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segunda-feira, julho 08, 2013

Superman - A invasão dos Médicos Socialistas

Fernando Schweitzer, Florianópolis - Actor, Director Teatral, Cantante, Escritor e Jornalista


Fico curioso as vezes com coisas abstractas, e absurdas, para outros seres. Hoje vi por exemplo a Rede Globo falando de mudança de currículos constantes nas universidades... Só confirma o que penso... Forma neoliberal de atrasar o diploma do aluno universitário e tirar mais dinheiro do cliente-aluno. o Brasil ficou pouco atrás dos Estados Unidos, que teve 2,3 bilhões de telefonemas e mensagens espionados.

Onde esses temas se ligariam? Me pergunte, por obséquio. Tá, tá, tá! Sem pausa respiratória como o Maestro Lingüiça eu respondo. E minha lingüiça é com trema, porque nunca comi linguiça na vida, nem quero. Bem, já é sabido que os Estados Unidos espiona o Brasil desde antes da guerra fria, inclusive contando com a colaboração, segundo o WikiLeaks, do William Waack, o boneco de Olinda do Jornal da Globo. Aliás, quem não sabe que não se tem mais privacidade na internet ou fazendo ligações telefônicas?

Como será que a ditadura militar brasileira descobria os aparelhos de guerrilheiros comunistas e não comunistas à época.

O tema quase actual e em evidência se trata dos médicos estrangeiros que virão ajudar os brasileiros pobres. A expectativa é que sejam abertos dois editais. Um para escolher as cidades que desejam receber os médicos e outro para que os profissionais brasileiros possam se inscrever e escolher o município para onde querem ir. O governo afirma que vai autorizar a contratação de estrangeiros caso as vagas disponíveis não sejam preenchidas por médicos brasileiros.

Seguramente os fascistas e plurinacionalistas de plantão já esbracejam jargões governistas da década de 70, para em tese defender o país. “Brasil, ame-o ou deixe-o”, jargão popular que a algum tempo ressurgiu no inconsciente colectivo, bocas de, e em conversas dos que não querem pensar o país, conformistas e afins... Este que a alguns anos atrás motivou-me a realizar meu auto-exílio político de 5 anos na Argentina.


A farândula embusteira do momento para aloprar minha existência perene e algós e que ecoa aos 5 ventos é de que o Brasil têm sobra de profissionais médicos, e blá, blá, blá... Mas ao mesmo quando se necessita um médico no posto de saúde do bairro, as filas de espera são de meses. Ou você, ser de classe média, que em algum momento necessitou um médico pensou por mais de duas vezes em uma necessidade ir a um hospital público?

Por que será que os planos médicos cada vez se encarecem mais e se multiplicam? No mundo neoliberal onde mais de 60% dos negócios abertos se fecham por quebra, ou falência. Quando a hipocrisia vai para? Quando a saúde será pública e de qualidade?

A idéia de trazer profissionais cubanos ao país, que têm uma das piores taxas de qualidade na saúde e educação, é refutada por profissionais e conselhos de medicina. Talvez comparar seja preciso para devanear em outra órbita essa possibilidade. Cuba tem uma média de 6 leitos médicos por habitante, o Brasil 2 - segundo a Oranização Mundial de Saúde (OMS). Mas qual é o prospecto coerente se o Brasil é hoje a 6ª economia do mundo e Cuba a 66ª? É literalmente um 6 a 2, matemáticos e numerólogos entenderão a analogia.

Dentre várias guinadas a direita neoliberal e fascista a presidente Dilma Rousseff, finalmente faz algo não pensando no 1% da população que controla 95% do PIB brasileiro, e lança o Programa Mais Médicos, que tem por objetivo levar esses profissionais às periferias das grandes cidades. Com foco principalmente no Norte e Nordeste. Segundo o jornal “Folha de S.Paulo”, o governo brasileiro teria suspendido as negociações com Cuba devido a pressão "popular".

Além da similar falta de objectivos das manifestações no país recente, cada dia mais elas se assemelham aos protestos da Marcha da Família, de 1964, que apoiou os militares a darem um golpe e instaurar uma ditadura sem precedentes no mundo. A importância para certos sectores da sociedade tupiniquins de combater o mal comunista, o tal perigo vermelho é um elixir as avessas que pode afundar o celeiro do mundo em outro mar anti democrático, seja ele com ou sem eleições directas.

Será que o Tio Sam mandaria o Super Homem para nos salvar da invasão de médicos de capacidade "duvidosa" socialistas e perigosos? Precisamos ser salvos desses vilões terríveis que virão acabar com o emprego de nossos médicos "hiper-capacitados" e burgueses, xenófobos, racistas e anti norte-nordestinos, homófobos, separatistas e neo-nazistas.

Qual é a angústia psicológica desses seres em recusar-se profissionais mais eficientes em condições mais precárias que as daqui? Touché!!! A possível e remota idéia de que um pais não capitalista possa ter em algum âmbito mais qualidade que o nosso conservador e neoliberal Brasil? Touché!!! Comprovar que o que realmente pode melhorar a qualidade de atendimento na saúde não é o aumento do salário dos médicos? Estes bem parecidos aos de deputados, senadores e etc? Touché, Touché, Touché!!!

* Este artigo respeita o antigo acordo ortográfico e rechaça o vigente.


Fernando Schweitzer, Florianópolis - Actor, Director Teatral, Cantante, Escritor e Jornalista

domingo, maio 26, 2013

Nem tudo é tragédia, ao menos as pessoas riam

Fernando Schweitzer, Florianópolis - Actor, Director Teatral, Cantante, Escritor e Jornalista


Noite, TAC, domingo, 20:00, teatro, As Felicianas, 21:44... Para! Sei que está confuso. Assim me sinto após 1:29:10s de apresentação da comédia As Felicianas. Não encontrei um sistema actancial na dramaturgia do espectáculo... Vou tomar um café... Depois continuo. Prometo! O Café era colombiano, que delícia! 

Os actores Igor Lima, Malcon Bauer, WMarcão e Renato Turnes, que além de actuar assina a direcção artística do show, se revezam no palco para apresentar personagens novos, além de velhos conhecidos do público, em As Felicianas, no domingo. O elenco, com exceção de WMarcão, integrou o Teatro de Quinta. Cada ator é responsável pela criação de cada uma de suas personagens, garantindo a originalidade do show. - esse é o release.

A "surpresa" foi Igor Lima que já havia visto justamente no Teatro de Quinta, em uma grata melhora técnica na caracterização de suas personagens. Tanto as (personagens) inéditas quanto as já conhecidas me foram claramente apresentadas pelo actor. Pesa que o texto não ajudava o que me gerou um conflito. Se a atuação melhorou ao comparar-se com as performances de anos atrás, no antigo Café Matisse, como o resultado não fora superior?

E como sempre digo, sempre há algo de novo no mundo para se conhecer, ao menos no quesito ator. Este foi meu debute dentro da obra, WMarcão. Os seus textos, e/ou improvisações, tinham muita picardia. O tom das caracterizações, e não falo das roupas, de suas personagens é que me soaram algo muito semelhante entre os vários ensejes de tipos que executou. 

Malcom Bauer... É... Legal. O via mais espontâneo nos tempos da brilhantina... Nos tempos de Teatro de Quinta, ou mesmo quando trabalhamos em uma encenação travestida de leitura dramática de A Gota d'água no SESC.

Renato Turnes, infelizmente não o vi em outro espectáculo. Em As Felicianas não posso opinar muito quanto a construção de personagens. Sobre ele recaíram uma imitação de Joelma, aquela da bandinha do marido, que não convenceu(depois de Shalin, imitar a Joelma não é fácil). De Renato também, inusitadamente foi um dos momentos que me causou mais identificação, não, seria interacção... Isso, ou o que seja. Justamente uma de suas personagens, que era como uma psicóloga de televisão.

A psicóloga em dado momento diz: "... você que está aí amuado, pensando em desistir da vida...". Foi o tragicómico mais inóspito, e estimulante ao mesmo, de meus últimos anos ao estar assistindo uma peça teatral. Somente em uma outra montagem, As Criadas, que assisti quinta-feira no SESC, poderia ser este epitáfio mais apropriado. O que não fez falta, pois abandonei as criadas e sua má hermenêutica cénica antes de jaz.

Piadas de senso comum muitas vezes bem usadas podem passar a ser um trunfo, quando as interpretações recriam uma nova perspectiva para tais. Por vários momentos, vários de muitos, bastante no sentido de demasiadas vezes, adivinhei ou por angustia e constrangimento completei as frases e anedotas óbvias em seu desfecho.

Uma mescla de piadas de show de drag-queens, texto batido, piadas vencidas e de gueto, com uma boa produção de figurinos e maquiagem caricata com um final fraco e desnecessário. Alias, mais fraco que o restante da peça que vai de mediano a bom em sua maior parte. Se ao menos o título da peça...

Mas nem tudo é tragédia. Ao menos as pessoas riam e alto, como sugere o nome da produtora. Eu gosto de presenciar momentos em que o ser humano se sente feliz. Pena que não consegui compartilhar desta alegria. Acho que vou no youtube assistir episódios do Zorra Total, quiçá assim passe a entender de que se riam.

E eu vendo ontém filmes do Jerry Lews... Cada um, cada um... É assim que se diz hoje em dia né?


Fernando Schweitzer, Florianópolis - Actor, Director Teatral, Cantante, Escritor e Jornalista