar do atendente a seguinte frase: "Você quer o trâmite para hoje?".

Voltando ao norte do prólogo... Descobri dentre muitas coisas nestes 6 meses. Descobri que o espanhol a la mexicana que aprendi torpemente é plenamente diferente do argentino e mais ainda do portenho, ou seja, da capital. Descobri que portenhos são só os da capital e não qualquer argentino. Dentre entre várias coisas que aqui existe cerveja de 1 litro a R$ 1,80 no mercado, que se pode falar de obras de teatro alternativo em programas de TV comerciais, que o Metrô(Aqui chamado de Subte) pode custar R$ 0,75 e ainda assim quando subir pra R$ 0,78 o povo reclamar e até fechar ruas em protesto, que os argentinos conhecem mais do "brasil" que os brasileiros possam pensar, que os brasileiros sabem mais do longínquo e imperialista império do norte que do país vizinho, que um país católico e que por seus nativos é denominado conservador, tem a união civil entre pessoas do mesmo sexo aprovada desde 2003 (primeiro país das Américas a ter lei de tal âmbito), enquanto o grande vizinho encuba seu projeto similar de autoria de Marta Suplicy desde 1994, etc...

Se já disseram que o Uruguay já fora a suíça das Américas por ter-se tornado um paraíso fiscal, deve se dizer que Argentina é o novo ponta de lança da modernidade no continente excluído. Isso que o PIB do país numericamente seja apenas o 4° das Américas.

Havia me esquecido, outra coisa muito importante que aprendi. A ser auto-crítico, não que antes eu não fosse, demais até para um brasileiro. O argentino é o primeiro a criticar a argentina, em compensação no "brasil" cada vez que mesmo que merecida lhe fazia uma critica era alvo de ataques raivosos. Sempre afirmavam coisa como: Ah, você não é brasileiro. Ou: "como você vai dizer isso? O "brasil" é maravilhoso!!". Eu sempre perguntava: Maravilhoso pra quem, e era quase linchado.

Após ter espetáculos teatrais boicotados y censurados por órgãos governamentais de Santa Catarina, entre outras coisas mínimas que no cumulativo me saturaram. Não só devido a isso como muito mais e por minha própria segurança, falta de dinheiro para fazer lobotomia e uma certa inadequação com o conformismo nato-brasilês decidi fazer meu exílio sócio-político-cultural na Argentina.

Toda semana eu escrevo sobre TV no "brasil" a um ano e algo fixamente para alguns sites, um jornal de Florianópolis e outras mídias, pois me dediquei ao jornalismo após ser expelido da carreira teatral por circunstancias externas mais que internas. E nas ultimas semanas tenho recebido balaços de vários tipos e origens, tanto que hoje resolvi falar de mim. Assim quem sabe dou mais argumentos aos meus arqui-inimigos, também não gostava do cantor recém falecido além de estar saturadíssimo de ler e escutar ainda sobre isso. ( Risos ) Era falta de assunto mesmo, oxalá que consiga voltar a temática na próxima semana, ou que passe algo de interessante na TV tupiniquins... É preciso comer e pagar as contas já que não tenho um contrato de 3 milhões por mês como Gugu, agora confirmado Record ( como já tinha adiantado a tempo), nem os 600mil da Eliana, agora SBT, etc, etc, etc...

Acrescento esta frase porque me pareceu um tanto chato terminar um texto que apesar de não dizer nada ( essa frase é uma outra arma aos insurgentes e insatisfeitos com minha existência no mundo ), diz tudo. A qüestão é: Alguém têm interesse em se conscientizar de algo?

quinta-feira, junho 25, 2009

Pânico na TV

Fernando Schweitzer, Buenos Aires/ARG - Ator Não-Global, Diretor Teatral, Cantor, Escritor e Jornalista



Entretenimento ou cultura? O que é a televisão? Essa discussão é mais antiga que a minha existência nessa encarnação. A cultura não pode ser pensada separadamente da crítica; a esta cabe o papel de revelar a não-verdade da primeira. Assim diria na Teoria Estética (sua última obra), Adorno. Onde apresentaria a estética como "a filosofia em si", e não como um campo dela, ou como a aplicação de teoremas ao universo artístico-cultural.

No Brasil sim existe inflação

Nesse ponto que me coloco como um fã incondicional de programas como o argentino CQC e o brasuca "Pânico na TV". Este último que foi alvo de cortejamento das 3 maiores emissoras do país. nesta dança das cadeiras gerada pela contratação de Augusto Liberato, o Gugu, pela Rede Record e o contra-ataque do SBT muito mais atores deste espetáculo tiveram sua cotação aumentada.

Gugu de singelos 500 mil passa a 3 milhões de reais, Eliana de 100 mil passa a 600 mil. Deixando com ciúmes antigos artistas do complexo Anhangüera que recentemente renovaram contratos com redução salarial como Hebe e Carlos Alberto de Nóbrega. Essa inflação nos valores de contratos proporcionada pela disputa cada vez mais acirrada na TV brasileira tem reflexos nas folhas de pagamento das emissoras. Já a pouco Fausto Silva e Luciano Hulk tiveram renovações contratuais para mais de milionárias por parte da Globo após ameaça de migrarem para Record.

O SBT tentou, mas não conseguiu. O "Pânico na TV" acaba de renovar seu contrato com a RedeTV!, onde permanecerão por pelo menos mais três anos. A emissora enviou um comunicado para a imprensa na tarde desta terça (23). Record que está recém recuperando-se do contra golpe do dono do baú que lhes sacou na mesma Eliana y Roberto Justus, dois grandes pontuadores no Ibope da casa, também tentou preencher seu domingo com o polêmico programa. Até a poderosa tentou colocar os irreverentes humoristas em sua madrugada, devido ao apelo nos públicos juvenil dos humoristas.

Opinião Pública

Nesta semana uma pesquisa realizada pelo Instituto Qualibest, encomendada pelo mercado publicitário, diz que o “Pânico”- Rede TV! e o “CQC”- Band, são as atrações humorísticas preferidas pelo público. Desbancando outras muitas dos grandes canais do país. A pesquisa entrevistou 2000 telespectadores. Esta também apontou que 44% dos entrevistados declararam que gostam das atrações que ridicularizam artistas e políticos. Apenas 16% disseram que não aceitam esse tipo de programa.

Do Pânico, o personagem preferido é o Sílvio Santos, interpretado por Wellington Muniz, que alcançou 19% de preferência. Mais atrás aparecem Vesgo (Rodrigo Scarpa) e a ex-BBB Sabrina Sato, ambos com 13%. Entre os quadros, o mais querido pelo público são as reportagens da dupla Sílvio e Vesgo (48%). Bem atrás, aparece o “Meda” com 8%.

Já o “CQC” ao contrário do “Pânico” que foi tachado de escrachado e classificado pelo público com um programa inteligente que cobra as autoridades. O quadro de maior apelo popular é o “Top Five” que foi apontado como o preferido por 26% dos entrevistados. Logo atrás, aparece o “CQC no Congresso”, com 15%. Já entre os participantes, o preferido do público foi Rafinha Bastos, com 18%. O segundo melhor colocado foi o apresentador, Marcelo Tas, lembrado por 14% dos entrevistados.

Pânico ou "Meda"

A turma do “Pânico na TV!” prefiriu não deixar a RedeTV!, os humoristas estariam com medo devido a instabilidade da grade do SBT. Eles temeriam ficar fora do ar especularam algumas colunas como Ooops y Zapping. Acabou que preferiram a independência de conteúdo e continuar sendo a maior audiência da Rede TV!, onde tem médias de 10 pontos no disputadíssimo horários nobre de domingo da TV brasileira. O apresentador Emílio Surita disse à coluna de Daniel Castro da Folha Online que houve, de fato, o acordo. Surita afirmou que o grupo optou por permanecer na RedeTV! porque tem liberdade na emissora e estava inseguro em relação às propostas do SBT.

Os integrantes do "Pânico" também quase foram presos recentemente ao tentar gravar na rampa do Congresso Nacional. Ceará estava caracterizado de Sarney, com peruca e bigode. Carioca apareceu de Lula. Policiais ameaçaram prendê-los, caso o "Pânico" ligasse a câmera. Depois disso, a equipe teve de finalizar a gravação em outro local. O "CQC" também já foi censurado em Brasília.

O início, os fins e o meio

Todavia a influencia do programa que já antes da TV a anos é exibido diariamente na Rádio Jovem PAN no humor brasileiro é inegável. A comédia stand-up no Brasil nunca teve forca ou expressão, salvo ícones como Ary Toledo, que está mais para contador de história, pois não usam de personagens em suas performances. Seja com seus próprios personagens ou imitações, tanto em reportagens ou vídeos cômicos eles têm feito o país rir nos fastidiosos domingos da TV arcaica brasileira. Também usando caricaturas exibidas ao vivo como em comédias standy ou personagens criados o programa tem motivado a concorrência a investir neste tipo de arte na TV.

Em meio ao tiroteio que sei que está por vir perante minhas próximas afirmativas parto do princípio de que arte é toda criação que envolva as pragmáticas artes cênicas, danca, música e dramaturgia. A arte pós moderna de instalações artísticas incompreensíveis para um ser humano normal e aplaudida por pseudo-eruditos ou expertos em arte têm sim seu papel. Agora negar o título de produção artística ao "Pânico" seria um sacrilégio, pois são melhores atores que 90% do elenco da novela das 8 ou de Malhação.

De antemão explico o que em meu conceito é interpretação de uma personagem. Creio piamente que fazer uma personagem seja o ato de construção e execução cênica de um "ser" diferente do ator. Mesmo porque se nem irmãos gêmeos que são os seres mais semelhantes entre si no mundo, são iguais, recitar um texto sendo você mesmo como fazem pseudo atores tanto em teatro e principalmente televisão não é absolutamente se quer cercano a interpretar uma personagem.

Entretenimento ou cultura? O que é a televisão? Espero que possa ser as duas coisas. A televisão é o meio não o fim. E já diria a "incurtura popular": O importante neste caso são os fins e nao o meio!


Fernando Schweitzer, Buenos Aires/ARG - Ator Não-Global, Diretor Teatral, Cantor, Escritor e Jornalista

quarta-feira, junho 17, 2009

G1, R7 por FS1

Fernando Schweitzer, Buenos Aires/ARG - Ator Não-Global, Diretor Teatral, Cantor, Escritor e Jornalista



É engraçado mais quando se pensa que a ofensiva da Rede Record, onde tenta não só na nave mãe, bem como em outras gamas se igualar a concorrente. A técnica é a mesma usada pela TV Globo nos terríveis anos finais da turbulenta década de 60 para tornar-se líder. Copiar o formato de grade da TV Excelsior, e alguns programas das TVs Tupi y Record, bem como de sacar artistas a peso de ouro de suas concorrentes.

Logo as operações do portal "R7" começarão. Não é um fuzil, tão pouco uma pistola, mas será mais uma arma de equiparação ao poderio global pela rede da barra funda. No próximo dia 29, mesmo dia em que a newsroom da emissora será reinaugurada para marcar a estréia de Ana Paula Padrão à frente do novo "Jornal da Record". Já diria minha mãe: Era só o que faltava? Fizeram canal de notícias 24 horas, novela com atores de novela da Globo, estão querendo contratar o Gugu do SBT ( que até a Globo já quis em tempos passados ), tinham tentado o Faustão e o Luciano Huck ( uma tentativa de vingança pela retirada estratégica de Márcio Garcia, que ameaçava Hulk e a insossa sessão de filmes de sábado a tarde da poderosa), contrataram a mulher do Rei do Gado... Onde isso vai parar?

Não sei se sou capaz de responder a esta pergunta, será que alguém conseguiria. Mais pode se pensar tranquilamente que vai longe.

Será outra copia ou coincidência ou concorrência?

A Record está já está na web com endereço próprio a muito, mas o site é apenas institucional e apresenta a programação da emissora. Também sustenta um canal de vídeos no YouTube, lançado em parceria com o Google, que substituiu o portal dentro do sítio da emissora que dispunha toda sua programação ao dia seguinte da exibição. A parceria com Google/Youtube .teve como objetivo divulgar os destaques da programação, exibir chamadas e trechos dos programas e novelas que o canal transmite dentro desta plataforma que tem por si só um imenso fluxo de acesso autônomo onde a divulgação se faz desnecessária muitas vezes. O novo portal como o "G1" terá um espaço dedicado à imprensa, com informações sobre a rede.

O "R7" deverá ser lançado oficialmente em setembro, fazendo parte das comemorações de 56 anos da Rede Record. Segundo a revista Veja, assim como o G1, da Globo, o R7 terá vídeos da Record, da Record News e material original produzido por 130 jornalistas.

Em tempos onde finalmente Record consegue e relativamente com êxito e momentos de liderança ter seu show realidade, como já suas duas grandes rivais tiveram. Depois do fenômeno "Casa dos Artistas" no SBT, BBB´s na Globo, ela tasca com a sua versão de rural de realite, intitulada "A Fazenda".

Record auto antropológica

O que a muito não se pensava e hoje em dia começa a se tornar realidade é que a emissora construiu de certa forma seus casting de celebridades. Prova disso tem sido as entrevistas feitas com os recém saídos "heróis" como diria o famigerado jargão "Pedrobialziano" do realite a moda caipira. Com invejáveis 8 pontos de média, pico de 11 e share de 25%. Com a eliminada de A Fazenda, Babi Xavier, como uma das principais atrações, o Hoje em Dia garantiu a liderança contra inclusive o jogo da seleção brasileira de Futebol "Dunguiana". O programa foi exibido entre 9h30 e 13h09, mas os picos de audiência foram com a heroína recém chegada da roça.

Até a concorrência repercute

Depois do puxão de orelha que levou da Globo, o diretor Boninho saiu do Twitter. Segundo fontes de Fabiola Reippert da Folha Online: Depois de falar mal do realite da Record. Pesou e ficou chato o clima. O diretor está inconformado que "Jogo Duro" perdeu de "A Fazenda" no Ibope. No minuto a minuto, a maior diferença entre os dois foi de 23 a 13 em confronto direto

Histerias a parte

Quando tomo a liberdade de escrever sobre algo obviamente que tento ser ético, mas acabo sempre me empolgando na histeria dos fatos que abordo, talvez na social-histeria ou na minha própria. Acabo por abarcar em minhas torpes linhas de algo que me resta de sanidade e raciocínio mais assuntos que queria ou deveria falar. E nessa onda louco que desejo nao deixar passar essa e parafrasear a frase histérica, digo histórica, do produtor Boninho: "Eu não preciso ter ética, eu não sou jornalista". Depois de criticar o jornalista Brito Jr. seu atual concorrente direto. Digo eu: "Eu preciso ter ética, eu não sou o Boninho". Ademais ressalvo, nem sempre se consegue se-lo, mas que me dá um enorme prazer em tentar... Ah isso dá!

Esperemos os próximos passos do elefantinho chamado mídia brasileira. Seja G1, R7, G8 ou AR-17 ou que sigla venha a nosso encontro que tenham ética. Sao palavras de FS1 (Fernando Schweitzer em primeira pessoa ). E esperemos que essa gigante seja tão ética um dia quanto é forte.


Fernando Schweitzer, Buenos Aires/ARG - Ator Não-Global, Diretor Teatral, Cantor, Escritor e Jornalista

terça-feira, junho 09, 2009

"Senhora Censurada"

Fernando Schweitzer, Buenos Aires/ARG - Ator Não-Global, Diretor Teatral, Cantor, Escritor e Jornalista



Extra, extra, extra... Novela é classificada por ministério! Pode parecer manchete da era dos anos de chumbo e repressão na América Latina. A censura de hoje é "moral", diferente da de outrora em tempos de guerra fria e Operação Condor ( Que maquinou e financiou as ditaduras militares da década de 60 e 70 no hemisfério periférico sul ). Que o Ministério Público vem agindo sorrateiramente e brincando de ditadura militar já se é mais sabido. A tal classificação indicativa é por um ponto uma medida para barrar exageros na TV brasileira, que em verdade em tempos idos somente pegava no pé dos ratos menores da mídia brasileira. Independente de se você esta na tribo dos que acaloradamente odeiam a TV Globo ou de seus fanáticos, este "facto" é de ligar a luz vermelha.

Senhora do Destino é reclassificada para maiores de 12 anos , nota de vário periódicos e sítios especializados. Após duas advertências recebidas pelo Ministério da Justiça, a Globo terá que reclassificar Senhora do Destino para maiores de 12 anos. A decisão do Ministério da Justiça em impedir a exibição de Senhora do Destino à tarde entrará em vigor em até 5 dias úteis após a publicação do despacho, que ocorreu nesta terça-feira (9). Com essa decisão do MJ a trama não poderá ser exibida antes das 20h. Entre os principais argumentos do Ministério está a exibição de cenas de assassinato, agressão física e verbal e linguagem de conteúdo sexual.

Eu realmente me pergunto, se em noticiários da manha e tarde se fala e se mostra certos tipos de cena e em nome do tal jornalismo verdade tudo pode, e como é ao vivo vai ao ar, porque uma obra dramatúrgica já conhecida da sociedade seu conteúdo pode estar sofrendo tal censura. Em Abril a emissora foi advertida por cenas da vilã Nazaré (Renata Sorrah), consideradas violentas para o horário em que a trama vai ao ar. A Globo se comprometeu em ser mais severa nas mudanças e cortes para adequação da novela.

Eu se fosse o autor processaria a nação por cercear a sua liberdade intelectual, pois esses cortes distorcem a obra e como qualquer texto de qualquer área, além do mais um texto dramatúrgico. Ainda sobre o tema, a Central Globo de Comunicação informou que a emissora irá recorrer da decisão. Em paralelo a isso amaria que fossem proibidos os aculturadores, esses infinitamente mais violentos filmes comercialoides americanos que passam em várias emissoras em mesmo período, inclusive na própria Rede Globo.

Ainda em tempo devo dizer que o êxito no Brasil é algo que traz caspa e causa inveja, e não digo que este é o caso, mas que neste caso também o é. No mês de maio Senhora do Destino ficou em terceiro lugar no ranking dos programas mais vistos da televisão. Em primeiro aparece a trama Caminho das Índias, de Glória Perez, com 59,2%. Em segundo lugar aparece o Futebol dos domingos, com 56,2% e em terceiro Senhora do Destino com 52,8% dos televisores ligados no horário de exibição.

Creio que a sociedade civil deveria estar não apenas a par de quais claramente são os critérios e quem são seus aplicadores desta famigerada lei de classificação vigente no país, Me parece enfermo se proibir uma obra para horários antes das 20h, quando coisas infinitamente piores passam antes deste horário. Ou será que a sociedade é tão manipulado e vulnerável ao que se exibe na mídia que poderá sofrer grandes danos com a reprise desta obra em matinê, como se dizia no meu tempo? Com a palavra a opinião pública.



Fernando Schweitzer, Buenos Aires/ARG - Ator Não-Global, Diretor Teatral, Cantor, Escritor e Jornalista

quinta-feira, junho 04, 2009

O "melhor" entre os piores!

Fernando Schweitzer, Buenos Aires/ARG - Ator Não-Global, Diretor Teatral, Cantor, Escritor e Jornalista



Não foi uma Casa dos Artistas, mas pode passar a ser. Ao revés desta o reality "A Fazenda" estreou com alarde, sirenes e o que mais queiram enumerar os meios para o seu lançamento. Recordemos que a casa de seu Silvio estreou sem anúncios expressos de qual programa seria colocado ao ar. Fato que pegou a poderosa de surpresa.

O programa consolidou a média de 44 pontos no geral. No período em que o programa foi exibido, o Fantástico da Rede Globo principal concorrente do horário, viu sua audiência cair para 28 pontos. Sua grande final obteve 52 pontos no Ibope, uma grata surpresa para o SBT. A vencedora da 1ª edição foi atriz Bárbara Paz, que ao sair tornou-se a principal estrela da novela Marisol da emissora. Atualmente, Bárbara Paz tem contrato com a Globo, fez participação especial no seriado policial “Força Tarefa” e ainda terá um papel na próxima novela do horário nobre “Viver a Vida” do autor Manuel Carlos.

No casa atual e graças aos mil boatos plantados na mídia pela própria Record quanto aos participantes possíveis desta "grande novidade" midiática, a emissora carioca com medo buscou blindar-se. Durante a noite de domingo, a Globo manteve uma distância de cinco a oito pontos da Record, que conseguiu o segundo lugar na audiência com a estreia do reality show. Mudando de horários alguns programas, cortou comerciais, emendou programas, mostrou apresentadores interagindo e, por fim, conseguiu desbancar a Record na audiência. Ainda segundo a "Ooops!", a estratégia começou com a junção de "Faustão" com o "Fantástico" sem intervalos comerciais. Para atrair os espectadores, o programa começou com uma matéria sobre a Índia, seguida por uma reportagem exclusiva com o casal Alexandre Pato e Stephany Brito. Depois, exibiu uma reportagem sobre a caloura Susan Boyle.

Os Marinhos desta vez não dormiram na toca como diria minha bisavó. Agora ao pensar estratégicamente uma média de 16 pontos em São Paulo para este formato de programa onde se perde o boom da estréia apresentando enfadonhamente os participantes entre conhecidos e sem i-conhecidos pelo povo, está até que muito bom. Ao se considerar também que houveram segundo dados preliminares, momentos em que o reality conquistou a liderança por aproximadamente 15 minutos. No horário das 20h59 às 23h24, a Record marcou uma média de 16 com pico de 21; Globo liderou com 23; SBT 11 e, RedeTV! 7.

Neste cenário acirrado incluso com momentos onde o "Pânico na TV" chegou ao 2° posto hora em empate com a Globo hora com a Record, e SBT com o "Domingo Legal encostava. E ao estilo BBB, o Recordino também tem suas versões pela semana onde o reality aparece com pico de 18 pontos de audiência. No horário entre 20h54 e 21h36, obteve média de audiência de 13 pontos, com pico de 18 e share de 19%. Informação da assessoria de imprensa da Record.

Já muito se falou bem e mal da audaz intenção da rede da Barra Funda de um dia tornar-se líder e de isto ser uma façanha lerrana, agora que alçando este objetivo inóspito tem se garantido como segundo emissora do país a um bom tempo, fato inédito desde a fundação do Sistema Brasileiro de Televisão também deve ser valorado.

Antes que me questionem quanto ao tema "Qualidade na TV" ou o que for digo que eu já desisti de abordar este mesmo. Estamos fadados a um mundo de substração e incoerência. E é dentro deste mundo atual que eu profiro esta que pode ao mesmo tempo ser a frase do século ou a garfe do milênio. "Se bem produzido, um programa com um conteúdo de merda, pode se tornar um caviar midiático".

Filosofei isso hoje: Se é superfulo ver "Big Brother", é menos superfulo ver "A Fazenda". Pois não creio que devamos comparar artistas com criaturas que sem a menor formação pretendem ser-lo. Me chame de louco quem puder, ou melhor quem tiver argumentos. Ou será possível que pessoas que deveriam ser ao menos hipotéticamente representantes de alguma forma de arte ou expressão tenham menos a dizer que bucéfalos que talvez nem Deus saibam que função tem ou quiçá um dia terão ao mundo.



Fernando Schweitzer, Buenos Aires/ARG - Ator Não-Global, Diretor Teatral, Cantor, Escritor e Jornalista