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quarta-feira, março 07, 2012

Quero alcançar uma estrela

Fernando Schweitzer, Buenos Aires/Arg - Ator Não-Global, Diretor Teatral, Cantor, Escritor e Jornalista



Para que necessitamos tanto de ídolos? Quiçá para suprirmos nossa carência pessoal e esconder nossas inapetências. Até aí, não disse nenhuma novidade. A questão irracional passa a ser, quando super valorizamos algo ou alguém, mais que o merece. Desde a revolução francesa o mundo vem sofrendo agressões bruscas a sócio-cultura normativa humana. Algumas para o bem, diga-se de passagem. O ponto a que venho é: O problema não é ser fã de algo, e sim ser fã sem motivos racionais para.

A canonização em vida de certos objetos da cultura de massa é um crime coletivo de lesa-humanidade. Os convido leitores a desmistificar certas verdades absolutas do mundo POP.

Primeiro o que vem a ser um POP STARS? E não estou a falar da bandaRouge que que vendeu seus três milhões de cópias com quatro álbuns de estúdio, um álbum remix e três DVDs lançados e depois de 4 anos de êxitos simplesmente esquecidas. Não serei mais irônico até o fim do artigo, prometo. Prometo tentar.

O grande paradigma. Êxito ou sucesso. Em espanhol suceso quer dizer acontecimento.  Usarei essa dicotomia da língua irmã, já que provém também do latim, para criar um paralelo. Fazer sucesso é algo comum, não requer talento e tão pouco é sinônimo de qualidade técnica artística. 

Já que usei terminologia imperialista acima, sei que os filhotes do Império do Norte devem estar ansiosos para que eu cite algum yankee como referência de estrela pop. Calma. Chegarei aí, não da maneira desejada mais... Chegarei. Ampliemos nossa visão encilhada como cavalo chucro. Desplazemo-nos em um âmbito mais amplo do que poderíamos chamar de um astro. Termo esse anterior a revolução causada pela criação da Pop Art, termo em inglês para Arte Pop, movimento artístico surgido no final da década de 1950 no Reino Unido. Pop, significa: aparecer, estourar, estalar. Claro em raiz literal. E art, bem... É arte mesmo terminologia proveniente do latim ars, artis, e este calcado do grego. τέχνη). Virtude, disposição e habilidade para fazer algo.

Cultura popular, cultura de massa é a cultura vernacular - isto é, do povo. Cultura Popular pode ser definida como qualquer manifestação cultural (dança, música, festas, literatura, folclore, arte, etc.) em que o povo produz e participa de forma ativa. Ai... Hoje em dia seria, a que o povo acredita participar, ou que vem dele.

Bem vamos com parágrafos curtos agora, assim dá tempo de respirar. Respirando... 1, 2, 3... Respirando...

Minha primeira noção do que seria um estrela na vida foi quando conheci a história de uma menina que era o patinho feio e que tinha como ídolo um cantor e que estava bastante distante na vida dela, mas ela o amava tanto que conseguiu arrumar um emprego perto dele, mesmo sendo feia o seu ídolo pouco a pouco foi se apaixonando por ela e no decorrer da novela com esse amor correspondido ela aos poucos vai mudando.

Eduardo Capetillo e Mariana Garza em cena  de Alcançar Uma Estrela / Divulgação - Televisa
Claro isso era uma novela, Alcanzar una estrella, de 1990, quando recém estava eu começando a cantar na noite em bares de minha cidade. Como em quase toda a novela desse tipo, é necessário ficar bonita, e descobrir-se magicamente que se tem um grande talento para ser cantora. Os dois obviamente, depois que a pobre e feia comeu o pão que o diabo amassou, se apaixonam e vivem felizes para sempre.

Eu continuo pobre e feio, igualmente me causa muitas boas recordações a época em que sonhava que algo parecido ao que aconteceu com Lorena, a protagonista, passasse em minha vida. Desse sonho absurdo, surreal e enfermo é que se alimenta a indústria cultural de massa. Fazer crer a um, "mero mortal", que qualquer um pode ser um astro. Que boa armadilha. Pois tudo sempre tem um porém e um porquê.

Para ser uma estrela, tem que ter muito talento e força de vontade, pois não basta ser só lindo... Ser maravilhosa... Precisa ter determinação e confiança de si mesmo, afinal se nem você confia em si mesmo, como os outros vão poder? Prometi não ser irônico, lembram?

Cher ou Madonna? Shakira ou Jennifer Lopez? Thalía ou Paulina Rubio? Michael Jackson ou Rick Martin? Ivete Sangalo ou Claudia Leite? Michel Teló ou Luan Santana? A última comparação foi piada, de mal gosto obviamente.

Já tivemos debates mais saudáveis na história. Dalva de Oliveira ou Emilinha Borba? Elis Regina ou Elza Soares? Lupicinio Rodrigues ou Nelson Gonçalvez? Placido Domingos ou Pavarotti? Luis Miguel ou Chayanne? Paulo ou Hortência? Silvio Santos ou Chacrinha? Beatles ou Elvis? Tinna Turner o Barbra Streisand?

Na verdade ia falar sobre estrelas populares da atualidade... Mas voei no tema. Melhor esperar que o mundo reveja seus conceitos do que seria uma estrela popular artística. Que a magnitude do bom senso, se é que existe, venha a dar luz a essas mentes que endeusam a certas criaturas que se têm talento, o único é de ganhar muito dinheiro ao enganar o povo de que realmente têm talento.

Quero alcançar uma estrela, uma só... Até hoje lembro da melodia composta pelo grande astro Ricardo Arjona. Hoje o maior vendedor de discos no mercado da América latina.




terça-feira, setembro 14, 2010

Barreiras com o Idioma

Fernando Schweitzer, Florianópolis/SC - Ator Não-Global, Diretor Teatral, Cantor, Escritor e Jornalista


O Show de Ivete Sangalo no sábado (04/09/2010) no Madison Square Garden, em Nova York, continua rendendo críticas de jornais "internacionais". O veículo americano, "New York Times", deu o seu parecer com a matéria: "Idioma e ritmo impedem Ivete de se tornar estrela pop internacional". (Em tradução livre).

Depois de afirmar que a cantora brasileira seria a maior estrela de quem ninguém nunca ouviu falar, semanas antes da apresentação que também se tornará um DVD. Tomou-se o rumo de demonstrar o quão xenófobos, mesmo depois da crise e bancarrota em que estão a viver atualmente, nossos ex-compartilhadores de continente. A crise americana e sua quebradeira generalizada não lhes trouxe humildade. A publicação ainda segue dizendo que "Não será fácil para a sra. Sangalo expandir seu território e se juntar a cantoras como Beyoncé, Madonna e Shakira como uma estrela pop globalmente reconhecida", diz o "NYT". "Há, inevitavelmente, uma barreira de linguagem para músicas em português".

Leia também o artigo:  Pombo Correio 

Não que juntar-se a esta lista seja algo positivo. Ivete pode estar caindo no mesmo erro de nossa amiga latina Shakira hoje internacional, ou seja, americanizada e por isso odiada por grande parte dos colombianos. No show na terra do Green Card, ela cantou algumas músicas em inglês, como "Human Nature", de Michael Jackson, "Easy", do Commodores, e "Where It Begins", em dueto com a cantora Nelly Furtado.

A comparação é inevitável. Pois americanos do norte, são realmente completos ignorantes quanto a qualquer coisa fora de seu mundinho de superficialidade e etinocentrismo. Então devemos partir do ponto que a décadas atrás eram tão analfabetos em espanhol quanto hoje o são em Português. Na verdade é a mistura do sentimento de baixa auto-estima latina que se auto-sub-julga mesclada ao imperialismo cítrico da década de 90, os construtores do estigma de que qualquer porcaria em inglês é chic(do Francês).

Em tempos áureos Shakira tornou-se febre no mundo inteiro, exceto EUA, com seu terceiro álbum Piés Descalsos(1996), As canções extremamente melódicas, musicalmente surpreendentes e corajosas, com letras intelectuais e uma mistura eletrônico/acústico quebraram o paradigma da fórmula pop latino e mundial. Com uma sonoridade autêntica, que não tinha sido ouvido antes. Como pode para desconhecedores da cultura afro-brasileira considerada autentica a mistura de rock-balada-axé da artista baiana.
O analfabetismo em espanhol do mundo não hispânico não impediam Shakira de fazer com que canções fossem êxito até mesmo na terra do tio Sam. O álbum que foi lançado internacionalmente em 13 de Fevereiro de 1996. Estreou em # 1 em 8 países diferentes(2 destes de língua não hispânica), e ranqueando em 5º no Billboard Top Latin Albums. O álbum gerou seis hit-singles Estoy Aqui (E.U. Latin # 2), ¿Dónde Estás Corazón? (E.U.A. Latin # 5), Pies Descalzos, Sueños Blancos, Un Poco De Amor (Latin # 6), Antologia (E.U. América # 15) e Se Quiere, Se Mata (Latin # 8).

Até mesmo no Brasil, aonde se tem naturalizado o discurso de que o mundo tem apenas dois países: Estados Unidos e o resto, Shakira virou febre, país este em que menos se acreditava no sucesso de Shakira devido à língua portuguesa, se rendeu às músicas deste disco. "Pies Descalzos" também foi um dos primeiros álbuns latinos a ter um retorno comercial interessante nos Estados Unidos. Devido a "Pies Descalzos", a Sony se viu obrigada a criar o prêmio Prisma de Diamante devido às 1 milhões de cópias vendidas na Colômbia, um feito inédito até então. Pouco mais de um ano depois, o disco já havia superado a marca dos 3 milhões de exemplares, cerca de 500mil só no Brasil.

O jornal continua: "A sra.. Sangalo tem outro obstáculo: o ritmo. Muitos hits brasileiros, como "Cadê Dalila", usam as batidas rápidas do axé, a música do Carnaval na Bahia. Por ser uma batida que poucos fora do Brasil podem acompanhar". Seria falta de coordenação motora? Se até mesmo os Rolling Stones já gravaram uma canção iniciada por atabaques de candomblé, porque uma baiana não pode fazer sucesso cantando axé? No dia 8 de Julho, faltando 58 dias para a gravação do DVD, Ivete Sangalo anuncia no Twitter que os ingressos para o show no Madison Square Garden já estavam esgotados, 20 mil estavam a venda.


Analfabetismo internacional

Afinal porque raios pessoas semi-analfabetas, ou crianças e adolescentes de baixa renda e rendimento escolar pífio podem consumir lixo americanos como: Madonna, Britney Spears, Beyonce, sem nem citar as tais Boys-Bands de letras de menos de 2 estrofes? A considerar que não sabem bem nem português, quem dirá inglês. Porque os analfabetos culturais de lá não poderiam consumir música em português? Se alguém vier com o discurso imperialista de que Inglês é um idioma mundial, por obséquio, que vá pra rua falando em inglês. Garanto que não consegue comprar nem uma bala, vai passar fome.


Essa linha de pensamento estadandartizado e subverniente me lembra um comentário em aula de um colega de faculdade em Buenos Aires. O rapaz da alta sociedade portenha proferiu: "Estive em Paris e achei um absurdo... Pedi uma informação a um policial e ele não me respondeu e mal me olhou". Detalhe, ele se dirigiu ao policial FRANCÊS no idioma inglês. Primeiramente creio que lhe faltou um pouco de cultura geral, pois ignorou o fato de que franceses detestam americanismo. Segundo, creio que ao contrário do que ocorrem nos filmes, as pessoas dos 197 países do mundo, exceto os de língua inglesa desconhecem ou não possuem fluência em tal idioma. Terceiro, ele desconhece a lei sancionada no tempo do presidente Jacques Chirac, que proíbe o uso do idioma Inglês em ambientes públicos governamentais, documentos oficiais e em placas comerciais. Em quarto lugar, "Caralho!", ele estava na França.

Se eu cometesse a gafe corriueira dos turistas brasileiros em Buenos Aires, de dirigir-me as pessoas de lá em português como se tivesse no Brasil, não seria compreendido. Esse conceito construído pelos filmes Hollywoodianos de que cachorros, extra-terrestres, extrangeiros e afins falam inglês fluentemente é recorrente e está no sub-consciente das pessoas no mundo. O que é um sintoma de enfermidade sócio cultural e de perda de identidade crescente. Adquirir cultura a tempos atrás era natural. Colégios bilingües, trilingües, enfim... Eram uma constante. Hoje o que se têm? Inglês, ou? Inglês!


Disseminando o "baianês"

Pobre menina de Juazeiro, que vinda de uma família de músicos, só queria cantar. Virou sucesso e agora segue a política evolutiva da arte pós-moderna. E por mais que tenha já seu artigo na wikipédia em 14 idiomas, terá de aprender inglês para se tornar internacional. Seria como no passado quando um artista necessitava ser aplaudido pela crítica para depois vender para o público em geral, esse incapaz de pensar por si só. Só que hoje o que importa não é qualidade, sim status(do latim). E status hoje é ser americano, ou no mínimo, americanizado.

Por lá teve jornal impressionado por que ela não usou playback. Como se cantar ao vivo fosse errado ou fora de moda. Algumas cantoras antes musas do playback hoje justamente investem nessa "nova vertente". Thalía em seu ultimo DVD, dizem as más linguas, aprendeu a cantar ao vivo. Shakira num passado chegou a gravar um MTV Acústico, pasmem, em espanhol. Ou será que todo cantor moderno, tem de se vestir como uma travesti de 5ª, e fzer show de dublagem ao estilo "new Madonna"? Para leigos, Lady Gaga.

Ela poderia defender-se dizendo que a muitos anos atrás, Caymmi foi para as bandas de lá a cantar em baianês, e isso ao vivo como se dizia época. Nunca tendo gravado em francês no ano de 1984, no seu septuagésimo aniversário, ele foi condecorado em Paris pelo ministro da cultura francês, Jack Lang, com a Comenda das Artes e Letras da França, atribuída a importantes personalidades culturais. Afinal diziam em tempos remotos que música é uma linguagem universal. Hoje isso só vale para empurrar goela abaixo produtos Yankes pelo mundo, mas na ordem inversa a música e qualquer coisa se torna algo que sofre com as tais "BARREIRAS COM O IDIOMA".

Porque Ivete Sangalo não pode com letras de Hebert Vianna, Tim Maia, entre outros, se tornar a primeira cantora em Português a cantar para os gringos em um grande prêmio, como foi Shakira a primeira artista a cantar em espanhol num VMA (premiação a MTV americana)?


Fernando Schweitzer, Florianópolis/SC - Ator Não-Global, Diretor Teatral, Cantor, Escritor e Jornalista