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quarta-feira, abril 12, 2017

FRANÇA: Empate técnico entre 4 candidatos cria multiplas espectativas


Resultado de imaxes para melechon
Jean-Luc Mélechon sobe 9% e embola disputa francesa

Marine Le Pen aparece cotada entre os 23 e os 25% e Macron entre 23 e 24%. Mélenchon entre 18 e 20% e Fillon que cai já a 3º posição estará entre os 17 e 20%. Mas uma sondagem publicada no domingo (instituto Kantar-Sofres) atribui 18% a Mélenchon, um ponto à frente de Fillon, estável nos 17%. O socialista Benoît Hamon está fora da corrida com 9 ou 10%.

Dada estas novas sondagens a França a 12 dias de seu pleito eleitoral vê-se em um cenário inédito e tendo como ponta de lança o azarão de ultra esquerda Jean-Luc Mélechon em uma subida cavalar e acelerada nos últimos dias. O dito candidato da esquerda dentre as esquerda vem fazendo um discurso duro e de crítica aos políticos tradicionais e ao plano econômico do jovem Macron, chamado por ele de candidato híbrido. Pois horas discursa a direita e hora a esquerda. 

Segundo o politólogo Marc Lazar, se Mélenchon é o candidato “de refúgio” das esquerdas, recusando-se no entanto “a ficar fechado no campo da esquerda”. Hoje, “dirige-se aos indecisos, aos abstencionistas e aos que votam pela primeira vez”. As sondagens indicam que lidera as intenções de voto, entre os jovens de 18-24 anos.

A queda do socialista Benoît Hamon que está fora da corrida com 9 ou 10%. “O que impressiona é a fluidez dos ‘eleitorados’, que podem passar muito rapidamente de um candidato para outro”, resume Emmanuel Rivière, do Instituto Kantar-Sofres(de pesquisas). O que daria com grande provabilidade votos preciosos e úteis a Mélechon o candidato com cara de professor esquerdista da década de 70, da primavera francesa. Causando quiçá um segundo turno de extremos entre Le Pen e o ultra-esquerdista. Algo dizem muitos que poderia ter sido um embate feroz Trump x Sandlers, nos EUA.

sábado, novembro 12, 2016

França é o último bastião de liberdade por conquistar a ultra-direita?


Trump não costuma falar sobre as suas relações com a extrema-direita europeia, mas tanto o seu programa como o tipo de eleitores que cortejou são semelhantes aos que Marine Le Pen e a Frente Nacional (FN) perseguem há anos em França.

Os sindicatos franceses sabem bem que a Frente Nacional, um partido de extrema-direita, rouba eleitores entre os operários, com um discurso proteccionista em que mistura o nacionalismo económico com políticas de defesa dos trabalhadores. Marine Le Pen explorou ao máximo este filão para conquistar novos territórios eleitorais no Norte de França, zona deprimida devido à desactivação das minas de carvão e da deslocalização das fábricas para outros países – efeitos da globalização, tão demonizada em França.

Os eleitores de Marine Le Pen, em França, que se deixam encantar pelas promessas de saída do euro e de encerramento das portas aos imigrantes, não são muito diferentes dos que elegeram Donald Trump, que teve melhores resultados entre eleitores brancos (em especial homens), sem formação superior, que vivem em zonas rurais ou semi-rurais.

A vitória de Trump com este eleitorado é, para Le Pen, um bom augúrio para as presidenciais que terão a primeira volta a 23 de Abril de 2017, e para as quais é dada como vencedora na primeira volta. À esquerda,  o Partido Socialista está dividido e sem um bom candidato - François Hollande transforma-se cada vez mais num Presidente recordista de impopularidade. Para a segunda volta, no entanto, a aposta é que o candidato de centro-direita conseguirá batê-la.

terça-feira, novembro 17, 2015

Marianne ou Mariana? A vulgar discussão do momento!

Fernando Schweitzer - Diretor Teatral e Jornalista

Desde "Os Miseráveis" de Victor Hugo, à ode da Revolução Francesa, ou as novas repúblicas basadas no direito francês... Aonde nos perdemos. Pois, diz a história que os liceus tanto na terrinha quanto na republiqueta de bananas dava como matéria de língua estrangeira o francês.

Queda da Bastilha
Pensar que a guerra fria e o cinema estadunidense criaram no imaginário coletivo uma surreal crença de que o inglês seria um idioma internacional... Não, não. Falar isto hoje a defensores do neoliberalismo seria assumir um voto ou militância pelo comunista partido hoje no governo. Este mesmo que desde 2002 governo em linhas muito mais liberalistas que qualquer régua de esquerda(seja no plano social, econômico, filosófico, educacional ou ideológico).

Sim, é verdade que em 1890, instituir o francês como idioma obrigatório tinha uma lógica, que hoje não o teria. Se alegava a época que grandes teóricos e pensadores modernos, ícones da arte(belas artes, como se dizia à época), dentre modas e vestes, comportamentos de alta mesa e noblesse, eram as melhores do mundo naquele país. Hoje ser culto não faz sentido e não dá ibope. Atualmente o bom é ser rico e não ser culto. Ser cool, não mais ser cult. Ser cult é uma gíria e/ou hábito que caiu em desuso na última década.

Acadêmica-mente o disparate é maior, termos de fazer resumos em inglês, por mero colonialismo e complexo de inferioridade. Como se norte-americanos fossem ler coisas feitas, teses produzidas no Brasil. Aliás, esquece-se também óh zé povinho que este conceito de separar Brasil de seus pares da América Latina fora uma "invenção francesa", pois estes consideravam o restante dos países do continente uma lacra subalterna aos interesses de Londres e com uma identidade nada particular. 


Doravante, o sistema primordial brasileiro para o ensino aplicava o grego e o latim como línguas primordiais para a socialização e aquisição de gosto pela leitura e arte. No ano de 1837, funda-se o Colégio Pedro II de primeiro nível secundário, sendo referência curricular para outras instituições por quase um século, pois sua grade era inspirada nos moldes franceses, que era a representação do ideal de cultura e civilização na época. No programa, constavam sete anos de francês, cinco de inglês e três de alemão. Esse sistema manteve-se até o ano de 1929; mais tarde, em 1931 o italiano passou a fazer parte do currículo.

O hoje tão falado caso francês, por força de um atentado em Paris no dia 13 de novembro de 2015, seria de veras mais comentado e entendido se o idioma francês, não tivera sido extirpado do currículo escolar brasileiro no ano de 1971, em prol do inglês americano. Pois a ditadura militar financiada pelos EUA, tinha um espelho, um objetivo ideológico... o Império do Norte.

Isso talvez explique porque para os brasileiros o 13/11 importe menos que o 11/09. Nossa mídia é pró-saxônica, é atrelada e serva do imperialismo. Vivemos em um país em que hoje se comemora o Halooween, mas não festeja a Revolução Francesa.

Compreende, ou melhor explico. Como é possível um país tão pobre hoje quanto a França fora no século 16 e 17, estar a manifestar-se na rua pedindo a volta da ditadura... Resultado da aculturação e idiotização causadas pelo cinema norte-americano e por uma sucessão de governos anti-democráticos dentre 1964 até o falso esquerdista que ainda vigora no Brasil.

A sociedade francesa passou por uma transformação épica, quando privilégios feudais, aristocráticos e religiosos evaporaram-se sobre um ataque sustentado de grupos políticos radicais de esquerda, das massas nas ruas e de camponeses na região rural do país. Antigos ideais da tradição e da hierarquia de monarcas, aristocratas e da Igreja Católica foram abruptamente derrubados pelos novos princípios de Liberté, Égalité, Fraternité (em português: liberdade, igualdade e fraternidade). As casas reais da Europa ficaram aterrorizadas com a revolução e iniciaram um movimento contrário que até 1814 restauraria a antiga monarquia, logo derrubada por Napoleão, este que logo seria derrubado por uma união multi-nacional europeia, mas muitas reformas importantes tornaram-se permanentes.  


Legados como a abolição e substituição da monarquia, aristocracia e da igreja por uma república democrática e uma mudança social radical baseada no nacionalismo, na democracia, em princípios iluministas de cidadania e em direitos inalienáveis; hoje talvez pareçam coisas banais. Duros tempos!

O iluminismo, também conhecido como Século das Luzes foi um movimento cultural da elite intelectual europeia do século XVIII que procurou mobilizar o poder da razão, a fim de reformar a sociedade e o conhecimento herdado da tradição medieval. Abarcou inúmeras tendências e, entre elas, buscava-se um conhecimento apurado da natureza, com o objetivo de torná-la útil ao homem moderno e progressista. Promoveu o intercâmbio intelectual e foi contra a intolerância da Igreja e do Estado. 

Foram vários os príncipes reinantes que muitas vezes apoiaram e fomentaram figuras do iluminismo e até mesmo tentaram aplicar as suas ideias ao governo. Originário do período compreendido entre os anos de 1650 e 1700, o iluminismo foi despertado pelos filósofos Baruch Spinoza (1632-1677), John Locke (1632-1704), Pierre Bayle (1647-1706) e pelo matemático Isaac Newton (1643-1727). O iluminismo floresceu até cerca de 1790-1800, após o qual a ênfase na razão deu lugar ao ênfase do romantismo na emoção. Enquanto nos dilaceramos em putrefatas discussões de qual tragédia é a pior, creio que a pior é a derrocada do iluminismo. 

quarta-feira, abril 24, 2013

C'est Fini: Já fomos mais franceses!


Pena mesmo hoje o Brasil ser tão imperialista, ou americanizado para ser mais preciso. Se fossemos como em tempos passados quando tínhamos nas escolas francês e latim quem sabe estaríamos mais a par de nossos pares que originaram a maior revolução ideológica do planeta, a Revolução Francesa.

Liberté, Egalité , Fraternité. Esse mote ou lema que abriu o pensamento do mundo com perspectivas moderno-iluministas até hoje é sonhado por muitos. As ditas minorias! Dada a aprovação pelo Parlamento do casamento civil entre pessoas do mesmo sexo e a adopção por casais homossexuais nesta terça-feira (23), os franceses enfrentam um clima de tensão em várias partes do país.

Do lado de cá do oceano dentre um mar de notas não comentas a posteriori nas emissoras Record, Band, Globo, SBT sobre o tema... Não vi em outras emissoras infelizmente. Cheguei a uma conclusão, ou não. Notas sobre o Barcelona perder um jogo. para mim de importância nula, mereceu comentários longos e fervorosos, debates e etc... E a maior revolução da quinta república francesa, o Matrimonio Igualitário, como nota seca seguida de futebol ou da notícia que o ex-presidente que fala errado(ainda) vai ser colunista do The New York Time.

Os jornais impressos seguiram a Agenda Setting do conservadorismo brasileiro e deram notas dentro dos cadernos internacionais com pouco destaque, e em suas versões on line esconderam a notícia longe dos destaques. Sem contar que a maioria não habilitou a função de comentários justamente nesta nota.

Nos portais de notícias o mesmo, excepto pelo G1, que têm ainda em destaque a nota, esta de 23/04, e que se manteve por mais de 24h em destaque e com opção de comentários. No R7 está tão escondido que até usando sua ferramenta de busca foi difícil encontrar a nota. Ao passo de ver que não fora compartilhada por absolutamente ninguém, fui o número um a recomendar, retwittar e etcs...

A criação da "castirola?" teve por fim mais destaque. Eu chamaria de chocalho, e pronto, nada mais.

Então dei uma girada pelos diários de países dentre os 13 outros que já aprovaram o matrimonio igualitário. Um comentário na nota do espanhol, El País, me chamou atenção: "¿Acaso no hay adultos gays que provienen de matrimonio heterossexuales? Pensar antes de escribir no hace daño, pruébalo." - em um tom muito mais maduro que o do forum do G1, cito: "Pena de morte para aberrações da Humanidade!!!".

Bem aqui temos um pastor homófobo e fundamentalista em uma comissão de direitos humanos do congresso e na Espanha o Matrimonio Igualitário desde 2005. Ato comemorado também com a excelente comédia romântica, Reinas(Rainhas), 2005, onde a diva de Almodóvar, Carmem Maura faz a mãe de um dos primeiros 20 casais homossexuais que se casará graças a aprovação da lei no país(com legenda em português disponível no youtube inclusive).

O amadurecimento sócio-cultural desses países onde seres humanos independente de suas preferências afectivas é nítida, poderia ser seguida pela presidenta brasileira. Visto que Hollande, o presidente francês teve e cumpriu, a prometida e esperada por muitos lei de matrimonio igualitário, com uma de suas promessas de campanha. Enquanto isso Dilma falava em ato oficial sobre a cachirola.

O mais cristalizante, no sentido de fruta cristalizada(aquelas durinhas do panettone), é que a maioria absoluta das notas não esclarece o que mudou na legislação e no matrimonio no país que fora por séculos o baluarte de cultura, finess e boas maneiras. Para que esclarecer? Vamos confundir. Falar dos católicos e protestantes extremistas que se manifestado contra a nova lei.

Só para ajudar o povo a sair da ignorância quanto ao tema, compilei os dados fornecidos pelo diário O Globo:

Vamos as regras do matrimonio igualitário francês:

O casamento homossexual altera o Código Civil e outros 12 códigos da legislação francesa. Veja as principais medidas:

- Desde 1999, a união civil entre casais homossexuais era reconhecida, mas ela não criava vínculos de filiação entre dois parceiros e o eventual filho de um deles. A lei também não autorizava a adoção;

- A nova legislação reconhece a autoridade dos pais e regulariza a situação da criança; as palavras "pai" e "mãe" são substituídas por "pais" e "marido" e "mulher" por "esposos";

- Estende o direito de adoção de filhos aos casais gays;

- A lei não altera o regime de casamento, mas inclui casais homossexuais no mesmo regime, antes restrito a heterossexuais. Direitos como disputa pela guarda em caso de divórcio, pensão alimentícia e herança passam a ser iguais para todos;

- Inclui o direito de alteração do sobrenome em caso de casamento;

- Reconhece casamentos homossexuais realizados no exterior, como acontece com heterossexuais.